domingo, março 30, 2008

uma tatoo que diz tudo...




Elogios no trabalho [2]

Já comecei a receber a conta... ela é compridaaaaaaaaaa!

Chutando cachorro morto [1]

O resultado desta semana pode ser traduzido na frase-título deste post. Ela não sai da minha cabeça, de alguma forma, no gerúndio, ação.

Estão chutando cachorro morto...

Por que é que será que se perde tempo chutando cachorro morto?

Ai, coitado, mas ele já é cachorro morto!!!

Chutar cachorro morto é realmente um desperdício de tempo. É acabar de enterrar. É dar aquele chutezinho de ódio no final por tudo que a criatura fez pra você. Pra quê? O quê que se ganha com isso?

Às vezes, o ser humano não se dá conta do que faz. Essa é uma das vezes, porque ninguém, em sã consciência, parte para o chute, sabendo da inexistência de vida naquele ser. Os conscientes viram a página, partem para outra.

Como eu estou com a frase na cabeça...vai rolar outro post depois. Peço contribuições a esta temática.

domingo, março 23, 2008

Limpeza

Estou numa fase de limpeza. De arrumar tudo. De diminuir a carga. De esvaziar gavetas. De doação - o que não serve para mim, pode servir para alguém.

Estou querendo ter ao meu lado apenas o que é bom e somente os que importam. Até no orkut já andei dando uma espanada. Estou numa fase em que ou gosto ou não gosto. Sem meio-termo.

Estou querendo arrumar a minha vida. Limpar vícios, mágoas, antigos hábitos. Estou mudando. Os que me gostam, já perceberam. Os que sequer me olham, vão levar um susto um dia.

Que as águas venham e levem para bem longe tudo o que é negativo. Que Iemanjá nos abençoe.

"Imagine você e eu"

Ontem, me deparei com o início de um filme no Telecine que eu já havia visto em pedaços e que morria de curiosidade para ver desde o começo. Pois é... não costumo ver filmes na TV pela manhã, mas como era finalmente o início de "Imagine você e eu", resolvi encarar... mesmo sabendo que isso representaria o atraso do meu almoço (mas, tudo bem, era feriado!).

Esse filme não me dizia nada, a não ser pelo nome de dois dos personagens que formariam um triângulo amoroso: Rachel e Hector. Quem me conhece sabe o que isso significa. Não é que o filme começa com o casamento dos dois?

A Rachel está linda, com um vestido bem simples, que sua irmã mais nova, a Henriqueta (a "H") - bem mais nova, por sinal (11 anos) - define como "um merenguinho"! Na igreja, depois de mostrar-se bem moderna para os padrões londrinos (ela pára para urinar vestida de noiva num McDonald's), ela troca olhares com a Lucy e percebe que, enfim, encontrou o amor da sua vida (não é a Lucy in the Sky with Diamonds, mas deixa a guria bem doidona!).

Mas, ela já está casada e sente uma vontade incontrolável de se encontrar com a nova amiga, de estar com ela, de abraçá-la e beijá-la...

O diretor é realmente fantástico. Em nenhum momento isso fica esquisito para quem não é gay. O sentimento é apresentado ao espectador de um modo bem natural, ele não se prende a convenções e a gente fica até emocionado quando finalmente a Rachel consegue ficar com a Lucy.
Quando o Hector vai embora, ele não fica triste porque descobre que a mulher é gay e sim porque, segundo ele, quer vê-la feliz e sabe que não será com ele que ela será feliz. Muito civilizado, como aliás, tudo deveria ser.

O que me tocou neste filme foi me dar em conta de que não existem verdades absolutas. Que mesmo quando você acha que tem certeza de tudo, você pode, no momento seguinte, não ter mais certeza de nada. Que amar alguém pode não ser o suficiente para passar o resto da sua vida ao lado desta pessoa e que, infelizmente, às vezes, ela tem que aceitar isso. Que é muito difícil encontrar alguém por quem a gente realmente se apaixone e por isso, quando de fato isso acontece, não se pode deixar passar tamanha sorte.

Os atores não são famosos, mas a narrativa é agradável... faz pensar, é o que me vale! Se você vir um grande amor passando por aí... vá atrás dele!

domingo, março 02, 2008

Sabedorias...

