Mostrando postagens com marcador manias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador manias. Mostrar todas as postagens

sábado, abril 24, 2010

Talvez uma história de amor

Escolhi esse livro por três motivos. Primeiro, porque ganhei um outro de presente que eu já possuía, e tinha que trocá-lo. Depois, pelo título, já que sou uma romântica inveterada. E terceiro, pela idade do autor, um cara praticamente da minha idade, que vê as dores e os dilemas da minha geração pela ótica da minha geração.

Não me arrependi. A história é realmente interessante. Se passa em Paris, num local decadente, onde o personagem mora em companhia de prostitutas e bêbados, que coabitam o mesmo edifício de pequenos apartamentos.

Virgile é um cara que não se envolve muito e, frequentemente, está platonicamente apaixonado por uma amiga ou outra. Um belo dia, quando chega em casa do trabalho, se depara com uma mensagem na sua secretária eletrônica de uma mulher que ele não se lembra de ter conhecido, de nome Clara, e que está ali, terminando algo que ela define como um relacionamento... e que, para piorar, ele não se lembra de ter vivido.

E então ele pira!

Enquanto lia o livro durante o vôo, ia pensando emVirgile, com suas qualidades e defeitos, vivendo numa cidade que eu ainda não conheço, mas que está no meu imaginário de alguma forma, por ter sido tão retratada em livros e filmes. Olhei pro lado e vi um rapaz moço, dos seus trinta anos, deitado em um conjunto de três assentos, e me dei conta de que o Virgile do livro podia ter a cara dele, o jeito dele, enfim, o seu estereótipo. Um cara todo arrumadinho, meio sistemático, capaz de usar um sapatênis marrom com um friso bege na sola, e uma meia marrom com um friso bege na sola (Eu vi esse detalhe porque num dado momento ele tirou os sapatos para ficar mais confortável !!!). E que no meio da viagem pergunta a comissária de bordo se ela teria um pouco de creme hidratante para lhe emprestar para passar nas mãos. Eu quase ofereci o meu ao rapaz tão fleugmático.

Enfim, nosso personagem pode ter a cara que a gente quiser, basta ter imaginação. Esse é um livro bacana que serve como um excelente passatempo e que a gente devora em um ou dois dias. Recomendo!

quarta-feira, outubro 14, 2009

Um travesseiro e o peso de uma mala

(Esse título dá direito ao leitor a compreendê-lo com seu duplo sentido)

Eu carrego o meu travesseiro pra todo canto. Ele é velho, achatado, duro, com um buraco no meio, e eu só consigo dormir com ele. Se pego um daqueles altos pela frente, sofro, tenho insônia. Tem que ser o meu velhinho, da época que eu era criança. Casei, e o meu marido começou a brigar comigo por causa do travesseiro. Ele também gosta do meu, o que torna isso uma tragédia grega.

Hoje, enquanto fazia a minha mala, lembrava da história da chupeta. Como falei aqui em outro post, estou usando aparelho. É transparente, tudo bem, quase imperceptível, mas é um aparelho nos dentes e é fixo. E, principalmente, dói. Tenho certeza que boa parte da causa que me fêz colocar esse aparelho foi o fato de ter chupado chupeta até tão tarde. Acho que larguei a chupeta aos sete anos, já com um defeito nos dentes que só foi piorando ao longo do tempo.

A mamãe foi a grande responsável por pôr um fim àquela angústia da chupeta. Ficávamos sempre discutindo quando eu largaria a chupeta, até que um dia ela inventou uma história e eu caí direitinho e nunca mais pedi chupeta para dormir.

E lembrando da história da chupeta, me peguei pensando no travesseiro, que pesa na mala, ocupa um espaço danado (que eu poderia ocupar com mais bobagens - que eu não páro de comprar) e que acaba sendo como a chupeta, que eu não largo.

Mas, afinal, por que eu tenho que ser tão apegada às coisas e principalmente às pessoas?

Enfim, no aeroporto de Dallas, enquanto fazia conexão para Washington, DC, vi uma garotinha linda, loirinha, de chupeta na boca, e carregando um paninho que arrastava pelo chão. De tempos em tempos, ela enrolava a pontinha do paninho e a enfiava no nariz. Eu era igualzinha quando criança, como eu me lembrei de mim, meu Deus.

Tenho que me livrar destas manias. Tenho certeza que serei uma pessoa muito melhor. Ah, serei.