segunda-feira, novembro 08, 2010

Encosto: meu dia de Saraiva (ah, se eu tivesse uma arma!)

Sábado passado foi o dia do encosto. A galera resolveu se encostar em mim. Sabe como é? Ficar na aba do teu chapéu? Pois é...

Começou por volta da hora do almoço. Tolinha que sou, pensei que fosse apenas um instante passageiro. Mal sabia que duraria o dia inteiro.

Cheguei em casa do curso de inglês, e fui correndo na "5àsec" antes que fechasse, para deixar duas camisas. Não estou mais à fim de gastar minhas unhas e meu tempo no tanque e no ferro de passar. Cansei! A lojinha da lavanderia aqui perto de casa é minúscula. Não, deixa eu corrigir, o espaço para os clientes é minúsculo, quando entra um, o outro tem que esperar do lado de fora. Lá estávamos portanto, eu e meu marido (que foi junto pois dali íamos almoçar) esperando do lado de fora, como se fôssemos um par de "dois de paus", enquanto uma senhora retirava de uma sacola de pano enoooooorrrrrme do Carrefour da França um monte de roupas e ainda, umas cortinas de linho, daquelas que encolhem mesmo. O atendimento à senhora não terminava e nós dois engrenamos num papo animado, sem deixar de notar, é claro, o que ela estava deixando para lavar (é que eu fiquei chocada quando, dias antes, a moça da lavanderia me contou que a galera deixava calçinhas e soutiens para lavar também)...

De repente, uma moça com o cabelo muito vermelho (natural, diga-se de passagem), chegou e entrou, sem pedir licença nenhuma aos dois patetas que aguardavam do lado de fora. E ficou esperando - do lado de dentro - para ser atendida, espremendo a outra senhora, que quase não conseguia se movimentar. Eu disse pro meu marido:
"Deixa, então, eu entrar porque senão outra vai chegar e passar a minha frente!"

Quanto a senhora saiu, a atendente virou-se pra mim e perguntou: "Pois não?"

A outra reclamou. Ela então disse que eu já estava esperando há mais de dez minutos. A vermelhuda então disse que não me viu. E eu descobri que sou invisível. Perguntei a ela se por acaso ela achava que eu estava ali, do lado de fora, olhando pra porta, como se fosse um cachorro hipnotizado em frente a uma padaria, esperando o frango assado ficar pronto!?

A mulher não respondeu. Tá certo, eu fui grossa à beça, mas dizer que não me viu foi o Ó!

Resolvida a questão lavanderia, fomos ao restaurante. Meu marido adora comer um galetinho no sábado. Isso começou tem pouco tempo e eu não sei até quando vai durar. Só sei que eu odeio comer em restaurante em beira de calçada. Mas, como ele anda bonzinho, não quero desagradá-lo. Estávamos bem no final do galetinho, uma delícia, vale registrar, no restaurante da esquina da Rua Campos Sales com Doutor Satamini -que eu não sei o nome -, quando chegaram duas senhoras.

Uma delas caminhava com dificuldade entre as mesas, toda tremula, segurando a bengala. A outra seguia analisando as mesas e vendo quem já estava acabando. Quando chegou ao nosso lado, parou e ficou atrás de mim (encostada, que fique bem claro!), esperando que acabássemos. Foi o meio copo de coca zero mais demorado que eu tomei na vida! Até que elas desistiram e foram em busca de outra mesa, por que tinha, lá isso tinha.

Pois é, segundo encosto.

Eu fiz questão de dizer ao meu marido que se eu ficar pentelha assim quando ficar velha, que ele me interne, pois eu não gosto de "secar" o almoço de ninguém em restaurante, prefiro procurar por outro. Mas, do jeito que eu estava "tolerância zero", fiquei foi com medo dele querer me internar agora, isso sim...

Mas, a saga continua.

À noite, fomos ao MOMIX. Maravilhoso espetáculo. Lindo demais. Merece um post a parte. O Municipal está que é uma beleza, mas a frequência da galera, não se pode dizer o mesmo.

Chegamos cedo, passeamos pelo teatro, sentamos na ponta, como meu marido gosta, e eu percebi que éramos responsáveis pela separação de uma família. Três estavam do nosso lado (o marido, o filho - de cinco anos! - e a esposa) e um outro casal, na fila de baixo. Eu até olhei para ver se a localização deles era tão boa quanto à nossa, mas temia que não fosse, então não sugeri ao marido que trocássemos de lugar. Só que, como sábado era dia do encosto, é lógico que os três do meu lado acharam que aquilo ali era um estádio de futebol. O menino falou o balé inteiro... as duas horas de espetáculo! O pai comentou cada cena, além de enchê-lo de beijos, o que era muito bonitinho no começo, mas fazia com que ele não parasse quieto um minuto sequer, e o tempo todo me enfiasse o pé na calça de seda.

Por fim, o garoto disse que estava com sono, e para ninar o pequeno, colocou-o no colo, sem esquecer de posicionar os pés do garoto em cima da minha calça. Vem cá, eu sou da família? Tenho alguma coisa a ver com isso? Dá pra mudar de lugar que o senhor está me incomodando? E ele foi pro lugar do garoto, dizendo que eu era uma intolerante. Agora, alguém garante que aquele garoto veio de casa até o teatro no colo e que aqueles tênis estavam limpos? Onde foi parar a educação das pessoas? Eu preciso pedir este tipo de consideração ou isso não deveria ser default? Tem que levar uma criança de cinco anos para um espetáculo de balé às nove da noite, sabendo que vai durar duas horas e meia? Deixa a p... do garoto dormir um pouco, cara!

A minha vontade era quebrar meu guarda-chuva na cabeça daquele pai, mas eu respirei fundo... (estava chovendo à beça lá fora...)

Na hora dos aplausos, a velha (outra!) que estava atrás de mim, me deu um cutucão porque eu resolvi aplaudir de pé. Eu queria mandar aquela velha tomar no olho retrovisor, que é cego, mas aguentei firme, e sentei, pra pobre poder ver alguma coisa. Afinal, todos estavam em pé e eu não preciso ver os bailarinos mesmo, não é? Isso é um detalhe que não faz a menor diferença...

Agora, pensa que acabou?

Pra coroar a noite, pegamos o metrô de volta pra casa. Quando eu achava que nada mais ia me acontecer, a moça do banco de trás se "aninhou" nas minhas costas pra tirar uma sonequinha! Comigo não, violão! Te avia! Levantei imediatamente e só ouvi o som oco da cabeça da folgada batendo na parede do metrô... Eu lá tenho cara de almofada?

Ou está todo mundo muito folgado e mal educado, ou o mundo está se acabando! É por isso que eu não posso andar armada...seria um perigo!

3 comentários:

PRG disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA ! RI À BEÇA !

Letícia disse...

Cruzes! Que merda!
Odeio gente.

Claudia Moema disse...

Tem dias que são memoráveis. Em todos os sentidos... E eu ri muito com esse seu sábado!!!