Quanto tempo faz que estou aqui? Já perdi a noção!
Que calor! Meu Deus, estou pingando! De onde vem este ar tão úmido?
Ando para um lado, ando para o outro, ai, a hora não passa, ando para um lado, ando para o outro, ainda são 9:05...!
Onde ele está? Com quem ele está? Estará se divertindo? Estará amando? Estará sozinho?
Ando para um lado, ando para o outro, ai, a hora não passa, ando para um lado, ando para o outro, ainda são 9:07..!
Será que ele está pensando em mim? Será que ele pensa em mim? Será que ele lembra de mim?
Ai, acho que estou pirando! Meu cérebro vai virar um purê!
Ando para um lado, ando para o outro, ai, a hora não passa, ando para um lado, ando para o outro, ainda são 9:09..!
Ai, que calor! Acho que vou tirar esta blusa! Acho que vou tirar esta calça! Acho que quero ficar nua!
Silêncio...escuto um zunido...é uma mosca? Ou um mosquito? Ai, que tortura! Sai, mosquito! Ai, que bicho horroroso!
Cadê ele? Cadê o meu amor!? Ele não podia tirar assim o doce da boca dessa criança! Que angústia, meu Deus! Cadê esse homem?
Ando para um lado, ando para o outro, ai, a hora não passa, ando para um lado, ando para o outro, ainda são 9:11..! Que hora demorada de passar!
Acho que vou me sentar um pouco! Não tem ninguém olhando! Mas, estou nua! Estou nua, tão desprotegida!
Acho que meu cerébro vai mesmo virar um purê!
sexta-feira, abril 21, 2006
sábado, janeiro 14, 2006
The Blower's Daughter
Cantor: Damien Rice - canção do filme "Closer"
And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...
And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new
.........................................................
Neste final de 2005, início de 2006, duas
versões brasileiras para esta música estouraram
nas rádios. Uma, cantada por Ana Carolina e
Seu Jorge, versão de Ana Carolina. A outra,
cantada por Simone, com melodia mais
próxima da versão original, versão de Zélia
Duncan. Grandes presentes.
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And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...
And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new
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Neste final de 2005, início de 2006, duas
versões brasileiras para esta música estouraram
nas rádios. Uma, cantada por Ana Carolina e
Seu Jorge, versão de Ana Carolina. A outra,
cantada por Simone, com melodia mais
próxima da versão original, versão de Zélia
Duncan. Grandes presentes.
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Uma história para contar... (uma trovinha)
Uma história que mereça ser
Contada, revivida, relembrada,
Um amor que mereça uma canção
Que me abrace e me toque o coração...
Como pude querer tanto?
Sonhar tanto? Pensar tanto em você?
Se para estancar meu pranto
Eu sei bem que preciso te esquecer.
Como pude errar tanto?
Ser tão tola a ponto de não perceber
Que como gota d'água no oceano
Eu nada represento p'ra você?!
Eu queria ver apenas um final feliz
Um beijo longo, um abraço apertado,
Passar minhas mãos nos seus cabelos
E ganhar um "eu te amo" inesperado...
Quem sabe se a gente possa se fazer ouvir
Quando se deseja com tanta intensidade
E se os anjos do céu olharem por mim
Vão me fazer esta "pequena" vontade!
Contada, revivida, relembrada,
Um amor que mereça uma canção
Que me abrace e me toque o coração...
Como pude querer tanto?
Sonhar tanto? Pensar tanto em você?
Se para estancar meu pranto
Eu sei bem que preciso te esquecer.
Como pude errar tanto?
Ser tão tola a ponto de não perceber
Que como gota d'água no oceano
Eu nada represento p'ra você?!
Eu queria ver apenas um final feliz
Um beijo longo, um abraço apertado,
Passar minhas mãos nos seus cabelos
E ganhar um "eu te amo" inesperado...
Quem sabe se a gente possa se fazer ouvir
Quando se deseja com tanta intensidade
E se os anjos do céu olharem por mim
Vão me fazer esta "pequena" vontade!
Sangue sem Cristal
Este conto é uma contribuição de uma grande amiga minha.
Espero que vocês gostem.
Beijos,
Rebecca
......................................................................
Sinto-me cego. Tateando. Pelo resto da vida tateando, nesta cela com cheiro acre. As grades já fazem parte do meu corpo, impressas que estão nele. A dor já não é mais dor. Apenas rasga a solidão como a única coisa que posso tocar neste frio de cela. Selado como carta que ninguém quer ler.
Estava estudando como em qualquer das infinitas tardes com o computador. A data da defesa da tese se aproximando. Ela se preparava para sair, cada vez mais linda com a gravidez, olhos sol e barriga a pino. Descobriu esse casal de amigos e eu me sentia seguro. Parecia que com eles ela estava protegida. Jamais entenderia essa ânsia de novos passeios que ela exalava cada vez que se preparava para sair com eles.
Caminhando pela cela percebo a sofreguidão das paredes desenhadas. Não me espanto mais ao tocá-las. São minhas propriedades, meus objetos de estudo agora. O colchão puído e cheirando a mijo complementa o sentido da prisão: excrementos humanos. É isso que nos tornamos aqui dentro, restos.
Havia notado um brilho diferente, novo nos olhos dela. Achava que a amizade do casal mais a maternidade a estavam fazendo bem. Parecia feliz, não me cobrava comportamentos que não sou capaz de ter. Anti-social. Mergulhado no meu aquário, trabalhava e a encorajava a passear, já que com o bebê ficaria mais difícil. Naquela tarde iriam à praia, aproveitar o verão.
Risco a parede com a tinta que sai dos meus dedos vermelhos, sangrando de arrancar frases obscenas em lascas. Escrevo o nome dela com paixão que jamais imaginei: Mara, Mara, Mara. Interminável esta ladainha. Como será minha filha? Mil vezes me perguntei, sem resposta. Como ela se parece, qual o seu nome, onde o espaço vazio de mim onde ela mora? Pedaços de mim caem pelo chão fétido da prisão.
Estava no computador escrevendo as últimas linhas quando a campainha tocou frenética, acompanhada de chutes. Era a amiga dela, transtornada, chorando e cuspindo frases confusas na minha cara. Não eram frases, eram espadas.
Há cicatrizes que nunca fecham, Meus dedos não são mais dedos, são sal. As lágrimas tornaram-se um difícil ponto final. Agora, só as reticências dos eternos sangramentos daquelas espadas que me lançaram. Posso sentir o final próximo, minha alma vagando pela cela enquanto meu corpo permanece estirado no colchão úmido.
Cuspindo cada vez mais em minha face, a mulher dizia coisas que me deixavam confuso. Podia apreender apenas algumas palavras. Grávida. Adúltera. Traiu você. Meu marido. Fim. Traiu. Traiu. TRAIU... Levei tempo para encaixar as peças. Quando pude compreender o significado daquele espetáculo, senti que deixaria de ser espectador para atuar no palco da traição de minha mulher. Notei que jamais entenderia o por quê. Quando pude me mover novamente, a atiradora já tinha ido e apenas a traidora me olhava assustada, mãos na barriga de seis meses de gravidez. Pavor em seus olhos. Vazio nos meus. Não disse nada. Não fiz nada. Apenas caminhei para a janela. Queria ver o mar, e nele o reflexo dos olhos dela já pareciam remotos e inconstantes. Com gosto de sal na boca pude perceber o desespero dela atrás de mim, quando novamente a campainha tocou.
Já não consigo mais catar meus pedaços pelo chão. Minha alma já não me obedece mais nesta necessária reclusão. Grades por todos os lados. Sangue. O cheiro agora é insuportável. O cheiro sobre os meus ombros sugere uma cruz. Começo a rezar.
Ele invadiu o apartamento dizendo que levaria minha mulher com ele. De repente tive a exata noção do que sou: um animal acuado que, inesperadamente decide reagir. Parti para cima de minha presa com garras jamais pensadas. Pela minha filha, pela minha mulher, pelo homem que nunca fui. Cuspi nele as mesmas espadas que estavam cravadas em mim. Cuspi não, enterrei. Em seus olhos e peito e pernas e sexo, enterrei. O sangue escorreu pela sala junto com as lágrimas de Mara e a bolsa d’água rompida por mim.
