sábado, abril 05, 2008

Same Mistake - James Blunt

So while I'm turning in my sheets
And once again, I cannot sleep
Walk out the door and up the street
Look at the stars beneath my feet
Remember rights that I did wrong
So here I go

Hello, hello

There is no place I cannot go
My mind is muddy but
My heart is heavy, does it show
I lose the track that loses me
So here I go

oo oooooo ooo ooo oo oooo...

And so I sent some men to fight,
And one came back at dead of night,
said "Have you seen my enemy?"
said "he looked just like me"
So I set out to cut myself
And here I go

oo oooooo ooo ooo oo oooo...

I'm not calling for a second chance,
I'm screaming at the top of my voice,
Give me reason, but don't give me choice,
Cos I'll just make the same mistake again,

oo oooooo ooo ooo oo oooo...

And maybe someday we will meet
And maybe talk and not just speak
Don't buy the promises 'cause
There are no promises I keep,
and my reflection troubles me
so here I go

oo oooooo ooo ooo oo oooo...

I'm not calling for a second chance,
I'm screaming at the top of my voice,
Give me reason, but don't give me choice,
Cos I'll just make the same mistake (REPEAT) again

oo oooooo ooo ooo oo oooo...

So while I'm turning in my sheets
oo oooooo ooo ooo oo oooo...

And once again, I cannot sleep
oo oooooo ooo ooo oo oooo...

Walk out the door and up the street
oo oooooo ooo ooo oo oooo...

Look at the stars

Look at the stars, falling down,
oo oooooo ooo ooo oo oooo...

And I wonder where, did I go wrong.




quarta-feira, abril 02, 2008

Para mí hermana...


Funciona assim: emoldurar, por em cima da cama e repetir como um mantra, todos os dias!

Fonte: iwanteverything

Uma hora a gente incorpora a filosofia a nossa vida, desestressa e vira "fiscal da natureza"!

A musa que malhava


Ai, ai... apesar de tamanho 46, ela também malhava...

Fonte: blog do ANDY

Malhar parece ser mesmo inevitável...tenho que começar logo a minha malhação!

domingo, março 30, 2008

uma tatoo que diz tudo...




Elogios no trabalho [2]

Já comecei a receber a conta... ela é compridaaaaaaaaaa!

Chutando cachorro morto [1]

O resultado desta semana pode ser traduzido na frase-título deste post. Ela não sai da minha cabeça, de alguma forma, no gerúndio, ação.

Estão chutando cachorro morto...

Por que é que será que se perde tempo chutando cachorro morto?

Ai, coitado, mas ele já é cachorro morto!!!

Chutar cachorro morto é realmente um desperdício de tempo. É acabar de enterrar. É dar aquele chutezinho de ódio no final por tudo que a criatura fez pra você. Pra quê? O quê que se ganha com isso?

Às vezes, o ser humano não se dá conta do que faz. Essa é uma das vezes, porque ninguém, em sã consciência, parte para o chute, sabendo da inexistência de vida naquele ser. Os conscientes viram a página, partem para outra.

Como eu estou com a frase na cabeça...vai rolar outro post depois. Peço contribuições a esta temática.

domingo, março 23, 2008

Limpeza

Estou numa fase de limpeza. De arrumar tudo. De diminuir a carga. De esvaziar gavetas. De doação - o que não serve para mim, pode servir para alguém.

Estou querendo ter ao meu lado apenas o que é bom e somente os que importam. Até no orkut já andei dando uma espanada. Estou numa fase em que ou gosto ou não gosto. Sem meio-termo.

Estou querendo arrumar a minha vida. Limpar vícios, mágoas, antigos hábitos. Estou mudando. Os que me gostam, já perceberam. Os que sequer me olham, vão levar um susto um dia.

Que as águas venham e levem para bem longe tudo o que é negativo. Que Iemanjá nos abençoe.

"Imagine você e eu"

Ontem, me deparei com o início de um filme no Telecine que eu já havia visto em pedaços e que morria de curiosidade para ver desde o começo. Pois é... não costumo ver filmes na TV pela manhã, mas como era finalmente o início de "Imagine você e eu", resolvi encarar... mesmo sabendo que isso representaria o atraso do meu almoço (mas, tudo bem, era feriado!).

Esse filme não me dizia nada, a não ser pelo nome de dois dos personagens que formariam um triângulo amoroso: Rachel e Hector. Quem me conhece sabe o que isso significa. Não é que o filme começa com o casamento dos dois?

A Rachel está linda, com um vestido bem simples, que sua irmã mais nova, a Henriqueta (a "H") - bem mais nova, por sinal (11 anos) - define como "um merenguinho"! Na igreja, depois de mostrar-se bem moderna para os padrões londrinos (ela pára para urinar vestida de noiva num McDonald's), ela troca olhares com a Lucy e percebe que, enfim, encontrou o amor da sua vida (não é a Lucy in the Sky with Diamonds, mas deixa a guria bem doidona!).

Mas, ela já está casada e sente uma vontade incontrolável de se encontrar com a nova amiga, de estar com ela, de abraçá-la e beijá-la...

O diretor é realmente fantástico. Em nenhum momento isso fica esquisito para quem não é gay. O sentimento é apresentado ao espectador de um modo bem natural, ele não se prende a convenções e a gente fica até emocionado quando finalmente a Rachel consegue ficar com a Lucy.
Quando o Hector vai embora, ele não fica triste porque descobre que a mulher é gay e sim porque, segundo ele, quer vê-la feliz e sabe que não será com ele que ela será feliz. Muito civilizado, como aliás, tudo deveria ser.

O que me tocou neste filme foi me dar em conta de que não existem verdades absolutas. Que mesmo quando você acha que tem certeza de tudo, você pode, no momento seguinte, não ter mais certeza de nada. Que amar alguém pode não ser o suficiente para passar o resto da sua vida ao lado desta pessoa e que, infelizmente, às vezes, ela tem que aceitar isso. Que é muito difícil encontrar alguém por quem a gente realmente se apaixone e por isso, quando de fato isso acontece, não se pode deixar passar tamanha sorte.

Os atores não são famosos, mas a narrativa é agradável... faz pensar, é o que me vale! Se você vir um grande amor passando por aí... vá atrás dele!

domingo, março 02, 2008

Sabedorias...

El pensamiento SIENTE los límites de todas las cosas mientras la sensación PIENSA que todas son ilimitadas. Recorridos todos los senderos del bosque siempre volvemos a la misma encrucijada.

Yoki - "Learning to Fly"

Mediocridade

Hoje vou deixar de lado um pouco o tema principal deste blog, que são as relações amorosas, para tratar de um tema que anda me incomodando muito recentemente. Desta vez, resolvi abordar a mediocridade, na vida profissional e na pessoal . Ele é mais adequado ao blog de uma amiga, o Esquizofrenia Corporativa, mas vou tratá-lo aqui mesmo; no entanto, recomendo a visita ao blog da minha amiga, pois ela escreve muito bem sobre a temática do locus organizacional, com extrema sensibilidade.

Mas, voltando aos medíocres, como tentar entendê-los?

Quando comecei a trabalhar na empresa em que estou hoje, recebi um conselho muito valioso (mas ao qual só dei o devido valor agora, anos mais tarde) de um cara com muita experiência – de vida e de mercado. Ele me disse que trabalhar nesta empresa não seria difícil como eu imaginava. O difícil seria ter que lidar com os medíocres, em posições hierárquicas superiores a minha.

Me dei conta, com o passar do tempo, que os medíocres são realmente terríveis. Assistindo agora pouco ao “Saia Justa” no GNT, vi as meninas falando sobre o “Fodão-merda”, aquele cara que se faz de “o melhor de todos”, mas que no fundo é um fraco. Ele trabalha o tempo todo estabelecendo relações de assédio moral com as pessoas de seu núcleo e as transforma – ou, pelo menos tenta transformá-las – em camundongos, daqueles que os gatos gostam de jogar de um lado para o outro. Perto destas criaturas, a gente se sente um “nada”, rebaixado, diminuído, como se nossa opinião não tivesse nenhum valor, ou se não fossemos dignos de crédito.

Difícil mesmo lidar com estes caras (sejam eles homens ou mulheres). Eu tenho identificado alguns tipos característicos: os que tentam menosprezar as nossas idéias, os que dizem sempre que o trabalho que fez é melhor do que o nosso, os que passam grande parte da reunião da gerência tentando expor suas idéias, escolhendo palavras bonitas para parecer cultos e importantes, como aquele jogador de futebol que ao final do jogo fica batendo bola com os amigos para passar o tempo só porque acha que já ganhou.

Pior é aquela pessoa que, por não conseguir lidar com um tipo específico, cria tantos problemas de comunicação que acaba não tendo mais ambiente para conversar com a pessoa, discutir os problemas mais insignificantes. E aí estes probleminhas viram problemões e a esta pessoa só resta reclamar com o chefe, na esperança que ele intervenha a seu favor. Ora bolas, por que é tão difícil conversar, pôr as cartas na mesa? Por que esse comportamento tão infantil, de alguém que precisa sempre usar a tática: “vou falar com a minha mãe!!!”???

E quando a pessoa ameaça chorar na sua frente, mostra suas suscetibilidades e fraquezas, como se isso demonstrasse uma honradez maior, uma hombridade, uma grandeza de caráter? Porra nenhuma! Serve apenas para que a gente se sinta culpado por ser superior. Porque quando se é superior, a gente se concentra em ser apenas profissional, respeitando os outros, as opiniões dos outros e suas idéias, dando crédito a elas, fortalecendo a equipe, enxergando que quando todos crescem, o nível das discussões melhora e todos aprendem juntos. E isso não é balela, eu é que já não sei mais ser diferente.

