segunda-feira, setembro 16, 2013
sábado, maio 28, 2011
Banheiros
De fato, desde criança me delicio com as páginas dos classificados de imóveis nos jornais, onde as construtoras e incorporadoras publicam as plantas dos apartamentos que anunciam. E quando os mesmos jornais encartam propagandas avulsas com esses lançamentos e plantas em tamanhos maiores, onde se pode ver com detalhes a metragem e a decoração pensada – quem sabe, por um arquiteto contratado pra isso? -, fico em êxtase. Acho que foi isso que me levou a me tornar engenheira, mas de fato o que eu queria mesmo era ser arquiteta. Ou melhor, designer de interiores.
É como quem escreve porque lê muito, conhece o estilo dos outros escritores, entende de gramática, se preocupa com a ortografia e gosta que seu texto tenha um estilo seu. Eu também era assim com a “leitura das plantas baixas”. Com o tempo, foi ficando fácil identificar o que era obra de engenheiro civil e o que era obra de arquiteto. Só para dar um exemplo bem simples: andando de carro pela Avenida Lucio Costa, na Barra da Tijuca, você vê que em algumas construções, houve uma preocupação de fazer com que todos os apartamentos, até os da lateral do edifício, fossem voltados para o mar, o que levou ao arquiteto a projetar uma construção meio na diagonal, mas que comercialmente tem um apelo muito maior. Um engenheiro civil talvez não tivesse feito isso, porque em sua maioria – vejam, não estou querendo generalizar, tem gente ousada em todas as profissões – eles preferem os ângulos de 90 graus e buscam aproveitar ao máximo os espaços, construindo de forma a facilitar o cálculo estrutural e a execução das instalações.
Mas, voltando ao caso das plantas baixas, como estão pequenas as construções hoje em dia! Vende-se um apartamento com 4 suítes, com metragem de 169 m2. Você sabe o que é isso? É um ovo! Uma lata de sardinha! Existem apartamentos grandes em Copacabana, daqueles considerados “antigos”, que nem tem tantos banheiros assim, mas que tem lá seus lavabos, e que contam com generosos 250 a 400 m2. O que, convenhamos, faz com que famílias vivam com muito conforto. Mas, diante da bolha imobiliária que vivemos hoje no Rio de Janeiro, por conta de Copa do Mundo e Olimpíadas, é pra gente rica, muito rica. Ou pra quem já nasceu morando num ap. desses.
E retornando ao caso dos banheiros do meu prédio, eles são voltados para um prisma de ventilação de aproximadamente 2 m2. Graças a Deus não se trata de ventilação forçada, o que também acho insuportável, já que não te dá a opção de ter uma janela no banheiro. Ainda assim, o problema dos meus banheiros (são 2) é que além de muito escuros – a qualquer hora do dia, você precisa de luz artificial para se enxergar dentro deles – esses cômodos são a “porta” (ou a “janela”) para que você partilhe da vida de seus vizinhos – e eles da sua.
Nada agradável saber quando o vizinho toma banho, sozinho ou acompanhado, quando faz reunião com a empregada, quando dá banho em seu cachorro catinguento, quando assoa o nariz, quando faz sexo com a mulher/namorada/sei lá, quando canta pensando que está no “Programa do Raul Gil” ou num trashokê da vida, ou mesmo quando faz aquilo que primordialmente fazemos no banheiro. Isso sem pensar que, se eu não estiver vigilante, estão me ouvindo também.
O fato é que, se eu uso o banheiro no trabalho para o mínimo possível – número 1, que é rápido, e escovar os dentes -, imaginem um banheiro que te expôe desse jeito!? Odeio banheiros públicos. Então, vocês podem imaginar meu sofrimento para usar um banheiro particular que é quase público.