Obedecendo à reza, minha alma retorna. Não posso pedir perdão - já não há perdão. Não sou o homem que sou. O sangue escorre pelas grades enquanto os guardas se movimentam naquele fim de tarde de verão.
Espero que vocês gostem.
Beijos,
Rebecca
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Sinto-me cego. Tateando. Pelo resto da vida tateando, nesta cela com cheiro acre. As grades já fazem parte do meu corpo, impressas que estão nele. A dor já não é mais dor. Apenas rasga a solidão como a única coisa que posso tocar neste frio de cela. Selado como carta que ninguém quer ler.
Estava estudando como em qualquer das infinitas tardes com o computador. A data da defesa da tese se aproximando. Ela se preparava para sair, cada vez mais linda com a gravidez, olhos sol e barriga a pino. Descobriu esse casal de amigos e eu me sentia seguro. Parecia que com eles ela estava protegida. Jamais entenderia essa ânsia de novos passeios que ela exalava cada vez que se preparava para sair com eles.
Caminhando pela cela percebo a sofreguidão das paredes desenhadas. Não me espanto mais ao tocá-las. São minhas propriedades, meus objetos de estudo agora. O colchão puído e cheirando a mijo complementa o sentido da prisão: excrementos humanos. É isso que nos tornamos aqui dentro, restos.
Havia notado um brilho diferente, novo nos olhos dela. Achava que a amizade do casal mais a maternidade a estavam fazendo bem. Parecia feliz, não me cobrava comportamentos que não sou capaz de ter. Anti-social. Mergulhado no meu aquário, trabalhava e a encorajava a passear, já que com o bebê ficaria mais difícil. Naquela tarde iriam à praia, aproveitar o verão.
Risco a parede com a tinta que sai dos meus dedos vermelhos, sangrando de arrancar frases obscenas em lascas. Escrevo o nome dela com paixão que jamais imaginei: Mara, Mara, Mara. Interminável esta ladainha. Como será minha filha? Mil vezes me perguntei, sem resposta. Como ela se parece, qual o seu nome, onde o espaço vazio de mim onde ela mora? Pedaços de mim caem pelo chão fétido da prisão.
Estava no computador escrevendo as últimas linhas quando a campainha tocou frenética, acompanhada de chutes. Era a amiga dela, transtornada, chorando e cuspindo frases confusas na minha cara. Não eram frases, eram espadas.
Há cicatrizes que nunca fecham, Meus dedos não são mais dedos, são sal. As lágrimas tornaram-se um difícil ponto final. Agora, só as reticências dos eternos sangramentos daquelas espadas que me lançaram. Posso sentir o final próximo, minha alma vagando pela cela enquanto meu corpo permanece estirado no colchão úmido.
Cuspindo cada vez mais em minha face, a mulher dizia coisas que me deixavam confuso. Podia apreender apenas algumas palavras. Grávida. Adúltera. Traiu você. Meu marido. Fim. Traiu. Traiu. TRAIU... Levei tempo para encaixar as peças. Quando pude compreender o significado daquele espetáculo, senti que deixaria de ser espectador para atuar no palco da traição de minha mulher. Notei que jamais entenderia o por quê. Quando pude me mover novamente, a atiradora já tinha ido e apenas a traidora me olhava assustada, mãos na barriga de seis meses de gravidez. Pavor em seus olhos. Vazio nos meus. Não disse nada. Não fiz nada. Apenas caminhei para a janela. Queria ver o mar, e nele o reflexo dos olhos dela já pareciam remotos e inconstantes. Com gosto de sal na boca pude perceber o desespero dela atrás de mim, quando novamente a campainha tocou.
Já não consigo mais catar meus pedaços pelo chão. Minha alma já não me obedece mais nesta necessária reclusão. Grades por todos os lados. Sangue. O cheiro agora é insuportável. O cheiro sobre os meus ombros sugere uma cruz. Começo a rezar.
Ele invadiu o apartamento dizendo que levaria minha mulher com ele. De repente tive a exata noção do que sou: um animal acuado que, inesperadamente decide reagir. Parti para cima de minha presa com garras jamais pensadas. Pela minha filha, pela minha mulher, pelo homem que nunca fui. Cuspi nele as mesmas espadas que estavam cravadas em mim. Cuspi não, enterrei. Em seus olhos e peito e pernas e sexo, enterrei. O sangue escorreu pela sala junto com as lágrimas de Mara e a bolsa d’água rompida por mim.
Obedecendo à reza, minha alma retorna. Não posso pedir perdão - já não há perdão. Não sou o homem que sou. O sangue escorre pelas grades enquanto os guardas se movimentam naquele fim de tarde de verão.
domingo, janeiro 08, 2006
A ficção e a vida real
Nem sempre temos tudo que queremos ter. A estória relatada no texto "Pessoal e intransferìvel" esteve muito perto de se realizar comigo.
Mas este homem foi embora, já se vão cinco anos. Nunca mais tive notícias dele.
Eu acho que ele deve estar por perto. Me observando. Um dia ele aparece. E aí, nós vamos conversar.
Rebecca
Mas este homem foi embora, já se vão cinco anos. Nunca mais tive notícias dele.
Eu acho que ele deve estar por perto. Me observando. Um dia ele aparece. E aí, nós vamos conversar.
Rebecca
Pessoal e intransferível
Cheguei ao escritório e bati na porta. Três vezes. Aguardei que alguém viesse atendê-la. Era tarde da noite e eu esperava que ainda houvesse alguém lá, que tivessem algum projeto urgente para entregar. Meu coração esperava.
Após certa demora, um rapaz baixo e franzino atendeu a porta. Olhou-me com espanto...com a minha nítida condição de ansiedade. Trocamos algumas palavras e ele convidou-me a entrar. Cumprimentei a todos, como de costume. Algumas caras me eram conhecidas; outras ainda não. Fui apresentada a alguns, outros me receberam com indiferença.
O novo escritório tinha ficado realmente muito bom, a disposição dos móveis estava ótima, tudo era amplo e arejado. A ante-sala estava bem decorada. No dia anterior, eu havia mandado entregar um vaso de bouganvilles e, ao entrar, os havia reconhecido na mesa de canto, ao lado do sofá, enfeitando a sala.
Não haviam mulheres no local. Meus olhos rapidamente percorreram a sala buscando encontrá-lo. Lá estava ele, no meio de muitos papéis, falando ao mesmo tempo ao celular e ao telefone fixo. Sorri ligeiramente e acenei com a mão. Senti rapidamente meus lábios ressecarem. Passei minha língua por eles para umedecê-los, numa atitude discreta. Ele, porém, estava me observando atentamente e viu tudo...era hábito.
Podia jurar que ele havia descoberto uma forma de ler meus pensamentos. Sabia, inclusive, quando os meus batimentos cardíacos aceleravam. Tínhamos uma intimidade inexplicável.
Rapidamente, ele se desvencilhou dos telefonemas e papéis e caminhou em minha direção. Foram poucos passos, foi muito tempo.
Todo o tempo do mundo entre nós era muito, era uma eternidade. Ele entendeu, sem eu dizer, que eu pedia socorro. "Socorro, salve-me da minha vida", eu pensava, sem ter coragem de pronunciar palavra alguma. "Leve-me contigo, para onde quiseres".
Ele me pegou pela mão e me conduziu até uma pequena cafeteria, perto dali. "O que você tem?", ele perguntou. "Onde você está agora, em que mundo?" "Eu estou aqui", respondi, "com você". "Queria mudar tudo e ficar aqui para sempre", pensei.
Tomamos um café e, o tempo todo, ele me olhou fixamente. Quando saímos, perguntei-lhe se ainda tinha muito o que resolver. Ele disse que não e fêz um sinal de que "era todo meu".