El pensamiento SIENTE los límites de todas las cosas mientras la sensación PIENSA que todas son ilimitadas. Recorridos todos los senderos del bosque siempre volvemos a la misma encrucijada.

Yoki - "Learning to Fly"

Mediocridade

Hoje vou deixar de lado um pouco o tema principal deste blog, que são as relações amorosas, para tratar de um tema que anda me incomodando muito recentemente. Desta vez, resolvi abordar a mediocridade, na vida profissional e na pessoal . Ele é mais adequado ao blog de uma amiga, o Esquizofrenia Corporativa, mas vou tratá-lo aqui mesmo; no entanto, recomendo a visita ao blog da minha amiga, pois ela escreve muito bem sobre a temática do locus organizacional, com extrema sensibilidade.

Mas, voltando aos medíocres, como tentar entendê-los?

Quando comecei a trabalhar na empresa em que estou hoje, recebi um conselho muito valioso (mas ao qual só dei o devido valor agora, anos mais tarde) de um cara com muita experiência – de vida e de mercado. Ele me disse que trabalhar nesta empresa não seria difícil como eu imaginava. O difícil seria ter que lidar com os medíocres, em posições hierárquicas superiores a minha.

Me dei conta, com o passar do tempo, que os medíocres são realmente terríveis. Assistindo agora pouco ao “Saia Justa” no GNT, vi as meninas falando sobre o “Fodão-merda”, aquele cara que se faz de “o melhor de todos”, mas que no fundo é um fraco. Ele trabalha o tempo todo estabelecendo relações de assédio moral com as pessoas de seu núcleo e as transforma – ou, pelo menos tenta transformá-las – em camundongos, daqueles que os gatos gostam de jogar de um lado para o outro. Perto destas criaturas, a gente se sente um “nada”, rebaixado, diminuído, como se nossa opinião não tivesse nenhum valor, ou se não fossemos dignos de crédito.

Difícil mesmo lidar com estes caras (sejam eles homens ou mulheres). Eu tenho identificado alguns tipos característicos: os que tentam menosprezar as nossas idéias, os que dizem sempre que o trabalho que fez é melhor do que o nosso, os que passam grande parte da reunião da gerência tentando expor suas idéias, escolhendo palavras bonitas para parecer cultos e importantes, como aquele jogador de futebol que ao final do jogo fica batendo bola com os amigos para passar o tempo só porque acha que já ganhou.

Pior é aquela pessoa que, por não conseguir lidar com um tipo específico, cria tantos problemas de comunicação que acaba não tendo mais ambiente para conversar com a pessoa, discutir os problemas mais insignificantes. E aí estes probleminhas viram problemões e a esta pessoa só resta reclamar com o chefe, na esperança que ele intervenha a seu favor. Ora bolas, por que é tão difícil conversar, pôr as cartas na mesa? Por que esse comportamento tão infantil, de alguém que precisa sempre usar a tática: “vou falar com a minha mãe!!!”???

E quando a pessoa ameaça chorar na sua frente, mostra suas suscetibilidades e fraquezas, como se isso demonstrasse uma honradez maior, uma hombridade, uma grandeza de caráter? Porra nenhuma! Serve apenas para que a gente se sinta culpado por ser superior. Porque quando se é superior, a gente se concentra em ser apenas profissional, respeitando os outros, as opiniões dos outros e suas idéias, dando crédito a elas, fortalecendo a equipe, enxergando que quando todos crescem, o nível das discussões melhora e todos aprendem juntos. E isso não é balela, eu é que já não sei mais ser diferente.

No meio de tantos medíocres, como não ficar contaminado? Como não absorver todo esse horror para a sua vida, como chegar em casa totalmente limpo dessa energia?

Parece que o superior medíocre precisa de outros medíocres para sustentar sua mediocridade. A gente fica precisando de espaço para respirar, como se estivesse afundando na areia movediça. E a tal da mediocridade imobiliza. Num dado momento, parece que a gente não é mais capaz de fazer nada de bom, de concreto, de prazeroso.

Como se não bastasse isso tudo na vida profissional, às vezes, a mediocridade insiste em invadir a nossa vida pessoal. Ela se revela como alguém muito próximo que é muito covarde, como aquele que abandona planos e nos deixa na mão, como alguém que faz coisas sem sentido, e nos deixa desorientado, como quem teme dizer o que pensa e quando resolve dizer, sai magoando a todos a sua volta.