No meio de tantos medíocres, como não ficar contaminado? Como não absorver todo esse horror para a sua vida, como chegar em casa totalmente limpo dessa energia?

Parece que o superior medíocre precisa de outros medíocres para sustentar sua mediocridade. A gente fica precisando de espaço para respirar, como se estivesse afundando na areia movediça. E a tal da mediocridade imobiliza. Num dado momento, parece que a gente não é mais capaz de fazer nada de bom, de concreto, de prazeroso.

Como se não bastasse isso tudo na vida profissional, às vezes, a mediocridade insiste em invadir a nossa vida pessoal. Ela se revela como alguém muito próximo que é muito covarde, como aquele que abandona planos e nos deixa na mão, como alguém que faz coisas sem sentido, e nos deixa desorientado, como quem teme dizer o que pensa e quando resolve dizer, sai magoando a todos a sua volta.

Eu já passei por isso uma vez. E me prometi que não iria passar de novo. Porque viver uma situação assim é como ser engolido por uma onda, a gente fica sem chão, sem direção, sem saber o que fazer. Eu sei que não é fácil para alguém lidar com isso. Já vi tantas amigas passarem por situação semelhante que agora sei bem no quê os autores de novela se inspiram para escrever aquelas cenas absurdas – elas realmente acontecem na vida real.

Enfim, preciso de ar. Preciso de uma bomba de oxigênio. Não, não quero entrar em transe, quero minha lucidez bem aqui comigo. Mas, quero uma vassoura, para varrer para bem longe todos esses medíocres que resolveram assolar a minha vida...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

:: Sex and the City :: O filme

Já estou super ansiosa para ver o filme e agora descubro pelo site oficial (http://www.sexandthecitymovie.com/) que ele só será lançado nos EUA no dia 30 de maio de 2008! Imagina quando será lançado aqui!?

Aaaaarrrrrgggghhhtttttt!

Será que eu aguento até lá? Para ocupar o meu tempo, só me resta ver o trailer e curtir o cartaz do filme, que está bacanérrimo!



Get Carried away...

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

O Rio de Janeiro continua sendo...

Canta meu Salgueiro!
Um "Rio de Amor" vai desaguar
Meus versos vêm no "Tom" da poesia
Da beleza que irradia
E fez o lusitano se encantar
Paraíso de riquezas naturais
Coração do meu país
Seduzindo a nobreza
Terra de gente feliz
Chega a Família Real
Dando um charme especial
O porto agita a Praça Mauá
Onde a semente do samba se fez brotar

Eu sou o Rei da Boemia
Carioca, sou da Lapa, patrimônio cultural
E me banhei de alegria, tiro onda, dou meu jeito
Minha vida é um carnaval

Divina obra-prima pra se admirar
Entre morros e ladeiras
A brisa embala as ondas do mar
Essa gente tão cheia de graça
O turista que leva saudade
E o Redentor abençoando
Maravilhosa cidade
O suburbano improvisando muito bem
Vai batucando na lotada ou no trem

E deixa o sol bronzear
No calor do meu Salgueiro
Eu sou raiz desse chão
E canto a minha emoção
Salve o Rio de Janeiro

..................................................................................
Este post é uma homenagem ao Salgueiro, escola vice-campeã do
Carnaval do Rio de Janeiro, em 2008, e um protesto contra a
hegemonia sem graça, pedante e eficiente da Beija-Flor.
Para ouvir o samba, basta clicar em: http://www.liesa.com.br

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Na praia...

Acabei de ler o livro "Na Praia", do Ian McEwan. Posso dizer que o venci, é mais propriado, porque foi um tanto doloroso chegar até o fim. Quando o comprei, foi pelo interesse causado por uma resenha bem escrita, publicada no caderno "Prosa e Verso", do jornal O Globo. Lembro que o autor da resenha dizia que o livro era incômodo. E bota incômodo nisso!




O livro conta a noite de núpcias de um casal muito jovem - para os padrões atuais - que está hospedado em um hotel na praia de Chesil, perto do Canal da Mancha, na Inglaterra. Uma noite de núpcias que não acontece porque a mulher não gosta de sexo: nem de fazer, nem de falar, nem de pensar em sexo, como ela mesmo se define. Enquanto eu lia esse pedaço do livro, a única coisa que eu conseguia pensar era em como eu fui sempre bem resolvida em relação à isso.

Mas, ler esse livro achando que ele trata apenas da frigidez de uma mulher jovem é realmente um grande erro - que eu quase cometi! Posso dizer, ao final, que eu gostei do livro, depois que eu venci a barreira do quarto capítulo. Na verdade, o livro trata também de convenções sociais, de falsos moralismos, de mágoas e ofensas que nos marcam fundo, de tudo que um amor verdadeiro não é capaz de vencer em seu nome, do medo que se tem de se ver ridicularizado diante da sociedade, da família, dos amigos.

Quando não se tem o real despreendimento para ouvir àquele que se ama, suas súplicas verdadeiras, suas necessidades e demandas mais íntimas, corre-se o risco de, um dia, muito tempo depois do abandono, ver que a vida passou, que não se fêz o que se queria e que o orgulho é implacável, pois envenena a tudo e a todos e dá como troco apenas a mais profunda solidão.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Prudência

"Quanto mais sublimes forem as verdades mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, transformam-se em lugares comuns e as pessoas nunca mais acreditam nelas." - Nicolau Gogol

Fonte: Wikiquote

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Livros, livrarias, sonhos e fantasias

Estive na Livraria da Travessa de novo hoje, em menos de uma semana, mas não comprei nada. Nenhum livro, nenhum DVD, nenhum CD, de tão imersa que eu estava na leitura do "A sombra do vento", livro sensacional do Carlos Ruiz Zafón. Simplesmente A-D-O-R-E-I !!!!



Fazia tempo em que eu não ficava tão ansiosa para saber o final de um livro. Tenho que confessar que quase apelei e fui direto para o final, mas este é um livro para ser saboreado. Quando o comprei, ele não me foi vendido como policial, mas ao descobrí-lo como tal, qual não foi a minha surpresa ao me saber afiada ainda: consegui matar algumas das charadas importantes do livro, algumas até que relativamente difíceis descobrir! Bom, não sei se as pistas eram propositais, mas, ..., enfim, o livro é ótimo mesmo e eu adorei a sensação de ir descortinando todos os mistérios pouco a pouco!

Mas, hoje, lá na livraria, depois de passear por entre aquelas estantes, ler trechos de livros do Caio Fernando Abreu e de outras figuras, fiquei me imaginando lá, segurando um exemplar de um livro meu, que pudesse tocar o coração das pessoas, me lembrando da história do "A Sombra...", que também é sobre livros. E da frase dita mais de uma vez por seus personagens: "O livro é como um espelho: o que você vai encontrar naquelas histórias é apenas um reflexo do que você é..."

Será que o espelho que eu produziria seria interessante para os meus leitores...? Se isso é sonho, ou se é algo que possa um dia virar realidade, eu não sei. Só sei que eu gostaria de deixar um livro meu numa estante, algo pelo qual eu pudesse ser lembrada, com carinho, com apreço.

Sonhar não custa nada, não é mesmo?

terça-feira, janeiro 29, 2008

Amélie Poulain

"O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" chegou aos cinemas brasileiros em 2001 e foi lançado em DVD em 2002. Todas as críticas ao filme foram positivas e me deixaram muito interessada. Mas, o tempo passou, o filme saiu de cartaz e eu não tive oportunidade de assistí-lo.



Sexta-feira passada, passeando pela Livraria da Travessa, não é que eu esbarrei com ele? Não estava procurando por algo em especial, afinal, já tinha feito uma festa com as promoções por e-mail e com a banquinha de filmes das Lojas Americanas (eu não sou adepta de locadoras - odeio a obrigação de ter que voltar lá no dia seguinte para devolver o filme).

Vimos o filme na noite do mesmo dia e, simplesmente, o adoramos. "Amélie..." mistura drama com humor, tratando de temas bastante significativos, como o das pessoas que não conseguem encarar a realidade, ou sobre aqueles que desejam com afinco, agindo totalmente fora dos limites, aquilo que não podem ter, ou ainda, sobre os que colecionam as coisas mais malucas deste mundo... Ele incomoda, ao mesmo tempo que diverte.

A direção teve um cuidado primoroso com os detalhes e o fato do filme ser francês, tornou-o ainda mais gostoso de ver.

Ele começa apresentando os personagens com o que cada um gosta e não gosta. Eu fiquei pensando nesta lista, em fazer a minha, só de brincadeira.

Eu gosto de...
... doce, principalmente brigadeiro;
... conforto, tipo banho de banheira, roupa de cama limpinha, ar condicionado;
... não ter que me preocupar com dinheiro no final do mês;
... ir ao cinema e ao teatro;
... viajar, para lugares que não conheço;
... ler bons livros;
...

Eu não gosto de...
... comida pesada (tipo pé de porco, buchada etc);
... toalha encardida no hotel (arghhh);
... ficar em casa o dia inteiro de bobeira (me dá dor de cabeça);
... gente falsa, que finje que é sua amiga e fala mal de você por trás;
... lugar muito cheio de gente, apertado, com gente muito suada (tipo metrô na hora do rush);
...

E você, tem uma lista?

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Ganesha

Estávamos eu e o meu companheiro de jornada, o Mago das Flautas, caminhando pelo centro de Búzios, meio entediados com a chatice daquela gente fútil que só pensava em consumir loucamente, quando finalmente encontrei a lojinha esotérica que eu havia descoberto na minha última viagem ao balneário.