Sem trocarmos palavra, seguimos em direção a casa dele. Caminhamos lado a lado, em silêncio, durante uns quinze minutos. Outra eternidade. Senti meu coração disparar outras tantas vezes. Senti que, pouco a pouco, o coração dele ia batendo no ritmo do meu. Nós queríamos privacidade, queríamos estar longe de tudo e de todos, num lugar só nosso. Tínhamos muito a nos dizer, apesar de não sabermos porque aquilo estava acontecendo agora e se era prudente acontecer.
"O que dizer do futuro?", pensei.
Ele abriu a porta, suavemente. O longo corredor até a sala revelava alguma luminosidade ao seu final. Ela um pequeno abajour que permanecia aceso para guiá-lo ao chegar em casa, tarde da noite.
Ao fechar a porta, ele virou-se para mim, passou a mão nos meus cabelos, depois no meu rosto e repetiu: "Que saudade! Que saudade! Quanto tempo!"
Tempo? Cinco longos anos. Uma vida inteira.
Trocamos um beijo, intenso, acelerado, febril. Ficamos um longo tempo abraçados, como um só. Eu agora já estava bem.
Senti aquele momento profundamente. Tinha medo das consequências, da vida que continuava, mas desejava como nunca estar com aquele homem.
Nós permanecemos juntos aquela noite. Fizemos amor, no real sentido da palavra. Eu fui só dele; ele, só meu. Diversas vezes.
Pegamos no sono já era dia claro. Não queríamos que a noite acabasse. Mas, acabou.
De manhã, ele se vestiu como se veste alguém que tem uma batalha para enfrentar. Olhou-me novamente com ternura...não, com amor. Como de hábito. Esperou que eu me vestisse e nós descemos.
Na esquina, havia um chaveiro. Ele puxou o molho de chaves e mandou copiar uma delas. Aguardamos pacientemente embaixo de um sol escaldante. Por fim, ele tomou a chave e entregou-me. "Esta é sua", disse. "Sem cobranças, sem 'por ques', sem 'e agoras'!", completou.
"Volte quando quiser", falou por fim.
Eu consenti, sabendo que, depois daquela noite, a minha vida teria que ser diferente. E parti.
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Este texto foi escrito no dia 14 de outubro de 2000.
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Após certa demora, um rapaz baixo e franzino atendeu a porta. Olhou-me com espanto...com a minha nítida condição de ansiedade. Trocamos algumas palavras e ele convidou-me a entrar. Cumprimentei a todos, como de costume. Algumas caras me eram conhecidas; outras ainda não. Fui apresentada a alguns, outros me receberam com indiferença.
O novo escritório tinha ficado realmente muito bom, a disposição dos móveis estava ótima, tudo era amplo e arejado. A ante-sala estava bem decorada. No dia anterior, eu havia mandado entregar um vaso de bouganvilles e, ao entrar, os havia reconhecido na mesa de canto, ao lado do sofá, enfeitando a sala.
Não haviam mulheres no local. Meus olhos rapidamente percorreram a sala buscando encontrá-lo. Lá estava ele, no meio de muitos papéis, falando ao mesmo tempo ao celular e ao telefone fixo. Sorri ligeiramente e acenei com a mão. Senti rapidamente meus lábios ressecarem. Passei minha língua por eles para umedecê-los, numa atitude discreta. Ele, porém, estava me observando atentamente e viu tudo...era hábito.
Podia jurar que ele havia descoberto uma forma de ler meus pensamentos. Sabia, inclusive, quando os meus batimentos cardíacos aceleravam. Tínhamos uma intimidade inexplicável.
Rapidamente, ele se desvencilhou dos telefonemas e papéis e caminhou em minha direção. Foram poucos passos, foi muito tempo.
Todo o tempo do mundo entre nós era muito, era uma eternidade. Ele entendeu, sem eu dizer, que eu pedia socorro. "Socorro, salve-me da minha vida", eu pensava, sem ter coragem de pronunciar palavra alguma. "Leve-me contigo, para onde quiseres".
Ele me pegou pela mão e me conduziu até uma pequena cafeteria, perto dali. "O que você tem?", ele perguntou. "Onde você está agora, em que mundo?" "Eu estou aqui", respondi, "com você". "Queria mudar tudo e ficar aqui para sempre", pensei.
Tomamos um café e, o tempo todo, ele me olhou fixamente. Quando saímos, perguntei-lhe se ainda tinha muito o que resolver. Ele disse que não e fêz um sinal de que "era todo meu".
Sem trocarmos palavra, seguimos em direção a casa dele. Caminhamos lado a lado, em silêncio, durante uns quinze minutos. Outra eternidade. Senti meu coração disparar outras tantas vezes. Senti que, pouco a pouco, o coração dele ia batendo no ritmo do meu. Nós queríamos privacidade, queríamos estar longe de tudo e de todos, num lugar só nosso. Tínhamos muito a nos dizer, apesar de não sabermos porque aquilo estava acontecendo agora e se era prudente acontecer.
"O que dizer do futuro?", pensei.
Ele abriu a porta, suavemente. O longo corredor até a sala revelava alguma luminosidade ao seu final. Ela um pequeno abajour que permanecia aceso para guiá-lo ao chegar em casa, tarde da noite.
Ao fechar a porta, ele virou-se para mim, passou a mão nos meus cabelos, depois no meu rosto e repetiu: "Que saudade! Que saudade! Quanto tempo!"
Tempo? Cinco longos anos. Uma vida inteira.
Trocamos um beijo, intenso, acelerado, febril. Ficamos um longo tempo abraçados, como um só. Eu agora já estava bem.
Senti aquele momento profundamente. Tinha medo das consequências, da vida que continuava, mas desejava como nunca estar com aquele homem.
Nós permanecemos juntos aquela noite. Fizemos amor, no real sentido da palavra. Eu fui só dele; ele, só meu. Diversas vezes.
Pegamos no sono já era dia claro. Não queríamos que a noite acabasse. Mas, acabou.
De manhã, ele se vestiu como se veste alguém que tem uma batalha para enfrentar. Olhou-me novamente com ternura...não, com amor. Como de hábito. Esperou que eu me vestisse e nós descemos.
Na esquina, havia um chaveiro. Ele puxou o molho de chaves e mandou copiar uma delas. Aguardamos pacientemente embaixo de um sol escaldante. Por fim, ele tomou a chave e entregou-me. "Esta é sua", disse. "Sem cobranças, sem 'por ques', sem 'e agoras'!", completou.
"Volte quando quiser", falou por fim.
Eu consenti, sabendo que, depois daquela noite, a minha vida teria que ser diferente. E parti.
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Este texto foi escrito no dia 14 de outubro de 2000.
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O fim de uma estória
Amigos,
A parte mais legal quando se termina uma estória é justamente criar a possibilidade de se começar outras...
As que virão poderão ser um pouco mais leves... ou não.
Espero que, de qualquer forma, vocês se divirtam.
Bjs
Rebecca
A parte mais legal quando se termina uma estória é justamente criar a possibilidade de se começar outras...
As que virão poderão ser um pouco mais leves... ou não.
Espero que, de qualquer forma, vocês se divirtam.
Bjs
Rebecca
sábado, janeiro 07, 2006
A decisão
Ao acordar, ela pensou que era hora de tomar uma decisão, por pior que ela fosse.
Pensando bem, eram três as alternativas de que dispunha. Voltar para o marido e viver pensando como seria viver sua vida ao lado do outro, que tanto a desejava e que tantas provas tinha dado do seu amor por ela. Ou deixar o marido para viver com ele, trocando o "certo pelo duvidoso"...(mas o que é a vida senão um amontoado de dúvidas?). Por fim, sua última opção seria partir e deixá-los para trás, começando uma vida nova, seguindo sem destino, sem planos, sem donos...sem adágas, nem flores...