Eu já passei por isso uma vez. E me prometi que não iria passar de novo. Porque viver uma situação assim é como ser engolido por uma onda, a gente fica sem chão, sem direção, sem saber o que fazer. Eu sei que não é fácil para alguém lidar com isso. Já vi tantas amigas passarem por situação semelhante que agora sei bem no quê os autores de novela se inspiram para escrever aquelas cenas absurdas – elas realmente acontecem na vida real.

Enfim, preciso de ar. Preciso de uma bomba de oxigênio. Não, não quero entrar em transe, quero minha lucidez bem aqui comigo. Mas, quero uma vassoura, para varrer para bem longe todos esses medíocres que resolveram assolar a minha vida...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

:: Sex and the City :: O filme

Já estou super ansiosa para ver o filme e agora descubro pelo site oficial (http://www.sexandthecitymovie.com/) que ele só será lançado nos EUA no dia 30 de maio de 2008! Imagina quando será lançado aqui!?

Aaaaarrrrrgggghhhtttttt!

Será que eu aguento até lá? Para ocupar o meu tempo, só me resta ver o trailer e curtir o cartaz do filme, que está bacanérrimo!



Get Carried away...

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

O Rio de Janeiro continua sendo...

Canta meu Salgueiro!
Um "Rio de Amor" vai desaguar
Meus versos vêm no "Tom" da poesia
Da beleza que irradia
E fez o lusitano se encantar
Paraíso de riquezas naturais
Coração do meu país
Seduzindo a nobreza
Terra de gente feliz
Chega a Família Real
Dando um charme especial
O porto agita a Praça Mauá
Onde a semente do samba se fez brotar

Eu sou o Rei da Boemia
Carioca, sou da Lapa, patrimônio cultural
E me banhei de alegria, tiro onda, dou meu jeito
Minha vida é um carnaval

Divina obra-prima pra se admirar
Entre morros e ladeiras
A brisa embala as ondas do mar
Essa gente tão cheia de graça
O turista que leva saudade
E o Redentor abençoando
Maravilhosa cidade
O suburbano improvisando muito bem
Vai batucando na lotada ou no trem

E deixa o sol bronzear
No calor do meu Salgueiro
Eu sou raiz desse chão
E canto a minha emoção
Salve o Rio de Janeiro

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Este post é uma homenagem ao Salgueiro, escola vice-campeã do
Carnaval do Rio de Janeiro, em 2008, e um protesto contra a
hegemonia sem graça, pedante e eficiente da Beija-Flor.
Para ouvir o samba, basta clicar em: http://www.liesa.com.br

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Na praia...

Acabei de ler o livro "Na Praia", do Ian McEwan. Posso dizer que o venci, é mais propriado, porque foi um tanto doloroso chegar até o fim. Quando o comprei, foi pelo interesse causado por uma resenha bem escrita, publicada no caderno "Prosa e Verso", do jornal O Globo. Lembro que o autor da resenha dizia que o livro era incômodo. E bota incômodo nisso!




O livro conta a noite de núpcias de um casal muito jovem - para os padrões atuais - que está hospedado em um hotel na praia de Chesil, perto do Canal da Mancha, na Inglaterra. Uma noite de núpcias que não acontece porque a mulher não gosta de sexo: nem de fazer, nem de falar, nem de pensar em sexo, como ela mesmo se define. Enquanto eu lia esse pedaço do livro, a única coisa que eu conseguia pensar era em como eu fui sempre bem resolvida em relação à isso.

Mas, ler esse livro achando que ele trata apenas da frigidez de uma mulher jovem é realmente um grande erro - que eu quase cometi! Posso dizer, ao final, que eu gostei do livro, depois que eu venci a barreira do quarto capítulo. Na verdade, o livro trata também de convenções sociais, de falsos moralismos, de mágoas e ofensas que nos marcam fundo, de tudo que um amor verdadeiro não é capaz de vencer em seu nome, do medo que se tem de se ver ridicularizado diante da sociedade, da família, dos amigos.

