segunda-feira, julho 16, 2012

On the road, easy rider!

Ontem, eu e marido fomos ver o novo filme do Walter Salles, "Na estrada". Enquanto muitos diziam que o filme baseado no livro do Kerouac é muito pesado, nós fomos assistí-lo sem preconceito, sem pré-julgamentos. Eu não li o livro, e como já mencionei em outros posts, vivo num dilema enorme entre ler os clássicos do passado e me deliciar com os livros de hoje, com linguagens contemporêaneas mais próximas das nossas. Como não li o livro, não tinha como saber de antemão a história, nem fazer comparações.


Senti falta, em muitos momentos, de explicações. O filme é longo e, na minha opinião, é justamente por este motivo, que ele não deveria se abster de dá-las. Por exemplo, o que leva o personagem principal, Sal, a viver daquele jeito, em busca de algo que ele não sabe bem o que é? O que o leva a conhecer aquelas pessoas, a viajar com elas e a fazer delas a sua família, se num primeiro momento elas parecem tão diferentes dele? Seria apenas a necessidade de ser um escritor? Seria a morte do pai? Seria a inexpressividade da participação da mãe na sua vida? Não fica claro...

Para um filme que se passa logo depois do final da 2a. Grande Guerra, a gente até supõe que a rebeldia daquelas pessoas e a vontade de viver a vida intensamente que tinham é fruto de um inconformismo com o status quo vigente... mas são suposições do espectador. Será que é isso mesmo?


De qualquer modo, o filme me fez pensar muito na minha vida. No quê fiz quando tinha aquela idade, no quê não fiz, no quê experimentei e no quê não experimentei. Sinto um certo arrependimento por não ter usado nenhum tipo de drogas, por não ter experimentado uma cerveja, quando todo mundo fazia, por não ter dado um "tapa" num cigarro de maconha, nos shows que eu ia... eu sempre fui muito careta e, com o tempo, comecei a achar que não era mais hora de passar por isso, de experimentar isso... e, quanto às bebidas alcoólicas, eu as deixei totalmente de lado. Se for para escolher, eu prefiro não beber, simplesmente porque não gosto, não curto o alcóol. Chato, né? Socialmente, é muito chato, eu sei, mas fazer o quê? Me forçar só para ser aceita? Não, não com mais de 40...

Não que a lucidez tenha me impedido de ter sensações fortes. Eu as tive. Só que as tive com muita clareza do que estava vivendo, o que tornam as minhas lembranças muito fortes, pois misturam as sensações com o lado totalmente racional que sabe dizer se algo aconteceu de fato ou foi um sonho acordado.

Aliás, o meu lado sonhador sempre foi suficientemente pirado para me suprir de toda a loucura que eu precisava. Portanto, eu não necessitava mesmo de nenhum alucinógeno extra, além dos meus próprios neurônios...

Enfim, sair por aí, aproveitando o caminho, me lembrou um outro filme igualmente marcante, que vi há um tempo atrás...


"Na natureza selvagem" também é um filme que aborda a questão que o quê de fato importa é o caminho, e não o destino, apesar do rapaz estar se dirigindo para o Alasca.

Enfim, é o que fazemos da nossa vida, na nossa caminhada. É o que levamos quando partimos, o que foi conquistado enquanto íamos...

São dois filmes bonitos, muito bem filmados, que servem - sinceramente - para pensar! Eu os recomendo...


Música de hoje: Born to be wild - Steppenwolf



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PS.: A música de hoje é de um outro filme muito famoso, que não mencionei no texto, mas que tem tudo a ver com a temática, "Easy Rider", com Peter Fonda e Denis Hopper.

sábado, julho 14, 2012

A vida é muito curta...

Tem horas que me olho no espelho e fico aqui percebendo e realizando o efeito das muitas mudanças pelas quais passei nestes últimos tempos. Estou bem diferente, mais segura. Muita gente percebe isso. O rosto e a expressão estão mais calmos, mais serenos, apesar de surtos de ansiedade como o que eu postei aqui anteontem.

É bom quando a gente se olha no espelho e, simplesmente, se reconhece.


Não sei se o efeito é o das férias, esta semana fiquei de bobeira, encontrei amigos, fiz minhas coisas com calma, arrumei a casa, cuidei das plantas, enfim, sem a preocupação de viajar, de ter que postar milhões de fotos de milhões de lugares diferentes no Facebook, como faz todo mundo...

Eu só queria a paz do meu travesseiro e do meu edredom, a companhia dos meus livros e CDs, o aconchego do quentinho da minha casa nesse friozinho de inverno, um carinho do meu amor, e foi isso que eu conquistei...

O tempo traz pra gente algo chamado "maturidade", algo que só percebi o que era depois dos 40 anos... Pra mim, maturidade tem a ver com prioridade, com leveza, com mudança de ritmo. Por mais que a gente queira fazer muito, ser maduro é entender os limites do seu próprio corpo, é saber que não dá mesmo para abraçar o mundo, é respeitar a individualidade dos demais e saber que cada um, inclusive você, tem o direito de fazer suas próprias escolhas.

"A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura." - Lya Luft
Talvez seja isso, talvez seja assim que deva ser, a gente comendo pelas beiradas da vida, aprendendo a apreciar todos os momentos, entendendo que nada nem ninguém nos vem e nos vai por acaso. O importante é não sofrer com a falta do que passou, é lembrar com uma saudade, uma aceitação daquilo que não se pode mudar.


Quando estive na Alemanha com uns amigos, conheci um campo de trigo como este. Isso foi há dois anos. Hoje, eu teria feito o mesmo que a moça da foto. Teria me deixado afundar na maciez do trigo que nos alimenta, e nos dá o pão. Teria me preocupado menos com o ridículo, com o infantil, e gozado mais a vida.


Porque a vida está aí para ser vivida. Gosto de uma frase da qual me lembro sempre que estou em "apuros":


"A vida é muito curta para ser pequena..."
 Pense nisso!






Música do dia: Haja o que houver - Madredeus

quinta-feira, julho 12, 2012

Ansiedade

Sei que não vale à pensa viver ansiosa. Isso só desgasta, impede que se durma bem, faz com que a gente tenha rugas, em alguns casos, espinhas (no meu, por exemplo), enfim... torna tudo mais complicado.



Enquanto me dava conta do quanto estou ansiosa, e de que isso não está me fazendo fisicamente bem, porque eu sinto a adrenalina passear pelas minhas veias com toda força, recebi este texto...

"A ansiedade traduz desarmonia interior, insegurança e insatisfação.
É a crença no inconformismo, do qual decorre a incerteza em torno das ocorrências do cotidiano.

O ansioso perturba-se e perturba.
No seu estado de ansiedade, desgasta-se e exaure aqueles que se lhe submetem ou com quem convive.
A ansiedade pode ser considerada como um fenômeno de desequilíbrio emocional.
Littré, o eminente pensador positivista, afirmava que a "inquietação, a ansiedade e a angústia são manifestações de um mesmo estado".
Mediante exercício da vontade e recorrendo-se à terapia especializada, a ansiedade se transforma em clima de paciência, aprendendo a aguardar no tempo, na hora e no lugar próprios, o que deve suceder.
Se experimentas contínuos estados de ansiedade, pára a meditar e propõe-te renovação de conceito espiritual."
( Joanna de Ângelis )
Como sou partidária da crença de que nada é por acaso, como já dizia o brilhante Kardec, parei para apreciar o texto. 