Cuidadosamente, para que ele não acordasse junto com ela, levantou da cama e arrumou em uma pequena valise as suas coisas, recolhendo os poucos pertences que havia trazido consigo. Lavou bem o rosto, molhou os cabelos, passou um pouco de blush e batom, para disfarçar o rosto cansado da intensa luta travada no dia anterior e pôs-se a procurar pelas chaves do quarto...ele as devia ter escondido em algum canto.
Para sua surpresa, elas estavam no bolso de sua calça jeans, o que tornou a saída mais fácil do que ela imaginava. Era como se ele quizesse lhe dar a opção de ir embora.
Abriu a porta, olhou para ele dormindo uma última vez e partiu. Foi até a recepção e perguntou ao atendente quando passaria o próximo ônibus para bem longe dali.
- Em meia hora, ele respondeu.
Ela se dirigiu para a beira da estrada, torcendo para que ele não acordasse nesse meio tempo.
Então, o ônibus se aproximou, ela se virou mais uma vez para olhar o hotel e pensar se aquela era a decisão mais acertada. O medo de se arrepender era grande. Afinal, ela não havia deixado um bilhete sequer, explicando seus motivos, sua razão para partir.
Quando o ônibus parou na sua frente, ela entrou, sem olhar para trás. E, naquele momento, teve a certeza de que aquela história não tinha mais volta, que seria definitivo. E sentiu todo o peso do mundo cair por terra, sentindo-se finalmente livre, leve e solta no mundo.
Ao acordar, ele percebeu que tudo estava diferente. Olhou em volta e viu o vazio invadir o seu corpo. Não havia vestígio daquela mulher na sua vida. Não havia mais nada. Ele entendeu que era o fim. E chorou.
(fim)
Pensando bem, eram três as alternativas de que dispunha. Voltar para o marido e viver pensando como seria viver sua vida ao lado do outro, que tanto a desejava e que tantas provas tinha dado do seu amor por ela. Ou deixar o marido para viver com ele, trocando o "certo pelo duvidoso"...(mas o que é a vida senão um amontoado de dúvidas?). Por fim, sua última opção seria partir e deixá-los para trás, começando uma vida nova, seguindo sem destino, sem planos, sem donos...sem adágas, nem flores...
Cuidadosamente, para que ele não acordasse junto com ela, levantou da cama e arrumou em uma pequena valise as suas coisas, recolhendo os poucos pertences que havia trazido consigo. Lavou bem o rosto, molhou os cabelos, passou um pouco de blush e batom, para disfarçar o rosto cansado da intensa luta travada no dia anterior e pôs-se a procurar pelas chaves do quarto...ele as devia ter escondido em algum canto.
Para sua surpresa, elas estavam no bolso de sua calça jeans, o que tornou a saída mais fácil do que ela imaginava. Era como se ele quizesse lhe dar a opção de ir embora.
Abriu a porta, olhou para ele dormindo uma última vez e partiu. Foi até a recepção e perguntou ao atendente quando passaria o próximo ônibus para bem longe dali.
- Em meia hora, ele respondeu.
Ela se dirigiu para a beira da estrada, torcendo para que ele não acordasse nesse meio tempo.
Então, o ônibus se aproximou, ela se virou mais uma vez para olhar o hotel e pensar se aquela era a decisão mais acertada. O medo de se arrepender era grande. Afinal, ela não havia deixado um bilhete sequer, explicando seus motivos, sua razão para partir.
Quando o ônibus parou na sua frente, ela entrou, sem olhar para trás. E, naquele momento, teve a certeza de que aquela história não tinha mais volta, que seria definitivo. E sentiu todo o peso do mundo cair por terra, sentindo-se finalmente livre, leve e solta no mundo.
Ao acordar, ele percebeu que tudo estava diferente. Olhou em volta e viu o vazio invadir o seu corpo. Não havia vestígio daquela mulher na sua vida. Não havia mais nada. Ele entendeu que era o fim. E chorou.
(fim)
segunda-feira, dezembro 05, 2005
O sonho...
O dia estava ensolarado e ela caminhava tranqüilamente por uma trilha florida, no meio da mata. Raios de sol perpassavam as copas das árvores e iluminavam seu caminho, dando a impressão de que a chegada estava cada vez mais próxima.
Ela não pensava em nada e também não tinha idéia do que viria depois. Aos poucos, pôde perceber uma bifurcação na estrada – de um lado, um estreito caminho conduzia para noroeste; do outro, uma estrada mais larga a levaria para nordeste. Tinha que tomar uma decisão, mas não havia nada que indicasse qual a melhor.
Como lhe faltavam meios para saber o que fazer, resolveu sentar-se à sombra de uma árvore e esperar. Era o tempo que ela teria para decidir e descansar, aproveitando para comer as frutas que trouxera consigo.
De repente, algo que parecia mágica aconteceu: dois cavaleiros aproximaram-se dela simultaneamente, cada um vindo por uma estrada. O que vinha pelo caminho estreito trajava uma roupa negra, com capa, máscara e chapéu negros e montava um lindo corcel negro. O que vinha pela estrada mais larga representava o oposto, pois estava todo de branco, com o mesmo traje, sobre um lindo cavalo branco.
Ambos pararam onde a estrada bifurcava-se e olharam para ela. Eram as respostas de que ela precisava e por isso, ela logo se levantou e pôs-se a encará-los com espanto. O que estava no cavalo negro ofereceu-lhe então uma rosa vermelha, representando o amor mais puro e intenso que um homem pode sentir por uma mulher, e a convidou a trotar com ele por toda a sua vida.
Em seguida, o cavaleiro branco entregou-lhe uma adaga, dizendo-lhe que o instrumento poderia ser muito útil no futuro, e a convidou a seguir com ele pelo caminho largo e ensolarado.
Apesar do simbolismo de cada presente, ela escolheu seguir com o cavaleiro branco, optando por um caminho que pareceu menos perigoso e o parceiro, por sua vez, mais seguro e sincero. Ela montou a garupa do cavalo branco e partiu com seu cavaleiro sem olhar para trás, deixando no caminho um cavaleiro negro frustrado pela recusa ao seu amor, que ela não conhecia, mas que era verdadeiro.
O caminho, como ela previu, foi tranqüilo a maior parte do tempo. Em cada cidade que paravam, no entanto, sempre havia algo que a surpreendia. O cavaleiro branco sempre fora feliz sozinho e acostumou-se com isso. Ele sempre buscava as melhores acomodações para o casal, mas despendia um bom tempo sozinho, longe dela. Com o tempo, ela foi descobrindo, a cada demora de seu cavaleiro, uma nova mulher. Havia várias mulheres entre eles, e o que ela sentia por ele ia se transformando numa mistura de amor, mágoa e ódio. Ele precisava do desejo destas mulheres para se sentir mais confiante, e não supunha que ela sabia destes encontros. Ao final de cada jornada, ela se preocupava apenas em contabilizar com quantas mulheres ele havia estado, esquecendo-se de que isto a envelhecia, a tornava um ser sem luz. Com o tempo, o espelho revelava uma mulher mais velha, possuidora de um rosto cheio de marcas e de rugas, e que já não trazia consigo a mesma alegria do início do caminho. Ela sempre se lembrava do último olhar do cavaleiro negro, uma súplica para que não fizesse aquela escolha.
Um dia, cansada da mesma rotina, ela decidiu usar a adaga, que guardava desde o início da viagem. Segurou-a com as duas mãos e cravou-a em seu próprio peito, numa ânsia enlouquecida de acabar com aquela história infeliz.
Nos segundos que se seguiram, ela viu toda a sua vida passar na sua frente, do momento em que ela se encontrava até o ponto em que ela havia feito sua escolha na estrada, num ritmo vertiginoso que a deixou tonta. Em instantes, ela estava diante da bifurcação no meio do caminho, olhando para os presentes oferecidos pelos dois cavaleiros.
Envelhecida, cabelos brancos, mal penteados, com as costas curvadas, ela mais se parecia com uma velha senhora, que havia chegado ao seu final. Eles a reconheceram. A ela havia sido dada a chance de fazer uma pergunta apenas, devendo escolher um dos dois cavaleiros. Sem ter dúvidas, ela se virou para o cavaleiro negro e perguntou:
- Qual seria o meu destino se eu o tivesse acompanhado, o que você havia reservado para mim?