Quando não se tem o real despreendimento para ouvir àquele que se ama, suas súplicas verdadeiras, suas necessidades e demandas mais íntimas, corre-se o risco de, um dia, muito tempo depois do abandono, ver que a vida passou, que não se fêz o que se queria e que o orgulho é implacável, pois envenena a tudo e a todos e dá como troco apenas a mais profunda solidão.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Prudência

"Quanto mais sublimes forem as verdades mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, transformam-se em lugares comuns e as pessoas nunca mais acreditam nelas." - Nicolau Gogol

Fonte: Wikiquote

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Livros, livrarias, sonhos e fantasias

Estive na Livraria da Travessa de novo hoje, em menos de uma semana, mas não comprei nada. Nenhum livro, nenhum DVD, nenhum CD, de tão imersa que eu estava na leitura do "A sombra do vento", livro sensacional do Carlos Ruiz Zafón. Simplesmente A-D-O-R-E-I !!!!



Fazia tempo em que eu não ficava tão ansiosa para saber o final de um livro. Tenho que confessar que quase apelei e fui direto para o final, mas este é um livro para ser saboreado. Quando o comprei, ele não me foi vendido como policial, mas ao descobrí-lo como tal, qual não foi a minha surpresa ao me saber afiada ainda: consegui matar algumas das charadas importantes do livro, algumas até que relativamente difíceis descobrir! Bom, não sei se as pistas eram propositais, mas, ..., enfim, o livro é ótimo mesmo e eu adorei a sensação de ir descortinando todos os mistérios pouco a pouco!

Mas, hoje, lá na livraria, depois de passear por entre aquelas estantes, ler trechos de livros do Caio Fernando Abreu e de outras figuras, fiquei me imaginando lá, segurando um exemplar de um livro meu, que pudesse tocar o coração das pessoas, me lembrando da história do "A Sombra...", que também é sobre livros. E da frase dita mais de uma vez por seus personagens: "O livro é como um espelho: o que você vai encontrar naquelas histórias é apenas um reflexo do que você é..."

Será que o espelho que eu produziria seria interessante para os meus leitores...? Se isso é sonho, ou se é algo que possa um dia virar realidade, eu não sei. Só sei que eu gostaria de deixar um livro meu numa estante, algo pelo qual eu pudesse ser lembrada, com carinho, com apreço.

Sonhar não custa nada, não é mesmo?

terça-feira, janeiro 29, 2008

Amélie Poulain

"O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" chegou aos cinemas brasileiros em 2001 e foi lançado em DVD em 2002. Todas as críticas ao filme foram positivas e me deixaram muito interessada. Mas, o tempo passou, o filme saiu de cartaz e eu não tive oportunidade de assistí-lo.



Sexta-feira passada, passeando pela Livraria da Travessa, não é que eu esbarrei com ele? Não estava procurando por algo em especial, afinal, já tinha feito uma festa com as promoções por e-mail e com a banquinha de filmes das Lojas Americanas (eu não sou adepta de locadoras - odeio a obrigação de ter que voltar lá no dia seguinte para devolver o filme).

Vimos o filme na noite do mesmo dia e, simplesmente, o adoramos. "Amélie..." mistura drama com humor, tratando de temas bastante significativos, como o das pessoas que não conseguem encarar a realidade, ou sobre aqueles que desejam com afinco, agindo totalmente fora dos limites, aquilo que não podem ter, ou ainda, sobre os que colecionam as coisas mais malucas deste mundo... Ele incomoda, ao mesmo tempo que diverte.

A direção teve um cuidado primoroso com os detalhes e o fato do filme ser francês, tornou-o ainda mais gostoso de ver.

Ele começa apresentando os personagens com o que cada um gosta e não gosta. Eu fiquei pensando nesta lista, em fazer a minha, só de brincadeira.

Eu gosto de...
... doce, principalmente brigadeiro;
... conforto, tipo banho de banheira, roupa de cama limpinha, ar condicionado;
... não ter que me preocupar com dinheiro no final do mês;
... ir ao cinema e ao teatro;
... viajar, para lugares que não conheço;
... ler bons livros;
...

Eu não gosto de...
... comida pesada (tipo pé de porco, buchada etc);
... toalha encardida no hotel (arghhh);
... ficar em casa o dia inteiro de bobeira (me dá dor de cabeça);
... gente falsa, que finje que é sua amiga e fala mal de você por trás;
... lugar muito cheio de gente, apertado, com gente muito suada (tipo metrô na hora do rush);
...

E você, tem uma lista?