Tenho medo de estar a exaurir aqueles com quem eu convivo com estas minhas ansiedades. Vivo assim, com o coração aos pulos, na boca, e a vida pronta para ser despejada a qualquer suspiro. Parece-me até que não me permito o ócio, mesmo sabendo que ele é algo muito salutar, que ajuda a clarear as ideias, a oxigenar a mente, a nos trazer pro lado mais criativo da vida.


Recentemente, um colega passou a me chamar de poetisa. A princípio, não teorizei muito o que ele me falou. Depois, disse que, de observar meu timbre de voz, havia percebido uma certa dramaticidade, uma impressão de força em tudo que eu digo. Então, mesmo quando estou bem, tranquila, livre desta ansiedade que me atormenta, ainda assim passo essa dramaticidade que ele reparou. Já dizia minha saudosa avó que eu era muito dramática.


Foi então que eu me dei conta disso e resolvi que, ao menos no texto, eu tentaria ser pragmática. E comecei a suprimir da minha comunicação escrita todos os recursos (adjetivos, hipérboles e metáforas) que os tornavam densos. Queria ser objetiva. Mas, estou falando aqui do meu trabalho, o que a princípio, parecia facilitar as coisas. Não é que, do contrário, eu ouvi de um cliente que tinha sido "curta e grossa"? Ora, se tento ser delicada, sou dramática; se aposto na objetividade, sou grosseira?


Que difícil!


Aqui, sou eu mesma. Não sei quem me lê. Se se interessa pelo que escrevo, ou apenas faz visitas breves ao blog. Tenho um resumo estatístico das visitas, mas, o certo é que nem o acompanho, eu escrevo para mim. Escrevo para suprir uma profunda necessidade de exprimir o que penso. E de tentar me entender um pouquinho. Escrevo minhas memórias, e decidi há muito tempo que não ia esperar a velhice chegar para registrá-las. Sou eu mesma. Sem máscaras. Sem entrelinhas.




Música do dia: "Caçador de mim" - Milton Nascimento
 

quarta-feira, julho 11, 2012

A violência e a não-violência

Onde está a violência?

Você já se deu em conta? Ela parece estar em todo lugar. No trânsito, no shopping, no restaurante, no trabalho - ainda que velada -, nas famílias...

Tenho pensado muito sobre isso. A violência é a falta de educação, é o berro ao invés da voz doce, é o descaso, é a falta de atenção, é a ausência do olho-no-olho, é a falta de carinho...

Estamos construindo uma sociedade violenta, ao contrário do que pregava Gandhi, quando falava do conceito da não-violência. Ele adotou este conceito, que mais tarde viraria quase que uma filosofia, ao lutar pela independência da Índia, que era colônia da Inglaterra.
"Mas creio que a não-violência é infinitamente superior à violência, o perdão é mais nobre que a punição. O perdão enobrece um soldado. Mas a abstenção só é perdão quando há o poder para punir; não tem sentido quando pretende proceder de uma criatura desamparada. Um camundongo dificilmente perdoa um gato que o dilacera. Compreendo os sentimentos daqueles que clamam pela punição condigna do General Dyer e outros iguais. Haveriam de esquartejá-lo, se pudessem. Mas não creio que a Índia seja desamparada. Não me considero uma criatura desamparada. Apenas quero usar a força da Índia e a minha própria para um propósito melhor.” - Mahatma Gandhi
Quem praticou ou pratica a não-violência entende que os fins são resultados dos meios, num ciclo de causas e efeitos que se correlacionam e se estendem numa espiral evolutiva. Assim, a paz não pode ser obtida através de métodos violentos e repressivos. Uma "paz" que se pretende obter através da opressão, cessa assim que os instrumentos de repressão deixam de ser utilizados, logo, um estado real de paz não se mantém quando ela não se estende a todos os indivíduos de uma sociedade.

Mas, e se a tal Sociedade de repente fica violenta em todos os seus atos? Se fica impaciente, se se torna descortês, se usa palavras agressivas, se simplesmente finge que não vê quem está precisando de ajuda e passa direto...?

O que adianta a pessoa frequentar igreja, ser devota de algum santo, se dizer muito temente a Deus, se quando tem uma oportunidade, uma só oportunidade, não pratica um ato sequer de bondade? E se de sua boca só saem impropérios?

Eu tenho pensado mesmo muito sobre isso. Penso que ser democrático é tratar os diferentes como diferentes. Por exemplo, eu só vou me lembrar que preciso construir uma rampa de acessibilidade para deficientes físicos numa calçada se eu reconhecer, enquanto faço o projeto, que nós não somos todos iguais e que a acessibilidade é para todos. É o direito de ir-e-vir, que todos temos.

Recentemente, recebi novamente uma propaganda muito tocante, que mexeu de novo com o meu coração. Aqui vai ela.

Exemplo "Pais e Filhos"


Onde queremos chegar como sociedade? Quando seremos uma sociedade justa, aquela que preza a amizade e a solidariedade, que valoriza a competência e não a corrupção e a ganância, que se mobiliza em prol de bens comuns, que é responsável, que enfrenta os problemas e procura consertar as coisas na medida do possível?

Quando teremos consciência que temos direitos mas precisamos cumprir também com os nossos deveres, lembrando sempre que não estamos sozinhos?

Quando?

segunda-feira, julho 09, 2012

Ele só queria um abraço...


Queria um abraço, mas a outra insistiu em ser espelho. Ralhou, apontou dedo, disse verdades, disfarçou suas mentiras. Construiu castelos de areia com fundações muito rasas. Sem perceber, estava presa no calabouço, com direito a foço repleto de jacarés. Sem ponte, nenhuma ligação com o mundo real. Estava no inferno, optou pelo diabo. "A culpa é minha, eu tenho um vício de me machucar"...

Enquanto tudo o que ele queria era um abraço...

(...)


Hoje, quer distância. E segue convivendo com mentiras que apertam o peito, todos os dias.



Música do dia: "Simplesmente aconteceu" - Ana Carolina

quinta-feira, julho 05, 2012

E não foram felizes para sempre...

Fim.

Não. Foi só o começo.

Ele era dela. Ela era dele. Não tinham olhos para mais ninguém. Só um para o outro. Não sentiam ciúmes. Não tinham medo de perder. Confiavam um no outro.

Agora que estavam finalmente juntos, casados, estavam construindo um lar, felizes com a conquista, precisavam acertar suas vidas profissionais. E foi nisso que eles resolveram investir. Muito.

Dias e dias estudando a fio, os dois. Muito isolamento, muita dedicação, com apenas um foco na cabeça: crescer profissionalmente. Nada de baladas. Nada de amizades fugazes. Só relacionamentos de futuro. Nenhum dos amigos de outrora ficou para assistir o desenrolar desta história.

O tempo foi passando e eles foram sendo soterrados pelos vilões das histórias felizes de amor: o tédio e a monotonia.

Alternavam-se nas tentativas de reascender a paixão inicial em razão do custo de mudança. Não sabiam se queriam, se deviam, ou se podiam continuar juntos. Sentiam um enorme apreço um pelo outro, consideração, carinho, amizade, tudo o que os mais velhos diziam ser os componentes de um grande amor.  Eram fiéis. Mas, no fundo, bem lá no fundo, eles se questionavam se era isso mesmo que queriam estar fazendo das suas vidas.