E então, sem ouvir a resposta, ela acordou.
Ela não pensava em nada e também não tinha idéia do que viria depois. Aos poucos, pôde perceber uma bifurcação na estrada – de um lado, um estreito caminho conduzia para noroeste; do outro, uma estrada mais larga a levaria para nordeste. Tinha que tomar uma decisão, mas não havia nada que indicasse qual a melhor.
Como lhe faltavam meios para saber o que fazer, resolveu sentar-se à sombra de uma árvore e esperar. Era o tempo que ela teria para decidir e descansar, aproveitando para comer as frutas que trouxera consigo.
De repente, algo que parecia mágica aconteceu: dois cavaleiros aproximaram-se dela simultaneamente, cada um vindo por uma estrada. O que vinha pelo caminho estreito trajava uma roupa negra, com capa, máscara e chapéu negros e montava um lindo corcel negro. O que vinha pela estrada mais larga representava o oposto, pois estava todo de branco, com o mesmo traje, sobre um lindo cavalo branco.
Ambos pararam onde a estrada bifurcava-se e olharam para ela. Eram as respostas de que ela precisava e por isso, ela logo se levantou e pôs-se a encará-los com espanto. O que estava no cavalo negro ofereceu-lhe então uma rosa vermelha, representando o amor mais puro e intenso que um homem pode sentir por uma mulher, e a convidou a trotar com ele por toda a sua vida.
Em seguida, o cavaleiro branco entregou-lhe uma adaga, dizendo-lhe que o instrumento poderia ser muito útil no futuro, e a convidou a seguir com ele pelo caminho largo e ensolarado.
Apesar do simbolismo de cada presente, ela escolheu seguir com o cavaleiro branco, optando por um caminho que pareceu menos perigoso e o parceiro, por sua vez, mais seguro e sincero. Ela montou a garupa do cavalo branco e partiu com seu cavaleiro sem olhar para trás, deixando no caminho um cavaleiro negro frustrado pela recusa ao seu amor, que ela não conhecia, mas que era verdadeiro.
O caminho, como ela previu, foi tranqüilo a maior parte do tempo. Em cada cidade que paravam, no entanto, sempre havia algo que a surpreendia. O cavaleiro branco sempre fora feliz sozinho e acostumou-se com isso. Ele sempre buscava as melhores acomodações para o casal, mas despendia um bom tempo sozinho, longe dela. Com o tempo, ela foi descobrindo, a cada demora de seu cavaleiro, uma nova mulher. Havia várias mulheres entre eles, e o que ela sentia por ele ia se transformando numa mistura de amor, mágoa e ódio. Ele precisava do desejo destas mulheres para se sentir mais confiante, e não supunha que ela sabia destes encontros. Ao final de cada jornada, ela se preocupava apenas em contabilizar com quantas mulheres ele havia estado, esquecendo-se de que isto a envelhecia, a tornava um ser sem luz. Com o tempo, o espelho revelava uma mulher mais velha, possuidora de um rosto cheio de marcas e de rugas, e que já não trazia consigo a mesma alegria do início do caminho. Ela sempre se lembrava do último olhar do cavaleiro negro, uma súplica para que não fizesse aquela escolha.
Um dia, cansada da mesma rotina, ela decidiu usar a adaga, que guardava desde o início da viagem. Segurou-a com as duas mãos e cravou-a em seu próprio peito, numa ânsia enlouquecida de acabar com aquela história infeliz.
Nos segundos que se seguiram, ela viu toda a sua vida passar na sua frente, do momento em que ela se encontrava até o ponto em que ela havia feito sua escolha na estrada, num ritmo vertiginoso que a deixou tonta. Em instantes, ela estava diante da bifurcação no meio do caminho, olhando para os presentes oferecidos pelos dois cavaleiros.
Envelhecida, cabelos brancos, mal penteados, com as costas curvadas, ela mais se parecia com uma velha senhora, que havia chegado ao seu final. Eles a reconheceram. A ela havia sido dada a chance de fazer uma pergunta apenas, devendo escolher um dos dois cavaleiros. Sem ter dúvidas, ela se virou para o cavaleiro negro e perguntou:
- Qual seria o meu destino se eu o tivesse acompanhado, o que você havia reservado para mim?
E então, sem ouvir a resposta, ela acordou.
(continua...)
sexta-feira, novembro 25, 2005
Enfim, a trégua...
O que se seguiu foi uma enorme torrente de emoções, abraçando os dois da mesma forma. Sentiram-se como na primeira vez, quando enfim decidiram parar de fugir um do outro e encarar o que sentiam. Talvez naquele momento achassem que era só tesão, mas o que resultou daquele primeiro encontro foi algo que nem eles mesmos poderiam imaginar. Era uma questão de pele. Passaram horas em um motel do centro da cidade sem se dar conta. Eram apenas beijos, pernas enroscadas, gemidos e desejos há muito contidos pipocando sem controle. Viveram intensas fantasias, todas contidas em uma única tarde de encontro. E se sentiram perdidos, totalmente sós quando saíram daquele motel. Perceberam quão intenso tinha sido seu primeiro encontro e se viram desorientados. E passaram a se ver mais, almoçar mais, trepar mais. Não viam aquilo, em princípio, como uma traição. Era paixão, solta, livre, atingindo seu ápice. Nos primeiros meses não se cobravam nem se perguntavam nada, apenas vivam o corpo um do outro, o hálito, os cheiros, os sonhos, todos sonhados em algum motel sem luxo, porque eles não precisavam disso, apenas de tempo para soltar seus desejos.
Depois de um tempo, a necessidade de estar junto mais tempo foi brotando e, como uma raiz de erva daninha, foi corroendo o que havia brotado de bom. Passaram a se desentender, a se cobrar, a se desrespeitar. O tempo foi ficando curto, pois discutiam muito mais que qualquer outra coisa. E sempre que se separavam, se arrependiam. E tornavam a se ver, se impunham momentos de trégua para voltar a ser como naquele primeiro dia. E como nas histórias de fadas, o tempo foi passando e o mato cresceu ao redor da relação deles. Ela via isso claramente, e pensava se um dia ele veria e cortaria tudo com sua espada para tirá-la dali. Pensava em como fazer, mas não via saída. Sabia que não poderia viver nunca mais sem ele, mas também não sabia se poderia viver com ele. Desde que expressara sua angústia ele se tornara agressivo, começara a beber mais, a dizer certas coisas duras. Afinal, ele havia decidido e ela não. Ainda não.
Voltou a si depois de muito tempo, percebendo ele ainda dentro de seu corpo. Sim, fora como na primeira vez, intenso, mágico. Ela não conseguia compreender como aquele homem podia alternar extrema delicadeza com a mais profunda violência e se perguntou se era disso que ela gostava. Porque sim, gostara quando ele começou a bater nela. Sentira um sinistro prazer nisso. O problema foi quando ele começou a marcá-la, machucá-la. Ela não tinha como explicar isso em sua casa e, pior ainda, não conseguia explicar a ela mesma. Pensava: será que somos doentes, os dois? Mas sempre dizem que entre quatro paredes vale tudo... o que é esse tudo permitido, aceitável? Não tinha coragem de confessar isso a suas amigas, para saber o que elas achavam. Também não sabia se elas iam dizer o que realmente achavam. Só sabia que, quanto mais ele a batia, mais ela se sentia presa a ele, e mais queria fugir.
De tanto devanear, acabou adormecendo também. E sonhou.
(continua...)
segunda-feira, novembro 21, 2005
A volta
Ele entrou, mas não acendeu a luz. Deixou seus olhos se acostumarem com a escuridão daquele quarto, que contrastava enormemente com a claridade do lado de fora. O dia já se fazia pleno quando ele voltou, com sol a pino, mas a raiva estava longe de ter passado.