Por isso, meus colegas engenheiros, pensem nesses pobres-coitados, como eu, na próxima vez que forem projetar alguma coisa. Pensem nas melhores práticas do passado, e lembrem que ainda tem gente que tenta ser discreta nessa vida e que odeia esse estilo de vida big-brother, ok? É um pedido, quase uma súplica, por uma vida mais sustentável... que nossos antepassados sabiam bem como preservar!
segunda-feira, junho 07, 2010
De volta para o futuro
Sexta-feira saí com uma amiga para um happy-hour. Fomos a um barzinho perto de casa, e ficamos lá, jogando conversa fora. Foi muito bom. Quando saímos, ficamos discutindo para ver quem tomaria o táxi que estava parado no ponto. Eu cedi, ela também, eu insisti, ela também, e no vai-não-vai, ela acabou indo no tal táxi em direção ao Grajaú.quarta-feira, junho 02, 2010
Por um pouco mais de coerência no trabalho
Eu juro que não queria roubar a idéia da minha amiga Flor de Lótus e escrever um blog sobre a esquizofrenia que assola o mundo corporativo. Mas, o quê que eu posso fazer se, duma hora pra outra, todos os assuntos que me aparecem dizem respeito a isso? Ela mesmo me dizia que tinha assunto à beça quando estava lá comigo, na mesma neurose. Agora, já em outra empresa, custa a postar ("é tudo tão normal").
Já que a participação das pessoas em reuniões é pontual, a agenda pode ser previamente elaborada e as pessoas podem se organizar para estar no escritório naqueles momentos... Isso não vale só para os terceirizados, não. Vale para os empregados da empresa também. Se eu sou mais produtiva num canto silencioso como a biblioteca, por que eu tenho que estar na minha mesa atendendo a telefone, quando eu preciso estar concentrada e produzindo? Se eu preciso de espaço para espalhar os meus livros, buscar referências, consultar diversos autores, por que que esse locus criativo não pode ser a mesa da minha casa e o meu notebook conectado a empresa? Será que não existe uma outra maneira de aferir produtividade e desempenho?sábado, abril 24, 2010
Talvez uma história de amor
Escolhi esse livro por três motivos. Primeiro, porque ganhei um outro de presente que eu já possuía, e tinha que trocá-lo. Depois, pelo título, já que sou uma romântica inveterada. E terceiro, pela idade do autor, um cara praticamente da minha idade, que vê as dores e os dilemas da minha geração pela ótica da minha geração.Não me arrependi. A história é realmente interessante. Se passa em Paris, num local decadente, onde o personagem mora em companhia de prostitutas e bêbados, que coabitam o mesmo edifício de pequenos apartamentos.
Virgile é um cara que não se envolve muito e, frequentemente, está platonicamente apaixonado por uma amiga ou outra. Um belo dia, quando chega em casa do trabalho, se depara com uma mensagem na sua secretária eletrônica de uma mulher que ele não se lembra de ter conhecido, de nome Clara, e que está ali, terminando algo que ela define como um relacionamento... e que, para piorar, ele não se lembra de ter vivido.
E então ele pira!
Enquanto lia o livro durante o vôo, ia pensando emVirgile, com suas qualidades e defeitos, vivendo numa cidade que eu ainda não conheço, mas que está no meu imaginário de alguma forma, por ter sido tão retratada em livros e filmes. Olhei pro lado e vi um rapaz moço, dos seus trinta anos, deitado em um conjunto de três assentos, e me dei conta de que o Virgile do livro podia ter a cara dele, o jeito dele, enfim, o seu estereótipo. Um cara todo arrumadinho, meio sistemático, capaz de usar um sapatênis marrom com um friso bege na sola, e uma meia marrom com um friso bege na sola (Eu vi esse detalhe porque num dado momento ele tirou os sapatos para ficar mais confortável !!!). E que no meio da viagem pergunta a comissária de bordo se ela teria um pouco de creme hidratante para lhe emprestar para passar nas mãos. Eu quase ofereci o meu ao rapaz tão fleugmático.
Enfim, nosso personagem pode ter a cara que a gente quiser, basta ter imaginação. Esse é um livro bacana que serve como um excelente passatempo e que a gente devora em um ou dois dias. Recomendo!
quinta-feira, agosto 27, 2009
Das máscaras que a gente usa
Aí alguém te dá um bom-dia e diz que sonhou com você. E é impossível não pensar que aquilo não foi sonho, foi pesadelo, porque a sua relação com aquela pessoa não anda lá das melhores, anda meio arranhada e te dá até medo de perguntar o que foi o sonho. Então, você opta por não perguntar e troca a pergunta por um sorriso amarelo.
