"Dedico esta crônica aos apaixonados, mesmo
sabendo que servirá para nada. É inútil falar aos apaixonados. Os
apaixonados só ouvem poemas e canções. A paixão, experiência
insuperável de prazer e alegria, pelo fato mesmo de ser uma experiência
insuperável de prazer e alegria, coloca o apaixonado fora dos limites
da razão. Todo apaixonado é tolo. Pode ser que ele escute a fala da
razão. Escuta mas não acredita. Diz ele : "O meu caso é diferente"! Tolo
mesmo é quem tenta argumentar com os apaixonados."
Rubem Alves em Amor que ascende a Lua
Ela não sabia mais como escrever uma carta de amor. Nestes tempos de internet, isso não seria por demais antiquado? Talvez. As pessoas só lêem 140 caracteres, pensou. E foi cortando texto, foi tirando emoção, mas deixando a essência, na esperança de que ele compreendesse.
Depois de tanto tempo, resolveu acabar com o segredo, virar a página. Aproveitar que aquele era o último dia do ano para revelar-se finalmente uma farsante. Não dava mais para manter-se no posto de melhor amiga. Lembrou-se do Elton John, na música Love Letters... tão incrível, essa música sempre tocou-lhe a alma.
Love letters straight from your heart Keep us so near while apart I'm not alone in the night When I can have all the love you write
I memorize every line And I kiss the name that you sign And, darling, then I read again right from the start Love letters straight from your heart
I memorize every line And I kiss the name that you sign And, darling, then I read again right from the start Love letters straight from your heart And, darling, then I read again right from the start
Como se pudesse escrever algo com tamanha emoção, sentou-se em frente a um bloco antes de passar o texto para o computador. Teve medo do ridículo. Mas, quem consegue não ser ridículo dizendo "eu te amo"?
Pediu, implorou que ele a deixasse seguir. Arriscou tudo. Jogou pro vento. E passou a virada do ano esperando que a sorte estivesse do seu lado, só uma vez... Deixou de lado a covardia que, como na música Pessoa, de Dalto, tão bem cantada pela Marina Lima, sempre foi sua trilha sonora...
Olhar você e não saber Que você é a pessoa mais linda do mundo Eu queria alguém lá no fundo do coração Ganhar você e não querer É porque eu não quero que nada aconteça Deve ser porque eu não ando bem da cabeça Ou eu já cansei de acreditar
O meu medo é uma coisa assim Que corre por fora entra, vai e volta sem sair, oh Oh, não ! Não tente me fazer feliz Eu sei que o amor é bom demais Mas dói demais sentir
Olhar você e não saber Que você é a pessoa mais linda do mundo Eu queria alguém lá no fundo do coração Ganhar você e não querer É porque eu quero que nada aconteça Deve ser porque eu não ando bem da cabeça Ou eu já cansei de acreditar Ou eu já cansei... (refrão)
O meu medo é uma coisa assim Que corre por fora entra, vai e volta sem sair, oh Oh, não ! Não tente me fazer feliz Eu sei que o amor é bom demais Mas dói demais sentir
Mas dói demais sentir... Mas dói demais sentir.......
Love Letters - Tom Jones.
Pessoa - Marina Lima.
Que ela seja feliz em 2014! Que os bons ventos a ajudem...
Eu me arrependo repetidas vezes de coisas que eu não fiz ou não disse. O beijo que eu não roubei, a verdade que não contei, o abraço que não pedi... Como esta foto aí em cima, o que me falta é pular de peito aberto.
Sou uma conservadora de carteirinha. Observo isso nos meus investimentos no banco. São, na sua maioria, conservadores. Me arrepio toda quando me falam de carteira de ações, que dirá jogos de azar. Não é pra mim.
Como pode então uma pessoa tão segura, tão confiante, tão cheia de si, ser tão medrosa e tão incapaz de lidar com questões do cotidiano, principalmente as emocionais, de relacionamento? Não pode, não é mesmo?
Mas, lá se vão anos de terapia e eu continuo sem conseguir dizer o que quero e preciso dizer. Medo de pular de paraquedas e asa-delta? Não tenho nenhum!
Só que se o assunto é exposição, nossa, daí eu não consigo mesmo. Será que eu tenho jeito?
Acho que o que me incomoda de fato é o meu pré-julgamento e o julgamento das pessoas. Seria isso fruto de vaidade e medo de errar?
Lá vou eu, continuar por aqui, dando tratos a bolas...
