terça-feira, abril 28, 2009

É o cara! Gostaria de fazer um shaking hands...

Adoro os comerciais do Giraffas! São produzidos pela DPZ... e esse não podia ser mais engraçado, em tempos de Lula e Obama.

Meu professor me apresentou a este... veja que maneiro!


Amei!

segunda-feira, abril 27, 2009

A difícil tarefa de ser feliz

Enquanto a maioria sofre por aí e outros se apoiam na tv para esquecer do mundo, alguns ainda tentam ser felizes, um pouquinho todo dia, e sofrem também na busca por esta tal de felicidade, que é tão efêmera e parece só existir nos livros.

Eu, que não sou boba, ponho um sorriso no rosto, como sugeria o Chaplin na canção Smile.

Não sei se vocês viram, mas o Hugo Chavez deu um livro ao Obama do Eduardo Galeano. Chama-se "As veias abertas da América Latina", excelente livro sobre política deste pensador uruguaio.

Vi que este livro já está totalmente disponível para download na internet, é só procurar. E procurando outros textos sobre o Galeano, encontrei esta citação fantástica:



"Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar.
Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa:
É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem.
Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."
Eduardo Galeano


Rogo a Deus todos os dias que as pessoas nunca deixem de brincar. No dia que nos despedirmos da criança que há dentro de nós, seremos como um leito seco de um rio... mesmo com toda a pressa que temos de sermos felizes, o que precisamos agora e sempre é de brincar!

domingo, abril 26, 2009

O jogo - making of

Já deu para perceber que eu adoro escrever, não é mesmo? Escrever esta história foi uma experiência realmente bacana, porque me permitiu resolver uma série de questões internas que os anos de análise não haviam servido para tratar. Trabalhei os meus medos, os meus desejos, as minhas dificuldades, meus dilemas afetivos e, sinceramente, pude colocar um pouco de mim em cada um dos personagens.

A Tamara, personagem principal da história, era uma moça ingênua que acreditava no amor, que transava por amor - apesar de alguns leitores incentivarem uma postura motivada pela transa, pura e simplesmente - que queria muito encontrar o seu par. Naquela época, ela buscava ardentemente por alguém que a completasse e com quem ela pudesse construir uma vida. Não foi dessa vez, infelizmente, mas ela nunca deixou de tentar. Não havia na Tamara a segurança de uma mulher que já passou pela fase 'balzaquiana': ela era frágil demais emocionalmente para se aventurar a ser uma 'bad-girl'.

Ao João, eu destinei o perdão. Dei a ele o perdão por tudo que ele não disse, por todas as vezes que ele relegou a Tamara com um profundo e lacônico silêncio (como diz a minha irmã), daqueles que doem por dentro, justamente pela indiferença, ou pela incapacidade de dizer alguma coisa que demonstre afeto. Já que muitas vezes o João não disse nada, desta vez eu o fiz dizer. E mesmo no meio das suas dúvidas, ele foi sincero. Ele não sabia mesmo o que fazer e continuou a viver a vida sem saber o que fazer. Sempre foi e sempre será um perdido.

A Cecília também foi um personagem forte, que carreguei nas tintas do cuidado fraternal, quase maternal. Ela tem o excesso do carinho e do zelo de quem não tem importância pro outro e vive buscando uma maneira de se fazer presente. Ela cuida, mas não é cuidada. Ela ama, mas passa desapercebida. Ela é boa de coração, mas espera demais. Talvez, vivendo em Salvador e com uma família só dela, ela já tenha evoluído em alguma coisa.

Os outros dois personagens, para lá de coadjuvantes, são os estrangeiros. Eles foram os 'malas' da história, os caras chatos, inconvenientes, que ficam o tempo todo ocupando os computadores como se só eles tivessem o direito de usá-los e que se fazem de vítima e de coitados para que seus pedidos, por mais estapafurdios que sejam, sejam atendidos. Não que eu considere todos os estrangeiros assim - é claro que eles não são assim. Só que neste caso, os estrangeiros eram 'malas' mesmo, e sem alça.