Então, durante todo o dia, você fica o dia todo fugindo de reuniões. Não as quer, não precisa delas, elas também não precisam de você. Nada será decidido, nada que vale à pena será dito, apenas um monte de gente terá que se aturar e um ou outro vão se dignar a te dar um sorriso sincero no meio disso tudo.
E por mais que você use a máscara do sorriso perfeito e pense no quanto você precisa contribuir para o bem-estar de todos e para o bom clima organizacional, o copeiro nota que você não está lá nos seus melhores dias e que o Vertix que você está tomando está te deixando muito mal, muito apagada, muito sonada, muito sensível.
O colega ao lado tenta brincar contigo, e você tenta retribuir a gentileza porque sabe que ele está apenas procurando levantar o seu astral, quando na verdade o que você gostaria mesmo era pedir um abraço apertado, daqueles em que você diz, sem dizer: "Me tira daqui, me leva pra bem longe!", mas você não pede o abraço, e fica com o nó da angústia o dia inteiro te consumindo, mas pensando que hoje é dia dos "aniversariantes do mês" e você é uma das homenageadas, e que o tema é Folclore.
Aí você descobre que quem teve essa idéia de fazer festinha temática sobre Folclore, onde os grandes astros são a mãe-d'água, o boitatá, a mula sem cabeça, o saci-pererê e afins, foi uma grande amiga, e o chefe tentando ser simpático tem outra idéia - essa infeliz - e pede para as pessoas (a maioria mulheres) que estão comemorando o aniversário escolherem um dos personagens com as quais mais se identifiquem (!!!!! como assim ???? isso contribui para o clima organizacional????) e você pensa logo na mula (sem cabeça), mas no fundo quer mesmo saber o que está fazendo ali que já não foi embora. Ah, mas tem as fotos ainda!
E no final do dia, chega em casa e as coisas não estão lá muito bem, e você fica se perguntando onde estava o Caetano quando escreveu: "alguma coisa está fora da ordem...". Será que ele estava espionando a sua vida?
Certas máscaras acabam sendo mais pesadas do que a gente pensa. Certas máscaras são difíceis de usar. Elas nos mostram fortes, mas escondem quem de fato nós somos, como nós somos. Sinto falta do cafuné da minha mãe, quando eu deitava na cama à noite e precisava chorar. Hoje, não tenho mais isso. Sei até que quem tem, muitas vezes, não dá valor. Que pena...
Quando desabafamos com um amigo ou amiga e contamos que choramos mais de meia hora a ponto de soluçar por uma angústia inexplicável (que talvez possamos explicar, mas não a ele / ela), esperamos que ele apenas nos brinde com o silêncio compreensivo e acolhedor. Mas, e se ele nos vê tão forte que não acredita que haja motivo pra tanto choro? É a máscara e seu efeito. Aquela máscara que nos impede muitas vezes de dizer o que sentimos, de fazer o que queremos, de sumir, de dar o famoso "perdido"...
Um dia, quem sabe ela cai...
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PS.: Perdão, amigos, pelo péssimo português, mas foi um desabafo e não cabe à mim corrigir.
segunda-feira, agosto 17, 2009
Ídolo
terça-feira, julho 14, 2009
Esconde-esconde?
Quem está com ela, sabe quem é do outro lado da linha. Lê seus pensamentos.
Não queria ser assim, tão transparente. Faz cara de indiferente, apesar de estar feliz.
Mais uma vez. A quarta hoje. O outro desliga.
Ele pergunta quem é e confirma suas suspeitas. Ela não esconde mais nada.
Não quer mais nada nessa vida. Chutou o balde. Está mesmo feliz.
sábado, junho 20, 2009
Cena carioca: o espírito do Carioca onde está?