Seria um grande amor regado a falta de desejo? Seria mesmo pecado ter tanto apetite sexual fora daquele contexto? Seria mesmo necessário prescindir de sexo apaixonado em função da preguiça e da rotina?


Estas questões massacravam os dois, e vinham fortes e frequentes, quando deitavam-se lado a lado para dormir. O tempo, os defeitos, as manias haviam afastado os dois. E o que havia entre eles era ora uma ponte frágil, ora um muro alto.

Sabiam que um deles teria que tomar uma decisão: ficar ou não ficar. O outro sentiria muito num primeiro momento mas, depois, se veria aliviado. Ufa!, pensaria enfim bem mais leve.

Como num jogo de xadrez, onde se imagina os próximos passos, ansiavam cada dia mais pelo xeque-mate. Pacientemente. Esperavam apenas pelo fim.



Música do dia: Um Móbile no Furacão - Paulinho Moska

segunda-feira, julho 02, 2012

Uma carta perdida

 
Entrou apressada no último vagão do metrô, do último trem, da última estação. Sentou-se bem no finzinho do vagão, onde quase ninguém ia procurar abrigo aquela hora, nem a ficaria encarando.

Fechou os olhos, como fazia sempre, de modo a lidar com a terrível sensação de claustrofobia que sentia. Deixou os braços escorregarem pelo seu corpo, até encontrarem o frio do banco do coletivo. No vão entre os dois assentos, encontrou um envelope.

Olhou para os lados para ver se havia alguém ainda por perto, talvez o dono ou dona do pequeno envelope. Não, não havia ninguém por perto. Olhou pro envelope e viu que na frente estava grafada, com uma letra bastante feminina e rebuscada, a frase: "Para o meu amor".

Ela, que adorava histórias de amor, não pensou duas vezes, abriu o envelope.

"Rio de Janeiro, 13 de julho de 2011.
Meu querido amor,
Agora que você foi embora, me sinto mais confortável em te dizer tudo isso que eu preciso dizer. Não sei se você nunca percebeu, ou se simplesmente o fez mas, por uma questão de dignidade, nunca tocou no assunto... o caso é que eu te amo... muito. Amo-te desde o primeiro dia, desde a primeira vez que te vi e te achei incrivelmente bonito. Desde o primeiro momento em que rejeitei você e o tachei de chato. Amo-te de raiva, por seres tão insistente. Amo-te, mas amo-te tão perdidamente, que só me reconheço quando olho em teus olhos. O que foi dúvida para mim, de repente se tornou uma verdade irrefutável. Não há espelho mais revelador de si mesma do que os olhos do homem a quem se ama.
Meu amor, você se foi. Está tão longe. Não sei quando, nem onde poderei encontrá-lo novamente. E o que era medo de perder-te virou uma urgência. Anseio todos os dias por ver-te, tocar-te, beijar-te. Tenho urgência da tua boca, da tua pele, to teu beijo e to teu abraço. Lembro-me de cada momento contigo, daqueles em que eu disse meias verdades, por medo, puro medo, e dos que fui intensamente provocada por você. Não sei como não sucumbi, não sei como resisti a você. Por vezes, tive a impressão de que toda a atenção e energia deste mundo estavam destinados a juntar um homem e uma mulher: nós.
Da menina que podia esperar, sonhar e imaginar, não sobrou nada. Sobrou apenas uma mulher madura, ciente dos seus desejos, aberta para o mundo, que te ama muito, imcompreensivelmente.  Peça, chame, grite meu nome, que eu vou ao teu encontro, onde você estiver. Só não me deixe aqui sozinha, sem você.
Eternamente tua Pequena".

Ela fechou a carta e pensou absurdos. Pensou na coragem daquela declaração. Pensou se a "Pequena" era correspondida por ele. Pensou no quanto ele um dia quisera ouvir aquilo tudo, e talvez já fosse um pouco tarde... Pensou que já era hora de viver.

E apesar do adiantado da hora, deixou a carta no vão entre os bancos onde a havia encontrado, e foi à vida!


Música do dia: "O meu amor" - Chico Buarque, na Ópera do Malandro

domingo, julho 01, 2012

O que não se pergunta



Tem perguntas que suscitam meu lado mais nervoso ao estilo do "Tolerância Zero". Aquelas do tipo: "Por que você gosta do Fulano?" ou "O que você tem contra o Ciclano?"

Ora bolas, se eu gosto de alguém, é porque gosto. Desenvolvemos empatia, cumplicidade, algum tipo de amizade. O "santo" bateu! Se não gosto, é porque aquela pessoa não me agrada de alguma maneira, ou porque é o meu oposto, ou porque é o meu espelho. Vai saber...

De qualquer modo, na minha opinião, essas são perguntas que não se deve fazer a ninguém. Porque talvez seja muito difícil de responder. E aí, gera um certo constrangimento.

Às vezes, você conhece alguém que é a cara do teu ex-namorado que te magoou muito, e isso dói. E daí, você quer ver qualquer um menos aquele indivíduo... e ele pode ser até um cara legal, mas não rola uma aproximação. Ou então, você tem uma história com alguém, não é de hoje, e não quer abrir isso pro mundo. E por isso, só por isso, vocês se tratam de um modo especial. Alguém precisa saber destes detalhes? Não, né?

O fato é que hoje, ninguém sabe mais o significado de privacidade. Não adianta insistir, melhor não comentar. Mas, com o advento das redes sociais, e da superexposição em público, todo mundo quer saber de tudo, quem conhece quem, quais são as relações, os motivos, as histórias, as fofocas. Não se permite mais que alguém seja um sujeito reservado. Em pouco tempo, ele passa de reservado a chato.

De acordo com Eric Hughes, "privacidade é o poder de revelar-se seletivamente ao mundo." Para Rainer Kuhlen, a "privacidade não significa apenas o direito de ser deixado em paz, mas também o direito de determinar quais atributos de si serão usados por outros".

Outro dia, eu fui almoçar com uma pessoa com quem eu não simpatizo muito, pelo simples fato de que eu acho que as pessoas merecem uma segunda chance, e que às vezes, elas (ou eu mesma) não estavam num dia bom quando me causaram uma primeira impressão. Ao chegarmos ao restaurante, nós éramos em quatro, o garçom nos ofereceu uma taça de vinho.

Papo vai, papo vem, uma das colegas disse a tal moça que eu não bebia vinho. "Por que, é religião?", ela me perguntou, como seu eu fosse um alien. Retruquei que não, e a conversa até esticou um pouquinho, mas como eu estava sem paciência para explicar, deixei que ela morresse na primeira folheada do cardápio.

Então, sem mais nem porquê, a conversa enveredou para filhos. E ela quis saber quantos filhos eu tinha. "Nenhum", respondi. "Por que, é religião?", ela perguntou novamente, já com ar de deboche, querendo se fazer de engraçada. Foi quando constatei que a minha primeira impressão estava certa, infelizmente. Não se debocha de alguém por suas opções ou história de vida, isso é uma questão de respeito, ou de falta dele, neste caso.

Eu sei que a vontade era deixar a mesa ali mesmo, com a comida pela metade, e ir solenemente almoçar sozinha. Depois do ocorrido, fiquei me perguntando por que, afinal, eu me havia deixado sucumbir e aceitado fazer algo que eu não estava a fim de.