De repente, um sorriso. Fez bem em não pré-julgar ninguém. De um jeito ou de outro, a cumplicidade surge. Pode demorar. Mas, um dia ela vem... em gestos, ou palavras, mas ela vem.
Daquela janela, onde ela olhava a rua e pensava na vontade de não estar ali, já não vê mais o desejo de ir, e sim o de ficar. Aquela casa estranha, esquisita, um pouco feia, vai aos poucos de tornando acolhedora. Os medos - seus e dos outros - se dissipam, e ela não é mais a estranha, nem pra ela, nem pra todos os que a receberam, alguns bem, outros com desconfiança. O caminho não é suave, mas ela não duvida de sua força, nem de sua perseverança (ou seria teimosia?).
Ao caminhar pelo entorno, vai descobrindo uma outra cidade. Bonita, cheia de belas construções, cantos e recantos para conhecer. Ou melhor, para olhar com outros olhos. Tem que carregar uma máquina fotográfica, tamanha é a vontade de gritar pro mundo: "Olha o que eu descobri!"
A vida vai lhe oferecendo devagarzinho uma oportunidade de recomeço, com um sabor de conquista delicioso. O que ficou pra trás, ficou. Hora de sacudir a poeira dos sapatos e da roupa e seguir em frente.
Tem dias que a gente simplesmente não quer lembrar, não quer se deparar com nada que lembre, não quer uma centelha de pensamento voltada para o passado, quer rasgar a página do caderno da vida, quer tirar da memória toda e qualquer lembrança de algo que doeu, que feriu, que nos mudou de direção.
A gente vê o carro do mesmo modelo, vê uma foto nas redes sociais, sente um perfume, ouve uma voz parecida, vê alguém que anda igual, vê um recado no qual reconhece um traço da ternura que um dia pareceu tão verdadeira, e aí aquilo tudo vem à garganta, como vaca que rumina o pasto e regurgita a comida que já está no estômago.
Tudo o que se quer é apagar o slot lotado de memórias sem sentido, de algo que te fizeram e você nem sabe bem porquê. Não, é fato, a vida dos outros, ainda que parentes e amigos, não gira ao redor de nós. Mas, no fundo, no fundo, a gente espera que aqueles que nos amam saibam conciliar o que é inconciliável, saibam dar "nó em pingo d'água", façam de tudo para nos ter por perto. E, principalmente, para não nos magoar deliberadamente.
De repente, tudo que se percebe é que não é bem assim. Então, só nos resta olhar pra frente. Antolhos às vezes são muito úteis quando se quer ter foco...
Impressionamente o que somos capazes de fazer quando acreditamos em nós mesmos. Quando nós miramos numa meta pré-estabelecida e vamos em frente... "para frente e avante", como diziam antigamente os escoteiros e as bandeirantes.
São esses valores que nos são incutidos na infância que vão moldando o que somos quando adultos. E se refletem nos nossos atos. Naquilo de que não abrimos mão, ou o que simplesmente não aceitamos, por não compactuar com certas atitudes dos outros.
Vale à pena continuar? Sempre. Mas, é preciso ter muita coragem, porque essa vida, ah, ela não é bolinho, não!
Vi que você está descrente da vida. Que é chegada a hora de repensar suas escolhas. Que, depois de tudo o que você fez, de tudo que você investiu, você acha que não recebeu o reconhecimento merecido.
Pode não parecer, mas eu sei bem pelo quê você está passando. Não que eu tenha enfrentado situação igual, mas vi meu pai sofrer na pele a crise da Construção Civil, na década de 1980. Ele, profissional dedicado, projetista que participou de grandes projetos como a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipú, de repente, teve que se reiventar. Reconheço nas suas palavras a tristeza que via no olhar do meu pai, uma tristeza recheada de preocupação, aquela preocupação que os homens têm ao se deparar com a dura realidade de não saber como botar dinheiro em casa e sustentar a família.
A palavra é essa, meu amigo: Reinvenção. Você precisa se descobrir. Tirar esse tempo, ou algum tempo, para olhar para dentro e descobrir do quê você ainda gosta de fazer. Pensar em outras possibilidades, olhar para o lado, buscar por analogias, ser criativo. Esquecer um pouco talvez daquilo que você mais domina e pensar no quê você poderia investir para começar de novo.
Sim, amigo, porque nunca é tarde para começar de novo. Você mesmo, já recomeçou tantas vezes, já venceu batalhas duríssimas, essa é só mais uma. Pense assim: "um dia ainda vou dar muita risada de tudo isso" ou "como eu cresci naquele tempo em que eu achava que não tinha nenhuma perspectiva".
