quinta-feira, dezembro 31, 2009

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Eu quero ser diferente! Eu quero ver diferente!

Eu quero um ano pra cima, de festa! Eu quero me acabar na pista, suar, despentear o cabelo! Lá vou eu...



E aí, você vai tentar me segurar?

terça-feira, dezembro 29, 2009

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Como será a cara de 2010?

Reflexões de final de ano

Final de ano é tempo de reflexão. Ele, tentando refletir sobre alguma coisa, ficou pensando na droga do ano que tinha vivido e pensou graças-à-Deus-estou-de-férias-e-não-tenho-que-acordar-cedo-amanhã. Foi o máximo de reflexão que conseguiu fazer. Depois, abriu mais uma cerveja, e virou no copo, meio sem vontade, mas já que tinha cerveja na geladeira, vamos-tomar-que-senão-estraga!

Ela ficou olhando pra ele, enquanto isso. Pensava no quê ele estaria pensando. Ela, que estava ali, há muito tempo sem querer estar, olhando aquele copo de cerveja encher e esvaziar, e depois encher e esvaziar, pensava consigo mesma como ele podia não agradecer por todas as dádivas que tinha recebido ao longo desse ano e como-Deus-tinha-sido-generoso-com-ele, apesar dele desdenhar do bom e do melhor que ganha ano após ano.

A mulher do outro lado da sala olhava para os dois e pensava em-como-eram-felizes-aqueles-dois. Sempre cuidando um do outro, sempre atentos um com o outro, ele sempre simpaticão, ela sempre cuidadosa com ele. Tolinha!

O cara sentado na bergère do cantinho da sala olhava para aquele grupo e pensava o quão loucos eram todos eles, convivendo sem vontade, se reunindo, mês após mês sem saber porquê, sem assunto, sem intimidade, só para manter um convívio que eles nem sabiam porquê sustentar...

A mocinha no sofá pensava no porquê sua mãe sempre insistia em fazê-la participar destas festas, principalmente a de final de ano, porque essa turma era insuportável, era sempre o mesmo assunto, e ela não tinha idade, nem saco pra ficar aturando aquele papo...

Enquanto isso as crianças corriam pela sala e enlouqueciam os adultos, uns ainda gritavam cuidado-menino-não-esbarra-aí-que-essas-coisas-quebram!

A vida é tudo uma questão de ponto de vista. O que é ruim pra um é ótimo pros outros. E vice-versa.

Eu vou pra Maracangalha, eu vou...

E vou com o Diogão, porque eu quero um 2010 muito "bão"!



Ele não é demais?

domingo, dezembro 27, 2009

Andança noturna

Enfiou-se sob a ducha gelada e sentiu a água cair sobre o corpo, arrepiando-lhe os pêlos. Temperou a água, abrindo a torneira de água quente, pois preferia um banho morno. Começou o processo ensaboando o braço esquerdo, o ombro, o pescoço, como fazia sempre, todas as vezes. Envolveu os seios na espuma fresca do sabonete novo e percebeu seu entumecimento. Estava sozinha em casa, pensou, e de novo. Percorreu seu ventre e esfregou suas pernas e pés, dando graças por tê-los saudáveis e fortes.

Cuidou do rosto, limpando olhos maquiados, têmporas e toda a zona T, usando uma loção adstringente que importara na última viagem. A noite caía rapidamente enquanto ela se dava conta do quão cansada estava, depois daquele dia árduo de trabalho.

...........

Em minutos, lá estava ela caminhando pela rua de paralelepípedos. Seus sapatos apertavam-lhe os pés e ela se esforçava para caminhar na ponta. Mas, não estava só, seu pai estava com ela. E também sua mãe, sua irmã e avó paterna, esta já falecida. Evitavam as calçadas estreitas, tomadas por carros. Seu pai caminhava junto ao trilho do bonde, atento a todos os sons, esperando que o veículo se aproximasse a qualquer momento. Tinha se encarregado de avisar ao grupo de sua chegada, mantê-las atentas, já que a noite caía vigorosamente e, aos poucos, o céu ensolarado dava lugar a um manto negro e estrelado que tornava perigosa a noite mal iluminada daquelas vielas.

Sentia-se cansada, ofegante, com dor nos pés, esperando pelo milagre de um táxi vazio para levá-los para casa. Não havia. Caminhavam desconhecendo o caminho, liderados pelo pai-marido-filho, confiantes no seu discernimento e senso de direção.

Ao virarem uma esquina, depararam-se com uma rua estreita, ladeada por um grande muro, do qual pendiam copas de árvores baixas. Nela, ao longo da via, estavam sentados sobre caixotes de feira, quatro homens negros. Um deles afiava uma faca, de cabeça baixa. Ao sentir a presença daquele grupo insólito, tão díspar dos demais habitantes daquele lugar, o homem parou o serviço e olhou na direção do pai, que imediatamente parou a caminhada e fez um sinal silencioso com a mão para que o grupo também parasse. A avó foi a última a entender que tinha que parar.

Conversaram brevemente em murmúrios e decidiram retornar. Buscando por outros caminhos, deram com uma outra rua estreita e comprida. De onde estavam, podiam ver toda a sua extensão. Porém, antes de prosseguir, viram que a rua era sem saída, procurando se certificar com transeuntes que aquele caminho não daria em lugar algum.

...........

De repente, ao buscar por seu pai, se deu conta que ele não estava mais ali, nem suas mãe e irmã, coadjuvantes da cansativa caminhada. Viu apenas a avó falecida a postos, cabelos brancos a lhe entregar uma vela com a imagem de Santa Rita de Cássia, apontando-lhe, ao mesmo tempo, a mesa onde deveria acendê-la. Rezou um Pai Nosso e uma Ave Maria, conversou um pouco com ela, que respondeu às suas preces com sorrisos francos e serenos. Por fim, virou-se em direção à porta da Igreja, já iluminada pela luz do sol, que nascia pleno.

Angustiada com o caminho estranho e um pouco atormentada, esforçou-se para levantar o corpo. E acordou assustada e ofegante, mas pronta para encarar um novo dia.

Que venha 2010!

De hoje até o final do ano, vou postar aqui as músicas que eu quero que embalem o novo ano, um ano leve, cheio de alegrias!

Lá vai a primeira, aliás, as duas primeiras! Vai Monobloco!



Aproveitem!

sábado, dezembro 26, 2009

"Quando se parte rumo ao nada..."

Acordei com um trecho da música do Moska na cabeça:

"É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada..."

Esses versos são muito intensos. Desde que os ouvi pela primeira vez, tive a sensação de uma música feita especialmente para mim, apesar de nunca ter sido.

Qual é mesmo a graça de se saber o fim da estrada se ela não dá em lugar nenhum?