E cheguei à conclusão de que preciso ser mais vigilante comigo mesma.

Música do dia: "Uninvited" - Alanis Morissette.

quarta-feira, junho 27, 2012

Persistência e acaso

  E foi então que o galho retorcido encontrou finalmente a luz do dia...


Enquanto tentava se concentrar no trabalho, sabia que ele estava na outra mesa, olhando ela trabalhar, meio de rabo de olho. Então, mirou no painel que construía e deixou que ele se divertisse com o que via na tela de seu computador. De vez em quando, ele dava uma ou outra risada - nervosa, diga-se de passagem - e ela pensava em como ele era bobo - deliciosamente bobo.

Tinha dito que precisava sair às cinco em ponto, porque senão perderia seu ônibus. Ela já tinha avisado: são 5 para as 5. Vai perder o ônibus. Depois, percebeu que ele tinha que ir... mas não queria ir. Ela estava ali, trabalhando sentada de frente para ele, na sala dele, e ele estava incomodado...

Enquanto escrevia, ela pensava: aviso ou não aviso? Já deu cinco horas! Foi então que outro serzinho interior entrou em cena: Avisa nada, boba, ele já é bem grandinho. Se não foi, é porque não quer ir. Imediatamente, ela se viu numa cena de desenho animado em que anjinho e demônio ficam duelando como se fossem duas vozes de consciência distintas. A voz boa então replicou: mas se ele não for, vai ficar cansado. Amanhã, ele tem que estar inteiro para o evento. E a outra então retrucou: Que nada, boba, olha que delícia esse homem aí se exibindo todo pra você. Você está até gostando...

É, de fato, ela estava gostando. Tinha tanto tempo que havia esperado por esse momento, de estar assim perto. Mesmo que isso nunca desse em nada, finalmente, ela estava ali pertinho dele, usufruindo de sua companhia.

E pensando por que é mesmo que algumas pessoas insistem em fazer parte da nossa vida, não é mesmo?

Música do dia: Só Hoje - Jota Quest

-- Porque ao ouvir esta música, ela sempre se lembra dele.

segunda-feira, junho 25, 2012

O rio diante do mar

"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, o cume das montanhas, o longo caminho sinuoso através dos povoados e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele é desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Voltar é impossível na existência, pode-se apenas ir em frente. O rio precisa arriscar-se e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano o medo desaparece, porque apenas, então, o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano..."




Tudo que Deus reservou pra você, Ele reservou pra você e mais ninguém. Se é teu, um dia você pisca os olhos e está aí, diante de ti. Basta aguardar... perdas e ganhos são inevitáveis ao longo do caminho; o resultado final, pra quem merece, é muito aprendizado.




Música do dia: Time do Say Goodbye - Andrea Bocelli & Sarah Brightman

domingo, junho 24, 2012

Tempos outros



Depois de um período muito tranquilo financeiramente, vivi recentemente o tempo de apertar os cintos. De novo. Coisa normal para todo o ser humano que quer fazer algo maior. Para se sonhar e de fato conseguir realizar os sonhos, às vezes, é preciso fazer escolhas que nos levam a abdicar de certos luxos mundanos, como, por exemplo, só usar removedor de maquiagem da melhor marca francesa.

Quem de fato precisa disso, não é mesmo?

Eu já vinha acompanhando o blog da Jojo, que passou por perrengue semelhante no ano passado e teve que aprender a deixar o cartão de crédito em casa. Criou um blog para contar suas aventuras, chamado "Um ano sem Zara", que mostrou o quanto uma pessoa pode ser criativa com o que tem em seu guarda-roupas. Você não conhece? Está ai na lateral, nos meus blogs queridos.

Bom, mas voltando ao meu caso. Mudei de casa, comprei apartamento, fiz uma pequena reforma e fiquei apertada... muito apertada de grana! Normal, vai passar. Vou pagar minhas dívidas, sem pegar dinheiro emprestado! Este ano talvez não viaje de novo, mas ano que vem, o mundo que me aguarde.

Esta semana, estava olhando para meu estojo de maquiagem e pensando que as cores que eu mais gosto estão acabando. Droga. O pior de ser fiel a uma marca é que, por comprar sempre no site da mesma, a gente acaba recebendo quilos de propaganda, com ofertas de brindes muito legais e promoções... e DESCONTOS!

Eu não sucumbi. Não comprei! Mas, confesso que aquilo estava me deprimindo. "Calma", eu dizia para mim mesma, "ainda falta muito para esta e aquela cor acabarem, você vai conseguir esticá-las o máximo que puder"...


Foi então que mamãe mencionou que estava precisando de um hidratante, e queria que eu indicasse um que fosse bom. E eu disse a ela: "não compra, eu tenho vários estocados". Como assim? Eu vivo de comprar hidratante?

Não, nada disso. É que depois de uma certa idade, a maneira que as muheres têm de dizer que você precisa se cuidar e muito é dando cremes de presente: cremes de aniversário, cremes de Natal, enfim... Ninguém lembra mais de dar um CD, um DVD, um livro... Pra quê cuidar da cabeça e do espírito?, pensam elas... tem que cuidar do corpo, que está perdendo colágeno vertiginosamente e precisa de muita hidratação... se não, um dia você acorda, e parece finalmente um maracujá de gaveta (aliás, quem inventou esta expressão, heim?!) !!!!



Eu separei um hidratante para mamãe, mas já tenho outros para dar a ela, porque não consigo usar todos os que eu ganho dentro do prazo de validade. É fato!

Pois procurando o tal hidratante, encontrei uma maxi-necessaire cheia de produtos de maquiagem, com todo o investimento que eu tinha feito nas minhas viagens ao exterior. Lá estava ela esquecida no fundo do meu armário. Tanta coisa, mas tanta coisa, que me levou a pensar no meu comportamento de esquilo.

Por que ser como o Tico e o Teco que guardam nozes dentro do tronco da árvore e não as consomem??? Por que preciso ter tanto sem consumir? Só para ter? Por que não usar?

Tirei tudo de dentro do armário, dei uma boa avaliada e... acabou a depressão. Está na hora de botar tudo isso na guerra, vamos usar tudo!!!!

E se é para ficar mais alguns meses com o cartão de crédito aposentado, que seja com classe... porque a vida está aí para ser aproveitada, para ser vivida. Se a gente não estoca comida há um bom tempo, por que estocar "coisas", que perdem a validade e acabam no lixo?!

Sustentabilidade no meu armário já!

Madureza...

Quando a vida não mais te amedronta, quando o peito está aberto e parece que nada mais abala a fortaleza em que habitas, talvez tenhas chegado ao tempo da madureza... teu corpo e teu cérebro já podem estar tão calejados e 'amaciados', que só te resta pular...


Pular, se jogar, aceitar os riscos, lidar com eles, aprender e, infinitamente, crescer. Olhar pra vida como um espectador de si mesmo, mas ainda como alguém capaz de descobrir algo novo todos os dias, capaz de se surpreender, e de gostar, capaz de sentir prazer com coisas pequenas e mundanas, e, principalmente, simples.

Quando a vida fica assim, colorida, simplificada, correta, quando a vida perde a complexidade do tempo das dúvidas, das inseguranças, das frustações eternas... aí, tu podes dizer que estás finalmente...