Sim, porque você tem perspectivas, poder até parecer que não, mas tem. Essas perspectivas, você as cria, tenho certeza, você se remodela, se molda a outro negócio, se inspira em outros caminhos... É só começar, é só sair da inércia, que tudo dará certo.
Use seu tempo para escrever no seu blog. Escreva tudo aquilo em que você acredita. Escreva para deixar como legado tudo aquilo que você viveu como executivo. Vai ser bom pra você. Mas, antes, sacode a poeira da melancolia e respira fundo. Encare tudo isso como uma viagem, uma viagem ao seu mundo interior.
Todos nós vivemos crises em setênios. Elas vêm, de sete em sete anos, para nos fazer repensar a vida. Em ciclos de sete em sete anos, não necessariamente numa idade exata, mas pelo menos uma vez, nos deparamos com algumas questões clássicas. E são essas questões que nos impulsionam, nos fazem caminhar, nos levam adiante. É o ciclo da vida, como diz a Antroposofia.
Aos sete, quando aprendemos a ler e escrever e descobrimos um mundo novo. Aos catorze, com os nossos hormônios em ebulição. Aos vinte e um, quando entramos na idade adulta e nos vemos lá, quase acabando a faculdade, nos deparando com a pergunta: E agora? Como será sair debaixo da asa dos meus pais?
Aos vinte e oito, já empregados, tendo que dar saltos quânticos na carreira para provar nossa competência. Aos trinta e cinco, quando, muitas vezes, assumimos a responsabilidade de gerenciar equipes. Aos quarenta e dois, quando começamos a sentir o peso da idade e da desaceleração de nosso metabolismo (e vemos o quão necessário são os exercícios físicos para nos mantermos saudáveis).
Aos quarenta e nove, quando começam a achar que estamos em declínio, apesar de nos sentirmos plenos e aptos para encarar qualquer desafio. E então, começamos a nos deparar com questões muito voltadas para a espiritualidade, porque a curva já está começando a declinar mesmo, o corpo está ficando frágil (ao pó voltaremos, não é mesmo?) e as questões da alma passam a ser muito mais importantes.
E quando estamos prontos para curtir a vida (quando nos aposentamos - se é que não curtimos antes), essas questões estão latentes: De onde eu vim? O que fiz da minha vida? Para onde eu vou? O que deixo de herança?
A minha dica para você, meu amigo, é só uma: não pense muito, não! Viva o presente. Mas, lembre-se de uma coisa. Quando estamos no avião, a aeromoça sempre diz, em seu briefing de segurança: "em caso de despressurização, máscaras de oxigênio cairão em sua direção. Coloque a sua máscara, ajuste o elástico e depois auxilie quem está ao seu lado"... Ou seja, é tempo de cuidar de você, tempo de olhar para você, e pensar que talvez haja ao seu lado alguém de máscara pronto para te ajudar. Ah, e esse oxigênio metafórico está dentro de nós. Busque aí dentro a sua força, ela está aí, não se perdeu.
Ninguém gosta de ficar doente. Muito menos eu. Interessante ver a quantidade e a diversidade de pessoas que ligaram para mim para saber como eu estava. Estou melhorando, mas bem lentamente. No início, deu medo. Os dois médicos com quem eu me consultei disseram que não havia remédio, que eu teria que me recuperar sozinha. Daí a gente faz os exames e não melhora, "fica estável", como a própria médica disse. E tem que esperar.
Há muito tempo que eu aprendi que o meu karma é ter paciência. Eu nunca gostei de esperar, sempre sofri de ansiedade, sempre quis resolver as coisas ontem. Mas, agora, só me resta esperar. Até porque não consigo ler, pouco escrevo, nem o jornal eu encaro. E se deixo a tv ligada é para fazer barulho, não para acompanhar o que está passando.
E, já tendo ficado 15 dias em casa, escuto a médica me dizer que provavelmente vou ficar mais 15. Ninguém merece. Isso não é coisa para uma pessoa ativa como eu. Daí eu tento trocar os lençóis da minha cama, e vejo como é uma tarefa difícil. Cansa muito. Vestir o colchão com o lençol de elástico é quase uma tortura. Depois, levar para a área de serviço, programar a máquina, organizar tudo, esperar bater. Ai, deixa eu me sentar um pouco que meu coração já começou a palpitar novamente.