Seu coração estava batendo muito acelerado, tão acelerado que ele até percebeu. Não era um tipo de homem que prestava muita atenção em si próprio, mas naquele dia estava mais atento. Aliás, estava atento a tudo, preocupado, nervoso, tenso, com medo do que ainda podia fazer.
Ao entrar no quarto, logo reparou que ela não estava, e viu luz pela fresta embaixo da porta do banheiro, o suficiente para supor que ela estava ali. Encostou seu ouvido na porta e ficou quietinho escutando...sentiu a respiração dela do outro lado. Ela estava ali, arfando, com dificuldades para organizar seu raciocínio e seu algoz, do outro lado da porta, aguardando mais um movimento.
Quando viu que ela demoraria a deixar o banheiro, decidiu sentar-se na cama. Paralisado, ficou alguns minutos buscando colocar os pensamentos em ordem, tentando entender porque tudo aquilo havia acontecido. Afinal, gostava muito dela. Mais do que havia gostado de qualquer outra mulher em toda a sua vida. Com a cabeça entre as mãos, pôde sentir seu suor escorrendo por sua testa e viu que o embate também o havia machucado um pouco. O problema, no entanto, não era os machucados externos e sim, o que doída por dentro. Ele se sentia em frangalhos, estraçalhado. Aos poucos, seu organismo foi retornando ao estado normal e seu ritmo cardíaco diminuindo.
Ela sabia que ele estava no quarto. Havia escutado o barulho das chaves e o ranger da porta se abrindo. Ouviu seus passos, sentiu que ele encostou a cabeça na porta, e que se dirigiu para o outro lado do quarto. Não sabia exatamente onde ele estava agora, nem o que estaria fazendo e, por este motivo, seu medo foi aumentando, aumentando, aumentando...
Tratou de buscar naquele banheiro, algo que pudesse ser utilizado como uma arma, nem que fosse para defendê-la. Não havia nada muito forte o suficiente para derrubá-lo, mas encontrou uma gilete dentro do pequeno armário embaixo da pia. Ela não pretendia utilizá-la, mas tinha que ficar preparada para qualquer outro ataque.
Como ela demorava a deixar o banheiro, ele se recostou na cama e, exausto daquele turbilhão de emoções, em pouco tempo caiu em sono profundo. Ela, então, abriu a porta do banheiro e tirou os sapatos, pondo-se a andar em volta da cama e a olhar para ele. O encantamento que ela sentia por aquele homem ainda era mais forte do que tudo. O que ela não entendia, portanto, era como tinha tanto medo de mudar a vida dela para viver com ele. Talvez a reposta fosse simples: era apenas medo de perder este encanto.
Notou que ele também havia se machucado na briga. Possuía alguns hematomas nos braços, talvez provenientes dos esbarrões dela quando tentava se desvencilhar dele. Ela se via literalmente entre dois amores: não queria magoar nenhum dos dois e quanto mais se esforçava, mais delicada ficava sua situação, pois em pouco tempo, o outro também estaria ciente do que estava acontecendo. Sentia que este dia se aproximava. Uma atitude ela teria que tomar. Por pior que fosse a escolha, era seria bem vinda; pior era ficar naquele limbo, cheio de indecisão.
De repente, ele acordou. Num movimento brusco e violento, segurou seu pescoço, prendendo de uma só vez, pele e cabelos. Ela se assustou com sua reação, mas imediatamente se lembrou da gilete, que trazia consigo no bolso da calça. Ela teria que ser bastante ágil para não perder o controle e resgatá-la, se fosse o caso. Antes que precisasse partir para mais uma ação violenta, para revidar a dele, apelou:
- Eu te amo. Muito. Mais do que tudo. Se fui covarde, me perdoa. Eu não queria te reduzir a lixo. Eu te amo. Não é necessário partir para ignorância, vamos conversar. A gente sempre se entendeu.
- Eu estou tão confuso que eu não sei nem mais o que pensar, ele disse afastando-se dela. - Eu sou tão fascinado em você, não suportaria ter que te esperar mais dois anos. Você tem que tomar uma decisão, por mim, por você, por nós dois.
(continua...)
Seu coração estava batendo muito acelerado, tão acelerado que ele até percebeu. Não era um tipo de homem que prestava muita atenção em si próprio, mas naquele dia estava mais atento. Aliás, estava atento a tudo, preocupado, nervoso, tenso, com medo do que ainda podia fazer.
Ao entrar no quarto, logo reparou que ela não estava, e viu luz pela fresta embaixo da porta do banheiro, o suficiente para supor que ela estava ali. Encostou seu ouvido na porta e ficou quietinho escutando...sentiu a respiração dela do outro lado. Ela estava ali, arfando, com dificuldades para organizar seu raciocínio e seu algoz, do outro lado da porta, aguardando mais um movimento.
Quando viu que ela demoraria a deixar o banheiro, decidiu sentar-se na cama. Paralisado, ficou alguns minutos buscando colocar os pensamentos em ordem, tentando entender porque tudo aquilo havia acontecido. Afinal, gostava muito dela. Mais do que havia gostado de qualquer outra mulher em toda a sua vida. Com a cabeça entre as mãos, pôde sentir seu suor escorrendo por sua testa e viu que o embate também o havia machucado um pouco. O problema, no entanto, não era os machucados externos e sim, o que doída por dentro. Ele se sentia em frangalhos, estraçalhado. Aos poucos, seu organismo foi retornando ao estado normal e seu ritmo cardíaco diminuindo.
Ela sabia que ele estava no quarto. Havia escutado o barulho das chaves e o ranger da porta se abrindo. Ouviu seus passos, sentiu que ele encostou a cabeça na porta, e que se dirigiu para o outro lado do quarto. Não sabia exatamente onde ele estava agora, nem o que estaria fazendo e, por este motivo, seu medo foi aumentando, aumentando, aumentando...
Tratou de buscar naquele banheiro, algo que pudesse ser utilizado como uma arma, nem que fosse para defendê-la. Não havia nada muito forte o suficiente para derrubá-lo, mas encontrou uma gilete dentro do pequeno armário embaixo da pia. Ela não pretendia utilizá-la, mas tinha que ficar preparada para qualquer outro ataque.
Como ela demorava a deixar o banheiro, ele se recostou na cama e, exausto daquele turbilhão de emoções, em pouco tempo caiu em sono profundo. Ela, então, abriu a porta do banheiro e tirou os sapatos, pondo-se a andar em volta da cama e a olhar para ele. O encantamento que ela sentia por aquele homem ainda era mais forte do que tudo. O que ela não entendia, portanto, era como tinha tanto medo de mudar a vida dela para viver com ele. Talvez a reposta fosse simples: era apenas medo de perder este encanto.
Notou que ele também havia se machucado na briga. Possuía alguns hematomas nos braços, talvez provenientes dos esbarrões dela quando tentava se desvencilhar dele. Ela se via literalmente entre dois amores: não queria magoar nenhum dos dois e quanto mais se esforçava, mais delicada ficava sua situação, pois em pouco tempo, o outro também estaria ciente do que estava acontecendo. Sentia que este dia se aproximava. Uma atitude ela teria que tomar. Por pior que fosse a escolha, era seria bem vinda; pior era ficar naquele limbo, cheio de indecisão.
De repente, ele acordou. Num movimento brusco e violento, segurou seu pescoço, prendendo de uma só vez, pele e cabelos. Ela se assustou com sua reação, mas imediatamente se lembrou da gilete, que trazia consigo no bolso da calça. Ela teria que ser bastante ágil para não perder o controle e resgatá-la, se fosse o caso. Antes que precisasse partir para mais uma ação violenta, para revidar a dele, apelou:
- Eu te amo. Muito. Mais do que tudo. Se fui covarde, me perdoa. Eu não queria te reduzir a lixo. Eu te amo. Não é necessário partir para ignorância, vamos conversar. A gente sempre se entendeu.
- Eu estou tão confuso que eu não sei nem mais o que pensar, ele disse afastando-se dela. - Eu sou tão fascinado em você, não suportaria ter que te esperar mais dois anos. Você tem que tomar uma decisão, por mim, por você, por nós dois.