... em paz!



quinta-feira, junho 07, 2012

Saudade, das boas

 

Ela foi a última a entrar no avião, que estava lotado. A comissária só a aguardava para fechar a porta e dar início às instruções de decolagem. Procurou seu acento e sentou-se, esbaforida, tratando de colocar sua bolsa de mão embaixo da cadeira da frente.

Quando relaxou, apertou o cinto de segurança e colocou um chiclete na boca, sentiu um desconforto. Devagar, olhou para o lado. Ele estava ali, sentado ao seu lado. Dez anos depois.

Quando terminaram o namoro, ela sofreu tudo que tinha pra sofrer. Parou de comer, a vida perdeu a graça, não quis sair de casa por dois anos inteiros. Ele era tudo pra ela, a luz que iluminava seus caminhos, a única razão de viver, ela não olhava para o lado quando estava com ele. Pensando bem, mas muito bem mesmo, aquilo era uma doença. Das boas.

Depois de muita análise, ela chegou a triste conclusão de que tinha passado seis anos em função de uma única pessoa - e que não era ela. Péssimo isso. E com o tempo, havia esquecido de se perguntar: é isso que eu gosto de fazer? É isso que eu quero fazer hoje? É pra isso que eu quero mesmo viver?

Sempre abria mão de suas vontades para agradá-lo, porque ele "era o homem da sua vida". Muito pouco pra mulher que ela era hoje, decidida, forte, coerente.

Dez anos haviam se passado e eles nunca mais haviam se falado. Sabia dele pelos outros, que insistiam em contar para ela como ele estava, com quem tinha casado, onde estava morando... isso sem ela perguntar, nunca perguntara, nunca quisera saber. Saber pra quê?

Das vezes que o viu no shopping perto de casa, fingiu que não o conhecia, que ele não havia sido o homem com quem desejara envelhecer, com quem desejara ter uma família, a quem amava mais do que tudo...

E agora ele estava ali, sentado ao seu lado.

Ele também estava incomodado. E não pretendia falar com ela. Até que ela se virou para ele e disse:

- Afinal, como você está?

Ele ficou surpreso com o tom da pergunta e com a pergunta em si, mas respondeu:

- Bem, e você?

Daquele momento em diante, eles deixaram o inevitável de lado e começaram a conversar sobre a vida, seus desdobramentos, filhos que vieram e os que não vieram, separações, encontros, e o desconforto foi passando, ela foi percebendo que aquilo já não a incomodava tanto, afinal eram dez anos...

Trocaram impressões sobre a vida, sobre tudo o que havia mudado em cada um em termos de expectativas, sobre o que haviam sentido quando se separaram. Sim, eles falaram sobre eles, com uma franqueza que nunca haviam usado quando estavam juntos. Viram que a vida deles juntos não era assim o mar de rosas que havia ficado na memória dos dois. E que os desgastes existiam e que era natural que eles não ficassem juntos.

Foram 45 minutos. São Paulo - Rio.

O avião pousou suavemente e ela pôs outro chiclete na boca. Ele olhou para ela em silêncio por longos 2 minutos, enquanto ela abria a bolsa, tirava um batom, penteava o cabelo com os dedos, e retocava a maquiagem. Ele nunca a vira fazer isso.

- Bom te ver, ela disse.

- Idem, fiquei feliz por saber de você - ele respondeu.

E foram cada um para o seu lado, certos de que haviam feito a coisa certa, mas com saudade do toque, do beijo, das mãos... uma saudade perdida no tempo.

Música do dia: Need you now - Lady Atebellum

domingo, maio 20, 2012

Traídos

 
Ele bateu a porta, deixando para trás 20 anos de vida em comum, 10 anos de prestações da casa própria ainda não pagas, muitas brigas, muitos sonhos e, principalmente, o amor da sua vida.

"Não tem volta!", pensou, "desta vez, não tem volta!".

Descobrira recentemente o caso de sua mulher. Não sabia se teria sido o primeiro. Já durava dois anos. Depois de um tempo de romance escondido, ela passou a lhe deixar pistas. Fazia de tudo para que ele descobrisse sua "pulada de cerca".

Ele, que havia meses já tinha percebido a mudança de comportamento de sua mulher, fazia que não via. "Ah, mas está bom assim. Ela mudou, se arruma mais, sai mais com as amigas, não me enche o saco e não me cobra mais aquele sexo banal de fim de semana. Ah, pra quê eu vou procurar saber o porquê. Está ótimo. Posso continuar aqui com o meu jornal".

Era isso que a torturava. Se sentia traída pela falta de interesse dele.

De repente, tudo ficou demais. Agora ela estava iluminada. Ria alto. Mudou o cabelo, emagreceu, fazia ginástica, yoga, pilates, com o maior afinco. Deu um jeito na carreira, arrumou novos amigos, saía para 'happy hours', vivia viajando. Ele havia sido relegado a um segundo plano bastante dolorido. "Não que eu me importe", pensava ele quando ela saía.

Ela já não falava mais com ele quando entrava em casa, não perguntava mais o que ele queria comer enquanto preparava o jantar e havia cismado em deixar a fatura do cartão de crédito aberta em cima da mesa... sempre!

Um dia, ele resolveu investigar onde ela gastava seu dinheiro. Começara a comprar numas lojas diferentes, lojas de homem, coisas que ele não vira pela casa, nem eram pra ele. Desconfiou, muito. Perguntada algumas vezes sobre aquilo, ela mudou de assunto, inventou descuplas rotas, saiu pela tangente. Mentiu de um jeito estranho, como que se não quisesse mentir.

Ele então sentiu falta de sua raquete de tênis, sa sua bola de voley, de tempos em tempos parecia que algo saía a passear com ela. Ela viajava a trabalho, mas levava maiô, chapeu de palha, chinelo e muitas, muitas roupas informais.

Um sábado de manhã, enquanto tomava seu uísque e esperava pelo almoço de família, assisitiu impávido a ela colocar um CD do Chico para tocar e sair cantarolando...


"...Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo por que choras, quando eu choro de rir
Te perdôo por te trair..."

"Aí, não". Catou o CD do Chico, mudou de roupa e saiu. "O Chico, não. Aí, não tem volta".


Música do dia: Mil perdões - Chico Buarque


domingo, maio 13, 2012

Casamentos

Hoje, eu finalmente vi "Sex and the City 2". Ao contrário do que todos os meus amigos disseram, e a crítica especializada também, eu não achei o filme ruim.


Ao contrário, ele me fez pensar num monte de coisas. Por exemplo, no que é um casamento feliz. Nesse dia das Mães em que, por causa de uma árvore caída e de uma chuva torrencial que causaram um nó no trânsito da Zona Sul do Rio, eu não consegui ver a minha mãe, o filme me fez pensar se o único casamento feliz é aquele no qual um casal constitui uma família, com uma prole gigante para dar continuidade aos seus genes.

Será que é esse mesmo o único casamento feliz? Será que esse será o meu casamento feliz?

Será que para estar casado, não é preciso muito mais do que isso? Não é preciso cumplicidade, ao menos, como passam Carrie e Big/John nesse papo "olho-no-olho" nessa cena aí em cima, já no finalzinho do filme?


Para se ter um casamento feliz, acho que é preciso tentar e tentar e tentar e tentar todo santo dia, da hora em que você acorda, até a hora de ir dormir.

Eu aceito. E você, aceita?