Tinha que apresentá-la ao Mago, que há muito procurava por um livro sobre
desmembramento (leia-se "viagens fora do corpo") e tê-la encontrado ao acaso fêz da nossa noite uma bela experiência.

Ao entrarmos, me deparei com uma pequena estatueta de Ganesha, um Deus indiano que tem a cabeça de elefante. Coloquei-a sobre o balcão para elvá-la para casa por impulso, sem saber porquê.

Há algum tempo, havia feito uma pesquisa para uma amiga, a Flor de Lótus, sobre a história do Ganesha, pela qual fiquei encantada.

Diz a lenda que ele é o filho mais velho de Parvati e Shiva. No site da "Grande Fraternidade Branca", há um pedacinho da sua história, que reproduzo aqui:

Parvati é filha dos deuses Himalayas, aquela cadeia de montanhas nevadas, que cobre o norte da Índia. Ela é uma deusa muito graciosa e linda, mãe bondosa e esposa devota. Shiva - bem, até mesmo seus amigos mais íntimos admitem, que ele não é um pai ou marido ideal. Shiva ama sua família de todo coração, mas a sua maneira. O que acontece é que ele não agüenta ficar em casa o tempo todo. Tem alma de aventureiro, gosta de viajar, mas a sua paixão é a meditação e o Yoga. Tanto, que quando absorto meditando, nem um terremoto o perturba.

Shiva e Parvati casados, viviam muito felizes num bangalô no Monte Kailasa nos Himalayas, longe da civilização. Depois de algum tempo, Parvati percebeu que seu marido estava inquieto, ele abria a janela e olhava suspirando os altos picos das montanhas, e ela via nos seus olhos a sombra de um sonho. Ela o amava profundamente, e compreendeu o desejo que o consumia.

Um dia ela disse a Shiva:
- Por que você não viaja por uns tempos? Eu sei que você levava uma vida diferente, antes de nos casarmos. Você meditava, dançava, deve estar sentindo falta de tudo isso agora.
- Não minha querida - assegurou-lhe o marido. - Os velhos tempos acabaram, não sinto falta deles mais.
- E a sua meditação? - ela perguntou. Ela era a sua principal ocupação. - Você é o maior yogui dentre todos os deuses.

Shiva sabia que ela estava certa. Ele desejava mesmo se absorver de novo, pela prática da meditação, e tinha saudades das grutas favoritas das montanhas, onde se sentava para meditar. E depois foi o poder do Yoga, que o transformou num deus tão poderoso. Mas ele ainda hesitou.

- Mas você não vai se sentir sozinha, se eu for?

Parvati lhe assegurou que ficaria bem. Até porque, queria reformar o bangalô, transformar num lugar confortável e bonito onde uma família pudesse morar, um lar de verdade.

Feliz, Shiva colocou sua pele de tigre na cintura, enrolou suas cobras favoritas no pescoço e braços, chamou Nandi, sua vaca, e dando um aceno de despedida partiu montado nela.

- Não me demorarei. - ele disse a Parvati

Só que Shiva é o mais esquecido dos deuses. Quando medita é impossível despertá-lo. Acima do sagrado rio Ganges, Shiva se sentou e começou a meditar. Passaram-se muitos anos, que equivaliam a milhares de anos terrestres, uma vez que o tempo é diferente para os homens e deuses.

Quando finalmente, Shiva levantou da posição de lótus, lembrou-se da esposa que o esperava pacientemente, no Monte Kailasa, e correu de volta para casa.

Neste tempo que Shiva esteve ausente, Parvati fez um lindo jardim em volta do bangalô, costurara cortinas para as janelas e almofadas para o chão, pintara as paredes e as portas. E nem ficou sozinha por muito tempo. Shiva não sabia que tinha deixado sua esposa grávida. Parvati teve um lindo menino, que a manteve bastante ocupada, lhe deu o nome de Ganesha.

Anos se passaram e o deus bebê cresceu e transformou-se num rapaz inteligente e sério, muito apegado a mãe, e que adorava ajudá-la.

Numa manhã de primavera, Parvati estava tomando banho, enquanto seu filho se mantinha perto do portão do jardim. Um homem alto, com longos cabelos presos, um monte de cobras e uma pele de tigre enrolada no corpo se aproximava do portão, e atrás dele uma vaca. Shiva tinha voltado para casa sem se preocupar com sua aparência selvagem.

Shiva parou... - será que esta linda casa era mesmo a sua? E quem seria aquele garoto bonito no portão?

- Deixe-me entrar menino!
- Não, - respondeu Ganesha, franzindo as sobrancelhas para o vagabundo que queria entrar.
- Você não pode entrar! Ganesha se posicionou na porta de espada em punho.

Naquele momento, Shiva estava furioso, seu terceiro olho, do poder, apareceu no meio da sua testa, brilhando como fogo. Em segundos o corpo do menino estava no chão sem cabeça.

Ouvindo vozes Parvati se apressou, horrorizada viu seu filho sem cabeça e o marido que há tanto tempo não via. Chorou amargamente. Exclamou:
- O que você fez?! Este é Ganesha seu filho!

Shiva desculpou-se a Parvati, porém não podia voltar atrás, o que esta feito, esta feito. Mas prometeu a sua esposa que o primeiro ser que visse “dormindo errado” (considerava que aquele que dormia com a cabeça voltada para o sul, estava errado, pois o certo seria dormir com a cabeça voltada para o norte) ele cortaria a cabeça e a colocaria em seu filho.

Então Shiva percorreu milhas e milhas, e encontrou um filhote de elefante dormindo “errado”. Shiva cortou-lhe a cabeça e ao retornar encaixou-a entre os ombros de Ganesha. Inconformada Parvati foi pedir ajuda a outros deuses.

Brahma e Vishnu que são autoridades no Hinduísmo tanto quanto Shiva, ao ver o pobre e esquisito menino com cabeça de elefante, disseram a Parvati que nada poderiam fazer quanto a cabeça de Ganesha, pois não poderiam passar por cima de uma decisão de Shiva, mas poderiam dar à Ganesha poderes, para que ele se transformasse num deus muito querido por todos ou hindus. Ganesha seria sempre reverenciado antes de todas as cerimônias religiosas, seria também aquele que destrói os obstáculos, aquele que trás fortuna...

Parvati sentiu-se aliviada, agradeceu aos deuses, e se foi.

E assim se fez. Hoje na Índia Ganesha é o deus mais adorado, sua imagem é encontrada no painel de todos transportes, na entrada das lojas comerciais, e é realmente lembrado com carinho e devoção em todas as cerimônias religiosas, dando proteção e apoio àqueles que são seus devotos.

Ele é o Deus do conhecimento, sabedoria e removedor de obstáculos. Ele é venerado ou pelo menos lembrado no inicio de qualquer missão ou novo projeto para bênçãos e patrocínio.

Ele tem quatro mãos, a cabeça de um elefante e uma barriga bem grande. Seu veiculo é um pequeno rato. Em uma de suas mãos ele carrega uma corda (para carregar os devotos da verdade), uma machadinha em outra (para libertar seus devotos de apegos e vícios), tem um doce em uma das mãos (para gratificar os seus devotos por suas atividades espirituais), suas quatro mãos estão sempre estendidas para abençoar as pessoas. A combinação de sua cabeça de elefante e um veiculo de pequeno e ligeiro ratinho representa tremenda sabedoria, inteligência, presença de espírito e agilidade mental.

Continuando a minha busca, descobri que Ganesha é o protetor dos escritores, poetas e todos os que se dedicam aos estudos (tudo a ver, né?). E que o fotógrafo Mark Oatney tirou uma foto linda de uma de suas imagens.

Ganesh - By Mark Oatney

De lá para cá, a pequena estatueta está me acompanhando e, para ela, eu tenho acendido os incensos mais perfumados que encontrei. Minha vontade de conhecer mais sobre o Induísmo está cada vez maior. Afinal, eles são sábios...

Ganesha, também conhecido por Ganapati, é o escriba do Mahãbhãrata, que lhe foi ditado por Vyasa. Como caneta, usou a ponta de uma das suas presas, que leva sempre nas mãos (repare na imagem que a presa quebrada está na sua lança). Dizem que, nos momentos mais difíceis, é ele que remove todos os obstáculos.

Salve, Ganesha!

domingo, janeiro 20, 2008

Lembranças (ou ainda, sobre as coisas imateriais)

Quem é essa senhora sentada à beira da minha cama, aos meus pés? Por que ela me olha com tanta pena, tão desolada? Aliás, por que está todo mundo me olhando assim tão preocupado?

Ele já estava naquela cama há muito tempo, emagrecendo um pouco todos os dias, assustando filhos e netos com a rapidez com que progredia a sua doença. Conviver com ela era difícil, lidar com as metástases, então, não era nada fácil. Quando o médico chamou a família para conversar da última vez, foi para dizer que a doença havia provocado um tipo de esclerose que o levaria a esquecer pouco a pouco dos mais próximos, lembrando apenas de breves "flashes" da sua vida... e isso, todo mundo já tinha percebido.

Agora chegaram estes meninos...quem são eles? Dois meninos, agora mais duas meninas... hum, bonitas estas crianças...quem serão?...agora mais um menino e uma menina...Nossa, quantos beijos!!! Eles me beijam e abraçam com carinho...que gostoso!

- Vovô, oi, vovô! Como você está hoje? Lembra de mim, vovô?