Fico pensando que é isso que fazemos das nossas vidas, transformamo-nas em grandes esperas, como se alguma força divina fosse modificá-la radicalmente e o nosso destino, ora fadado a ser nada, passasse a ter alguma relevância. Não tem, a menos que esta força seja interna, esteja dentro de nós.

Final de ano, Natal, a tv está repleta de exemplos de gente que buscou significado, conceito por trás de seus atos, criou eventos dignos de Deus, ajudando aos outros, dando-lhes paz, um pouco de conforto e, principalmente, oferecendo-lhes o pão e o lúdico, o sonho e a esperança.

Enquanto isso, prostamo-nos aqui a esperar o milagre. A esperar uma nova tomada de consciência, uma revelação que conduza a uma mudança, um amparo que seja.

Apelamos a Ele, ou ao Noel, que representa essa festa, e pedimos a realização de um amor. Impossível. É a meta de uma seta no alvo que não a espera. E não há graça alguma em se saber que nesta estrada, a escolhida, não há destino possível, só o sonho, irrealizável e inebriante, que mascara a realidade e a torna quase insuportável.

Não há destino provável e o presente, esse não vem. Nem na forma de carta, nem em sms, nem num telefonema fortuito. Não vem porque não tem que vir. Não vem porque não é certo, é deserto: árido e seco. Não tem sentimento, nem emoção. Só uma nuvem de poeira que penetra em todos os espaços, todos os poros.

Por outro lado, o que molha também entorpece. Molha a garganta e entorpece a alma. Atrai para si toda a sorte de más vibrações e se revela em arrogância e agressividade. Rouba do presente todas as possibilidades de projetos futuros em comum, e nos faz preferir o sonho, aquele do caminho que não leva a nada.

E se a estrela cadente nos pudesse conceder um pedido, que tal um destino para a seta, um alvo a esperá-la? Ou mesmo, o apagar das folhas rabiscadas deste diário virtual, um caderno em branco, onde se pudesse fazer uso desta força interior, estranha, para se ter um pouco de coragem, e escrever um futuro diferente?

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Natal 2009

Tem gente que apronta no Natal. Bebe muito, come muito, sai da dieta. Eu também aprontei esse ano. No dia 24, enquanto dava os últimos retoques nos presentes, tomei um tombo. Um verdadeiro estabaco. Estava com inveja de Caetano, caí da cadeira, enquanto tentava pegar umas caixas que estão numa prateleira que quase ninguém alcança. Por que será que a gente faz isso, né?

Saldo do dia 24: me ralei toda! Fiquei com dor nos braços, na perna e principalmente na banda-da-direita-da-minha-bunda, que ficou toda arranhada. Mas, como eu estava com um vestido novo, e não queria descer do salto, aguentei firme.

No dia 25, estava encarregada de fazer o arroz de passas, que minha mãe pediu. Fui pra cozinha e fiquei logo pensando em que pirex eu colocaria o bendito arroz, já que, como somos só eu e meu marido, não temos recipientes muito grandes. Antes de ligar pra minha mãe, pedindo "arrego", eu havia até escolhido um pirex para esta finalidade, mas depois que ela me disse que eu levasse o arroz na panela porque ela tinha um maior, resolvi guardá-lo de volta no armário. E foi aí que eu vi que sou cabeça dura.

A cena foi daquelas em que você sabe o que vai acontecer. Tudo começa a cair na sua cabeça. E você só pensa que seria bom que você tivesse oito braços e oito mãos para segurar todos os itens que insistem em cair. Pois é, hoje, a minha garrafa de suco caiu e se quebrou no meu côco. Nunca vi coisa pra doer tanto. Se fosse só isso, estávamos no lucro. Mas, como gatilho que é gatilho nunca vem sozinho, junto com ela, caíram mais um monte de coisas, o que transformou o chão da minha cozinha em um monte de cacos de vidro.

Saldo do dia 25: um galo na cabeça e a certeza de que eu preciso de mais armários na cozinha, para evitar esse tipo de coisa.

Conversando com a minha prima, ela me disse pra eu acender um defumador, que é bom. Deve ter algum moleque matreiro querendo me pregar uma peça. Ou sou eu mesma querendo voltar a ser criança.

Esta história toda me fez lembrar da vez que eu abri a cabeça, li-te-ral-men-te! Estava estudando na sala de jantar, ainda pequena, na casa dos meus pais, quando a borracha caiu próximo à arca onde minha mãe guardava a louça da casa. Cada porta possuía uma chave. Eu simplesmente não quis me levantar para pegar a borracha e fiz balanço com a cadeira para conseguir alcançá-la. Resumo da história: dei com o côco na chave e ela fez um "pequeno" rombinho.

O mais interessante foi quando chegamos no ambulatório da clínica que mamãe levava a gente, perto de casa. O médico disse que ia ter que costurar. Não ia doer nada, ia ser uma raspadinha em volta, para tirar o cabelo e "pá-pum". Só que na cabeça não se dá anestesia, ainda mais no alto do côco. Então, enrolamos uma toalha para eu morder e foi no susto mesmo.

Até hoje me lembro daquele dia... hoje em especial, porque o côco está doendo até agora.

Memórias... a vida é muito curta para que se tenha medo dela!

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Ela escreveu pro Papai Noel...

... e pediu para que, quando crescesse, continuasse a ter esperanças, fé na vida e fé nos homens. Pediu também uma família bonita, uma relação amorosa em que ambos não precisassem de jogos para conseguir afeto, uma mesa farta onde ao seu redor se sentassem crianças saudáveis e inteligentes, vívidas e espertas, doidas por uma brincadeira.

Pediu para que envelhecesse com sabedoria e não vivesse paranóica com dietas, e tivesse um trabalho que a engrandecesse e a fizesse feliz todos os dias. Plena e realizada.

Pediu forças para poder ajudar aos seus e aos outros, porque sabia que nada nessa vida vale à pena se não for por isso.

E então, entendeu que Papai Noel não existe. Que quando a gente cresce, quem compra nossos "grandes" presentes - os mais simples e os mais desejados - somos nós mesmos...

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Amores que vem, amores que vão, amores que vem de novo...

A vida é tão louca que às vezes chega a ser engraçada. Eu andei pensando esses dias na poesia que é amar e deixar de amar, gostar desesperadamente de alguém e depois passar a olhar apenas com uma leve simpatia, quase uma dó.

Eu sou uma pessoa que já vivi alguns amores intensos, alguns realizados, outros não. Sempre achei que o platonismo fosse coisa de adolescente, até que entendi, por meios nada agradáveis, que as pessoas mais velhas, adultas, também podem sofrer deste mal. Querer alguém, e não poder realizar o desejo, é algo por demais dolorido, mas a gente sobrevive.