Uma coisa que não sai da minha cabeça é por quê isso acontece com pessoas legais. Porque eu sou legal, eu me esforço para ser legal. Não me meto na vida dos outros, sou honesta, sou fidelíssima aos meus amigos, sou uma boa filha, sou uma pessoa bacana com todo mundo, não me furto a trabalhar e adoro o meu marido. Então, por que? Eu queria entender.
Ainda mais uma doença silenciosa como a anemia. Uma doença que não avisa, que vai tomando o corpo, transformando tudo aqui dentro numa batalha intensa, entre glóbulos brancos, vermelhos, baço, coração, corpo e mente (a gente tem que se reorganizar para não entregar os pontos).
Eu sei que tenho muito que aprender com tudo isso. Aliás, com esse meu ano, que está sendo brabíssimo. Ô, 2011, você podia dar uma aliviada, né? Ainda não descobri o que tenho que aprender. Talvez, seja hora de entender quem são de fato os meus amigos, aqueles que retribuem com o mesmo carinho tudo o que eu faço. Mas, como eu disse pra mamãe outro dia, talvez também seja hora de reconhecer que ninguém dá o que não tem, como diz o mestre Alan Kardec.
Eu ainda vou postar muitas outras reflexões por aqui, se Ele quiser.
Definitivamente, não sou ela. Adorava quando criança, mas seus poderes ficaram no passado, nas telas da tv. Muito cansaço. Coração em permanente disparo, para dar conta da falta de ar. 99, 100, 110 batimentos por minuto. Dor de cabeça. Ela lateja dentro de mim. Não aguento a luz. Não aguento ficar deitada. Não aguento dar 5 passos. Não é falta de sangue. Nem caso para cirurgia. Tenho que me recuperar sozinha. Mas, como é lento o processo. Já conheço as manchas do teto. Já quero trocar tudo.
Quem sabe um dia o gás volte e eu queira retomar o blog com a mesma força de quando mudei o layout?
Estranho como, de repente, tudo que você construiu ao longo da vida deixa de fazer sentido. Num momento, estou lá, com o maior cuidado, garimpando peças bonitas e interessantes para decorar a casa, no outro, estou pensando em fazer uma mala com uma muda de roupas e desaparecer.
Hoje de madrugada, por volta das duas da manhã, eu tive a minha primeira e verdadeira crise de pânico da vida (pelo menos foi assim que eu entendi aquilo que eu tive hoje): uma forte dor no externo, um angústia siderada, uma falta de ar louca, um enjôo generalizado, uma dor intensa no corpo inteiro e uma sensação de morte preemente. Eu sentia de maneira muito intensa que eu ia "falir", que não ia dar, que eu não ia conseguir suportar, muito menos gerenciar aquilo.
Racionalmente, quando eu páro para pensar nos motivos que me levaram a ter uma coisa assim, vejo que está tudo, mas TUDO mesmo, muito ERRADO. É como se eu tivesse passado a vida inteira jogando pérolas aos porcos. Ou {traduzindo} oferecendo o melhor de mim a quem nunca esteve preparado para esse melhor... seja na vida pessoal, seja no trabalho, ou em qualquer canto. E olha que ao longo de todo esse tempo, tudo que eu sempre quis foi ter uma vida normal, igual a de todo mundo: ter uma profissão, um trabalho bacana, uma família, filhos correndo pela casa, um jardim e quem sabe até um cachorro.
Hoje, quando eu penso no meu trabalho, eu me lembro lá atrás, com 17 anos, conversando com meu pai que queria fazer arquitetura, projetar casas, fazer design de interiores e paisagismo, e ele me orientou a seguir a carreira de engenheira civil, que eu nunca exerci depois que me formei, porque arquitetura não dava futuro... Tudo teria sido tão diferente, o caminho teria sido outro.
Já começo a pensar na idéia, na vontade de fazer um novo curso, quem sabe uma extensão em Design de Interiores, depois Paisagismo (já que eu tenho o "dedo verde" mesmo...), e então, mudar tudo, sair daquele escritório onde só consegue as coisas quem "baba o ovo" do chefe, quem bajula, muito mais esses dos que os que têm competência. Odeio essa politicagem e quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que não tenho tino pra isso.
Então, quem sabe, mudando esse aspecto da minha vida, por que não mudar tudo de uma vez? Repensar os sonhos e viabilizá-los de outros jeitos. A gente não precisa forçar ninguém a nada, mas tenho certeza que tem um monte de gente a fim de embarcar em sonhos parecidos com os meus por aí... eu não preciso estar sozinha nessa, mas posso dar conta deles muito bem SOZINHA se eu quiser. Aliás, basta querer.