Ele não lembrava. Que menina bonita, tão magrinha, cabelo castanho...será que ela estuda aqui na minha escola? Mas, peraí, ela está me chamando de vovô!!! Como assim? Eu ainda estou na escola!! Ei, cadê a minha professora? A aula já vai começar...!!! Estou tão cansado estes dias...

Seus três filhos (duas gêmeas e um mais novo) entravam e saíam do quarto à toda hora, cochichando pelos cantos da casa, preocupados com os pais, sem sorrisos, num quase-silêncio comovente...

- Mamãe, o vovô está melhorando? Ele vai ficar bom?, perguntou uma das crianças.

Como que sem uma resposta boa para dar ao filho, a mãe optou pelo emudecimento, porque ela não teria como lhe explicar que a cura para aquela doença ainda demoraria muito a ser descoberta. Ah, mais como ela queria que esta cura chegasse bem rápido!!! Olhava para o pai e lembrava da farra que fazia com os netos. Com eles, fôra um deseducador, desfazendo todo o trabalho que os pais tinham com criação das crianças. Eles o respeitavam muito, apesar da bagunça constante.

Nas suas brincadeiras favoritas, alguém sempre terminava pulando sobre o colchão de molas da cama do casal - às vezes, os seis netos juntos. Eram três meninas e três meninos que, com ele, brincavam, num único grupo, sem a distinção comum que se fazia entre os jogos de meninas e de meninos naquela época. Com aquele avô, eles aprenderam a gostar dos bichos, em especial dos passarinhos e dos gatos (negros). O 'vovô' levava as crianças para brincar soltas nos terrenos baldios vizinhos ao seu condomínio. E eles sempre voltavam imundos para casa. Soltavam pipas, jogavam peão e bola de gude, "fumavam" imensos charutos feitos de jornal (sem tragar, é claro!). E viam o povo soltar balões enormes nas festas juninas do bairro. Naquela época, não se tinha idéia do perigo que aquilo representava para matas, casas e florestas. Os enormes balões iluminados por milhares de "lanterninhas" japonesas eram mesmo a sensação das festas. Tinha milho, maçã do amor, algodão doce... e o vovô tratava de abastecer a todo mundo.

Mais ainda havia o mais divertido: vovô deixava que as crianças o penteassem em troca de algumas moedas. E elas adoravam deixá-lo parecido com o Einstein, aquele sujeito esperto que inventou a tal "Lei da Relatividade". E, como na vida, tudo é relativo, quem olhasse para o vovô, acharia que ele era louco, louquinho de pedra!

A filha lembrou também do amor de seu pai pelas fotografias. Na parede da sala, pendurou nove quadros enormes, com as fotos dos três filhos e dos seis netos. Ele mesmo tratava de fazer os quadros, adorava lidar com molduras e furar paredes.

Foi a última vez que os netos viram e abraçaram o avô, naquele domingo de 1982. Ele se foi, mas estava em casa, como queria. Lembrava apenas da sua professora do primário, que, para ele, àquela altura, era a vovó. Resignada, ela entendeu que não só o vovô ia descansar daquilo tudo... ela também.

E os netos...eles nunca mais se divertiram como naqueles tempos! Saudades do vovô!

..................................................................
Para o meu avô querido, Paulo Mendes Borba.

O Cheiro do Ralo

Há muito tempo, eu queria ver este filme. Ele é de 2006 e, se não me engano, não ficou muito tempo em exibição. Mas, tinha a cara do Selton Mello, e foi muito elogiado pela crítica.

No filme, o personagem do Selton (Lourenço) diz:

De todas as coisas que eu tive, as que mais me valeram, as que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar, são as coisas que não estão ao alcance de nossas mãos, são as coisas que não fazem parte do mundo da matéria.

Depois de ver o filme, tirei uma conclusão: é preciso vê-lo, para entendê-lo. Ah, já ia esquecendo, quase se pode sentir o cheiro do ralo... MESMO.

E dignidade, esta não se compra!

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Devastados

Um dia, durante uma sessão de análise, usei o termo "devastado" para me referir ao homem que tinha sido o meu primeiro amor e que eu havia encontrado ocasionalmente no shopping.

Hoje, assistindo a um debate na TV, ouvi de novo este termo, tão pouco usual. A idéia discutida envolvia o vazio causado por uma ausência devastadora. Pais que se foram, amores perdidos, grandes lacunas, que não há como se preencher.

Meu primeiro amor foi um homem comum, nada especial para a maioria das pessoas, sem uma beleza rara. Para mim, ele foi mais do que especial, pois foi com ele que eu pude vivenciar um sonho e revelar tudo de bom que havia em mim. E, depois do fim do nosso romance, foi com ele que conheci tudo de ruim que havia em mim, pessoa que eu nem conhecia, nem sabia existir.

Meu primeiro amor não olhou para mim nesse encontro no shopping, mas me viu. Eu já o sabia ressentido, magoado. E o quê eu vi foi a pessoa que ele era quando eu o conheci: descuidado, barba por fazer, mal vestido, abandonado de si mesmo. Verdadeiramente "devastado".

Eu já não podia dizer o mesmo de mim. De lá para cá, tornei-me uma pessoa mais vaidosa, aprendi "grandes" pequenos truques femininos e adquiri novos bons hábitos de saúde e beleza. Estava bem, mas não sei quem ele enxergou.

Se ele manteve dentro dele a capacidade de me ver e me enxergar, percebeu que ao vê-lo daquele jeito, eu me senti igualmente devastada, como floresta queimada, tentando voltar a vida. O fogo queimou rápido naquele tempo, destruiu tudo de belo que havia entre nós, mas o carvão do tronco das árvores continuou aceso, queimando por muito tempo, trazendo fortes influências para muitos dos meus relacionamentos que vieram a seguir. Foram as pedras que eu não consegui abandonar pelo caminho.

Ah, como eu quis viver novos amores como aquele! Tentei várias vezes, com homens diferentes, busquei outros estereótipos, mas nenhum deles foi capaz de estabelecer comigo o mesmo grau de intimidade.

Até hoje, quando fecho os olhos, lembro da emoção que senti quando nos beijamos pela primeira vez. Era perto do Natal... e o Natal não teve as mesmas cores desde então - ele usava uma roupa verde e branca naquela época. Lembro também da música que embalou a nossa primeira vez - no amor, no sexo e na vida. Ela às vezes toca no rádio e eu não tenho como impedir que o seu cheiro invada o ambiente e preencha esse vazio devastador que ficou.

Se eu pudesse dizer alguma coisa a ele, com a certeza que ele fosse me ouvir, eu diria que aprendi - e que já não cometo mais os mesmos erros. Sei que ele ficou no passado, que ele é em mim esse grande vazio, uma saudade com a qual tenho que conviver. Mas, aprendi e continuo aprendendo todos os dias.

Lembra que o trato era ficarmos bem?

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Os domingos precisam de feriados*

Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação. Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa.

Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue. Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo.

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.

Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...
Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?

Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.

O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é 'o que vamos fazer hoje?' - já marcada pela ansiedade E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria. Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

* Texto atribuído ao Rabino Nilton Bonder, da Congregação Judaica

..................................................................
Quantas e quantas vezes não foi essa a angústia que eu senti! Como se um dia em que eu estivesse de bobeira, lendo um livro, vendo um filme no DVD, fosse um dia perdido...
Acho que é dessa reflexão que eu preciso!

segunda-feira, janeiro 07, 2008

As coisas - Jorge Luis Borges

Clique na imagem para ampliá-la!


Meu nome não é Jonny

Ontem à noite, cheia de um tédio que só fazia aumentar graças à maravilhosa programação da tv (inclusive da tv à cabo), resolvi pagar para ver "Meu nome não é Jonny" no cinema. De garantido, eu tinha a certeza de ver muita gente bonita na ante-sala do cinema, pegar um ar fresco, deixar o Fantástico sem audiência...


Há muito tempo que já não tenho preconceito contra o cinema nacional. Muita coisa boa está sendo feita, e eu acabei de comprar dois DVDs de filmes brasileiros, de tanto que eu aposto na diversão que eles podem me proporcionar.

Mas, a temática de "Meu nome não é Jonny" me assustava um pouco, ainda mais porque o personagem principal está vivo e eu ainda não consegui formar opinião sobre o "cara". Fiquei me perguntando se o mote da história era fazer apologia das drogas, transformar o João Guilherme em vítima, o bonzinho da história, ou fazer do filme mais um "filme-denúncia", que a gente está cansado de ver e que não muda nada.

Qual não foi a minha surpresa, e acho que da maioria dos que estavam no cinema! Como disse o Serginho Grossman no seu "Altas Horas" do último sábado, o filme é bom, a atuação do Selton está perfeita - como sempre - e a diversão é garantida.

Incrível como se consegue tratar de um tema tão sério com tanta piada. Mas, o roteiro não exime ninguém da culpa, nem os pais do "Jonny", nem o próprio, nem a sociedade burguesa chapada do Rio de Janeiro, nem as autoridades (o Governo, os juízes, os defensores públicos, a galera toda), nem as "otoridades" (a polícia, melhor dizendo), ninguém escapa!

A gente vê aquilo tudo e se sente também um pouco culpado. De nunca fazer nada. De não tentar mudar este estado de coisas paradas, entregues à bandidagem. De tanto não fazer nada, eles acabam fazendo por nós, o que querem.

É como diz o dito popular, quem não dirige a sua vida, acaba dirigido.

Guerra

De tanta bala perdida, eu já estou toda furada, cheia de cicatrizes. Quando há uma guerra dentro da gente, há que se ter muito cuidado. É preciso tratar o caso com seriedade. Como cidade partida, sem lei, nem ordem, não! Como coração partido, não em dois, mas em mil pedaços, sem governo, sem rumo, sem direção.