O que tem me deixado curiosa é o fato, cada vez mais comprovado pelos indivíduos normais através de experiências empíricas, que quando você deixa de amar alguém, esta pessoa então passa a demonstrar estrondoso interesse por você.

Será por que? Será medo de perder aquele que se sabe apaixonado? Será por insegurança? Será que, ao chegarmos a certa idade, temos tanto medo da rejeição que optamos por não nos aventurar? Mas, será que não deveria ser justamente o contrário?

Parece a música do Lulu (posso tratá-lo assim de forma tão íntima porque ele já "cuidou" de mim noites e mais noites com suas músicas incríveis), a vida vem em ondas com um maaaaaaaaarrrrrr... num indo e vindo infinito... É como se alguns se negassem a deixar seu posto de amado, de criatura adorada, e insistissem em permanecer ali, naquele pedestal em que a gente, burra e inutilmente, coloca alguns seres.

E quando você nem se lembra mais da pessoa, nem se lembra de mandar-lhe um cartão de Natal, nem se lembra de passar um sms pelo seu aniversário (é, meus queridos, porque na vida, tudo passa mesmo), a pessoa reaparece, e te liga com um sorriso de orelha-a-orelha do outro lado da linha (que você não vê, mas sabe que está amarrado que nem um laço, como diz minha amiga Clarice). E te convida para um projeto, um trabalho, um almoço, uma visita a uma exposição daquela artista famosa... e você, que em outros tempos estaria com o coração aos pulos, diz apenas, "é, pode ser, qualquer dia desses, quem sabe?" e fica se olhando no espelho e perguntando: "Cadê aquela mulher apaixonada de anos atrás? Onde é que ela foi parar?"

Então, entende que, na vida, tudo é relativo mesmo. E que é importante relativizar para tornar os amores mais suaves, as paixões menos intensas, as dores mais suportáveis, e a vida mais fácil de viver... porque senão a gente "pira na batatinha", sem direito a "maionese"...

E é tão interessante, tão mesmo esta história de se sentir desejado, ou apenas procurado pelo seu obscuro-objeto-do-desejo, que me faz lembrar uma frase que ouvi recentemente:

"Na vida, não devemos colocar ninguém num pedestal: certamente, esta pessoa terá que olhar pra baixo para falar com você e você terá que olhar pra cima pra falar com ela. É muito perigoso".
(Kent Greenes)

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Eu mereço ser feliz

A vida a gente encara de frente. Poético? Não, é que se é inevitável, vai, relaxa e goza.

Fazer análise é como se olhar no espelho. Eu resolvi me olhar no espelho de novo. E deixar de ser covarde, tomar minhas próprias decisões, sem precisar das opiniões e das aprovações dos outros.

Tenho resoluções de fim-de-ano a fazer que não podem ser só resoluções de fim-de-ano. Tem que ser resoluções-de-vida-inteira. Um presente de Natal para mim.

Eu mereço ser feliz. Sem apurrinhações, sem somatizações, sem drama. Só uma vida calma e feliz, uma paz na alma e um sorriso no rosto. E isso não tem que ser máscara, tem que ser real.

Também quero a sorte de um amor tranquilo, nem que pra isso eu tenha que transformar o que eu levo aqui dentro. Quero a paz de não ter mais urgência.

Vou em frente, me cobro, me exijo, me dôo, me espalho, me cato do chão, me fecho, me aqueço, espero o tempo passar, me perdôo e me dou outra chance. Quero viver a vida com o melhor que ela tiver pra me dar.

__________________
Obra da artista Aimee Sicuro.

Roubaram meu Carefree

Esta foi uma semana difícil. Aconteceu de tudo. Muito trabalho, participação em bancas, reuniões, volta à análise, chuvarada, almoço e jantar com amigos, teleconferência que não funcionou, apresentação de relatório...

No meio da semana, aconteceu um fato sui generis. No meu trabalho, eu tenho a chave de um armário no banheiro do meu andar, onde coloco umas bugigangas: minha necessaire, que mamãe comprou na Uncle K logo quando fui trabalhar lá e é feita sob medida para caber naquele cubículo, onde eu coloco minhas escovas de dente (sim, no plural, porque tenho várias), creme dental, fio para o aparelho, escovinhas interdentais, enfim, um monte de coisas; duas saboneteiras com sabonetes antissépticos para os dias em que o rosto fica oleoso com o calor do centro da cidade e que não cabem na pequena necessaire que mamãe me deu, um pacote de Sempre Livre sem Abas (eu não-suporto-abas!) e um pacote de Carefree, ambos para emergências.

Todas as meninas da minha equipe sabem que eu tenho estes itens no meu armário e eu já salvei algumas delas de apuros. Tenho alguns remedinhos básicos na gaveta também, mas aí é outra história...

Ocorre que esta semana, o trinco do armário estava desengonçado, eu tentei dar uma consertada, mas nada... e aí, voltando do almoço, me dei conta de que... roubaram meu pacote de Carefree...

Por que? Por que, meu Deus? Ó, vida cruel!

Eu sei lá... com tanta coisa mais interessante dentro do armário, foram roubar logo o meu pacotinho de Carefree! A troco do quê?

As pessoas pegam as coisas dos outros como se isso fosse a coisa mais normal do mundo, um certo tipo de socialismo que eu não compreendo. Eu sei que o tema não é lá muito relevante, mas isso me fez pensar que já que descobriram que é tão fácil abrir meu armário, em breve sou capaz de ter outra surpresa e, ao abrí-lo, não encontrarei mais nada...

Logo eu, que sou incapaz de roubar qualquer coisa, até as idéias dos outros, eu respeito...ai, ai!

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Metade

por Ferreira Gullar

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também

quinta-feira, dezembro 03, 2009

O segredo das mulheres no banheiro

O grande segredo de todas as mulheres com relação aos banheiros é que quando pequenas, quem as levava ao banheiro era sua mãe. Ela ensinava a limpar o assento com papel higiênico e cuidadosamente colocava tiras de papel no perímetro do vaso e instruía:

"Nunca, nunca sente em um banheiro público"!

E, em seguida, mostrava "a posição", que consiste em se equilibrar sobre o vaso numa posição de sentar sem que, no entanto, o corpo entre em contato com o vaso.

"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, e irá nos acompanhar para sempre. No entanto, ainda hoje, em nossa vida adulta, "a posição" é dolorosamente difícil de manter quando a bexiga está estourando. Quando você TEM que ir ao banheiro público, você encontra uma fila enorme de mulheres. Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de "estou me mijando".

Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar.

Você, então verifica cada cubículo por baixo da porta para ver se há pernas. Todos estão ocupados.