(continua...)
O esconderijo
Como não entendesse os motivos dele, começou a pensar em como sair dali, pois o tempo passava e sua angústia só aumentava. Pensava o tempo todo: e se ele me matar? Se não se acalmar e voltar ainda mais furioso?
Passou então a observar melhor o lugar. Foi até o banheiro e verificou a janela. Estava trancada e tinha grades. Mesmo que quebrasse o vidro, não tinha como passar pelas grades. Voltou para o quarto. Desesperada, abriu o armário como que em busca de uma passagem secreta. Nada, claro. Pôs-se a revirar as gavetas das pequenas cômodas, mas só havia uma barata morando ali. Enojada, sentiu vontade de vomitar. Foi até o banheiro e ficou lá, abraçada ao vaso, cuspindo sua indignação esverdeada. Suava frio. Levantou-se depois de muito tempo e lavou o rosto. Sua imagem no espelho fê-la estremecer.
- Aonde fui parar com essa história, meu Deus? O que eu ganhei com isso? E por que, Deus, por que eu tenho que passar por isso? Me ajuda, por favor! Aponta uma saída...
Nisso ouviu o barulho de chave na porta. Decidiu então trancar-se no banheiro. Correu a passar o trinco e deixou seu corpo escorregar até ficar agachada com as costas encostadas na porta.
(continua...)
Passou então a observar melhor o lugar. Foi até o banheiro e verificou a janela. Estava trancada e tinha grades. Mesmo que quebrasse o vidro, não tinha como passar pelas grades. Voltou para o quarto. Desesperada, abriu o armário como que em busca de uma passagem secreta. Nada, claro. Pôs-se a revirar as gavetas das pequenas cômodas, mas só havia uma barata morando ali. Enojada, sentiu vontade de vomitar. Foi até o banheiro e ficou lá, abraçada ao vaso, cuspindo sua indignação esverdeada. Suava frio. Levantou-se depois de muito tempo e lavou o rosto. Sua imagem no espelho fê-la estremecer.
- Aonde fui parar com essa história, meu Deus? O que eu ganhei com isso? E por que, Deus, por que eu tenho que passar por isso? Me ajuda, por favor! Aponta uma saída...
Nisso ouviu o barulho de chave na porta. Decidiu então trancar-se no banheiro. Correu a passar o trinco e deixou seu corpo escorregar até ficar agachada com as costas encostadas na porta.
(continua...)
sábado, novembro 19, 2005
A espera
Enquanto ele se afastava, ela conferia os danos físicos daquele embate violento. Seus cabelos estavam encharcados de sangue...num leve toque de sua mão, a quantidade de sangue em seus dedos deu uma idéia de como o corte havia sido profundo.
Ela rezava para que ele ficasse tempo suficiente fora para voltar mais calmo e perceber que nada daquilo mudaria o rumo que suas vidas haviam tomado. Este tempo também seria útil para que ela refletisse um pouco sobre toda aquela raiva. De onde ela teria surgido? O que será que a teria desencadeado?
Foram dois anos daquele jeito, esperando por alguma coisa que nunca se acontecia: uma decisão, uma mudança, uma declaração...
Quanto mais o tempo se passava, mais eles percebiam o quanto se gostavam, o quanto queriam ficar juntos, o quanto tinham em comum.
No entanto, o custo para mudar suas vidas era muito alto. Ambos tinham suas famílias, seus casamentos, suas casas, suas rotinas...nenhum dos dois parecia ter coragem para mexer neste vespeiro.
Um dia, quando já não conseguiam mais manter seus relacionamentos oficiais, escondendo o sentimento que sentiam um pelo outro, ele resolveu que era hora para ambos tomarem a decisão, que eles já sabiam o que queriam e que tudo daria certo dali em diante. Ele resolveu e comunicou a ela que abriria o jogo com sua esposa no final de semana seguinte.
Em nenhum momento, ele perguntou a ela se estava disposta a fazer o mesmo com seu marido, por quem ela tinha tanto respeito, carinho e amizade. A última coisa que ela queria neste mundo era magoar seu marido, ele não merecia. Tinha sido um marido dedicado, desde que se casaram. O amor e a paixão que um dia chegaram a sentir um pelo outro já não era mais o mesmo, mas nem por isto ela queria vê-lo triste e sozinho.
Quando ele contou para sua esposa o que estava se passando, imediatamente ela pediu que ele saísse de casa. Ele fez uma pequena mala, com algumas roupas de trabalho e foi para um apart-hotel próximo dali. Sentiu uma estranheza muito grande, pois ela não se queixou, nem brigou, nem pediu para que ele reconsiderasse. Ele se sentiu um "merda". Ao se despedir dela, ela apenas avisou que a briga judicial entre eles estava apenas começando, e que ela queria ficar com tudo o que eles haviam construído até ali.
Como ele já estava trabalhando em outra cidade, a mudança foi pequena. No final do domingo, ele partiria e levaria consigo o que havia resgatado da casa de sua esposa. No apart-hotel, ele pensou em tudo o que havia acontecido, em como os seus filhos encarariam o problema e como ele faria para vê-los, se é que eles iam querer vê-lo...
(continua...)
Ela rezava para que ele ficasse tempo suficiente fora para voltar mais calmo e perceber que nada daquilo mudaria o rumo que suas vidas haviam tomado. Este tempo também seria útil para que ela refletisse um pouco sobre toda aquela raiva. De onde ela teria surgido? O que será que a teria desencadeado?
Foram dois anos daquele jeito, esperando por alguma coisa que nunca se acontecia: uma decisão, uma mudança, uma declaração...
Quanto mais o tempo se passava, mais eles percebiam o quanto se gostavam, o quanto queriam ficar juntos, o quanto tinham em comum.
No entanto, o custo para mudar suas vidas era muito alto. Ambos tinham suas famílias, seus casamentos, suas casas, suas rotinas...nenhum dos dois parecia ter coragem para mexer neste vespeiro.
Um dia, quando já não conseguiam mais manter seus relacionamentos oficiais, escondendo o sentimento que sentiam um pelo outro, ele resolveu que era hora para ambos tomarem a decisão, que eles já sabiam o que queriam e que tudo daria certo dali em diante. Ele resolveu e comunicou a ela que abriria o jogo com sua esposa no final de semana seguinte.
Em nenhum momento, ele perguntou a ela se estava disposta a fazer o mesmo com seu marido, por quem ela tinha tanto respeito, carinho e amizade. A última coisa que ela queria neste mundo era magoar seu marido, ele não merecia. Tinha sido um marido dedicado, desde que se casaram. O amor e a paixão que um dia chegaram a sentir um pelo outro já não era mais o mesmo, mas nem por isto ela queria vê-lo triste e sozinho.
Quando ele contou para sua esposa o que estava se passando, imediatamente ela pediu que ele saísse de casa. Ele fez uma pequena mala, com algumas roupas de trabalho e foi para um apart-hotel próximo dali. Sentiu uma estranheza muito grande, pois ela não se queixou, nem brigou, nem pediu para que ele reconsiderasse. Ele se sentiu um "merda". Ao se despedir dela, ela apenas avisou que a briga judicial entre eles estava apenas começando, e que ela queria ficar com tudo o que eles haviam construído até ali.
Como ele já estava trabalhando em outra cidade, a mudança foi pequena. No final do domingo, ele partiria e levaria consigo o que havia resgatado da casa de sua esposa. No apart-hotel, ele pensou em tudo o que havia acontecido, em como os seus filhos encarariam o problema e como ele faria para vê-los, se é que eles iam querer vê-lo...
(continua...)
sexta-feira, novembro 18, 2005
A briga
- Me larga! Me solta! Você está me machucando e estou falando sério! - ela gritou com ele. A batalha estava só começando.
- Não solto! Não adianta você pedir! Não adianta gritar também, porque eu escolhi muito bem este lugar, e ninguém vai te ouvir!