Parece que Caetano sabe traduzir minha agonia interna muito bem... nas letras mais simples, ele expõe a minha angústia como se me conhecesse...

eu não me arrependo de você
cê não devia me maldizer assim
vi você crescer
fiz você crescer
vi cê me fazer crescer também
pra além de mim

Ao ouvir esta música, fiquei me perguntando do que eu gosto em você e, porquê depois de tanto tempo juntos, ainda vivo nesta guerra... a guerra da dúvida, do descaminho.

Gosto quando você me aperta, me esquenta, me faz suar, me cheira, me beija... gosto deste chamego. Mas, me aflige, me perturba o seu tempo de solidão. Até hoje, não sei lidar com ele. Vira guerra e quem está mais perto - você ou eu - acaba atingido.

E eu sei que não sei lidar com você. Este tempo de que você precisa, eu não sei dar. Se te sufoco, me repreendo. Se te abandono, me angustio mais. Se a gente cresce juntos, parece que não é no amor.

E quem eu amo? O que eu amo? Quem eu tenho sido neste tempo em que estamos juntos?

Eu sei que você me fêz crescer, assim como eu... mas crescer para onde? Viver o quê? E o quê temos vivido?

O quê que eu faço com esta sensação de ter vivido menos do que eu poderia ter vivido? Será que você poderia mudar de lado, deixar de ser país inimigo e passar a lutar junto? Será que sonhar o mesmo sonho é mesmo assim tão difícil?

Reflexões de uma guerra sem heróis, nem vitoriosos...

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Carta pra Mainha

Rio, 12 de dezembro de 2007

Bença mãe!

Aqui é tanta belezura que fico aboletado, arriado dos quatro pneus. Já fui ao Cristo (que os daqui chama de Corcovado), Maracanã, Copacabana, na Feira da Gente em São Cristóvão e na feira de Foguinho. Vixe Maria! Já posso bater a caculeta! Tô tirando a maior gréia, é muita fuleragem. Ê lasqueira! Mas ainda não consegui nenhuma colada com as minas daqui. Até as graxeiras são umas jumentas, mas as daqui não são piriguetes.

To trabaiando num tar de DSG. Esta sopa de letras de letras é pomposa e significa “Desenvolvimento de Sistemas de Gestão”, porém num pense que eu faço computador não. Deus que me livre! É porque como a palavra sistema é arretada de holística, botaram este nome. Pra entrar na minha sala tem um tar de crachá (crachá é um prástico, com a foto da gente e uma faixa preta por detrás). Eles dizem que o tar de crachá é quem abre a porta, mas como eu sou sabido mãe, já descobri que é a Luana e o Tiago os abridores de porta. Precisa ver meu computador! Aqui eles deram outro nome pro retado, eles chamam de workstation. Na sala tem uma renca deles; tem três que são mais engalalados do que cruz em beira de estrada.
Por falar em nome esquisito, tem uma coisa que não tô gostando. É que toda reunião que vou, tem sempre um garganteiro usando uns dizeres estranhos. Até os nomes dos galalaus são diferentes: Alexandre Cara Vai Tu (parece propaganda de político), outro tem nome de povilho antiséptico, a outra tem nome de profissão de fabricante de bolsas e, um novato (no setor, não de idade), tem nome de homem-bomba. O nosso sobrenome é pinto aqui.

Mas, pra piorar, a linguagem deles é abilolada. Outro dia, num meeting (esse é o apelido que eles dão para reunião), meu colega gazo perguntou pra mim se eu tinha acordado o plano de cut over. Olhei estranho e perguntei “O de quem?”. Aí ele me disse “Preciso do plano deste plano para o go live do projeto. Sem ele não tenho referência para o business case, não tenho como especificar o workflow, nem identificar os drivers e outcomes.”. Mirei aquele aquerijebá de gravata, já apoquentado, e pensei “Tô a ponto de fazer uma agrestia, mas como preciso da bufunfa perguntei “O prezado está falando sério ou dizendo dixotes?”. Superiormente, ele arreliou da minha fala e continuou “Colega, se você ainda não desenvolveu os modelos mentais para estar aqui no DSG, talvez seja melhor eu falar com seu sponsor sobre um programa de change management para roll out as necessárias competências. Talvez um mentoring ou um coaching, sendo conduzidos por um deliverable business plan possa ser um adequado kick off para o seu desenvolvimento.”. Naquela altura, tive vontade de procurar frete, mas com medo de perder a chave e ficar com fama de azuretado ponderei, e, na tora, como um chibungo, perguntei educadamente “Prezado, para a gente se entender, para evitar mandu, qual é o prazo para a entrega do tal plano de cut over?”. Mas fique tranqüila, porque depois desta iniciação, tô sabendo até o que é slide wear ( a tradução é: dê-me o power point que eu conquistarei o mundo. Power point é um programa legal de computador que serve para amenizar notícia ruim), outros dizeres da língua-patroa e a começar meu correio sempre com o tratamento de “Prezado...”.

Bem, vou ficando por aqui, cheio de efes e erres, cheio de guéri-guéri e com meu paletó preto e minha gravata colorida apertada, neste Rio Maravilha de 40ºC, em um dezembro ensolarado.

Do seu filho.

Cássio Távora Cavaco

domingo, dezembro 02, 2007

Le Petit Prince

Lendo o blog Disritmia, descobri que sou afetulosa. Foi justamente na frase da raposa que fiquei pensando quando terminei de ver o filme do post de ontem. Claro que a autora lança mão deste termo de uma forma totalmente pejorativa, mas... não é que a frase da raposa tem tudo a ver com os dias de hoje, nos quais as pessoas temem em se conectar com as outras e são completamente irresponsáveis com o que fazem (inclusive com quem cativam!)?!!!?

Veja só:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
A sábia raposa ensina o pequeno príncipe a compartilhar.
E explica-lhe que, apesar de existirem milhares de flores parecidas, a dele é única, e foi o tempo que ele dedicou a ela que a fez tão importante.
Cativar quer dizer conquistar e requer responsabilidade.
Responsabilidade por um amor, por um amigo, pelo talento que possuímos e pelo que conquistamos em nossa carreira profissional e pessoal.
Seja responsável pelas suas conquistas.
Valorize-se. Cuide do que você cativou.

Esta é a terrível fala da raposa, que só toca o coração dos "afetulosos"!!! O mais incrível é que ela fala em sermos responsáveis por nós mesmos... E eu, que só comecei a me dar conta do quanto eu me adoro depois de duas anestesias gerais! Pode?

Quer ver a fala dos outros personagens? Entre no site oficial, ele é bacaninha: http://www.opequenoprincipe.com/index.html

O engraçado é que eu só fui procurar por este site por causa da definição de "afetuloso"! E aí, encontrei o oficial dos oficiais: o francês. Eu não falo francês, mas o site é legal à beça. Uma boa recomendação para os afetulosos! Dá uma olhada: http://www.lepetitprince.com/fr/



Em especial, sugiro que você visite o link "Le Club", onde você vai encontrar um Concurso promovido pelo site só de Calligrammes... e eu nem sabia que isso tinha esse nome!!!

Adorei! Ah, se todas as crianças e adultos conseguissem entender este livro...

PS.: Ele vai muito além do universo das misses, viu? Obrigada por me lembrar que, quando criança, eu li e adorei este livro e não tenho vergonha disso!!!

PS2.: Já estou preparando o meu Calligramme, para postar aqui antes do Natal!

PS3.: O livro "El principito" em Espanhol também é muito bacaninha!

sábado, dezembro 01, 2007

Uma estrela e dos cafés

Este título singelo logo me atraiu e tirei o filme da estante disposta a levá-lo. Perguntei ao vendedor se era bom e ele me respondeu dando de ombros.

Já tinha virado hábito passar na "El Ateneo" toda vez que eu ia a Buenos Aires a trabalho. Dava sempre um jeitinho de dar uma corridinha lá para comprar alguma coisa. Desta vez, orientada e estimulada por minha professora de Espanhol, resolvi trazer DVDs. Escolhi dois, um espanhol e este, argentino, "Una estrella y dos cafes".

A sinopse não dizia muito do filme, mas eu resolvi arriscar. Conta a história de uma cidade distante de Buenos Aires, Purmamarca, que fica ao norte da Argentina, e cuja população não se parece em nada com a aristocracia portenha. Todos têm estereótipo andino, e aquele pelo maravilloso!


Vale à pena visitar o site do filme, depois de assistí-lo. Ligue o som, a trilha sonora é linda! Mas, voltando ao filme, ele é de uma sensibilidade impressionante. Aborda um tema não muito comum aqui pelas nossas locadoras - nem os filmes brasileiros, nem as super produções americanas tratariam do mesmo tema. Mostra a transformação pela qual passa uma menina de treze anos ao se apaixonar por um estranho, que chega a cidade, passa uma chuva e depois vai embora.

O cara jura para a esposa que não seduziu a menina, mas não há como negar que o modo como ele a tratou fez com que ela deixasse de se sentir menina e passasse a se sentir mulher. A menina muda com o comportamento cativante do cara.

Por isso, tome cuidado! Veja lá o que você faz, rapaz!

Conselho apropriado nesses nossos tempos, né?

sexta-feira, novembro 23, 2007

Tsunami

As coisas estavam mudadas. Era como se a Terra tivesse levado dois anos para dar a volta ao redor do Sol. O tempo estava meio congelado, lento, devagar.

