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domingo, abril 08, 2012

Dias de preguiça

Eu tive uma varanda. Por doze anos. E tive uma rede também, por um tempo. Ela era de brim, cru. Muito gostoso ver anoitecer naquela rede. Sentir o vento na varanda balançando na rede era bom demais.

Até que um dia, a rede começou a desmanchar. Primeiro foi a franja. Depois, as alças. Nós, eu e meu marido, que prezávamos tanto a rede, não entendíamos como ela podia estar desmanchando.

Ficamos de tocaia, num domingo à tarde. E eles apareceram. Passarinhos, por incrível que pareça. Eles estavam usando os fios da rede para construir seu ninho. E nós, que adorávamos os bichinhos e nos sentíamos felizes com sua visita livres, leves e soltos a nossa varanda, resolvemos deixar a rede por lá mais algum tempo, mas quando ela já estava bem detonada (acreditem, ela foi acabando nessa brincadeira), decidimos que não iríamos substituí-la...

Hoje, não tenho mais varanda e tive que pôr o jardim dentro de casa. Tudo bem. O que mais me faz falta são os dias de preguiça, de não fazer nada.

Desde o carnaval, lá se vão 40 dias, só fizemos trabalhar, mas trabalhar muito, para pôr a casa nova do nosso jeitinho. E aqui e ali, está tudo se arrumando. Já não temos mais caixas espalhadas pela sala, e pudemos incorporar novas peças à decoração. Tudo dentro da filosofia "MENOS É MAIS".

Se eu tiver coragem, tiro umas fotos e posto aqui depois.

Cada passo que damos, é uma satisfação. Ficamos felizes com nossa casa arrumada. Uma casa que vimos ocupada por outras pessoas e que hoje tem a nossa cara, é a nossa casa.

É tão bom ter uma casa para chamar de "lar, doce lar!"