Há um tempo atrás, quando eu ainda estava com a outra terapeuta, ela me dizia que, na vida, a gente não pode ter o desejo fraco, que a gente tem que querer mesmo. Quer ter uma família, queira de verdade, quer dar pro vizinho, queira mesmo, quer mudar de emprego, vai lá e mude... (ai, que exemplos, eu nunca quis dar pro vizinho, que fique bem claro)... Mas, o fato é que ela dizia da importância do QUERER... e dizia que tudo na vida era uma questão de planos, que a gente devia fazê-los, mas de preferência, tentar tirá-los do papel, da imaginação, do potencial, do virtual, e torná-los REAIS.
Acho que hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Aguardem novidades.
Deixa eu ir que hoje eu ainda tenho 8 horas de aula para dar. Inté.
"Você tem recebido notícias de si mesma?" - Martha Medeiros
Uma idéia na cabeça e muita força de vontade. Foi assim que eu me senti quando voltei da Europa. Não aceitei ouvir opiniões negativas, do tipo "sinto muito, mas não vai dar" e corri atrás do meu sonho. Ele estava lá guardado, e enquanto eu não fazia nada para colocá-lo em prática, sofria à beça, como uma condenada numa cadeia de segurança máxima, daquelas que fazem você perder a fé na vida...
Para colocar a minha idéia em prática, eu comecei a pensar no que precisava mudar... Queria que as pessoas à minha volta se transformassem também, como o maridão, mas não conseguia fazê-lo ver que aquele caminho que estávamos trilhando não nos levaria à nada. O tempo foi passando, e eu comecei a me mexer. Comecei a fazer uma revolução pessoal, ao me dar em conta que eu precisava cuidar de mim, porque ninguém ia fazer isso por mim, no meu lugar.
E ao começar a me cuidar, sem o suporte dos livros de auto-ajuda, nem nenhuma mudança brusca na linha de investigação da minha terapia, percebi o quanto era bom tirar um período do meu dia para olhar pra mim: pro corpo e pro espírito. Mens sana in corpore sano. Enchi a agenda de compromissos comigo mesma. Foi doloroso, me deixou exausta, mas eu quis tudo isso pra mim.
Como alguém que gerencia um projeto pra uma empresa, eu resolvi gerenciar o projeto da minha vida, a fazer as tarefas que eu precisava fazer para que o projeto desse certo. Foi só isso, eu listei as tarefas e com um pouco de disciplina e seguindo o cronograma, fui fazendo o que era necessário para seguir a minha vontade, para me realizar como pessoa e como mulher.
O grande barato desse processo foi ver que à medida que eu mudava, as pessoas mudavam comigo. No início, algumas não me reconheceram, porque a minha escala de prioridades passou a ser outra. Comer bem, praticar exercícios físicos, estar com os amigos, fazer massagens relaxantes, yoga, meditação, isso tudo era muito mais importante do que aquela teleconferência da hora do almoço que não levava a nada e que me fazia sentir uma escrava do trabalho.
Ah, o trabalho, esse componente maravilhoso e estressante. Rasguei o currículo, mudei tudo, abri mão de tudo que eu tinha construído. E, por incrível que pareça, estou me sentindo tão livre, tão disponível para fazer o que eu quiser... Por mais louca que as pessoas tenham me visto, hoje eu sinto que as rugas de tensão se foram, que nada me abala, e que nada melhor do que duas ou três respirações profundas para dar conta de qualquer ataque de esteria que tenham na minha frente. Por trabalho, eu não perco mais a minha razão... Como eu demorei pra aprender isso...!
Meu maridão é hoje meu melhor amigo, meu parceiro, ele entendeu, acordou, está tão bem. Estamos tão bem... Nem pareço aquela pessoa que procurou terapia há dois anos para me preparar para uma vida nova, de mulher sozinha... ficar junto não era mesmo a minha idéia. Hoje, tudo que eu posso fazer é agradecer a Deus por ter me dado mais essa chance.
Agora, é deixar tudo nas mãos do acaso, do destino, e torcer para que os Anjos dêem uma forcinha e me tragam boas novas daqui à dez dias...
Aí, por que não me contaram que esse negócio era F...? Afe, eu que sou uma mulher guerreira, hoje tive dúvidas da minha coragem...
Na semana passada, encarei a tomografia de frente. Foi uma coisa de louco, mas o exame até que é rápido, então... pode se dizer que é uma tortura relâmpago. Quando o enfermeiro chegou alisando o meu braço, eu me apressei a perguntar: "Que foi moço, o que foi que você viu? Eu vou morrer ou o quê?" Ele não disse nada, ficou por isso mesmo. Depois, com o laudo do exame, pude ver do que se tratava, o cara estava mesmo preocupado.