Durante esse período, ela sofrera com as mudanças inconstantes das marés, alterando sua regulação hormonal. Esteve duas vezes muito próxima do outro lado: como o bêbado que entrega a sua vida ao desequilíbrio no parapeito do terraço no alto do edifício, ela entregara a sua ao mesmo anestesista, fornecendo-lhe uma aura mística que ele não pedira, mas insistindo em debater-se como alguém que é quase um "herói da resistência".

Se em momentos de maré alta, ela fortaleceu-se, revelando-se uma mulher guerreira e corajosa, nos de maré baixa, ela surpreendeu-se e quase entregou os pontos. Entretanto, agora ela sabia que a grande onda estava de volta, feito tsunami, a devastar com a sua energia o que encontrasse pela frente.

Parte de um oceano sem memória, mas imponente e inebriante, a onda dificilmente a reconheceria. Não se lembraria que havia passado por ela há dois anos e levado tudo que ela possuía, deixando-a viva para assistir à reconstrução do mundo. Ela se perguntava se seria poupada, se a ela seria concedido o direito de sobreviver à onda, a chance de ver o desastre e ser imune a ele novamente. Se, ao menos, sofreria menos ao ver a morte alheia.

Ela sabia que o medo paralisa, mas, como dizia Vinicius, era preferível viver que ser feliz. O ritual era sempre o mesmo, havia um toque de sedução no ar, um cortejo, como que se fosse a preparação para aquela iniciação. A onda era tão forte, tão poderosa, ao mesmo tempo devastava, mas deixava saudade. Ela sentia arder dentro de si a energia. Como se pedisse a sua volta.

O dia da grande onda estava quase chegando. Só ela, como uma das pouco sobreviventes, havia recebido os sinais, havia sentido sua presença. De repente, a lua cheia se firmou no céu, deixando a todos mais sensíveis e abertos às mudanças, criando um clima de quase devoção àquela luz. No horizonte, só se podia ver a retração do mar.

Ela parou em frente à praia e abriu os braços. A brisa da noite enluarada envolveu-lhe o corpo. Pisou a areia úmida e esperou.

E, em segundos, em pleno janeiro de Capricórnio, sem medo, sem dor, sem razão, ela que sempre sonhou com o mar, olhando para aquele paredão de água salgada, entendeu o mistério da vida...

quinta-feira, novembro 22, 2007

Infinito Particular

Infinito Particular
Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Carlinhos Brown

Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou portabandeira
de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

quinta-feira, novembro 15, 2007

Os homens e seus barcos

Por que os homens constroem barcos? 'Navegando' pelas quase 50 mil fotografias de barcos disponíveis no Flickr, fiquei me perguntando o porquê dessa necessidade, quase uma obsessão, de construir barcos - e fotografá-los!

Barcos são os meios de trasporte mais comuns em praticamente todas as culturas - até para os índios eles são vitais! Aqui, eu incluo as canoas, os botes, as jangadas, os caiaques, os navios, os transatlânticos...

Os barcos servem aos homens para a prática de esportes e para a pesca, além de muitas outras funcionalidades. Mas, por trás deste artefato está o desejo desbravador, de conhecer outros lugares, vencendo rios e mares e descobrindo portos e marinas.


Como fizia o poeta, "navegar é preciso, viver não é preciso"! O que se vê numa carta de navegação é um caminho imaginário, uma rota intangível que viabiliza o desejo de ir de um ponto ao outro. Agora, experimente olhar para a linha do horizonte, deparando-se com o seu infinito particular, e me diga o que ves?

E o que leva os homens a abandonarem seus barcos? A descrença na existência de novos locais a descobrir, de novas paisagens a apreciar? Ou o medo da opressão desse inifinto que é a vida (ou você acredita que ela acaba depois que você morre)? Os barcos estão lá, esquecidos em alguma praia, entre algumas pedras, às vezes congelando, esperando por alguma nova estação ou pela maré cheia, batizados com o nome da mulher amada...



Mulher essa que espera seu homem regressar de sua aventura, dona do abraço mais gostoso do mundo...

segunda-feira, novembro 12, 2007

:: Paris

Meu amigo saiu de férias. Foi viajar. Deparou-se com Paris, em dia de pouco sol.

Tirou uma foto...


Fiquei imaginando o que mais ele viu por lá...

Mesmo sem sol, esta foto ficou linda...meu amigo é perfeccionista!

Desejo, necessidade, vontade...

Desejo (substantivo)
1. Ação de desejar; 2. O que se deseja; 3. Anseio, aspiração veemente; 4. Cobiça; 5. Apetite, vontade de comer ou de beber; 6. Apetite carnal, concupiscência. 7. Desígnio, intenção (Michaellis).

Necessidade (substantivo)
1. Aquilo que é absolutamente necessário; 2. Indispensabilidade; 3. Inevitabilidade; 4. O que não pode ser de modo diverso do que é; 5. O que tem de ser; 6. Fatalidade; 7. Impulso orgânico (Michaellis).

Vontade (substantivo)
1. A principal das potências da alma, que inclina ou move a querer, a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa; 2. Capacidade de tomar livremente uma deliberação; 3. Energia, firmeza de ânimo, fortaleza e perseverança no querer realizar (Michaellis).

Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?

Traduza-me!

"De lo que no cuesta, se llena la cesta..."

(dicho popular de España)

Babel

Entrou no cinema sem saber do que se tratava aquele filme. Não se lembrava de ter visto o trailer e o resumo que o jornal trazia era simplório, não dava detalhe algum. Havia gostado do título e acreditava na força da atuação da dupla de protagonistas. O filme era "Babel", com Brad Pitt e Cate Blanchett, e ainda contava de quebra com a participação do Gael García Bernal.

À medida que a estória ia se desenrolando, ela ia ficando assustada, enjoada, desconfortável com a realidade nua e crua das cenas que iam aparecendo na telona, se descortinando diante de seus olhos. Todas elas lhe faziam refletir muito, sem exceção...chocou-se com a cena das crianças marroquinas que, sem noção do perigo e sem pensar nas consequências, brincam com uma arma de caça... com o pai irresponsável que dá a crianças de dez, doze anos no máximo, uma arma daquelas... com a mulher que fica entre a vida e a morte num vilarejo esquecido no Marrocos, onde ela não tem a menor condição de ser atendida e salva de uma bala perdida...do marido que se sente impotente ao ver a mulher à beira da morte e ele pouco pode fazer para salvá-la...dos companheiros de viagem que não são nem um pouco solidários com o casal, principalmente com a mulher, e agem como se não tivesse nada a ver com aquilo...




Assistindo ao filme, ela se pergunta o que passou pela cabeça do roteirista ao escrevê-lo? Como pode um diretor fazer algo tão impactante como aquilo, sem usar quase nenhuma tecnologia? Ela já havia tentado assistir a outro filme do mesmo diretor Alejañdro Gonzáles Iñárritu - "Amores Perros" - sem muito êxito. Desistiu, justamente por ser forte demais!

Agora, estava completamente aturdida com aquelas cenas... com a babá mexicana que decide ir ao casamento de seu filho no México, levando consigo os dois filhos do casal que está do outro lado do mundo, no Marrocos, vivendo o drama de uma bala perdida... com o sobrinho da babá que decide abandoná-la com as crianças americanas à sua própria sorte no deserto depois que eles são descobertos pela polícia de emigração americana... com a polícia americana que deporta a babá sem permitir que ela retorne à sua casa para buscar tudo o que conquistou durante 16 anos de trabalho ilegal nos EUA - a razão para viver fora de seu país... com a adolescente japonesa que tenta suicídio por ser surda-muda e nunca ter tido um namorado... com seu pai, um homem viúvo, que cinco anos antes havia presenteado um guia camponês marroquino com uma espingarda de caça, que daria início a essa história...



O que a chocou neste filme foram os acontecimentos em cadeia. Mostra-se, com tintas muito fortes, uma verdade inquestionável: o que se faz num determinado ponto do planeta tem consequências indiretas num outro ponto qualquer, ou em mais de um. Mesmo que não nos demos conta disso, temos que ser responsáveis pelos nossos atos.

Ela saiu do cinema ciente de que havia assistido a um grande filme, que lhe havia marcado para sempre. Mas, ao contrário do que ela imaginava, a repercussão em seu país não foi grande. Ela colocou então mais um item nas listas a fazer: comprar o DVD de "Babel", para rever o filme.

E você já viu "Babel"? Se não, vá até a locadora mais próxima: alugue, assista e reflita.

sábado, novembro 10, 2007

Entreouvido por aí...

Como eu adoro esta coluna publicada na Revista de Domingo, do jornal "O Globo", estou anotando algumas pérolas aqui no blog...

Ontem, na hora de nos trazer os talheres, o garçom soltou essa:
"A ordem dos tratores não altera o viaduto..."

Alterava e muito, menino, ou você queria que nós tomássemos a sopa com garfo e faca?

A propósito, esse garçom deve ser um engenheiro frustado, né?

sexta-feira, novembro 09, 2007

:: Cinema :: Leões e Cordeiros

Estreou hoje no Rio de Janeiro o filme "Leões e Cordeiros". Fui ver. Muito interessante, este filme dirigido pelo Robert Redford, faz pensar. Não dá para sair do cinema com aquela sensação gostosa de estar "leve". Sobre a Guerra Norte-americana contra o "Eixo do Mal", a história leva a gente a se perguntar principalmente por que os Estados Unidos têm sempre que se meter em tudo. Recomendo, mas se você é "engajado", tome um antiácido antes. Veja aqui o trailer (http://leoesecordeiros.com.br/) e se inspire!