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Ganesha

Estávamos eu e o meu companheiro de jornada, o Mago das Flautas, caminhando pelo centro de Búzios, meio entediados com a chatice daquela gente fútil que só pensava em consumir loucamente, quando finalmente encontrei a lojinha esotérica que eu havia descoberto na minha última viagem ao balneário.

Tinha que apresentá-la ao Mago, que há muito procurava por um livro sobre
desmembramento (leia-se "viagens fora do corpo") e tê-la encontrado ao acaso fêz da nossa noite uma bela experiência.

Ao entrarmos, me deparei com uma pequena estatueta de Ganesha, um Deus indiano que tem a cabeça de elefante. Coloquei-a sobre o balcão para elvá-la para casa por impulso, sem saber porquê.

Há algum tempo, havia feito uma pesquisa para uma amiga, a Flor de Lótus, sobre a história do Ganesha, pela qual fiquei encantada.

Diz a lenda que ele é o filho mais velho de Parvati e Shiva. No site da "Grande Fraternidade Branca", há um pedacinho da sua história, que reproduzo aqui:

Parvati é filha dos deuses Himalayas, aquela cadeia de montanhas nevadas, que cobre o norte da Índia. Ela é uma deusa muito graciosa e linda, mãe bondosa e esposa devota. Shiva - bem, até mesmo seus amigos mais íntimos admitem, que ele não é um pai ou marido ideal. Shiva ama sua família de todo coração, mas a sua maneira. O que acontece é que ele não agüenta ficar em casa o tempo todo. Tem alma de aventureiro, gosta de viajar, mas a sua paixão é a meditação e o Yoga. Tanto, que quando absorto meditando, nem um terremoto o perturba.

Shiva e Parvati casados, viviam muito felizes num bangalô no Monte Kailasa nos Himalayas, longe da civilização. Depois de algum tempo, Parvati percebeu que seu marido estava inquieto, ele abria a janela e olhava suspirando os altos picos das montanhas, e ela via nos seus olhos a sombra de um sonho. Ela o amava profundamente, e compreendeu o desejo que o consumia.

Um dia ela disse a Shiva:
- Por que você não viaja por uns tempos? Eu sei que você levava uma vida diferente, antes de nos casarmos. Você meditava, dançava, deve estar sentindo falta de tudo isso agora.
- Não minha querida - assegurou-lhe o marido. - Os velhos tempos acabaram, não sinto falta deles mais.
- E a sua meditação? - ela perguntou. Ela era a sua principal ocupação. - Você é o maior yogui dentre todos os deuses.

Shiva sabia que ela estava certa. Ele desejava mesmo se absorver de novo, pela prática da meditação, e tinha saudades das grutas favoritas das montanhas, onde se sentava para meditar. E depois foi o poder do Yoga, que o transformou num deus tão poderoso. Mas ele ainda hesitou.

- Mas você não vai se sentir sozinha, se eu for?

Parvati lhe assegurou que ficaria bem. Até porque, queria reformar o bangalô, transformar num lugar confortável e bonito onde uma família pudesse morar, um lar de verdade.

Feliz, Shiva colocou sua pele de tigre na cintura, enrolou suas cobras favoritas no pescoço e braços, chamou Nandi, sua vaca, e dando um aceno de despedida partiu montado nela.

- Não me demorarei. - ele disse a Parvati

Só que Shiva é o mais esquecido dos deuses. Quando medita é impossível despertá-lo. Acima do sagrado rio Ganges, Shiva se sentou e começou a meditar. Passaram-se muitos anos, que equivaliam a milhares de anos terrestres, uma vez que o tempo é diferente para os homens e deuses.

Quando finalmente, Shiva levantou da posição de lótus, lembrou-se da esposa que o esperava pacientemente, no Monte Kailasa, e correu de volta para casa.

Neste tempo que Shiva esteve ausente, Parvati fez um lindo jardim em volta do bangalô, costurara cortinas para as janelas e almofadas para o chão, pintara as paredes e as portas. E nem ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia que tinha deixado sua esposa grávida. Parvati teve um lindo menino, que a manteve bastante ocupada, lhe deu o nome de Ganesha.

Anos se passaram e o deus bebê cresceu e transformou-se num rapaz inteligente e sério, muito apegado a mãe, e que adorava ajudá-la.

Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho, enquanto seu filho se mantinha perto do portão do jardim. Um homem alto, com longos cabelos presos, um monte de cobras e uma pele de tigre enrolada no corpo se aproximava do portão, e atrás dele uma vaca. Shiva tinha voltado para casa sem se preocupar com sua aparência selvagem.

Shiva parou... - será que esta linda casa era mesmo a sua? E quem seria aquele garoto bonito no portão?

- Deixe-me entrar menino!
- Não, - respondeu Ganesha, franzindo as sobrancelhas para o vagabundo que queria entrar.
- Você não pode entrar! Ganesha se posicionou na porta de espada em punho.

Naquele momento, Shiva estava furioso, seu terceiro olho, do poder, apareceu no meio da sua testa, brilhando como fogo. Em segundos o corpo do menino estava no chão sem cabeça.

Ouvindo vozes Parvati se apressou, horrorizada viu seu filho sem cabeça e o marido que há tanto tempo não via. Chorou amargamente. Exclamou:
- O que você fez?! Este é Ganesha seu filho!

Shiva desculpou-se a Parvati, porém não podia voltar atrás, o que esta feito, esta feito. Mas prometeu a sua esposa que o primeiro ser que visse “dormindo errado” (considerava que aquele que dormia com a cabeça voltada para o sul, estava errado, pois o certo seria dormir com a cabeça voltada para o norte) ele cortaria a cabeça e a colocaria em seu filho.

Então Shiva percorreu milhas e milhas, e encontrou um filhote de elefante dormindo “errado”. Shiva cortou-lhe a cabeça e ao retornar encaixou-a entre os ombros de Ganesha. Inconformada Parvati foi pedir ajuda a outros deuses.

Brahma e Vishnu que são autoridades no Hinduísmo tanto quanto Shiva, ao ver o pobre e esquisito menino com cabeça de elefante, disseram a Parvati que nada poderiam fazer quanto a cabeça de Ganesha, pois não poderiam passar por cima de uma decisão de Shiva, mas poderiam dar à Ganesha poderes, para que ele se transformasse num deus muito querido por todos ou hindus. Ganesha seria sempre reverenciado antes de todas as cerimônias religiosas, seria também aquele que destrói os obstáculos, aquele que trás fortuna...

Parvati sentiu-se aliviada, agradeceu aos deuses, e se foi.

E assim se fez. Hoje na Índia Ganesha é o deus mais adorado, sua imagem é encontrada no painel de todos transportes, na entrada das lojas comerciais, e é realmente lembrado com carinho e devoção em todas as cerimônias religiosas, dando proteção e apoio àqueles que são seus devotos.

Ele é o Deus do conhecimento, sabedoria e removedor de obstáculos. Ele é venerado ou pelo menos lembrado no inicio de qualquer missão ou novo projeto para bênçãos e patrocínio.

Ele tem quatro mãos, a cabeça de um elefante e uma barriga bem grande. Seu veiculo é um pequeno rato. Em uma de suas mãos ele carrega uma corda (para carregar os devotos da verdade), uma machadinha em outra (para libertar seus devotos de apegos e vícios), tem um doce em uma das mãos (para gratificar os seus devotos por suas atividades espirituais), suas quatro mãos estão sempre estendidas para abençoar as pessoas. A combinação de sua cabeça de elefante e um veiculo de pequeno e ligeiro ratinho representa tremenda sabedoria, inteligência, presença de espírito e agilidade mental.

Continuando a minha busca, descobri que Ganesha é o protetor dos escritores, poetas e todos os que se dedicam aos estudos (tudo a ver, né?). E que o fotógrafo Mark Oatney tirou uma foto linda de uma de suas imagens.

Ganesh - By Mark Oatney

De lá para cá, a pequena estatueta está me acompanhando e, para ela, eu tenho acendido os incensos mais perfumados que encontrei. Minha vontade de conhecer mais sobre o Induísmo está cada vez maior. Afinal, eles são sábios...

Ganesha, também conhecido por Ganapati, é o escriba do Mahãbhãrata, que lhe foi ditado por Vyasa. Como caneta, usou a ponta de uma das suas presas, que leva sempre nas mãos (repare na imagem que a presa quebrada está na sua lança). Dizem que, nos momentos mais difíceis, é ele que remove todos os obstáculos.