Agora hoje não, hoje foi um exame de respeito. Caríssimo, diga-se de passagem. Bom, vamos combinar, o que é ficar enfiado naquele tubo com um barulho infernal na sua cabeça, mesmo usando fones protegendo os seus ouvidos? Ninguém merece, cara! Quando a enfermeira disse que seriam de 40 a 50 minutos ali dentro, pensei que fosse ter um troço. Agora, o contraste é um capítulo a parte. Que incomodo é esse?
Enfim, a gente nunca sabe se é ou não claustrofóbica. Hoje, eu pedi pra sair ("02, pede pra sair!"). Eu pedi. Mas, a enfermeira disse: "Falta pouquinho, aguenta firme, são só dez minutos". Incrível como esses dez minutos podem parecer uma eternidade. Eles simplesmente não passam!
Ah, a quem me lê, acho que a coisa não é tão séria quanto pode parecer. Existem tratamentos alternativos, alguns inclusive que não são invasivos (traduzindo: talvez não seja preciso fazer nem uma videolaparoscopia). A gente vira Dr. Google de uma hora para outra, sai pesquisando tudo o que existe no Rio de Janeiro, no Brasil, em todos os lugares. Encontra mil soluções pro problema, hoje em dia existe solução pra tudo.
Mas, é preciso confiar num médico. Acho que esta é a minha grande questão agora: estou precisando encontrar um médico (ou médica) para chamar de meu, a quem eu possa recorrer na hora do perrengue. Como a vida é feita de desafios, este é o desafio da semana. Quem sabe não consigo resolver na 4a. feira?, já tenho consulta marcada e tudo!
Esperar o resultado do exame, que só sai no dia 05 de abril, é outra parada, mas eu não vou deixar de dormir por causa disso, prometo.
Eu creio nele. Pra mim, ele existe. Mas, anda me pondo a prova. Dizem que a gente só carrega a cruz que é capaz de carregar. Só que eu fico pensando... por que tantas barreiras a transpor? Por que tudo tão complicado?
A saúde, por mais que eu brigue com ela e tente torná-la forte, é sempre frágil. Agora, mais surpresas. Dores. Possibilidade de outra cirurgia. Eu não quero fazer. Desta vez, vou buscar uma alternativa.
Eu quero tão pouco, mas o pouco é tão caro, tão raro...
Meu mundo por um abraço, um cafuné... por alguém que me diga que tudo vai ficar bem. Que Deus está aqui ao lado, que eu preciso ter fé... Ele já me deu tantas coisas, tão boas... por que eu sinto às vezes que Ele dá com uma mão e tira com a outra?
Estou cansada... exausta... onde está esta força que dizem que eu tenho que ter... onde está meu balão de oxigênio?
Eu adoro ele, e o tenho espalhado pela casa, na sala (três), no meu quarto, na carteira, por todos os cantos.
Acho que ele me protege, e lhe sou grata. Sempre que peço por mim, e pelos outros (mais por eles), ele me atende.
E todo dia eu agradeço a ele por todas as dávidas a mim oferecidas.
Agora, descobri a sua casa. E como não poderia deixar de ser, me senti bem lá.
Vou voltar.
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor, Onde houver ofensa, que eu leve o perdão, Onde houver discordia, que eu leve a união, Onde houver dúvida, que eu leve a fé, Onde houver erro, que eu leve a verdade, Onde houver desespero, que eu leve a esperança, Onde houver tristeza, que eu leve a alegria, Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado; compreender, que ser compreendido, amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna...
Pode mensagem mais bonita? Quanta coisa para aprender numa só mensagem...
De repente, alguns amigos ficaram doentes. Três precisaram se submeter a cirurgias. Um voltou a tratamento devido a uma doença antiga. Outro começou a sofrer todo tipo de acidentes. Um outro soube de um resultado de um exame que levantou suspeitas. Eu fiquei preocupada. Quanta coisa junta!
Tenho pedido muito a São Francisco de Assis que os proteja. Mas, ando achando que ele vai ficar sobrecarregado.
Acho que vou botar um galhinho de arruda na minha bolsa.
Hoje eu passei a tesoura na juba. Estou mais leonina do que nunca, com uma juba armada e cacheada. Projeto verão. Projeto "eu-sou-tudo-de-bom". Ai, ai, precisa coragem!
