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terça-feira, julho 21, 2015

A noite

A Noite
Tiê

Palavras não bastam, não dá pra entender
E esse medo que cresce e não para
É uma história que se complicou
E eu sei bem o por quê

Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você

E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão

Pro tanto que eu te queria, o perto nunca bastava
E essa proximidade não dava
Me perdi no que era real e no que eu inventei
Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer
E te dedico uma linda história confessa
Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você

Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou

E quando chega a noite, e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão

domingo, maio 18, 2014

Mia Couto


são só meninos...




De que vale ter voz
se só quando não falo é que me entendem?
De que vale acordar
se o que vivo é menos do que o que sonhei?
Mia Couto


No conto "O menino que escrevia versos"
Foto de Emmanuel Museruaka



terça-feira, maio 06, 2014

Simplesmente Ana


Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei...
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos.

Ana Cristina Cesar


sábado, janeiro 11, 2014

I wanna run to you

Eu amo essa música. Desde que vi o filme, "Bodyguard", com o Kevin Costner e a querida e saudosa Whitney Houston, amo de paixão, pela letra e pela interpretação dela. Eu tinha apenas 22 anos e estava saindo de um relacionamento de 6 anos, que eu achava que ia ser para a vida inteira.

Sei que não é uma unanimidade, que tem gente que detesta o jeito exagerado dela, mas o que importa? Importa que eu gosto e fico emocionada todas as raras vezes que ela ainda toca no rádio.

Run to you

I know that when you look at me
There's so much that you just don't see
But if you would only take the time
I know in my heart you'd find
Oh a girl that's scared sometimes
Who isn't always strong
Can't you see the hurt in me
I feel so all alone

I wanna run to you
I wanna run to you
Won't ya hold me in your arms
and keep me safe from harm
I wanna run to you
But if I come to you
Tell me will you stay
Or will you run away

Each day, each day I play the role
Of someone always in control
But at night I come home and turn the key
There's nobody there, no one cares for me
Oh woah what's the sense of trying hard to find your dreams
Without someone to share them with
Tell me what does it mean

I wanna run to you
I wanna run to you
Won't ya hold me in your arms
and keep me safe from harm
I wanna run to you
But if I come to you
Tell me will you stay
Or will you run away

Run away, no
I need you here
I need you here to wipe away my tears
To kiss away my fears
No if you only knew how much I wanna run to you
Ya know I wanna run to you

Won't ya hold me in your arms
and keep me safe from harm
I wanna run to you
But if I come to you
Tell me will you stay
Or will you run away

Whitney canta lindamente, e interpreta a dor de uma mulher que se apaixona por um homem e não sabe se ele quer estar com ela ou vai fugir quando souber do tamanho do seu amor. Quantos de nós já não vivemos isso?

Aproveite para curtir o clipe, com a história do filme...






quinta-feira, janeiro 09, 2014

Amar você é coisa de minutos…

o mundo somos nós quando estamos juntos...


 
Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui

-- Leminski

quarta-feira, janeiro 08, 2014

Leminski, de novo


Anais Nin


O que quer dizer

O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Amor de índio

Tem gente que transforma tudo que toda. E faz a pedra bruta virar um lindo e lapidado diamante. Bethania é uma delas. Observe que linda a letra da música do Beto Guedes e veja que interpretação desta nossa diva!

Amor de Índio
Beto Guedes

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado
Meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com o arco da promessa
Do azul pintado
Pra durar
Abelha fazendo o mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor
E ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
E ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado
Meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do seu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser todo




 | Não é de arrepiar?



domingo, dezembro 15, 2013

despropósito geral

Inspire-se!

Esse estranho hábito,
escrever obras-primas,
não me veio rápido.
Custou-me rimas.
Umas, paguei caro,
liras, vidas, preços máximos.
Umas, foi fácil.
Outras, nem falo.
Me lembro duma 
que desfiz a socos.
Duas, em suma.
Bati mais um pouco.
Esse estranho abuso, adquiri faz séculos.
Aos outros, as músicas.
Eu, senhor, sou todo ecos.

-- Paulo Leminski, Toda Poesia, Companhia das Letras, 2013.


sábado, julho 13, 2013

Enchantagem



Enchantagem
Paulo Leminski

de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo

esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade

sexta-feira, julho 05, 2013

Desejo...




Como não sucumbir ao desejo
se ele nos toma de assalto toda
razão existente?
E se se apossa de nosso corpo
como espírito perdido a procura
de abrigo?

Como fechar os olhos e os sentidos
diante do corpo desejado?
Se não se pode tê-lo, para quê
vê-lo nu em pelo?
Como disfarçar o desejo ardente, inebriante
e febril diante de objeto tão obscuro?

04.07.2013


quinta-feira, julho 04, 2013

Sobre o desejo de mudança...

Eu já vinha desejando mudar há tempos. Até ensaiei a mudança, troquei de função, abandonei no caminho um conhecimento de anos que me fazia respeitada e referência dentro da empresa. parecia que nada mais me era surpresa. Ia a Congressos a mando da empresa, com a terrível missão de trazer novidades, de buscar algo que pudesse ser incorporado e "agregasse valor". Não via mais nada. Eu, que sempre tivera olhinhos de aprendiz, que sempre me considerei uma pessoa ávida pelo novo, não conseguia enxergar mais nada dentro daquele imenso Universo das Repetições.