Finalmente, um se abre. Você entra e percebe que o trinco não funciona (nunca funciona); não importa... você inspeciona a área.. o chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então você a pendura no pescoço e é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro.

Mas, voltando à porta...

Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha e se coloca "na posição"..

Alívio...... AAhhhhhh.....finalmente...

Aí é quando os teus músculos começam a tremer ....

Porque você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço. Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico. No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça "jamais sente em um banheiro público!!!" e, assim, você mantém "a posição" com o tremor nas pernas...

Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, maaassss, puuuuta que o pariuuuu....! O rolo está vazio...! (sempre)

Então você pede aos céus para que, nos 5kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel. Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta. Você pensa por um momento, mas não há opção...

E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO!!!

Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abrí-la novamente (nisso, as mulheres nos respeitamos muito) e você pode procurar teu lenço sem angústia. Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são nestes casos e você guarda um, por via das dúvidas. Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo. Sem falar da porrada que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas... Afinal você está exausta. Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça!...

Você, então, vai à pia lavar as mãos. Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo. Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira, você a toca até conseguir fazer sair um filete de água e estende a mão em busca de sabão. Você se lava na posição de corcunda de notre dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água... O secador, você nem usa. É um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço de papel que sobrou na bolsa para isso.

Você então sai. Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato ou a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, e te deixou com a bunda à mostra!

Nesse momento, você vê o teu carinha que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você.

"Por que você demorou tanto?" pergunta o idiota.

Você se limita a responder: "A fila estava enorme".

E esta é a razão porque as mulheres vão ao banheiro em grupo. Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa, a outra a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que você só tem que se concentrar em manter "a posição" e a dignidade.

_____________________
Eu desconheço a autoria, mas assino embaixo. Muito realista!

domingo, novembro 29, 2009

Com a cabeça na Lua

Por causa do meu trabalho, este é um tema que está me interessando muito ultimamente. Por isso, resolvi mostrar pra vocês alguns filmes que andei encontrando na Internet.

O primeiro é o homem pousando na Lua pela primeira vez, expedição que completou 40 anos este ano. O incrível é ver a quantidade de pessoas que dizem que o filme, na verdade, é uma montagem da NASA e do Governo Norte-Americano e que, de fato, o homem nunca esteve lá.

Vejam esse filmete de pouco mais de 1 minuto... com a frase clássica do Neil Armstrong:

"That's one small step for [a] man, one giant leap for mankind"





Eram três os astronautas, mas apenas dois desceram. O terceiro, Michael Collins, parece ter gostado tanto de ficar sozinho na pequena Columbia, que não se importou de não ter seguido até a Lua junto com Armstrong e Edwin Aldrin, no módulo Lunar.

Se vocês querem saber mais, visitem a Wikipedia.

Mas, ontem, meu professor de inglês me apresentou a outro filmete interessante. Vejam só:



O tal do Joe Kittinger foi, em 1960, o primeiro homem a chegar ao espaço, num módulo puxado por um balão de gás hélio. Muito louco o cara! Ele tentou duas vezes, uma dois anos antes, na qual ficou desacordado, e outra em 1960, quando teve problemas com a mão esquerda devido a um defeito na sua roupa de "astronauta".

Precisa ter coragem para fazer o que ele fez. Vejam que incrível que é o momento em que ele pula! Nossa!

Teve também o Yuri Gagarin, o russo que em 1960 deu uma volta na Terra. Olhem ele voando aí...



Virou herói nacional!

E por que a gente não repete tudo isso? Cadê as Lições Aprendidas? Heim, cadê?

Visitem a página da NASA. Tem muito pra ver por lá!

sábado, novembro 28, 2009

Mulheres Possíveis, por Martha Medeiros

Eu adoro ela. Esse texto saiu na Revista de Domingo. Apreciem!

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.

Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe
e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que
operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe
apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que
desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida
interessante.

Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser semprepoliticamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é
atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.

É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias.
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente
organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela
quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não
for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e
vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo.

Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe
Starck e o batom da M.A.C.

Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente,
está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o
rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.

Frase do dia


"If I had asked people
what they wanted,
they would have
said faster horses".

Henry Ford (1863 - 1947)
US Industrialist

quinta-feira, novembro 26, 2009

Muppets e Queen: Bohemian Rhapsody

Para o meu marido que adora esta música! (que eu também adoro!)



Adorei a porquinha em cima do piano no final! E achei que o Phil Collins estava perdido no meio da galera! Ha ha ha!

Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters
Nothing really matters to me

Anyway the wind blows

Utilidade pública: doze conselhos para se ter um bom infarto!

Recebi esta mensagem e de cara lembrei do episódio do meu pai tendo uma tremenda arritmia cardíaca na academia de ginástica e pegando o carro para ir para casa... Vejam que dicas interessantes.

DOZE CONSELHOS PARA TER UM INFARTO FELIZ !!!
Dr. Ernesto Artur - Cardiologista

Quando divulguei estes conselhos 'amigos-da-onça' em meu site, recebi uma
enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes serviu
de alerta, pois muitos estavam, inconscientemente, adotando esse tipo de vida.

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e
familiares são secundárias.

2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder, também aos domingos.

3. Se não puder permanecer no escritório, à noite, leve trabalho para casa
e labute até tarde.

4. Em vez de dizer não, diga sempre sim a tudo o que lhe solicitarem.

5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias,
conselhos, e aceite todos os convites para conferências, seminários,
encontros, reuniões, simpósios etc.

6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranquila. Ao
contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar
negócios ou fazer reuniões (cacetes) importantes.

7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando futebol
ou tênis, enfim, se distraindo. Afinal, tempo é dinheiro.

8. Nunca tire férias, você não precisa disso! Lembre-se que você é de
ferro (e ferro, também enferruja!!)

9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para
certificar-se de que nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com
você mesmo.

10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de
estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão lhe
deixar tinindo.

11. Se tiver dificuldades em dormir, não perca tempo: tome calmantes e
sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.

12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de
oração, meditação, tempo para ouvir uma boa música e para refletir sobre
sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.

Repita para si:
EU NÃO PERCO TEMPO COM ESSAS BOBAGENS!!!
##################

OS ATAQUES DE CORAÇÃO

Uma nota importante sobre os ataques cardíacos.
Existem outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço
esquerdo(ou direito). Há também, como sintomas possíveis, uma dor intensa
no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.

Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque
cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam,
não se levantaram... Mas a dor no peito, pode acordá-lo de um sono
profundo.

Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e engula-as
com um pouco de água. Ligue para Emergência (193 ou 190) e diga ''ataque
cardíaco'' e que tomou 2 Aspirinas. Sente-se numa cadeira ou sofá e force
uma tosse. Sim, forçar a tosse, pois ela pode fazer o coração pegar no
tranco. Tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro...
E NÃO SE DEITE !!!