Antes do filme, paguei um super-mico! Fui convidada a fazer um vídeo de 15 segundos para a propaganda do celular Nokia que passou antes do filme começar! E fiz! Quando me vi na telona, pensei:"Ai, meu Deus, tomara que ninguém me reconheça depois!" Não é que uma moça me reconheceu na saída do Bistrô do Espaço Unibanco? Caramba! Meus 15 segundos duraram mais que alguns minutos!!!

Quando eu estava chegando em casa, crente que aquilo tudo já era suficiente por uma noite, vi um táxi rodar em quase 360 graus. Estava com passageiros... depois que controlou o carro, o motorista deu um cavalo de pau, e seguiu caminho.

Aí, vem cá, você não pedia pro cara encostar e descia do táxi? Que anjo da guarda poderoso esse!

quinta-feira, novembro 08, 2007

Família

Assistir pela televisão ao noticiário tem sido uma tarefa para lá de árdua. A gente vê cada coisa, que se assuta. Das últimas que vi, a mais chocante, com certeza, foi a queda do jatinho comercial que causou a destruição de uma casa onde estava toda uma família. Morreram oito pessoas, dois tripulantes do avião e seis membros da família. Sobrou uma menina de dezesseis anos, internada no hospital, que dizem ser autista. E seu cachorro (mais uma vez os animais, salve São Francisco de Assis!). Juro que fiquei pensando em como esta menina vai sobreviver sem os pais, sem sua família e sem sua casa.

Perdeu, literalmente, todas as suas referências.

Visitando o site do pintor espanhol Quintana Martelo, deparei-me com um quadro que retrata tudo o que é uma família...não preciso dizer nada...

A chuva, a união para vencê-la e se proteger dela, a mãe guiando os filhos, as sombras...simplesmente fantástico.

Bravo!

Pêlo marrom, olhos azuis

Pro cachorro não tem horário. Ele não segue convenções, nem estatutos. Teima em não ser educado. Não sabe, nem de longe, o que é "Lei do Silêncio". Não se importa com as tenras horas da manhã, nem com a calada da noite.

Se o deixam sozinho, ele chora. Chora muito. E uiva para a lua. Percorre a casa, desesperado, ora arranhando a porta, ora roendo a mesa de jantar.

Quando fica feliz, ele late. Late muito. E late alto, a plenos pulmões. Pula, salta, corre de satisfação.

Apesar de grande e bonito, o cachorro é novinho. Tem olhos azuis e pêlo marrom, de raça, um weimaraner. É tratado como um filho.

Ele é um bobo. E não é meu. Mas, eu até que gosto dele. Preciso descobrir o seu nome.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Playmobil - trauma de infância

Eu adorava brincar de playmobil com a minha irmã, quando éramos crianças. Espalhávamos tudo pelo chão do quarto, tínhamos um monte de bonequinhos, mais a casinha, o saloon, a delegacia, o circo...



Depois de tudo montado, a minha irmã sempre me dizia: "não quero brincar mais, não!" Até hoje acho que isso é um trauma. Acho que ela gostava de arrumar as coisas, de construir, mas odiava vê-las prontas, talvez porque quisesse ver tudo sempre inacabado e bagunçado!

Que frustação!

Entreouvido por aí...

Hoje comprei minha segunda saia florida para o verão.



Na hora de pagar, ouvi a seguinte história:

"Estava naquele emprego faziam apenas dez dias. Odiei! Como já tinha um outro em vista, mudei e estou mais feliz. Demorei a aceitá-lo porque era longe, mas vai ser legal. Esse emprego parecia amargo como um jiló, eu demorei a comer, mas ao contrário do que se imaginava, no final, era doce!"

Essa moça não disse tudo? Não é filósofa?

terça-feira, novembro 06, 2007

O Barquinho


Dia de luz festa de sol
E um barquinho a deslizar
No macio azul do mar
Tudo é verão e o amor se faz
Num barquinho pelo mar
Que desliza sem parar...
Sem intenção,nossa canção
Vai saindo desse mar
E o sol
Beija o barco e luz
Dias tão azuis!
Volta do mar desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar!
Céu tão azul ilhas do sul
E o barquinho,coração
Deslizando na canção
Tudo isso é paz tudo isso traz
Uma calma de verão e então
O barquinho vai
A tardinha cai
O barquinho vai
A tardinha cai...

Quando foi a última vez que você experimentou pela primeira vez uma coisa diferente?

Depois de ouvir esta pergunta em uma propaganda de televisão, ela ficou a semana inteira se perguntando a mesma coisa, só que de formas diferentes: quais são os meus projetos? o que eu tenho vontade de fazer que ainda não fiz? o que me desafia? quem eu sou afinal?

As respostas para tudo isso não vinham, não surgiam, e ela ia ficando angustiada. Parecia que a sua vida tinha entrado numa monotonia sem fim, que ela não tinha ânimo para nada...não malhava, não dirigia, não podia comer quase nada, já que estava numa dieta infernal, não saía para dançar, não bebia... enfim, tinha pouco para contar... e tudo que ela sempre quis na vida era ter história!

Estava aos poucos aprendendo a gostar de si mesma, mas queria experimentar algumas novas sensações. Então, pegou um bloco e começou a fazer uma lista:

1 - voltar a andar de bicicleta - a de verdade, não a da academia!
2 - aprender a dirigir motocicleta - carro não é o lance dela!
3 - saltar de asa delta, parapente, pára-quedas, enfim, correr um certo risco!
4 - aprender a fazer escalada...
5 - conhecer algumas trilhas, do Rio e de outros lugares.
6 - visitar o Caribe Colombiano, que dizem que é lindo!
7 - aprender dança de salão!
8 - entrar para um curso de ourivesaria!
9 - escrever um livro...
10 - apaixonar-se, sem medo de ser feliz!

Achou que estes dez itens da sua lista já eram suficientes para programar 2008. Resolveu que não podia perder tempo, que ações tinham que ser tomadas, que aquilo tinha que deixar de ser desejo e passar à realidade. Afinal, só faltavam dois meses para 2007 acabar. Quem sabe ela não se descobria por ali.

Arrancou a folha do bloco e saiu correndo contra o vento, mas a favor do destino!

domingo, novembro 04, 2007

Lente

Lente
Arnaldo Antunes
Composição: Arnaldo Antunes / Roberto Frejat

Mudou a minha lente
De repente ficou tudo maior
Mudou a sua lente
De repente ficou tudo menor
Mudou a nossa lente
Ficou tudo do tamanho da gente

A lente não mente
Mente quem está detras da lente
A lente não mente
O objeto transparente
Me deixe ver o que sempre foi aparente

Mudou a minha lente
De repente ficou tudo diferente
Mudou a sua lente
Você estranha o que vê a sua frente
Mudou a nossa lente
Agora você vê e eu te vejo claramente

A lente não sente
Sente quem está detras da lente
A lente não sente
Objeto transparente
Me deixe ver qualquer coisa que eu invente

Depende do ponto de vista
Depende do ângulo certo
Deixa que eu vejo, observe
Um pouco mais longe
Um pouco mais perto
Mas vitrine é vitrine
Depende do ângulo certo
Às vezes me confunde
Às vezes nem define

Objeto trasparente
Me deixe ver qualquer coisa que eu invente

Segredo [4]

De uns tempos para cá, fiquei muito covarde. Principalmente, no que diz respeito às relações humanas. Quando não tenho certeza de que tipo de reação esperar das pessoas, não dou o primeiro passo,..., nem o último.

Tenho sido covarde até com a família, não telefono como medo de incomodar. Este medo de incomodar é que acaba incomodando, eu sei. Acho que a terapia não ajudou.

Esta insegurança me mata! O pior é que eu acho que poucos percebem.

Segredo [3]

Na época que eu era magrinha, roía as unhas. Elas eram horrorosas. Olhava as unhas vermelhas da minha avó e pensava: como eu queria ter as unhas iguais às dela!

Trabalhei para isso, fiz um esforço danado e passei a controlar o meu ímpeto de roê-las.

Hoje, minhas unhas são bonitas! Largas, estão sempre bem cuidadas e pintadas. Gosto de esmaltes claros e dos escuros. Eu mesma as pinto. Minha segunda profissão (fome, não passo!).

Outro dia, ouvi de uma amiga que minhas mãos eram lindas! Fiquei vaidosa!

Segredo [2]

Eu sempre fui muito magrinha. Naquela época, eu tinha inveja das meninas que tinham um corpo bem feito.

Procurei a cura: encontrei uma receita para engordar. Fiz tudo bem direitinho. Direitinho até demais!

Cheguei a ter o corpo que invejava durante um ano: tive até bunda bonita!

Hoje, neste corpo que mais parece a estrada Rio-Santos, com todas estas curvas, não me reconheço.

Tenho inveja das magrinhas.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Segredo [1]

Você tem um segredo só seu? Qual é?... me conta!

Secret

Secret (Maroon 5)

Watch the sunrise
Say your goodbyes
Off we go
Some conversation
No contemplation
Hit the road

Car overheats
Jump out of my seat
On the side of the highway baby
Our road is long
Your hold is strong
Please don't ever let go
Oh No
I know I don't know you
But I want you so bad
Everyone has a secret
But can they keep it
Oh No they can't

Driving fast now
Don't think I know how to go slow
Where you at now
I feel around
There you are
Cool these engines

Calm these jets
I ask you how hot can it get
And as you wipe of beads of sweat
Slowly you're saying
I'm not there yet!
I know I don't know you
But I want you so bad
Everyone has a secret
But can they keep it
Oh No they can't

terça-feira, outubro 23, 2007

Despedida [7]

Sim, sim, já estou encerrando este tema...