14:30. Shopping Tijuca, porta da Avenida Maracanã. Uma mulher numa cadeira de rodas se esforça para vencer a porta automática. Ela não tem forças para ultrapassar o desnível e a porta insiste em fechar sobre ela. Eu observo a cena, mais uma vez. Vejo também que ninguém a nota, ninguém percebe aquela pessoa lutando pela vida num momento para nós banal do cotidiano: vencer uma passagem de nível. Eu páro e espero. Penso se ela quer ajuda. Mas e se ela se ofender? Comento com a minha mãe, que está comigo. Ela me pergunta a mesma coisa. Eu chego por trás dela e me ofereço para ajudar. Ela fala tão baixinho. Pede que eu também a ajude a vencer a rampa, inclinada demais para ela. Mais um erro dos engenheiros, que projetam sem pensar no fim daquela obra, em quem ela estará servindo, ou ajudando. Quando enfim chegamos na calçada, ela está agradecida, mas a sua voz é tão pequena que eu quase não escuto seu agradecimento. Tudo isso me deixa emocionada. Ninguém nota mais ninguém. Não há mais solidariedade. Quando retorno ao shopping, minha mãe comenta que eu fiz minha boa ação do dia. Isso não me consola. Não quero esses pontos no meu credi-karma. Mais solidariedade!
Onde foi parar o espírito do carioca? Onde estão os simpáticos de sempre, os atenciosos de sempre? Onde é que guardamos as palavras afetuosas, o muito-obrigado, o por-favor, o com-licença? Onde foi que perdemos tudo o que nos fazia diferentes? Vocês sabem?
terça-feira, junho 16, 2009
Olhares
Eu olhei também, com firmeza, querendo as respostas que há tanto tempo espero. É incrível como esses olhares intensos nos aproximam e nos levam a ter uma cumplicidade com o outro e ao mesmo tempo nos tornam tão distantes, pelo que não é dito, em função da intensidade com que as palavras brotam, e devem ser freadas, na maioria das vezes... em função da emoção que as acompanha.
Hoje, tenho que reconhecer, ganhei um presente. Um presente na forma de um olhar. Eu o vi de costas, reparei, gostei, esperei para ver de novo, e quando, de repente, meu olhar se encontrou com o dele, meu dia ficou ensolarado, ganhei o sol, o céu, a lua e todas as estrelas numa tacada só. Uma onda de energia me invadiu o corpo e eu comemorei como se fosse final de copa do mundo, na qual o Brasil sai vencedor. Ah, tenho que registrar, esse olhar veio acompanhado de um sorriso, uma paradinha, um aceno, um outro olhar. E pena, havia um vidro enorme nos separando, não dava nem para trocar umas palavrinhas.
O segundo olhar foi uma intimidação. Ele estava repleto de palavras nas entrelinhas, de coisas para serem ditas, de interrogações, de medos, de dúvidas, de incertezas. Era o olhar de alguém que está muito inseguro, mas que quer mostrar que não, que sabe tudo que pensa, que entende suas certezas, suas vitórias, e que acha que consegue controlar até os desejos mais obscuros, aqueles que a pessoa desconhece, ou com os quais não sabe lidar, daqueles que teme até em pensar.
Esse segundo olhar resultou do primeiro. Do efeito que o primeiro provocou. Da inveja de não ter sido ele o provocador de tamanha felicidade, de não poder se aventurar, se jogar em algo que é desconhecido, mas que ele desconfia que pode ser bom. Este olhar veio acompanhado de um discurso de menino feliz, que tem uma vida feliz, pessoa capaz de controlar todas as variáveis que acompanham a vida, inclusive aquelas relacionadas ao imponderável. E eu, olhando que estava, mais desconfiada ficava do discurso do menino feliz, eu que não acredito há muito tempo nessa tal de felicidade plena.
Eu, que olhei de volta nos dois casos, agradeci pela benção de ter sido olhada. Se alguém não me viu por inteiro (e foi o que aconteceu nos dois casos), pelo menos tentou, se interessou. Ao menos, eu causei um movimento, e ele foi de aproximação, e não de reação, apesar de, em nenhumas das situações, termos dito tudo (ou de termos dito praticamente nada).
A única coisa que sei é que esses olhares me deixam mais viva, mais feliz, mais disposta, com mais vontade de lutar por um futuro que é hoje, é amanhã de manhã, e que estou construindo, dia a dia, pouco a pouco...