...........................................................
Acho que eu realmente preciso pensar mais sobre isso! Cuidem-se!

Carne e Osso

Ainda sobre o post "Fidelidade e outras reflexões", minha mãe diz que quem tem telhado de vidro não pode viver de julgar os outros. E quem não tem, não é mesmo? Tenho uma colega que está sempre olhando a tudo e a todos com cara de quem comeu pudim de limão. Eu tenho vontade de dizer pra ela: Sou de Carne e Osso! Entendeu? Preciso repetir?

A Zélia tem uma música linda, que ela fez com o Moska, que reflete bem isso. Aliás, eu adoro a Zélia e o Moska, já deu pra perceber, né?

Olha a música aí...

Carne e Osso

Composição: Moska e Zélia Duncan

Alegria do pecado às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu

E eu gosto de estar na terra cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano

Perfeição demais me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso, pra não ser carne e osso

E como não pode faltar, uma palinha...



Pra quem me observa e me julga, quem me escuta e me julga, quem me lê e me julga, e é incapaz de uma crítica construtiva, um recadinho... EU SOU DE CARNE E OSSO!

Jura secreta

Depois de ter escrito o post "Fidelidade e outras reflexões", meu amigo PRG me perguntou se eu conhecia a música Jura Secreta. Conheço, PRG, conheço, e A-M-O! Comprei um CD da Zélia Duncan só por causa dela, que já era linda na voz do Fagner.

Olha a letra aí...

Jura Secreta

Composição: Sueli Costa / Abel Silva

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei

Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofrí

Veja a Simone a Zélia Duncan cantando juntas esta pérola!



Bjs para meu amigo PRG e para todos que gostam de boa música...

terça-feira, novembro 24, 2009

Os cinco estágios da carreira, por Max Gehringer

Existem cinco estágios em uma carreira:

1. O primeiro estágio é aquele em que o funcionário precisa usar crachá,
porque quase ninguém na empresa sabe o nome dele.

2. No segundo estágio, o funcionário começa a ficar conhecido dentro da
empresa e seu sobrenome passa a ser o nome do departamento em que trabalha.
Por exemplo, o Heitor da Contabilidade .

3. No terceiro estágio, o funcionário passa a ser conhecido fora da empresa
e o nome da empresa se transforma em sobrenome. Heitor do banco tal.

4. No quarto estágio, é acrescentado um título hierárquico ao nome dele:
Heitor, diretor financeiro do banco tal.

5. Finalmente, no quinto estágio, vem a distinção definitiva. Pessoas que
mal conhecem o Heitor passam a se referir a ele como "o meu amigo Heitor,
diretor do banco tal". Esse é o momento em que uma pessoa se torna, mesmo
contra sua vontade, um amigo profissional" .

Existem algumas diferenças entre um amigo que é amigo, e um amigo dito
profissional. Amigos que são amigos trocam sentimentos. Amigos
profissionais trocam cartões de visita.

Uma amizade dura para sempre. Uma amizade profissional é uma relação de
curto prazo e dura apenas enquanto um estiver sendo útil ao outro.

Amigos de verdade perguntam se podem ajudar. Amigos profissionais solicitam
favores. Amigos de verdade estão no coração. Amigos profissionais estão em
uma planilha.

É bom ter uma penca de amigos profissionais. É isso que, hoje em dia,
chamamos networking, um círculo de relacionamentos puramente profissional.
Mas é bom não confundir uma coisa com a outra.

Amigos profissionais são necessários. Amigos de verdade, indispensáveis.

Algum dia, e esse dia chega rápido, os únicos amigos com quem poderemos
contar serão aqueles poucos que fizemos quando amizade era coisa de
amadores.

[Max Gehringer
]

PS.: Este texto devia estar no Esquizofrenia Corporativa, mas achei oportuno que,
desta vez, estivesse aqui.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Fidelidade e outras reflexões...

Sempre fui a favor dessa tal fidelidade. Sempre, sempre! Porque por mais que eu até achasse outras pessoas interessantes, estava tão ligada ao cara com quem estava que não conseguia olhar pro lado. Era o que eu encarava como paixão.

Com o tempo, e depois de algumas frustrações e decepções, eu fui me permitindo ser fiel a mim mesma. A querer o melhor pra mim, a me colocar sempre em primeiro lugar, a não fazer algo que não estivesse a fim de fazer só para agradar ao outro.

Está certo, vocês até vão dizer, a vida é feita de concessões. Mas, não o tempo todo, não apenas para os outros e nunca pra você. Se a gente não se priorizar, quem vai? Eu tive um namorado que dizia: primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, quarto eu, quinto eu, depois eu começo a pensar na minha mãe, em você, na torcida do Vasco... enfim, ele era um cara radical. Não sei se mudou agora que tem filhos, porque com filhos as coisas mudam de figura, mas ele se amava muito, acima de todas as coisas. E nem por isso era um cara inflexível, ao contrário. Topava muitas coisas que, não se pode dizer, todos topariam... até aqueles programas terríveis de final de noite!

Este assunto veio a baila hoje porque, conversando com uma amiga, confessei, sem saber muito bem como o assunto descambou pra isso, que um dia, num passado bem remoto, já pretérito imperfeito, optei por mim ao invés do outro, e cheguei a cogitar fazer algo que não faria se não fosse por impulso (esse é o máximo de detalhe que vou me permitir dar a vocês num blog assim tão público). Cheguei a cogitar... - e fiquei só no plano do planejamento, porque, apesar de ter me decidido pelo abismo ao invés da insana vida monótona, a coisa não aconteceu, não se concretizou, não foi a frente. E eu continuei a mesma de sempre, séria, reta, aquela que "não faz xixi fora do pinico", e de quem sempre se sabe o que se pode esperar...

O tempo passou e hoje eu, olhando pra trás, vejo que não teria me arrependido se tivesse feito, porque aprendi a só me arrepender do que não fiz. E arrependimento é como um pé na porta travando tudo e impedindo a entrada de alguém desejado no dia que seria o dia mais feliz da sua vida: dói. Ô, como dói!

Mas, de fato, depois de tanto tempo, e de tantas vidas passadas, e de tantas Rebeccas que surgiram com elas, o que me incomodou mesmo hoje foi o julgamento. Ser julgado por algo já tão distante soa um tanto desbotado, soa demodé, soa estranho mesmo. Mas, pode ser um sinal de que alguém esteja começando a te ver como você é de verdade. Essa culpa, eu não tenho, estou sã. Já curei essas feridas, já virei as páginas, guardo tudo aquilo como lição aprendida. Tenho tantas... se errei muito, é porque me permiti arriscar. Se fiz alguém sofrer com isso, não foi a intenção, mas sei que faz parte do jogo da vida.