A empresa para o qual trabalho é considerada no mercado local uma potência. Ela tudo faz, tudo experimenta, tem verba e interesse em testar muita coisa, e, no passado, preocupava-se pouco com os resultados, o que dava ainda maior oportunidade de experimentação, ainda que o processo resultasse em erro. Falhar não era problema quando se tinha tanto orçamento.

Hoje, com os recursos mais escassos, falhar é sim um problema, e a ordem é utilizar mais do mesmo, para que se ganhe em escala e se aplique técnicas e métodos já testados com sucesso. É o reaproveitamento que, para alguns, pode ser elegantemente chamado de Benchmarking Interno.

Fazer mais do mesmo me entedia muito. Tenho eu que ler os mesmos velhos manuais, ler os textos que eu já conheço, os padrões que não mudam, conhecer os velhos processos e inovar sobre aquilo tudo. Daí, eu concluo que a inovação incremental é talvez a coisa mais difícil que alguém pode empreender. Ou talvez, seja apenas a mais chata.


 Lendo o livro do Rubem Alves, encontro um trecho que define esse meu momento... (entre tantos):

"Há textos que se parecem com uma lisa superfície de gelo sobre a qual o leitor desliza. O pensamento se move fácil: tudo lhe é conhecido com familiaridade. Mas, ao final desse exercício de patinação sobre o conhecido, o pensamento continua o mesmo. Quando as palavras deslizam suavemente como um patinador sobre o gelo, é certo de que nada novo irá surgir. Ao final, tudo estará como sempre foi. Bem que Hegel advertiu de que "o que é conhecido com familiaridade não é, de fato, conhecido, pela simples razão de ser familiar"".

Nossa, como isso é a minha cara! Como ando enfadada com a mesma comida, os mesmos ares, a falta de novidade, e a arrogância das pessoas. Sinto como se estivesse entrando num mundo de repetições e apertos de porcas com as boas e velhas chaves-de-fenda do Chaplin. Quanto mais eu repito as mesmas operações, executo as mesmas rotinas, crio nada sobre coisa alguma, mais tenho vontade de me dedicar às artes, de virar produtora de gente que cria, de criar eu mesma o belo, o que apetece aos olhos, o que encanta.

E começo a me sentir sugada pelas palavras. Palavras que dançam na minha cabeça e formam as ideias assim, enquanto escrevo, gerando crônicas, contos de amor, poesia, que se não encantam aos outros, ao menos me suprem da fatia de arte que eu mereço e da qual me abasteço para viver.

Talvez viva demais o mundo dos sonhos. E por algum momento, tenho medo de surtar, querer largar tudo, querer abrir mão do que conquistei. Mas, afinal, o que conquistei senão um mundo em tons de cinza... mas, nada a ver com o erotismo do best-seller da livraria da esquina...?


No filme "Tempos Modernos", sem dizer palavra, Chaplin delatava o tédio dos trabalhadores do chão-de-fábrica, aqueles que deviam deixar os problemas em casa para não interferir nas rotinas do dia-a-dia. Como trabalhadora do conhecimento que sou, parece que cabe a mim, inovar e criar as novidades das quais eu preciso para viver.

É isso, careço de doses diárias de arte e poesia.

segunda-feira, julho 01, 2013

Urca e Mirante do Pasmado

Quando todo mundo chega ao Rio de Janeiro, pensa logo na vontade doida de ver a cidade do alto, e reza para não encontrar fila para subir ao Morra da Urca, no bondinho do Pão-de-Açúcar, ou para não ter dificuldade em encontrar e comprar os bilhetes para o trenzinho do Corcovado, e ver o Cristo Redentor de perto.

São programas incríveis. Mas há opções, sabia?

Uma delas é o Morro do Pasmado, ou Mirante do Pasmado, como alguns chamam.

A vista lá de cima é muito linda e a gente não pega fila para subir. É mais fácil se se está de carro, mas também é viável a pé. Nada de subidas escabrosas.

Dá uma olhada nas fotos que eu fiz lá em cima.

 Tarde bucólica no Pasmado...



 Praia de Botafogo...



Urca e Praia Vermelha, vistas aqui de cima...

Depois desse visual, o interessante é conferir o bairro de perto, mas sem se limitar ao fuzuê que é a Praia Vermelha. Passeie pelas ruas do bairro e entenda porque Roberto Carlos nunca quis se mudar de lá. Aliás, é um bairro no qual é muito difícil de encontrar lugar para morar (seja para vender ou alugar).

A minha sugestão é sentar sobre a mureta da Urca, comendo um pastel de camarão ou uma casquinha de siri, tomando uma cerveja gelada, em frente ao Bar Urca. Fecha a tarde com chave de ouro!

Olha só...

 É um bairro onde se pode fazer tudo de bike, ou na magrela, como gostamos de chamar...


Vale curtir a tarde enquanto pesca, na companhia de um bom livro ou do jornal do dia...



... ou dos amigos. Sempre bons companheiros!

Para fechar o post, invariavelmente quando se vem pro Rio de Janeiro de avião, e o piloto faz o vôo panorâmico mostrando as belezas da cidade, não dá para não ouvir, mentalmente, o Samba do Avião do Tom Jobim... Lembra?

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Copacabana, Copacabana
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Pousar...

Música do Dia: Samba do Avião, Tom Jobim



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PS.: Todas as fotos foram manipuladas com filtros do Instagram.