Salve, Ganesha!

domingo, janeiro 20, 2008

Lembranças (ou ainda, sobre as coisas imateriais)

Quem é essa senhora sentada à beira da minha cama, aos meus pés? Por que ela me olha com tanta pena, tão desolada? Aliás, por que está todo mundo me olhando assim tão preocupado?

Ele já estava naquela cama há muito tempo, emagrecendo um pouco todos os dias, assustando filhos e netos com a rapidez com que progredia a sua doença. Conviver com ela era difícil, lidar com as metástases, então, não era nada fácil. Quando o médico chamou a família para conversar da última vez, foi para dizer que a doença havia provocado um tipo de esclerose que o levaria a esquecer pouco a pouco dos mais próximos, lembrando apenas de breves "flashes" da sua vida... e isso, todo mundo já tinha percebido.

Agora chegaram estes meninos...quem são eles? Dois meninos, agora mais duas meninas... hum, bonitas estas crianças...quem serão?...agora mais um menino e uma menina...Nossa, quantos beijos!!! Eles me beijam e abraçam com carinho...que gostoso!

- Vovô, oi, vovô! Como você está hoje? Lembra de mim, vovô?

Ele não lembrava. Que menina bonita, tão magrinha, cabelo castanho...será que ela estuda aqui na minha escola? Mas, peraí, ela está me chamando de vovô!!! Como assim? Eu ainda estou na escola!! Ei, cadê a minha professora? A aula já vai começar...!!! Estou tão cansado estes dias...

Seus três filhos (duas gêmeas e um mais novo) entravam e saíam do quarto à toda hora, cochichando pelos cantos da casa, preocupados com os pais, sem sorrisos, num quase-silêncio comovente...

- Mamãe, o vovô está melhorando? Ele vai ficar bom?, perguntou uma das crianças.

Como que sem uma resposta boa para dar ao filho, a mãe optou pelo emudecimento, porque ela não teria como lhe explicar que a cura para aquela doença ainda demoraria muito a ser descoberta. Ah, mais como ela queria que esta cura chegasse bem rápido!!! Olhava para o pai e lembrava da farra que fazia com os netos. Com eles, fôra um deseducador, desfazendo todo o trabalho que os pais tinham com criação das crianças. Eles o respeitavam muito, apesar da bagunça constante.

Nas suas brincadeiras favoritas, alguém sempre terminava pulando sobre o colchão de molas da cama do casal - às vezes, os seis netos juntos. Eram três meninas e três meninos que, com ele, brincavam, num único grupo, sem a distinção comum que se fazia entre os jogos de meninas e de meninos naquela época. Com aquele avô, eles aprenderam a gostar dos bichos, em especial dos passarinhos e dos gatos (negros). O 'vovô' levava as crianças para brincar soltas nos terrenos baldios vizinhos ao seu condomínio. E eles sempre voltavam imundos para casa. Soltavam pipas, jogavam peão e bola de gude, "fumavam" imensos charutos feitos de jornal (sem tragar, é claro!). E viam o povo soltar balões enormes nas festas juninas do bairro. Naquela época, não se tinha idéia do perigo que aquilo representava para matas, casas e florestas. Os enormes balões iluminados por milhares de "lanterninhas" japonesas eram mesmo a sensação das festas. Tinha milho, maçã do amor, algodão doce... e o vovô tratava de abastecer a todo mundo.

Mais ainda havia o mais divertido: vovô deixava que as crianças o penteassem em troca de algumas moedas. E elas adoravam deixá-lo parecido com o Einstein, aquele sujeito esperto que inventou a tal "Lei da Relatividade". E, como na vida, tudo é relativo, quem olhasse para o vovô, acharia que ele era louco, louquinho de pedra!

A filha lembrou também do amor de seu pai pelas fotografias. Na parede da sala, pendurou nove quadros enormes, com as fotos dos três filhos e dos seis netos. Ele mesmo tratava de fazer os quadros, adorava lidar com molduras e furar paredes.

Foi a última vez que os netos viram e abraçaram o avô, naquele domingo de 1982. Ele se foi, mas estava em casa, como queria. Lembrava apenas da sua professora do primário, que, para ele, àquela altura, era a vovó. Resignada, ela entendeu que não só o vovô ia descansar daquilo tudo... ela também.