Ele realmente estava enfurecido. Com uma das mãos, segurava o braço direito dela; com a outra, cravava os dedos da outra mão em seu rosto, como se quisesse impedir que ela falasse, respirasse e mal tivesse chance de abrir um dos olhos. Ele queria ferí-la, tomá-la com força, domá-la, mostrar que ele estava no controle. Não tinha a intenção de matá-la, mas estava com muita raiva. Com todo o peso que imprimira naquele ataque, ele a tinha encurralado num dos cantos do quarto.
Ela sabia que não poderia ficar naquela posição por muito tempo. Em fração de segundos, lembrou-se das lutas de boxe das madrugadas de sábado e pensou que tal submissão poderia conduzí-la a uma derrota... e ela não sabia onde tudo aquilo ia dar.
De repente, buscando uma força que nem sabia possuir, ela sacudiu aquele corpo musculoso e o deixou um pouco tonto, mas não o suficiente para impedir que ele a jogasse de encontro a outra parede. Neste momento, foi ao chão e espatifou-se o abajour que ladeava a cama. A iluminação, que já era bem reduzida, ficou restrita apenas a uma arandela que havia no hall de entrada. Ela bateu a cabeça com força contra a parede, abrindo-se um corte na parte posterior. O sangue começou a escorrer por seu cabelo e ela teve medo, pois ele a olhava sem pena.
- Fala, sua desgraçada! Fala o que eu quero ouvir! Por que você planejou tudo isto? O que você ganhou indo embora? Fala! - aos berros, ele exigia que ela dissesse o motivo que a tinha levado desistir de viver aquele amor, que mais parecia ter se transformado no maior ódio do mundo.
O cheiro daquele quarto infecto pareceu invadir seus pulmões. Ela teve mais um segundo para olhar em volta, e ver o quão sujo estava aquele lugar escuro. As paredes tinham marcas de pés. Os lençóis estavam amarelados. As fronhas que envolviam os travesseiros cheiravam a suor. O pequeno sofá de dois lugares que compunha o mobiliário estava manchado em vários pontos e alguns pedaços do tecido que o revestia já haviam esgarçado.
No instante seguinte, ele já estava por cima dela, forçando violentamente seu braço esquerdo para trás, num desejo cruel de quebrá-lo. Ela já parecia resistir menos.
- Por favor, não me machuca, eu não fiz nada, eu só fui embora! Não me machuca! Por favor!
- Isto para você não é nada?! Eu mudei a minha vida inteira para ficar com você, eu deixei minha família, mudei de cidade, comprei apartamento, troquei de emprego, abandonei meus filhos e você vem agora me dizer que não fez nada?! O que é o AMOR para você? O que você conhece da vida? Agora eu vou te ensinar...
Num golpe mais perverso e violento do que os anteriores, ele a pôs de joelhos. E puxando sua cabeça para trás, segurando os cabelos grudados no sangue escorrido, ele a fez olhar em seus olhos...
- Olha para mim!!! Olha para mim, sua vadia!!! Você quer saber o que é NADA? Isto é NADA! Eu sou NADA! Foi a isto que você me reduziu! Sua cachorra! Eu te odeio! Eu te odeio!
Ela olhou para ele com o amor que ele buscava. E também com muito medo. E, de repente, sem conseguir encará-la por mais tempo, sem conseguir encarar o resto de amor que ainda havia dentro dele, ele a soltou. Ela caiu para trás, como se faltasse chão embaixo de seus pés.
Ele saiu e bateu a porta. Fechou todos os trincos e a deixou lá.
- Eu volto, sua vadia! A gente vai acertar nossas contas.
(continua...)
- Não solto! Não adianta você pedir! Não adianta gritar também, porque eu escolhi muito bem este lugar, e ninguém vai te ouvir!
Ele realmente estava enfurecido. Com uma das mãos, segurava o braço direito dela; com a outra, cravava os dedos da outra mão em seu rosto, como se quisesse impedir que ela falasse, respirasse e mal tivesse chance de abrir um dos olhos. Ele queria ferí-la, tomá-la com força, domá-la, mostrar que ele estava no controle. Não tinha a intenção de matá-la, mas estava com muita raiva. Com todo o peso que imprimira naquele ataque, ele a tinha encurralado num dos cantos do quarto.
Ela sabia que não poderia ficar naquela posição por muito tempo. Em fração de segundos, lembrou-se das lutas de boxe das madrugadas de sábado e pensou que tal submissão poderia conduzí-la a uma derrota... e ela não sabia onde tudo aquilo ia dar.
De repente, buscando uma força que nem sabia possuir, ela sacudiu aquele corpo musculoso e o deixou um pouco tonto, mas não o suficiente para impedir que ele a jogasse de encontro a outra parede. Neste momento, foi ao chão e espatifou-se o abajour que ladeava a cama. A iluminação, que já era bem reduzida, ficou restrita apenas a uma arandela que havia no hall de entrada. Ela bateu a cabeça com força contra a parede, abrindo-se um corte na parte posterior. O sangue começou a escorrer por seu cabelo e ela teve medo, pois ele a olhava sem pena.
- Fala, sua desgraçada! Fala o que eu quero ouvir! Por que você planejou tudo isto? O que você ganhou indo embora? Fala! - aos berros, ele exigia que ela dissesse o motivo que a tinha levado desistir de viver aquele amor, que mais parecia ter se transformado no maior ódio do mundo.
O cheiro daquele quarto infecto pareceu invadir seus pulmões. Ela teve mais um segundo para olhar em volta, e ver o quão sujo estava aquele lugar escuro. As paredes tinham marcas de pés. Os lençóis estavam amarelados. As fronhas que envolviam os travesseiros cheiravam a suor. O pequeno sofá de dois lugares que compunha o mobiliário estava manchado em vários pontos e alguns pedaços do tecido que o revestia já haviam esgarçado.
No instante seguinte, ele já estava por cima dela, forçando violentamente seu braço esquerdo para trás, num desejo cruel de quebrá-lo. Ela já parecia resistir menos.
- Por favor, não me machuca, eu não fiz nada, eu só fui embora! Não me machuca! Por favor!
- Isto para você não é nada?! Eu mudei a minha vida inteira para ficar com você, eu deixei minha família, mudei de cidade, comprei apartamento, troquei de emprego, abandonei meus filhos e você vem agora me dizer que não fez nada?! O que é o AMOR para você? O que você conhece da vida? Agora eu vou te ensinar...
Num golpe mais perverso e violento do que os anteriores, ele a pôs de joelhos. E puxando sua cabeça para trás, segurando os cabelos grudados no sangue escorrido, ele a fez olhar em seus olhos...
- Olha para mim!!! Olha para mim, sua vadia!!! Você quer saber o que é NADA? Isto é NADA! Eu sou NADA! Foi a isto que você me reduziu! Sua cachorra! Eu te odeio! Eu te odeio!
Ela olhou para ele com o amor que ele buscava. E também com muito medo. E, de repente, sem conseguir encará-la por mais tempo, sem conseguir encarar o resto de amor que ainda havia dentro dele, ele a soltou. Ela caiu para trás, como se faltasse chão embaixo de seus pés.
Ele saiu e bateu a porta. Fechou todos os trincos e a deixou lá.
- Eu volto, sua vadia! A gente vai acertar nossas contas.
(continua...)
sábado, novembro 12, 2005
O início...
Amor, paixão, solidão, alegria, esperanças, futuro, passado, presente, ... , todos estes são temas para os escritos de Rebecca e seus amigos.
Aqui, vamos nos encontrar e nos perder nas aventuras de pessoas que sonham e detêm uma alma romântica, sem medo de escancarar para o mundo o que elas sentem e pensam.
Esperamos que vocês nos acompanhem nesta viagem...
Rebecca
Aqui, vamos nos encontrar e nos perder nas aventuras de pessoas que sonham e detêm uma alma romântica, sem medo de escancarar para o mundo o que elas sentem e pensam.
Esperamos que vocês nos acompanhem nesta viagem...
Rebecca
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