Mas, falando em meu pai, lembrei-me dos dois anos de despedidas entre meu pai e minha mãe que presenciei...

Acredito que, para eles, devia ser muito difícil sustentar aquela situação. Para mim, que era pré-adolescente, ver meu pai despedir-se todos os domingos, e minha mãe triste em sequência, era algo que eu não compreendia bem, mas que me ajudou a amadurecer muito.

Depois de alguns anos desempregado e aceitando qualquer tipo de trabalho (vendedor de roupas, de uniformes, de carros etc.), meu pai finalmente havia conseguido um novo emprego na sua área. Mas, em São Paulo. Nós todas (minha mãe, eu e minha irmã) ficamos irredutíveis: não nos mudaríamos com ele para aquela cidade terrível (terrível por conta de uma fantasia nossa, afinal nenhuma de nós três sabia de fato o que era morar em São Paulo)... Ele então alugou um apartamento com uns colegas de trabalho e ficava todas as semanas na ponte rodoviária. Sim, porque o meu pai não ganhava o suficiente para viajar de avião. E o trato era que ele viria todos os finais de semana.

Quem me ouve contar não consegue imaginar o quanto ele chegava cansado e o quão duro era para ele ter que voltar para São Paulo no domingo à noite. Acho que, com o tempo, ele foi desistindo, aquele trabalho foi se tornando para ele um martírio...

Meu pai era um desenhista à moda antiga, daqueles que foram substituídos pelos "cadistas", na onda do AUTO-CAD dos anos 90. A cada despedida, minha mãe ficava rezando para que ele fizesse uma boa viagem, não fosse assaltado no ônibus, não sofresse um acidente, e depois tivesse uma boa semana, maneirasse na bebida (se bebesse) e se alimentasse direito... Eu ia para a cama da minha mãe, e dormia com ela de mãos dadas... às vezes, ela chorava. E eu deixava a minha irmã sozinha no outro quarto. Ficava preocupada, mas sabia que era muita preocupação para uma garota de 12 para 13 anos. Enfim, ninguém - nem minha mãe, nem eu, nem minha irmã, nem meu pai - merece isso!

Hoje, ele já não trabalha com desenho...não sei o que se passa pela cabeça dele. Nem na da minha mãe. Não sei se eles ainda se lembram desse tempo que vivemos. Ou se já passaram uma borracha nesse passado. Hoje, eu teria dado uma força para a família ir com ele. A gente teria ficado mais unido.

Mas sabe se lá o que o destino deseja para a vida da gente?

sexta-feira, outubro 19, 2007

Despedidas [6]

Apesar de antiga, e fazer mais a cabeça do meu pai do que a minha, tenho que reconher que a música é linda... segue a letra:


"Moon River"
music by Henry Mancini, lyrics by Johnny Mercer

Moon River,
wider than a mile,
I'm crossing you in style some day.
Oh, dream maker, you heart breaker,
wherever you're going
I'm going your way.
Two drifters off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end--
waiting 'round the bend,
my huckleberry friend,
Moon River and me.

© 1961 Paramount Music Corporation, ASCAP

Despedidas [5]


Das últimas coisas que vi na TV que mais me emocionaram, está o episódio do "Sex and the City" no qual Big se despede de Carrie e muda-se de Nova Iorque para Napa, na Califórnia.

Quando me lembro do episódio, não consigo esquecer a emoção que havia naquela despedida e a forma como ela foi tão bem contada!

Os que acompanharam esta série maravilhosa e que aguardam ansiosamente pelo filme devem se lembrar que Big e Carrie estiveram apaixonados desde o dia em que se conheceram, num esbarrão no meio da rua, até o último capítulo.

Big sempre foi o milionário disputado de Nova Iorque e Carrie o conquistou justamente por ser quem ela é, sem jogos de sedução, nem armações. Tão simples, assim como eu gosto que seja tudo na vida.

Para o dia da despedida, Carrie planeja um encontro inesquecível, mas quando está com Big fazendo um passeio de carruagem pelo Central Park, é interrompida por um chamado de Miranda, que está dando a luz ao seu primeiro filho. É domingo, e o trabalho de parto demora muito, o que estraga de vez o programa de Carrie e Big. Apesar da alegria do nascimento do bebê, Carrie fica um tanto decepcionada por não estar com Big aquela noite.

No dia seguinte, Big está de viagem marcada para às 17 horas. Carrie ainda corre para encontrá-lo em seu apartamento, mas quando chega, se depara com a casa fazia e...

Duas mensagens... a primeira, presa a um LP de Henry Mancini, que contém a música "Moon River", adorada por Big por fazê-lo lembrar-se de seus pais. Big e Carrie haviam dançado esta música dois dias antes, em mais um dos breves momentos em que percebiam o quanto gostavam um do outro (veja a cena completa em http://www.youtube.com/watch?v=rLAGlh1GGlY). No papel preso ao disco, Big escreveu: "If you ever feel lonely".

Big deixou ainda um envelope, com uma passagem ida-e-volta para Napa, em nome de Carrie. Na segunda mensagem, escrita no envelope, Big foi mais direto: "If I ever feel lonely".

Precisa dizer mais alguma coisa?


Big e Carrie, "Sex and The City", último episódio da quarta temporada.
http://www.hbo.com/city

Despedidas [4]

Despedidas
Álvares de Azevedo

Se entrares, ó meu anjo, alguma vez
Na solidão onde eu sonhava em ti,
Ah! vota uma saudade aos belos dias
Que a teus joelhos pálido vivi!

Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando...
Sinto o peito doer na despedida...
Sem ti o mundo é um deserto escuro
E tu és minha vida...

Só por teus olhos eu viver podia
E por teu coração amar e crer...
Em teus braços minh’alma unir à tua
E em teu seio morrer!

Mas se o fado me afasta da ventura,
Levo no coração a tua imagem...
De noite mandarei-te os meus suspiros
No murmúrio da aragem!

Quando a noite vier saudosa e pura,
Contempla a estrela do pastor nos céus,
Quando a ela eu volver o olhar em pranto...
Verei os olhos teus!

Mas antes de partir, antes que a vida,
Se afogue numa lágrima de dor,
Consente que em teus lábios num só beijo
Eu suspire de amor!

Sonhei muito! sonhei noites ardentes
Tua boca beijar... eu o primeiro!
A ventura negou-me... mesmo até
O beijo derradeiro!

Só contigo eu podia ser ditoso,
Em teus olhos sentir os lábios meus!
Eu morro de ciúme e de saudade...
Adeus, meu anjo, adeus!

Encontros e despedidas

Encontros e despedidas
(1985)
Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida ....
Lara lala lele e auê
Lara lala lele e auê

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida ....
É a vida desse meu lugar
É a vida ....

Despedidas [3]

Será que a despedida tem a ver com a intensidade do desejo pelo outro para ser inesquecível?

Uma vez, há muito tempo, tive um amigo que era como um raio de sol para o grupo do qual fazíamos parte. Um dia, o grupo viajou e ele levou um monte de coisas que ele gostava. Aos poucos, durante o final de semana, ele foi distribuindo entre os seus amigos seus objetos mais queridos, dando um boné para um, uma camiseta para outro, uma fita K7 com a seleção de suas músicas preferidas para a namorada... enfim, foi deixando um pouquinho dele com quem ele mais gostava...

No domingo, três dos rapazes do grupo sofreram um acidente de carro... ele ficou em coma por uma semana e depois nos deixou. Foi a despedida mais inesquecível da qual eu me lembro.

Um dia, quando todos nós ainda sofríamos a sua perda, sonhei com ele. No meu sonho, ele aparecia feliz, de camisa florida (que ele tanto gostava de usar), no meio de uma festa, e me dizia para avisar ao rapaz que dirigia o carro que ele estava bem, e que era para ele não se sentir culpado, que a vida tinha que continuar...

Foi como se ele tivesse vindo se despedir de mim, e estivesse me usando como mensageira para confortar o coração do outro amigo que ele tanto gostava... até hoje eu não me esqueço do rosto daquele amigo, que perdemos tão jovem, aos 23 anos.

Contando esta história para outras pessoas, vi que muitos dos que morrem intuem que vão morrer...várias pessoas que conheço já passaram por situação semelhante. Estas despedidas costumam ser inesquecíveis.

E você, qual é a sua história?

segunda-feira, outubro 15, 2007

Despedidas [2]

Uma amiga acrescentou que a despedida é inesquecível quando a pessoa que se despede é alguém que tocou seu coração, que deixou uma grande marca... por um tempo, você e esta pessoa tiveram um grande encontro.

Não sei...será que é isso mesmo? Às vezes, o encontro foi grande só para você, aquela pessoa foi para você alguém muito especial, te disse coisas que fizeram refletir à beça, mas ela nem se deu conta disso...mesmo assim, a gente sofre de saudade só de pensar que ela está indo embora.

E o adeus fica pra sempre gravado na nossa mente como um momento inesquecível...

Despedidas


Bye, bye, so long farewell... Adeus também foi feito pra se dizer...

O que torna uma despedida inesquecível?

Um beijo dado no meio da rua, num lugar improvável, com um acerto de amanhã que nunca acontece...?

Um tchau por entre os lábios semi-cerrados de alguém que sabe que não vai voltar, mas que prefere te deixar no vazio?

Um papo meio amargo de quem te deseja "tudo de bom nesta vida", mas que já não quer que você faça parte da sua?

Pra você, o que torna uma despedida inesquecível?