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domingo, janeiro 17, 2010

Fim de tarde em Santa

Hoje fomos comemorar o aniversário de um amigo no restaurante Aprazível, em Santa Tereza. Não foi a primeira vez que estive lá, mas acho que foi a vez que eu mais curti, relaxada, com amigos, o entardecer naquele lugar... não preciso nem dizer que foi uma tarde muito agradável...

Quando estive lá a primeira vez, me encantei com as cores, os móveis, e principalmente, com a culinária, refinada e pra lá de brasileira. Um programa que todo "gringo" tem que fazer, até os menos abonados.

A decoração também é linda. Contam com muitas cores, e apesar do calor escaldante, as flores estão sempre por toda parte. Estas que estão na foto, eu tirei na primeira vez que estive lá, e me motivaram a colocar sempre flores em casa, pois elas dão vida a qualquer ambiente.

Fora isso, a decoração conta com algumas construções que parecem com ocas, e a gente se sente um pouco numa ilha dentro do Rio de Janeiro e se esquece das mazelas que ainda encontramos na cidade, apesar do esforço de muitos.

O fato de usarem as cores berrantes das chitas também ajuda a criar um clima bacana. A gente nem acredita no alto astral da decoração e fica boquiaberto em ver como o local fica cheio o tempo todo. Aliás, Santa Tereza estava bem cheia hoje, já que tambores e tamborins já estão esquentando nesse período pré-carnavalesco.

Conversamos muito com um casal que conhecemos e que nos contou que conheceu nossos amigos, os anfitriões, num cruzeiro onde ficaram dez dias jantando na mesma mesa. Deram graças por terem se dado tão bem e terem feito uma viagem tão agradável, que tinha resultou numa amizade que já durava mais de dez anos. Nós também, já que ficamos numa mesa apenas com eles, e descobrimos um monte de afinidades. Inclusive o fato de sermos vizinhos, e morarmos a apenas 100 metros de distância (no máximo) uns dos outros. Incrível, né?

Pois já combinamos uma saída na semana que vem, os três casais! Quando você decide se abrir para o mundo, novas pessoas aportam no seu mundinho... quem sabe elas não vêm trazendo coisas boas?

A propósito, fiquei chocada em ver como as filhas do meu amigo se parecem com os pais. É como o meu pai e minha irmã, iguais-iguais-iguais!

domingo, maio 10, 2009

Sonhos e o dia das mães

Acho que este post vai ficar meio chato, mas é que eu estou precisando desabafar, e o blog às vezes serve pra isso. Hoje eu acordei meio melancólica. Pelo simples fato que hoje é o Dia das Mães.

Estive com uma amiga outro dia e ela me disse que há pouco tempo tinha se dado conta de que o Dia das Mães e o Dia dos Namorados são datas muito próximas. Estas duas datas são muito importantes para ela atualmente, e o fato dela não estar namorando e não ter filhos começou a incomodá-la agora mais do que antes.

Pra mim, a falta de filhos já me incomoda há muito tempo. Ter filhos sempre foi um grande sonho. Eu sempre pensei na minha casa cheia de filhos, nas festinhas que eu ia fazer para eles, nas brincadeiras de criança que eu ia tirar do fundo do baú da minha memória e na alegria de ler livrinhos infantis pra eles antes deles dormirem. Sempre me achei imatura para a vida, muito Poliana, mas tinha uma certeza dentro de mim de que quando eu tivesse filhos, essa imaturidade cairia por terra e eu me tornaria madura de uma hora para a outra: seria o peso da responsabilidade. Eu sempre me imaginei grávida e achava que seria uma linda grávida e mais bonita ainda quando mãe.

Tem horas, como hoje e o resto da semana passada, que eu fico pensando nessa perguntinha da foto aí de cima: será que eu não coloquei simplesmente o meu sonho de lado e comecei a pensar em mim mesma sem filhos pelo simples fato que esse assunto sempre leva a uma discussão tremenda aqui em casa? As conversas sobre este assunto são sempre difíceis e as últimas discussões tem levado sempre a uma saída que não nos leva a lugar nenhum.

Enquanto isso, eu fico me perguntando porque sou tão incompetente. Será que há algum motivo inconsciente que me impeça de engravidar? Será que a sabotagem é minha e é derivada de algum instinto de auto-preservação ou sou eu mesma que decidi que não quero perder a minha condição de filha para assumir a condição de mãe, de ser responsável, daquela que abre mão das coisas pelos filhos... Mas, que tantas coisas assim que eu teria para abrir mão?

Na médica, outro dia, me dei conta, no meio do nosso papo, que eu já levava vida de mãe sem ter filhos. Daquela que não vai pra farra, que não vira noite na rua, que usa os finais de semana para cuidar da casa, para cozinhar, enfim, é uma mãezona, com corpo de mãe, sem ter gerado ninguém. Tem alguma coisa muito errada nisso. A ginecologista me perguntou se eu estava disposta a envelhecer e abrir mão desse sonho, se eu queria isso pra mim, e eu não soube o quê responder.

Esta semana, fiquei danada porque o vendedor que me atende numa loja me ligou e me disse que tinha um presente do Dia das Mães para mim. Ele está cansado de saber que eu não tenho filhos e não foi capaz de anotar isso na minha ficha. Isso porque ele me atende há mais de cinco anos! Parecia que tudo contribuía para compor uma teoria da conspiração.

E as mães e futuras mães com as quais estou sempre esbarrando? No meu andar, lá no trabalho, tem mulher pra caramba. Todo ano, tem umas quatro ou cinco grávidas. Quando a gente entra no banheiro, lá estão elas falando de cremes, de fraldas, de móveis, de reformas no escritório de casa, na babá que elas vão precisar contratar, na roupa que elas tiveram que alargar... E eu, que sempre que me imaginei de bata, de vestidão, fico com horror àqueles assuntos, fico querendo mudar de banheiro, fico torcendo para que elas decidam ir conversar lá fora, para que eu fique um momento em paz.

Não fosse isso, a programação da tv é temática. Hoje, por exemplo, no Globo Esporte, a matéria principal foi sobre Hidroginástica e Ioga para grávidas!!! Demais, não?

Hoje eu sentei pra escrever um cartão pra minha mãe e fiquei pensando no texto:

"Mãe, me desculpa pelo neto ou neta que eu ainda não te dei.
Me desculpa pela minha incompetência."

Ao contrário disso, escrevi algo que eu sabia que ia fazê-la sorrir.

As minhas avós não tiveram o prazer de ver os bisnetos nascerem. Eu me ressinto disso. Pra piorar, quando olho pra minha mãe e vejo ela brincando com o filho do meu primo, vejo como ela queria ter um neto. Vejo o quanto o meu desejo fraco faz mal não só a mim mesma, como faz mal a ela e ao meu pai. Mas, eu ainda não encontrei o caminho. Espero que um dia eu encontre.