Essa é a temática do livro que Carrie Bradshaw está lançando no filme, falando das dificuldades dos dois anos de casamento, da saudade que ela sente da Carrie dos tempos de solteira. Acho que, nas entrelinhas, o que ela quer discutir são as diferenças, será que a gente aceita que o outro é diferente, pensa diferente, sonha outras coisas, tem outros desejos?

Ah, mas da vida de solteira dá saudade mesmo. Eu já senti esta saudade de mim várias vezes. Você começa a se questionar tanta coisa. Do que você gosta, de onde estaria se estivesse sozinha, das menores coisas, como o que fazer no seu tempo livre, ir às exposições, peças de teatro, filmes, baladas... tudo passa a ser negociado. Até na hora de dormir, você tem que dividir: a cama, o espaço, o silêncio, a temperatura do ar condicionado... Só com muito amor mesmo.


Estar casado é ainda mais difícil quando são muitos anos de vida em comum, nos quais a convivência, o hábito e a repetição do cotidiano se tornam maiores do que a lembrança do que é namorar. A gente se vê afogado em afazeres domésticos e quando a noite cai, se dá conta de que está cansado demais para pensar em sair, em curtir junto, em namorar de fato...

Por isso é que casamento é construção. É uma relação bilateral, os dois tem que querer. Se não, um dia você acorda e está simplesmente vivendo com alguém que divide as contas contigo. Só isso. Estar casado é uma das tarefas mais difíceis do mundo.

Mas, se não experimentá-la, como sabê-la?

quarta-feira, maio 09, 2012

Tudo que vem tem volta

Não, eu não quero acreditar na arrogância, no mal jeito e na falta de cuidado das pessoas. Estou cansada de ter que ser compreensiva, de levar desaforo pra casa, de ter que medir minhas palavras e ter todo o cuidado do mundo para não ferir suscetibilidades.

Não, não é isso que eu quero pra mim. Quero que me cuidem, e que me vejam como alguém que merece cuidado. Assim como eu cuido dos outros. Quero que me chamem num canto para me dar um feedback, seja ele negativo ou positivo. E que pensem duas vezes antes de me dar uma notícia ruim, em como vão me dar essa notícia ruim. Porque eu sofro, como todo mundo. Quero que respeitem o meu trabalho e que me vejam como uma profissional dedicada. Que é o que eu sou.

O que está faltando para que isso aconteça? Será que sou eu, ou será que as pessoas perderam a medida? Será que as empresas são todas umas casas de fabricar malucos?

Estou cansada de ser encarada como alguém forte, que tem o coração de pedra, durona, que aguenta qualquer tranco. Não, eu não aguento.



Fico pensando no que ando fazendo de errado. Se estou reclamando que algo não vem do jeito que eu gostaria, é porque talvez eu não esteja dando a mensagem correta. Mas, também, tem horas que a única coisa que eu quero dizer é que estou de saco cheio. E eu tenho esse direito, ou não?

Parem, parem, por favor, esse bonde que eu quero descer.

segunda-feira, maio 07, 2012

Vazios criativos e outras bobagens

Tem dias que a gente precisa tanto escrever, mas tanto, que... dá "chabú". Não sai nada. Nem aqui pro blog, nem pro trabalho!

Eu estou me devendo um artigo acadêmico. É, isso também faz parte do meu show. Preciso publicar urgentemente. A ideia até anda por aqui, eu sei sobre o que eu quero escrever, mas não consigo sair da inércia.

Foi assim também na época da tese de doutorado. Tentava, tentava e nada. Depois, segui os conselhos do meu professor de metodologia científica e a coisa andou: escrevi boa parte da tese à mão.

É, talvez seja isso que esteja me faltando. Um bom lápis e um caderno. Os livros que usarei como referência já estão separados. Os textos, lidos. Só falta juntar tudo, colocar no liquidificador e ... pronto!

 
Não adianta espremer o cérebro, não adianta pedir: "pelo amor de Deus, cabecinha, PRODUZA!" Tem que ter disciplina, tem que pensar em alguma coisa todo dia, quem sabe a nuvem vai embora e a gente consegue gerar algo que preste!

Porque não é só escrever por escrever. É escrever uma coisa bem bacana. Porque o que se produz fica pra semente, se espalha no vento, as pessoas lêem. Ah, pode ter certeza, as pessoas lêem e depois vêm até falar contigo... aí, há que se ter responsabilidade, não se pode ter vergonha não.

Penso que às vezes é o mundo da internet que me tira a atenção, o foco, pois eu começo a olhar uma coisinha aqui, outra ali, e quando vejo, já estou "viajando"...

Enfim, tomara que em breve eu tenha melhores notícias para dar a vocês.

domingo, maio 06, 2012

Equilíbrio

Eu adorei esse vídeo. Meu marido sentenciou: nossa, como é difícil de ver! Mas, eu achei a mensagem final muito incrível.


Filme: Balance-Exclusive Oscar Winning Cartoon (1989)


A gente só consegue entender no último minuto. Mas, uma pista é que a ênfase é na colaboração e não na competição. Se todos soubessemos disso!?

terça-feira, maio 01, 2012

Casa





Não adianta correres, garota. Tu estás a viver em uma casa de velhos, onde o piso e as portas rangem sem parar. Não tentes enganar o tempo, travando o despertador pela manhã. Nesta casa, tu tens que esperar a água aquecer e depois cair fraca sobre a sua cabeça e ombros.

Tens que entender das gambiarras e artimanhas constantes nos canos, torneiras e circuitos elétricos. Não tenhas surpresas, garota, não há de ser nada!



Se algo te vales de consolo, garota, tu tens hoje um pedaço desse castelo antigo, rodeado de plantas bem cuidadas, numa rua igualmente bucólica, um quê de aristocracia europeia, falida, ainda que seja, mas que podes reformar a qualquer tempo.



Não tenhas pressa, garota. Tens um tempo só teu, para usufruir da paz de tua casa, com seus barulhos e contratempos de todos os dias que são só teus.

Há que se acostumar com ela, garota, e sentí-la cada vez mais tua todos os dias!

Música do dia: O Paraíso - Madredeus

Alice in the Wonderland, de 2010


Quanta diferença! O filme de Tim Burton é repleto de efeitos especiais em 3D e deixa o espectador abismado com tanta tecnologia. É difícil dizer quem está melhor, mas o Jonny Deep como Chapeleiro Louco é incrível.



A história funciona como uma continuação.Alice, agora aos 19 anos, está em uma festa da nobreza em Londres, onde vive, até que descobre que está prestes a ser pedida em casamento. Desesperada, ela foge seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou quando tinha seis anos mas não se lembrava mais. Lá ela é novamente saudada pelo Coelho Branco, a Dormidongo, o Dodô, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum e várias flores falantes, no caminho ainda encontram a Rainha de Copas e a Rainha Branca. Eles discutem sobre a sua identidade como "a verdadeira Alice"... Ela precisa provar a todos que é a verdadeira Alice matando o Jaguardarte, porém, Alice não se lembra de nada de seu passado no País das Maravilhas, então ela toma uma escolha... só vendo o filme para saber o resto!

Aqui um poquinho do making-off  do filme...




Eu adorei, até escrevi sobre ele aqui no blog na época em que o vi no cinema. Para quem não viu, corra, veja já!