Ela – trinta e poucos anos, casada, carreira em ascensão, sem filhos, do signo de gêmeos
Ele – dez anos a mais que ela, recém separado, carreira estagnada, uma filha adolescente, do signo de capricórnio
[Hora do almoço no hall]
Ela acabara de ultrapassar a roleta em direção à saída do prédio. Já passava das 13 horas e ela ainda ia almoçar com mais três amigos. De repente, ela o viu entrando. Suado e com os cabelos molhados e desalinhados, ele parecia haver corrido uma meia maratona. Enfrentar o centro da cidade na hora do almoço, sol à pino, era mesmo tarefa para heróis.
Ele também a viu. Quando os olhos deles se cruzaram, ambos abriram-se em sorrisos largos e francos, porém nervosos, quase que instantaneamente. Seu sorriso é o que há de mais bonito nela, ele pensou. Com esse sorriso, sou capaz de largar a família, foi a vez dela sonhar acordada. Ele piscou para ela, dando a entender que estava feliz em vê-la. Ela respondeu, apenas movendo os lábios, num abrir e fechar que dizia: “Quero falar com você hoje”. Não havia voz naquela fala, talvez como forma de manter a conversa só entre eles, no meio daquela gente toda. Ele entendeu e assentiu, compreendendo sua discrição. Agiam como se não houvesse mais ninguém ao seu redor, sem perceber que muitos prestavam atenção neles. O amor é mesmo fogo que arde sem se ver...
Ela venceu, então, a porta de saída e foi absorvida pela onda de calor que emanava do asfalto e das calçadas. Ainda estava inebriada com a visão daquele homem. Agia como uma atriz que não sabia muito bem qual era o seu papel, nem qual o perfil de seu personagem: ora uma “balzaquiana romântica”; ora uma mulher doida, capaz de fazer qualquer coisa para estar com aquele homem por quem havia se apaixonado, quando eles ainda eram casados. Lá ia ela caminhando distraída, alheia aos amigos, perdida num julgamento no qual era ré e juíza.
[O almoço no restaurante]
Os três amigos que a acompanhavam no almoço pouco perguntaram sobre o episódio, apesar de haverem presenciado toda a cena. Alguns se detiveram a falar sobre alguns poucos detalhes, baixinho entre si; outros chegaram a sentir o que ela sentiu, praticamente na mesma freqüência acelerada do coração prestes a sair pela boca e do sangue a esquentar descontroladamente.
Enquanto comiam, pouco se falaram, esboçando apenas algumas opiniões sobre assuntos de trabalho, decisões mal tomadas, algo sobre o futebol do final de semana, sabendo de antemão que ela estava presente à mesa, mas, em espírito, estava muito longe.
Olhando para ela, podiam ver seus olhos vidrados num infinito distante que a impedia de participar da conversa com a empolgação que lhe era peculiar. Sabiam que ela estava vendo e revendo a tal cena naquele outro plano, alheia ao que se passava entre eles.
Na volta, um deles, o mais íntimo, arriscou perguntar um “o que foi aquilo no hall do prédio?” para o qual ela não respondeu. Ela simplesmente sequer o ouviu.
[À tarde no escritório dela]
Pensar naquele homem era a maior tortura mental, algo com o que ela não sabia como lidar. Pior do que vê-lo, era ainda enfrentar o seu sorriso e o seu olhar de desejo. Já se iam meses desde que aquilo começara, e ela ainda não conseguia encarar seus sentimentos de frente.
Trabalhar depois daquele breve episódio no hall ia ser, com certeza, a tarefa mais árdua do mundo. O que ela queria ali, naquele momento, era vê-lo de novo. Tentou desmarcar as reuniões que estavam agendadas para aquele período, livrou-se de uma. Na outra, fez um esforço danado para manter-se atenta a tudo que estava sendo discutido e decidido, mas perdeu um ou outro acordo feito.
Ao retornar a sua mesa, duas ligações perdidas no celular. Dele.
[À tarde no escritório dele]
Há muito tempo ele não se sentia tão inseguro na presença de uma mulher. Foram 20 anos de casamento, 10 deles sentindo-se um morto-vivo, alguém de quem a vida se esqueceu, sem prazer, sem tesão, sem amor. Após o divórcio, além de cultivar uma tremenda ojeriza à sua ex-mulher, havia se envolvido com algumas mulheres: às vezes, só para exercitar seu poder de sedução e sentir-se em forma; noutras, para sentir-se vivo, pura e simplesmente.