Só sei que não tenho mais essa ânsia de ser tão perfeita. A mulher perfeita não existe. Sei de mulheres perfeitas que fazem tudo certo, mas que choram por outro debaixo do chuveiro pro marido não ouvir. Todo mundo tem um segredo guardado, uma dor mal tratada, um chute no traseiro que quer esquecer. Quem diz que não tem, não viveu.

E o importante é ter história.

Para minha irmã...

... que odeia pombos! Final feliz!

domingo, novembro 22, 2009

Amado

Mas uma do time da trilha sonora da semana. Cada vez que escuto os discos da Vanessa descubro alguma música linda. Essa andou tocando no rádio, mas precisa ouvir com atenção para entender a letra. A vozinha da Vanessa é tão suave, tão delicada... adoro essa música!

Amado
Vanessa da Mata

Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr do Sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir, não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você

sábado, novembro 21, 2009

Tosa

Hoje eu passei a tesoura na juba. Estou mais leonina do que nunca, com uma juba armada e cacheada. Projeto verão. Projeto "eu-sou-tudo-de-bom". Ai, ai, precisa coragem!

Passeando pelo Rio

É, pessoal. Nós ficamos a semana por conta dos alemães. Eles amaram o Rio de Janeiro.

No sábado, conforme prometido, levamos os dois para conhecer o samba na Lapa. O lugar que queríamos estava lotado - o Carioca da Gema (ai, será que um dia eu consigo ir lá?) - então, apelamos pro ODS (o-de-sempre) que é garantia de boa música e diversão. Fomos para o Rio Scenarium, samba de primeira, os melhores sambas-enredo de todos os tempos. Sambamos até de madrugada.

Como tínhamos programação intensa no dia seguinte, três da manhã já estávamos em casa. Mas, pra uma noite que começou às 20:00, até que deu pro gasto.

No dia seguinte, nosso destino era Niterói. Fomos conhecer o MAC, mas com um detalhe básico: de barca. Eles acharam a barca rápida e confortável e o passeio, muito tranquilo. O dia estava lindo e até a Baía de Guanabara ajudou, pois não estava muito fedorenta.

O maridão foi de carro pela ponte, para nos aguardar lá. Melhor coisa. Os dois alemães adoraram o museu, acharam a arquitetura fantástica, tiraram um monte de fotos do Rio, curtiram a exposição, enfim, amaram o passeio. Ficaram, como todos nós, impressionados com as pessoas que insistiam em tomar banho naquela praia nojenta em Niterói e eu tive que explicar que nem todas as praias de Niterói são assim, que existem praias oceânicas e que estas são mais limpas e mais procuradas.

O dia já ia longe quando resolvemos almoçar, e então, pra não ter dúvidas, fomos ao Porcão de Niterói, na praia de São Francisco. Eles adoraram as carnes, mas também ficaram impressionados com a qualidade da comida japonesa servida. Um dia pra lá de agradável.

Voltamos pela ponte Rio-Niterói que é linda, e como obra de engenharia também atraiu a atenção dos meninos.

Durante a semana, eles estiveram mais soltos. Um deles foi com o maridão para a Faculdade, para dar duas palestras. O outro conheceu o Centro da cidade. Fêz um passeio pra lá de cansativo, mas amou. Sente só o trajeto: camelódromo da Uruguaiana, para compras Cds piratas (é mole?), Lgo. da Carioca, Cinelândia, Glória, Flamendo, esse trecho a pé. O resto até Ipanema, ele fêz de metrô.

Na quarta-feira, o maridão levou os dois ao Cristo e acabamos a noite no Zazá Bistrô, em Ipanema, um charme. Eles foram a praia, curtiram a cidade e acabaram a noite dizendo que não há cidade mais linda e nem povo mais hospitaleiro.

Eu gostei, apesar de ter que falar inglês o tempo inteiro, o que foi cansativo! Pra quem não conhece o Rio e tem pouco tempo, posso dizer que esse é um bom roteiro!

Sobre aquilo em que não acreditamos

Antes de começar, eu preciso dizer que acredito em muitas coisas. Uma das coisas em que acredito é que não existem coincidências. As pessoas entram e ficam na sua vida não por acaso. Há sempre algo a aprender.

Eu estava em casa ontem quando recebi uma ligação no celular do número 00000000. Achei que era essa gente que não tem mais o que fazer e que liga no feriado para tentar vender alguma coisa. Ainda mais na hora do almoço: bem típico. Eles não almoçam, não namoram, não vão a praia. Ficam o tempo todo lá do outro lado do telefone dizendo: vou estar transferindo, vou estar atendendo, vou estar oferecendo etc. Enfim, silenciei o celular e deixei ele tocar. Daí, recebi uma mensagem da operadora dizendo que havia uma mensagem pra mim daquele número. Como assim? Ligam pra nossa casa e ainda têm a coragem de deixar uma mensagem?

Como mulher é um bicho curioso por natureza, resolvi ligar pra caixa postal para saber o motivo da mensagem. Era o meu chefe. Esqueci completamente que quando ele está fora do país, o número que aparece no visor não é o dele. E que onde ele está, não é feriado, então nada mais natural que ele ligar pra mim.

Tentei falar com ele e ele disse: Espera aí que eu ligo pra você! É que ele estava na rua, estava frio, pois era de manhãzinha, e ele precisava entrar no carro e ligar o aquecimento, caso contrário, ia congelar. Então, quando ele ligou, me explicou que sonhou comigo, e fêz questão de observar que quase não sonha, e quando sonha não lembra dos sonhos. E no sonho, que na verdade, era um pesadelo, eu abria a porta do elevador, e sem me dar conta que não havia elevador, caía no poço. Ele só me ouvia gritando por socorro e não podia fazer nada. E daí ele acordou no meio da noite e não dormiu mais.

E disse: Não é nada, não se preocupe. Mas tome cuidado ao entrar em elevadores, ok?

Eu dei risada, que coisa mais estapafúrdia! Eu e os elevadores, sempre eles. Lá no trabalho, alguém tinha comentado que nossos elevadores são bons, são amplos, ventilados, até até pra ficar preso neles sem problema. Eu, como já fiquei, não achei nenhuma graça do comentário. Mas, vamos ao sonho do meu chefe.

Ele esteve fora esta semana, e ficou me mandando notícias pelo Blackberry. Todo mundo ainda perguntou: por que ele só manda notícias para você????? Acho que é porque o meu e-mail é mais fácil de memorizar! Contou do evento, dos jantares, dos contatos, dos livros, perguntou se alguém queria algo relacionado ao "Crepúsculo" e a "Lua Nova", que lá estava cheio de stuff sobre isso, como ele mesmo escreveu.