Quem observa a tecnologia presente no primeiro filme, o de 1903, e vê este do Tim Burton, consegue concluir sobre o quanto evoluimos no sentido de colocar a tecnologia em função do entretenimento e da diversão! É o mundo da Sociedade do Conhecimento, onde certas profissões são cada vez mais valorizadas e admiradas por todos nós, como esses editores fantásticos que agora criam sobre telas verdes de cromaqui.

segunda-feira, abril 30, 2012

Alice, o primeiro filme

Sou muito fã da Alice. Acho o máximo a história, parece um sonho de menina, cheio de reflexões, de coisas que nos fazem pensar.

Não é que, por acaso, esbarrei com o primeiro filme, de 1903, feito sobre a história de Lewis Carrol?

Olha ele aqui.


Está certo que a história é contada de modo bem resumido em pouco mais de 9 minutos. Mas, não é que eu gostei? É uma relíquia. E você, o que achou?

Escuta, antes que a voz de acento amargo
Venha trazer notícia dolorosa,
Convocando para o final letargho
Uma donzela melancólica.
Não somos mais que crianças, querida,
Agitadas na hora de dormir.

Lá fora, a neve gelada e ofuscante,
Das borrascas a fúria e o capricho.
Dentro, a lareira, o fulgor radiante,
Do júbilo da infância ninho e nicho.
Aqui te prendem essas mágicas vozes:
Não ouvirás esses ventos velozes.

E embora se ouça a sombra de um suspiro
A estremecer no meio dessa estória,
Pelos "dias felizes" consumidos
E do verão a esvaecida glória,
Turvar não quero, com hálito enfadonho,
Todo o prazer deste conto-sonho.

Alice através do espelho. Lewis Carrol. 9a. edição. p. 138.

Música do dia: Alice Underground - Avril Lavigne
 

Planos Futuros

Se tem uma coisa da qual eu gosto, é de decoração. Durante muito tempo, essa era o único tipo de revista que eu comprava. E eu não me contentava com as nacionais, gostava de comprar também as espanholas, cheias de ideias que se aproximavam muito do meu gosto, como a Interiores.

Com a internet, isso tudo mudou. A gente vai pesquisando, pesquisando, e acaba encontrando alguns sites maravilhosos, como o Apartment Therapy, que tem dicas sobre tudo, além de alguns blogs que eu sigo e estão aqui na minha barra lateral direita.

Os amigos Erica e Pachá estão em busca de um cantinho de leitura para a casa deles. Isso eu não criei na minha casa, porque eu tenho tanto livro, mas tanto livro, que todos os cantinhos são de leitura. Mas, dando uma olhada nestes sites, eu acabei esbarrando em ideias que acho que eles podem gostar.

Vejam só:




Eu adoro a ideia da mistura de estampas nas almofadas e de texturas nos móveis e objetos, colocando a palha junto a madeira. A rusticidade nos aproxima bastante das nossas origens, e acho que é por isso que gostamos tanto das propostas mineiras. Gosto também do fato dos três ambientes terem janelas bem próximas, que dão a possibilidade da leitura a base de luz natural.

Bem, cada vez eu me conheço mais e acredito que será o que farei no futuro. Trabalhar com decoração é um sonho que acalento e que, tenho certeza, vai me fazer muito feliz um dia.

domingo, abril 29, 2012

Vingativa, eu?

Eu não me considero uma pessoa vingativa. Não, não sou. Normalmente, sento e espero a raiva passar antes de agir com a cabeça quente.

Já me vinguei de uma pessoa, há muito tempo atrás. Quando ainda era muito jovem. Sabe aquelas coisas que você faz, intencionalmente? Pois é. Eu fiz. Não é nada agradável, se você tem no espírito a filosofia de ser bom, principalmente quando seu plano dá certo. Daí você fica remoendo o resultado e eu posso atestar: "não vale à pena"! Decididamente!

Meu vizinho no edifício anterior tinha um cachorro, um weimaraner. Eu até fiz um post sobre isso, certa vez.  Depois, comprou outro, um dinarmaquês. Morávamos num apartamento de 105 m2, eu em cima, ele embaixo com o filho adolescente, a mulher e os dois cachorros.

São esses aqui.

 O dinamarquês


O weimaraner


Confesso que, do dinamarquês, eu tinha medo. Quando sobre as duas patas trazeiras, ficava mais alto do que eu. Imaginava todo dia que ele me derrubaria no chão se resolvesse brincar comigo. Então, passva longe. Fora que meu vizinho não gostava de pet shop. Ou seja, sempre dava banho nos cachorros em casa, no banheiro embaixo do meu. O cheiro era insuportável. Parecia que tinha um bicho morto dentro da minha casa.

O dinamarquês era bem novinho, e como criança, grande e desengonçado, derrubava tudo a sua volta assim que chegava em casa de suas andanças pelo quarteirão. O weimaraner era bem mais velho, mais quietão.

Meu marido tinha um apreço especial pelos cachorros, talvez por ter tido cachorros na infância. Eu torcia fervorosamente para que Deus colocasse um pouco de sanidade na cabeça daquele vizinho e ele resolvesse se mudar para uma casa, onde os cachorros pudessem correr e brincar livremente. Com o tempo, os demais vizinhos de andar passaram a se queixar com o sindíco do mal cheiro dos cachorros e o pobre dono foi se sentindo rejeitado por todos, que torciam-lhe a cara quando passava e brigavam com ele invariavelmente em todas as reuniões de condomínio.

E, para a minha felicidade, houve um dia em que ele resolveu que era hora de se mudar para uma casa em Piratininga. Lá foi ele para Niterói com os dois cachorros. Eu só faltei soltar rojão!

Recentemente, me mudei de apartamento, deixando para trás as histórias daquele edifício. Não é que meu marido chegou em casa outro dia, munido das correspondências que ainda estavam sendo enviadas para o endereço antigo e com a triste notícia que os dois cachorros haviam morrido? O weimaraner, morreu de velho, não se adaptou. O outro, foi atropelado, pois alguém esqueceu o portão aberto.

Confesso que achei um triste fim para dois animais tão amados pelo dono. Porque eles podiam ser fedorentos, mas que aquele cara adorava aqueles cachorros, adorava. Ah, adorava.

Se um dia eu pensei nisso, ai, Deus, peço perdão. Aqui, em público. Pobres criaturas, à mercê dos humanos!

Música de hoje: Dust in the Wind - Scorpions
 

segunda-feira, abril 23, 2012

             Valorize suas limitações e, por certo, não se livrará delas.

                                                          Richard Bach. Ilusões.

Congelando o tempo




Acho que o maior desafio - meu e de todo mundo - é fazer o tempo passar mais devagar. Não é novidade que o tempo parece estar correndo, quanto mais a gente se esforça, mais tem a sensação de que o tempo está voando... voando mesmo. Outro dia, estávamos comemorando o Natal, logo em seguida, lá estávamos nós curtindo o Carnaval, e agora, aqui vem eles, uma série de feriados para aproveitarmos, seja para não fazer nada, seja para fazermos tudo ao mesmo tempo agora.

Eu tenho ido pelo caminho da diminuição do ritmo, de fazer algo que eu curto muito, de preparar uma comidinha gostosa no meio da tarde, de cuidar de mim fazendo uma massagem no cabelo ou algo parecido, de ver um bom filme no dvd. Nada de compromissos, nem de hora marcada. Tudo que eu quero é não ter agenda nestes dias.