Mas, com ela, tudo parecia diferente. Era intenso e bonito, porque parecia verdadeiro. Era verdadeiro, ele sabia que era. Era um pouco daquela sensação pela qual ele vinha ansiando, desde que o mundo começou a desmoronar a sua volta. Só que ele já não acreditava na possibilidade de aquilo se concretizar. Quase como um adolescente, ele não conseguia falar o que queria daquela mulher, para aquela mulher. Será que ela também se sente insegura ou está só brincando comigo?
Eu preciso dizer a ela o quanto eu gosto de vê-la, o quanto eu a quero perto de mim... que ela dê adeus ao seu casamento, mande seu marido às favas..., ele pensou. Buscou seu número no celular, chamou por ela, mas nada, entrou na caixa postal. Não vou deixar recado, tento de novo mais tarde.
Meia hora, 2 cafezinhos, 1 copo d’água e um papo bobo com o colega do lado depois, ele tentou de novo. Nada. Mas que almoço demorado! Onde será que ela foi?, ele sentia uma estranheza por não conseguir controlar a situação. Pela primeira vez era assim.
O chefe chamou para uma reunião de emergência. Ele sabia que esse final de dia ia ser difícil. Muito difícil.
[Na sala do chefe dele]
- Você sabe que eu tenho reparado muito no seu trabalho, e identifiquei em você a pessoa certa para aproveitar uma excelente oportunidade. Trabalhar no exterior, que tal? Acho que você vai gostar, proferiu o chefe.
Ele, que estava esperando por esta proposta há muito tempo, ficou sem jeito de responder, pensando no tanto que ainda queria falar com ela. Ele esboçou uma resposta para o chefe, quando, de repente, seu celular tocou... era ela.
- Oi, pode falar? Você me ligou?, ela perguntou.
- Sim, mas agora estou numa reunião. Posso te ligar depois?, ele disse.
- Pode, mas não deixa para amanhã. Quero te ver hoje ainda.
O chefe falou dos detalhes da viagem, disse quando ele partiria, do que ficaria responsável e o quanto teria que abdicar de sua vida pessoal pelo trabalho, mas lembrou que seria por uma boa causa. Depois de duas horas discutindo os detalhes do trabalho, saiu e foi direto para o corredor.
[O telefonema]
- Oi, sou eu. Você está livre agora?, ele perguntou.
- Mesmo se não estivesse... posso te encontrar em 45 minutos. Você me espera?
- Espero, ele respondeu, te espero naquele café que costumamos ir. Pode ser?
- Pode, daqui a pouco estou indo pra lá.
[No café]
- Oi, até que enfim você chegou. Estava ansioso. Senta, tenho uma coisa para te contar.
- O que é? Assim você me deixa nervosa. Fala logo.
- Eu vou ser expatriado. Viajo no final do mês para procurar um apartamento. Tenho dois meses para resolver tudo e me instalar lá.
Ela ficou muda de tão decepcionada. Adorava ele. Adorava estar com ele. Não queria que ele fosse embora. Não agora.
- Que bom pra você, fico feliz..., ela disse, disfarsando a decepção.
- Você vai dar um jeito de vir comigo, não vai? Nem que seja por um tempo. Três meses, que tal? Temos que pensar em alguma coisa...
- Eu? Com você? Como? Com que justificativa eu ficaria com você três meses?
E se enchendo de coragem, ele disse: - Ah, não sei, pensa em alguma coisa, um trabalho, seu chefe. Pensa. Você não quer...?
De repente, sem pensar nas consequências dos seus atos, ela se aproximou dele, passou o braço por sobre o seu ombro e o abraçou forte. Roçou seu rosto no rosto dele, nariz com nariz, e ele se virou a ponto de encará-la bem de pertinho, a boca quase colada na dela, respirando junto... e ele repetiu: Você não quer?
Ela quis, e com um beijo quente, apaixonado, sedento dele, ela disse que queria, que ia pensar em alguma coisa. E sem se dar conta do tempo, sem ligar para o celular ou para o relógio da parede, amanheceram juntos e ali souberam que não mais seriam o que foram até então.
[O (re)começo]
A grande virada se deu numa noite de outono, na lua cheia de junho, sob os lençóis de um quarto de hotel no centro da cidade. Ela largou tudo, deu um jeito na vida, no trabalho, mudou hábitos, tornou-se outra.
E juntos, já viveram em vários países, com a paixão de sempre, o carinho de sempre, e a urgência dos grandes amantes.
______________ * Essa história é para aqueles que acreditam que o amor existe e que nunca é tarde para começar de novo. Mesmo que ela não seja verdade.