Mas no meio das mensagens, ele escreveu algo tocante, em função dos acontecimentos da semana: "Take it easy! Keep cool!"

Ele sabia que o bicho estava pegando. Sabia que, sem a presença dele aqui, tinha gente que tinha resolvido botar as manguinhas de fora, e sabia o quanto eu ficava braba com isso. Acho que o meu chefe tem medo das minhas explosões, porque quando elas acontecem, os resultados são incontroláveis. Antes mesmo dele pedir, eu já havia me conscientizado que tinha que dar uma volta, respirar fundo, e, ao responder qualquer mensagem, precisava ficar calma, tranquila. Como diz uma amiga: respirar paz.

Mas, o ambiente corporativo é uma derrota, uma droga, todo mundo quer comer o fígado do outro. Quando você chega num estágio em que não precisa provar mais nada pra ninguém, aí é que os pobres coitados resolvem que tem que mostrar que são melhores do que você, pra mostrar que têm alguma competência. Precisa disso, não! É só se concentrar em fazer bem o seu trabalho e evitar problemas de comunicação, ruídos, e que tais.

Ao invés de trabalharmos juntos para melhorarmos nosso desempenho, estamos sempre atrás de sermos os melhores, e a tal competição nunca tem fim.


Anteontem, eu desabei. Foi uma semana muito complicada para mim. Quanto mais sapo eu engulo, pior eu fico. Quanto mais eu tenho que lidar com estas pessoas, mais eu sofro. Fico me perguntando às vezes se não teria sido melhor continuar na Universidade, estudando, publicando os meus artigos, dando as minhas aulas.

E o meu chefe, que não acredita em nada, acabou me dizendo, nas entrelinhas, que se preocupa, que sabe que não foi fácil, mas que é só tomar cuidado, que essas coisas são todas contornáveis! Valeu, chefe!

sexta-feira, novembro 20, 2009

Botox

Tem uma consultora muito famosa na área que eu atuo que está ficando com a cara toda deformada de botox e metacril. Acho que, com o tempo, as pessoas vão perdendo a noção de como eram lindas antes de tudo isso e só conseguem enxergar beleza naquela pele lisa e esticada e naqueles lábios carnudos. Bem, não é nada disso, né? A gente sabe...

Mas, ocorre que meu chefe foi jantar com a tal consultora esta semana. Como ele não é bobo, nem nada, chamou mais dois contatos para o tal jantar, para não correr risco de nenhuma espécie.

Um consultor argentino que trabalha conosco me disse brincando que ia sugerir ao chefe que fizesse experiências científicas com a tal consultora. O tema da pesquisa seria como é beijar uma mulher botocada. Pode isso? Homem é fogo!

Estávamos as gargalhadas na reunião, quando alguém resolveu perguntar se boca com metacril perde a sensibilidade... eu disse que achava que sim, mas ninguém me deu ouvidos. Como eu precisava manter o foco no assunto técnico que estávamos discutindo, resolvi apelar e mostrei umas fotos da Donatella Versace.

Minha estratégia foi ótima. Acabou com toda e qualquer discussão e conseguimos fechar a reunião rapidinho. Os meninos ficaram arrepiados com o que viram.

Acho que a campanha que deveríamos empreender não deveria ser "foto sem photoshop", mas sim, "mulher sem botox"!

A propósito, o tal metacril, que acaba com as "rugas" ao redor da boca, é derivado do acrílico. Alguém aí se arrisca?

Uma semana com trilha sonora

Às vezes, sumo de mim mesma. Prefiro não ouvir, nem os meus pensamentos. Desabo no choro e imersa nas minhas dores, apago no sofá, só acordando quando a noite já vai longe. Esse tempo, eu sei, é um tempo de não falar, porque ao tentar, somente os olhos conseguem, com lágrimas que não emocionam a ninguém, por não fazerem sentido. Por conta disso, cada verso, cada música, parecem ter outro significado, outra gravidade.

Esta semana, além do Ney Matogrosso e da Simone, com a excepcional música "Migalhas" que vou postar aqui mais tarde, letra lindíssima do Erasmo, o Chico esteve a me perseguir com uma música antiga, que eu amo, e que termina lindamente, com versos fortes e que dizem mais do que tudo.

As Vitrines
Chico Buarque

Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão

- Olha pra mim

- Não faz assim
- Não vai lá não

Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir

Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão

* Grifo meu. São esses os versos que me tocam fundo...



Muy lindo!

quinta-feira, novembro 12, 2009

Esse final de semana promete!

Eu não estou muito animada, mas tenho que tratar de me animar. Vamos receber um professor alemão, e teremos a tarefa de mostrar o Rio de Janeiro pra ele. Engraçado, mas resolvemos mostrar a Lapa e a vista do Rio lá de Niterói, aliás, uma vista muito bonita.

Resolvemos juntar tudo num só liquidificador: dois argentinos, duas americanas, três brasileiros e um alemão. Será que vai dar samba?

No sábado, pensamos em ir ao Carioca da Gema. Tomara que tenha um bom show por lá para que eles se encantem com a música brasileira.

No domingo, MAC de Niterói e talvez o mercado São Pedro, quem sabe.

Temos ainda a possibilidade de visitar o Forte de Copacabana, mas aí vai ser overdose de Rio de Janeiro na veia do alemão. Tomara que ele goste.

Chavear a cabeça entre o inglês e o espanhol vai ser um desafio e tanto. Mas, acho que vai ser legal!

quarta-feira, novembro 11, 2009

Melancolia, saldo do apagão

Hoje, eu acordei melancólica. Uma música e uma interpretação dessa música não saíram da minha cabeça o dia todo. Nem o mormaço que baixou na cidade, nem o calor, nem a chuva do final do dia, me fizeram sentir diferente. Uma melancolia tão grande que eu não consegui nem chorar.

Modinha
Vinicius de Moraes e Antônio Carlos Jobim

Ah!
Não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão

Ah, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim

Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia a emoção
Que chora dentro do meu coração
Coração





____________________
Eu dava tudo pra trocar essa melancolia por uma gargalhada de moleca.

sábado, novembro 07, 2009

Entreouvido por aí...

"Toda penosa é fedorenta!" (com direito a duplo sentido)

Posso com isso?

Saudades das Tias Fofinhas...

I wanted to be with you alone and talk about the weather
But traditions I can trace against the child in your face
Won't escape my attention
You keep your distance with a system of touch and gentle persuasion
I'm lost in admiration, could I need you this much
Oh, you're wasting my time, you're just, just, just wasting time

Something happens and I'm head over heels
I never find out till I'm head over heels
Something happens and I'm head over heels
Ah, don't take my heart, don't break my heart
Don't, don't, don't throw it away

Throw it away. Throw it away

I made a fire and watching it burn (yeah) Thought of your future
With one foot in the past now just how long will it last
No, no, no, have you no ambitions, (What's the matter with...)
My mother and my brothers used to breathing clean air
(Nothing ever changes when you're acting your age)
And dreaming I'm a doctor
(Nothing gets done when you feel like a baby)
It's hard to be man when there's a gun in your hand
(Nothing ever changes when you're acting your age)
Oh, I feel so...