Acordar cedo, se der na telha, ou tarde, se eu preferir. O lance é estar em paz.

O pior de tudo é que quanto mais a gente sente que o tempo voa, mais temos a percepção de que ele é curto para o tanto que queremos fazer. Não é paradoxal?

Bom, neste final de semana de feriado no Rio de Janeiro, já que hoje é dia de São Jorge e estamos todos em casa, a minha sugestão é ler um bom livro (estou lendo "Leite Derramado", do Chico Buarque, por sugestão do meu amigo argentino), ver um bom filme (a minha intenção é ver "A árvore da vida" com o Sean Penn e o Brad Pitt) e comer um bolinho com café à tarde. Ah, bolinho com café: compre um bolo simples no mercado do sabor que você gosta (pode ser chocolate, baunilha, laranja), derreta uma barra de chocolate meio amargo em banho maria e jogue por cima! Fica très bien!

Bom feriado!

domingo, abril 22, 2012

Expropriada



Ela tinha um pedaço de terra. Fazia daquele cantinho escondido no latifúndio daquele peito, uma colônia perfeita, onde tudo era muito colorido e a qual se supunha que o rei dava a maior importância. Qual o quê?
Um belo dia, ela foi viajar. E deixou alguém lá, tomando conta da colônia. Alguém assim, meio displicente.
O rei resolveu construir uma estrada nova, para facilitar o ir e vir da rainha às compras pelo reino.
Analisando as trajetórias possíveis da estrada, percebeu que a melhor delas implicaria na expropriação de toda aquela pequena colônia.
E assim determinou: - cortem-se árvores, derrubem as casas, livrem o caminho!
Quando retornou, não havia mais colônia...
E assim permanaceu por muito tempo, vagando sem ter mais pra onde voltar...



Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar
Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar


Lá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ah que lindo
Mas Carolina não viu...
 

Carolina, nos seus olhos tristes, guarda tanto amor, o amor que já não existe,
Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar


Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.

Carolina - Chico Buarque


A dormir




"O caminho do sono é como um corredor cheio de pensamentos".


Chico Buarque - Leite Derramado

terça-feira, abril 17, 2012

Inquietações




Eu devia estar preparando aula. Ou me preparando para dormir. Enquanto isso, estou aqui, atormentada pelos meus pensamentos. Há tempos que não saio assim da terapia. Mas, hoje foi extremamente difícil. Tanto por falar, tantas dúvidas e inquietações rondando a minha cabeça,..., e no fundo, no fundo, acho que o que eu preciso de verdade é de perdão. Eu preciso me perdoar. Preciso me perdoar de todos os meus arrependimentos, das coisas erradas que eu fiz, das coisas erradas que eu não fiz, das certas...

E, como nada é por acaso, não foi à toa que eu dei aquele telefonema antes de chegar ao consultório. Ouvir aquela voz, num estado de espírito tão diferente do habitual, como se algo de muito ruim tivesse acontecido, foi como perder o chão, o rumo, a direção... eu fiquei trôpega, perdi a noção do perigo, só queria chorar... me senti tão abandonada como da vez em que eu descobri a verdade sobre o dono da voz.  É como se perdesse meu porto seguro uma segunda vez.Tão ruim esse sentimento.

Da hora em que cheguei  em casa, foi só o que fiz... chorar... Tenho pensado na solidão, na saudade, na falta, no vazio, em tudo o que poderia ter sido se eu tivesse feito outras escolhas... mencionei isso hoje à terapeuta... tenho reclamado muito da minha covardia... tenho me achado muito covarde.

Enquanto isso, todo mundo insiste em dizer que eu fui muito guerreira, que foi bacana acompanhar a minha gana de dar a volta por cima. Eu bem que tento me manter altiva, determinada, com minhas metas e objetivos sempre em mente, pensando que o que se passa hoje é “café pequeno” perto do que se pode conquistar no futuro. Mas, enquanto eu penso que não posso, nem devo fazer “tempestades em copos d’água” como fazia antes, sinto o peso de não dar importância a certas coisas... E esperar o futuro pra quê? Se tudo o que eu mais queria era ser feliz agora!

É como se de repente, fosse possível tirar o foco do indivíduo e colocar o foco no caminho. Eu sei que é difícil, mas é plenamente possível e realizável. Só que esperar dói. Ter esperança é complicado, a gente sonha, e demora a realizar... quando, meu Deus, quando? Será que eu mereço?

São muitas perguntas para uma pessoa só. Talvez você, que me lê, nunca tenha passado por isso, nem esteja entendendo direito o que escrevo. Ou talvez se identifique com essas minhas loucas palavras. Liga, não. Amanhã é outro dia. E a jornada continua.

Referências: clique aqui!

Música de hoje: Clock - Coldplay

segunda-feira, abril 16, 2012

Do blog

Não é que eu não tenha nada a dizer, nem que eu não tenha vontade de escrever... Mas, ainda não me encontrei com esta configuração nova do Blogger. Na verdade, estou sofrendo para me adaptar a mudança... Uma hora a coisa deslancha!

segunda-feira, abril 09, 2012

E o metrô, heim!?


O metrô anda cada vez pior. Nem aos sábados, em dia nublado, a gente escapa de encará-lo lotado. Está mais parecido com os antigos trens da Central do Brasil, com vagões sujos, rabiscados, do que qualquer outra coisa... isso é o que esperamos na iniciativa privada, que só sabe aumentar o preço da passagem?...

Acho que caminhamos para uma Índia qualquer... aliás, a Índia é aqui!

domingo, abril 08, 2012

Dias de preguiça

Eu tive uma varanda. Por doze anos. E tive uma rede também, por um tempo. Ela era de brim, cru. Muito gostoso ver anoitecer naquela rede. Sentir o vento na varanda balançando na rede era bom demais.

Até que um dia, a rede começou a desmanchar. Primeiro foi a franja. Depois, as alças. Nós, eu e meu marido, que prezávamos tanto a rede, não entendíamos como ela podia estar desmanchando.

Ficamos de tocaia, num domingo à tarde. E eles apareceram. Passarinhos, por incrível que pareça. Eles estavam usando os fios da rede para construir seu ninho. E nós, que adorávamos os bichinhos e nos sentíamos felizes com sua visita livres, leves e soltos a nossa varanda, resolvemos deixar a rede por lá mais algum tempo, mas quando ela já estava bem detonada (acreditem, ela foi acabando nessa brincadeira), decidimos que não iríamos substituí-la...

Hoje, não tenho mais varanda e tive que pôr o jardim dentro de casa. Tudo bem. O que mais me faz falta são os dias de preguiça, de não fazer nada.

Desde o carnaval, lá se vão 40 dias, só fizemos trabalhar, mas trabalhar muito, para pôr a casa nova do nosso jeitinho. E aqui e ali, está tudo se arrumando. Já não temos mais caixas espalhadas pela sala, e pudemos incorporar novas peças à decoração. Tudo dentro da filosofia "MENOS É MAIS".

Se eu tiver coragem, tiro umas fotos e posto aqui depois.

Cada passo que damos, é uma satisfação. Ficamos felizes com nossa casa arrumada. Uma casa que vimos ocupada por outras pessoas e que hoje tem a nossa cara, é a nossa casa.

É tão bom ter uma casa para chamar de "lar, doce lar!"