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segunda-feira, julho 02, 2012

Uma carta perdida

 
Entrou apressada no último vagão do metrô, do último trem, da última estação. Sentou-se bem no finzinho do vagão, onde quase ninguém ia procurar abrigo aquela hora, nem a ficaria encarando.

Fechou os olhos, como fazia sempre, de modo a lidar com a terrível sensação de claustrofobia que sentia. Deixou os braços escorregarem pelo seu corpo, até encontrarem o frio do banco do coletivo. No vão entre os dois assentos, encontrou um envelope.

Olhou para os lados para ver se havia alguém ainda por perto, talvez o dono ou dona do pequeno envelope. Não, não havia ninguém por perto. Olhou pro envelope e viu que na frente estava grafada, com uma letra bastante feminina e rebuscada, a frase: "Para o meu amor".

Ela, que adorava histórias de amor, não pensou duas vezes, abriu o envelope.

"Rio de Janeiro, 13 de julho de 2011.
Meu querido amor,
Agora que você foi embora, me sinto mais confortável em te dizer tudo isso que eu preciso dizer. Não sei se você nunca percebeu, ou se simplesmente o fez mas, por uma questão de dignidade, nunca tocou no assunto... o caso é que eu te amo... muito. Amo-te desde o primeiro dia, desde a primeira vez que te vi e te achei incrivelmente bonito. Desde o primeiro momento em que rejeitei você e o tachei de chato. Amo-te de raiva, por seres tão insistente. Amo-te, mas amo-te tão perdidamente, que só me reconheço quando olho em teus olhos. O que foi dúvida para mim, de repente se tornou uma verdade irrefutável. Não há espelho mais revelador de si mesma do que os olhos do homem a quem se ama.
Meu amor, você se foi. Está tão longe. Não sei quando, nem onde poderei encontrá-lo novamente. E o que era medo de perder-te virou uma urgência. Anseio todos os dias por ver-te, tocar-te, beijar-te. Tenho urgência da tua boca, da tua pele, to teu beijo e to teu abraço. Lembro-me de cada momento contigo, daqueles em que eu disse meias verdades, por medo, puro medo, e dos que fui intensamente provocada por você. Não sei como não sucumbi, não sei como resisti a você. Por vezes, tive a impressão de que toda a atenção e energia deste mundo estavam destinados a juntar um homem e uma mulher: nós.
Da menina que podia esperar, sonhar e imaginar, não sobrou nada. Sobrou apenas uma mulher madura, ciente dos seus desejos, aberta para o mundo, que te ama muito, imcompreensivelmente.  Peça, chame, grite meu nome, que eu vou ao teu encontro, onde você estiver. Só não me deixe aqui sozinha, sem você.
Eternamente tua Pequena".

Ela fechou a carta e pensou absurdos. Pensou na coragem daquela declaração. Pensou se a "Pequena" era correspondida por ele. Pensou no quanto ele um dia quisera ouvir aquilo tudo, e talvez já fosse um pouco tarde... Pensou que já era hora de viver.

E apesar do adiantado da hora, deixou a carta no vão entre os bancos onde a havia encontrado, e foi à vida!


Música do dia: "O meu amor" - Chico Buarque, na Ópera do Malandro

domingo, junho 06, 2010

A etiqueta dos primeiros encontros

Estou lendo o livro - divertidíssimo - da Glorinha Kalil, Chic[érrimo], e agora me deparei com um capítulo que trata da etiqueta do primeiro encontro.

O que pode e o que não pode ser dito, o que se deve e o que não se deve vestir e o que atrai e não atrai uma mulher ou um homem quando o assunto é "e aí, vai ter bis?"

Achei engraçadíssimo que a lista de o que não pode é maior do que a lista do que pode. Por exemplo, o que ajuda a mulher a ter um segundo encontro? Aqui vai a listinha da Glória:

  1. delicadeza;
  2. elegância;
  3. boa conversa;
  4. bons modos;
  5. cultura;
  6. e um "corpão"!
Nossa, já pensou a manutenção de tudo isso? Acho que o item 6 é o que todas perseguimos, todos os dias. Algumas estão sempre de dieta, mas não é só isso, como mostrou a Glória, não é mesmo?
Mas, as mulheres são também muito exigentes. Não pensem os homens que conseguir um segundo encontro é tarefa fácil não! Olha que a gente está sempre avaliando tudo. Já se sentiram numa entrevista de emprego, meninos? Pois é assim mesmo, a gente tem um check-list mental, e mesmo as que os utilizam de forma bem sutil, o utilizam sempre.

Vamos ao que não pode, segundo a Glória:

  1. exibicionismo (emprego, dinheiro, conquistas, status);
  2. cabelo sujo, oleoso (eu diria ensebado, arght);
  3. roupa agarrada;
  4. calça santropeito (precisa dizer alguma coisa?);
  5. barriga de cervejudo;
  6. camisa transparente ou aberta ao peito, ou as duas coisas;
  7. camisa de cetim ou qualquer coisa que brilhe;
  8. falta de educação;
  9. tratar mal o garçom;
  10. falar alto;
  11. chegar com um amigo (ao encontro, qualé?)

Viram como é complicado? A gente tem que se esforçar, mas eles também. É isso que me consola.

Agora, vale para os dois: nunca passará desapercebido se tirar os sapatos debaixo da mesa, ou se partir em pedaços todos os alimentos antes de comer (a não ser que você tenha menos de oito anos).

O que não se fala à mesa (olha, é a Gloria que está dizendo, presta atenção, é tudo com "D"):
  1. Dieta;
  2. Doença;
  3. Depressão;
  4. Dureza;
  5. Diretrizes políticas;
  6. Doutrinas religiosas.
Acho que isso é algo que vale mais no Brasil do que lá fora. Recentemente, estive conversando com um inglês (tá bom, tá bom, não se tratava de um encontro), e ele me perguntou da minha religião e eu tive que explicar porque eu tinha escolhido a minha religião, em detrimento de todas as outras. Acho que o povo lá fora vai direto ao ponto.

Mas, em tempo de Dia dos Namorados, nada como se lembrar dessas dicas, para conseguir um par, não é mesmo?