Something happens and I'm head over heels
I never find out till I'm head over heels
Something happens and I'm head over heels
Ah, don't take my heart, don't break my heart
Don't, don't, don't throw it away

And this is my four leaf clover
I'm on the line, one open mind,
this is my four leaf clover

La la la la la, la la la la la, la la la la la la...

In my mind's eye
One little boy, one little man
Funny how time flies



_______________
Tears for Fears, Head over Heels, Songs from the Big Chair, 2001.

quinta-feira, novembro 05, 2009

O mal que uma vendedora de roupas pode te fazer

Ontem eu resolvi tentar comprar uma blusinha fresca, de algodão. Tentar, porque nem sempre isso é uma tarefa fácil. Como estava de bobeira na hora do almoço, fui ao shopping e entrei numa loja que eu gosto muito, para dar uma olhada. Gostei de duas, não de três. Mas, me assustei um pouco com o preço estratosférico. Eram só umas blusinhas de algodão, não tinham nada, mas absolutamente nada, que justificassem uma faixa de preço em torno dos R$ 200,00. Pensei cá com os meus botões: tudo bem, eu experimento, depois peço pra minha tia fazer pra mim.

Pedi as que eu gostei pra vendedora, e lhe informei o tamanho. Ela me tirou com os olhos, dando uma scanneada nada sutil, e me disse, com um ar muito sério: não, querida, seu tamanho não é esse.

Conduziu-me ao provador e em menos de cinco minutos, apareceu com 20 blusas dois pontos menores. Eu, que tinha dito pra ela que não tinha muito tempo, olhei pra aquilo tudo e pensei: como é que eu vou explicar pra essa criatura (nome que eu carinhosamente uso para designar pessoas limitadas) que eu não vou nem começar a experimentar estas coisas se não vou ficar deprimida e com menos tempo ainda?

Ela largou aquilo tudo no provador e eu comecei a pensar num filme do Jason, ou do pequeno Chuck, ou no que eu faria se tivesse um punhal ali comigo.

Em pouco tempo, ela retornou e perguntou: gostou do quê?

Como assim, eu quase não experimentei nada! Nesta hora eu já estava me preparando para sair, quando ela insistiu em me trazer mais roupas. Calças, inclusive. Mas, eu só queria blusas! Qual a parte do "estou sem tempo" ela não entendeu?

Então, eu ainda me dignei a experimentar duas peças, com aquela moça me olhando de cortina aberta, o que eu o-d-e-i-o. Dei um jeito de fugir, desaparecer, antes que meu lado monstro aparecesse e eu começasse a proferir blasfêmias contra ela.

Por fim, passei o resto do dia com um gosto amargo na boca, de quem comeu e não gostou, uma sensação de tempo perdido, de maus tratos, de ter sido feita de besta, que otária!

E cheguei a conclusão de que vendedora boa tem mesmo é que ser valorizada, aquela que te trata bem, conhece seus gostos, não tenta te empurrar peças estranhas só pra vender, te atende com atenção... vender é uma arte, e é para poucos!

quarta-feira, novembro 04, 2009

Sol e lua

Acordou de bom humor, iluminada pelo sol que inundava seu quarto pela janela. Tinha deixado tudo preparado no dia anterior. Como era muito lenta pela manhã, precisava que bolsa, sapatos e roupa estivessem arrumados para que conseguisse se aprontar e tomar o táxi no horário marcado.

De repente, sentia que havia deixado de ser "junior". Muito tempo depois de ter assumido o cargo de "pleno", ela sentia que agora, já um pouco mais velha, a senioridade batia à sua porta, e as responsabilidades, associadas a uma boa dose de autonomia, estavam finalmente permitindo que ela mostrasse ao que veio.

Sentia-se plenamente estimulada por estar se preparando para fazer algo fora da rotina. Tomar um outro caminho, em uma direção diferente, estar de frente pra praia, a mesma praia que ela freqüentou durante a juventude e que agora lhe era tão distante e, ao mesmo tempo, saudosa, ..., era tudo que ela queria. Pensava nos ônibus que teve que enfrentar em busca de um bronzeado jamais conquistado - porque era um dia de praia e dois de preguiça durante as férias naquele tempo. Mas, era bacana. As companhias eram legais, o programa, que às vezes soava como furado, tinha sempre um quê de diferente e algumas histórias para contar. Ela, que era muito observadora e se tornava cada dia mais, estava sempre atenta a tudo, ao mundinho da praia, a galera do ônibus, ao motorista, ao trocador e, principalmente, à paisagem que via no caminho e que ela adorava.

De repente, no meio do dia, o inesperado. Voltar para o mundo real, para atender a compromissos de última hora. Tudo bem, faz parte do jogo. Olhar para aquele contexto e de repente sentir que aquilo tudo era a coisa mais certa que ela podia estar vivendo nos últimos tempos foi como beber um bálsamo em pleno deserto e sentir-se plena de felicidade por míseros instantes.

Como nem tudo é perfeito, e o mundo real faz questão de deixar suas marcas (nem que seja pela percepção de um sorriso esperado e querido que não veio em sua direção, ou de um olhar atravessado), ela se viu imersa na tentativa de curar pequenas cicatrizes, resultantes das farpas das pequenas mentiras que insistimos em contar quando sabemos que a grandes verdades - as nuas e cruas - dóem demais. Foi dormir com elas, rogando para que o sono e o inconsciente lhe fizessem o favor de absorvê-las, minimizando seus efeitos, tornando-a mais forte e capaz de lidar com cicatrizes mais profundas que são como pregos na tábua da alma.

E, do mesmo modo que configurou seu humor em função da luz solar e divina no dia anterior, sofreu o resultado da mudança de fase da lua, mulher de fases que é, como todas as mulheres do planeta. E acordou sutilmente amoada, perturbada pelo peso da linda bola branca no céu, a iluminar seres crepusculares, que não dormem, não descansam nunca, e fazem da madrugada o seu refúgio, no qual tentam lidar com inseguranças e incertezas milenares.

E retornou à sua rotina sem ânimo nem disposição para guerrear, totalmente a fim de entregar os pontos, render-se ao inimigo e jogar a toalha. Ainda bem que um dia assim tem menos de 24 horas. Passa lento e rápido ao mesmo tempo, se te permites viver ao sabor do vento.