E os netos...eles nunca mais se divertiram como naqueles tempos! Saudades do vovô!

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Para o meu avô querido, Paulo Mendes Borba.

O Cheiro do Ralo

Há muito tempo, eu queria ver este filme. Ele é de 2006 e, se não me engano, não ficou muito tempo em exibição. Mas, tinha a cara do Selton Mello, e foi muito elogiado pela crítica.

No filme, o personagem do Selton (Lourenço) diz:

De todas as coisas que eu tive, as que mais me valeram, as que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar, são as coisas que não estão ao alcance de nossas mãos, são as coisas que não fazem parte do mundo da matéria.

Depois de ver o filme, tirei uma conclusão: é preciso vê-lo, para entendê-lo. Ah, já ia esquecendo, quase se pode sentir o cheiro do ralo... MESMO.

E dignidade, esta não se compra!

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Devastados

Um dia, durante uma sessão de análise, usei o termo "devastado" para me referir ao homem que tinha sido o meu primeiro amor e que eu havia encontrado ocasionalmente no shopping.

Hoje, assistindo a um debate na TV, ouvi de novo este termo, tão pouco usual. A idéia discutida envolvia o vazio causado por uma ausência devastadora. Pais que se foram, amores perdidos, grandes lacunas, que não há como se preencher.

Meu primeiro amor foi um homem comum, nada especial para a maioria das pessoas, sem uma beleza rara. Para mim, ele foi mais do que especial, pois foi com ele que eu pude vivenciar um sonho e revelar tudo de bom que havia em mim. E, depois do fim do nosso romance, foi com ele que conheci tudo de ruim que havia em mim, pessoa que eu nem conhecia, nem sabia existir.

Meu primeiro amor não olhou para mim nesse encontro no shopping, mas me viu. Eu já o sabia ressentido, magoado. E o quê eu vi foi a pessoa que ele era quando eu o conheci: descuidado, barba por fazer, mal vestido, abandonado de si mesmo. Verdadeiramente "devastado".

Eu já não podia dizer o mesmo de mim. De lá para cá, tornei-me uma pessoa mais vaidosa, aprendi "grandes" pequenos truques femininos e adquiri novos bons hábitos de saúde e beleza. Estava bem, mas não sei quem ele enxergou.

Se ele manteve dentro dele a capacidade de me ver e me enxergar, percebeu que ao vê-lo daquele jeito, eu me senti igualmente devastada, como floresta queimada, tentando voltar a vida. O fogo queimou rápido naquele tempo, destruiu tudo de belo que havia entre nós, mas o carvão do tronco das árvores continuou aceso, queimando por muito tempo, trazendo fortes influências para muitos dos meus relacionamentos que vieram a seguir. Foram as pedras que eu não consegui abandonar pelo caminho.

Ah, como eu quis viver novos amores como aquele! Tentei várias vezes, com homens diferentes, busquei outros estereótipos, mas nenhum deles foi capaz de estabelecer comigo o mesmo grau de intimidade.

Até hoje, quando fecho os olhos, lembro da emoção que senti quando nos beijamos pela primeira vez. Era perto do Natal... e o Natal não teve as mesmas cores desde então - ele usava uma roupa verde e branca naquela época. Lembro também da música que embalou a nossa primeira vez - no amor, no sexo e na vida. Ela às vezes toca no rádio e eu não tenho como impedir que o seu cheiro invada o ambiente e preencha esse vazio devastador que ficou.

Se eu pudesse dizer alguma coisa a ele, com a certeza que ele fosse me ouvir, eu diria que aprendi - e que já não cometo mais os mesmos erros. Sei que ele ficou no passado, que ele é em mim esse grande vazio, uma saudade com a qual tenho que conviver. Mas, aprendi e continuo aprendendo todos os dias.

Lembra que o trato era ficarmos bem?

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Os domingos precisam de feriados*

Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação. Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa.

Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue. Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo.

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.

Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...
Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?

Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.

O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é 'o que vamos fazer hoje?' - já marcada pela ansiedade E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria. Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

* Texto atribuído ao Rabino Nilton Bonder, da Congregação Judaica

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Quantas e quantas vezes não foi essa a angústia que eu senti! Como se um dia em que eu estivesse de bobeira, lendo um livro, vendo um filme no DVD, fosse um dia perdido...
Acho que é dessa reflexão que eu preciso!