Eu fui um pouco 'mala', um pouco perdida, um pouco desastrada nos meus afetos, um pouco afobada, um pouco mais segura, enfim, fui um pouco de tudo que eu escrevi nesta história, de todas as características que imprimi nos personagens. Tratei de me divertir muito cuidando da continuidade do texto e de escrevê-lo sempre - o máximo possível - no tempo presente, de modo a torná-lo interessante aos leitores que acompanhavam a história. Não sei quantos estavam lendo e se gostaram. Pelo menos, não recebi nenhum comentário indignado neste meio tempo.

Já tenho uma história nova na cabeça. Mas, agora, meu desafio será torná-la mais interativa. Vocês me ajudam?

Abraços e até a próxima!

O jogo [25]

“Ai, graças a Deus, mais um dia de trabalho está chegando ao fim... como é que eu nunca esmoreço?”, ela se pergunta. "Tanto por fazer, tantos itens para preparar, tantos detalhes, o evento está logo aí, ela tem muitos acertos a fazer ainda". Ficar até tarde na empresa já algo corriqueiro, ela nem se importa mais. O importante é o resultado, não importa o quanto se sofra durante o processo. Também, se correr tudo bem, ela sabe que a chance de uma promoção é grande... "Finalmente, uma chance de ser promovida!" Ela não pode vacilar.

De repente, toca o telefone.

- “Meninas, deixa que eu atendo, deve ser o entregador dos folders, finalmente!”, ela diz para as colegas, que como ela, estavam atoladas de afazeres até tarde da noite.

- “Alô, Tamara falando”, ela diz, “quem é?”

- “Oi, Tamara, o que é que você ainda está fazendo aí essa hora da noite?”, ele pergunta, meio canastrão.

- “Oi, quem está falando? Você me desculpa, mas eu não estou reconhecendo a sua voz”, ela responde.

- “Sou eu, Tamara, João. Já esqueceu da minha voz?”

- “João? Ah, oi, João... Quanto tempo, né, que a gente não se fala? No quê que eu posso te ajudar?”

- “Ajudar? Não, eu não quero a sua ajuda. Quero te ver. Quando podemos nos ver?”

- “Nos ver? Qualquer dia desses, João, qualquer dia desses!”

- “Quando? Amanhã? Poderíamos almoçar juntos, que tal?”

- “Amanhã? Desculpa, João, mas amanhã não vai dar. A propósito, João, você tem certeza que não está precisando da minha ajuda?”

- “Tenho, tenho. Eu só quero te ver. Quando então? Vamos marcar um almoço?”

- “Semana que vem, pode ser?”

- “Quarta-feira está bom para você? Às três e meia?”

- “Três e meia? Impossível, João. Meu horário de almoço vai no máximo até às duas da tarde”.

- “Ah, mas às duas eu não consigo chegar aí. Não pode ser mais tarde?”

- “Então não é almoço, né, João? É qualquer coisa menos almoço, né?

- “Tamara, você não sente saudades de nós dois? Por que a gente não deu certo? Você acha que a gente teria dado certo?”

- “Aaaaaahhh, João. Você acha que vale à pena a gente retomar esta história? Eu acho que não! Eu estou ocupada, João. Não estou aqui no trabalho até essa hora à toa, estou trabalhando. Vamos deixar esse papo para outro dia, vamos?”

- “Tamara, estou com saudades de você”.

- “Quanto tempo tem que não estamos mais juntos, João?! Já passou... já se vão mais de dez anos. A gente sabia que ia ser assim. Desde a última vez que conversamos na faculdade, sabíamos que ia ser assim. João, me deixa ir, eu tenho que desligar agora”.

- “Tamara, eu quero te ver”.

- “João... nesse tempo...você aprendeu alguma coisa? Parece que não. Eu aprendi. Tchau. Beijo”.







....................................

E assim eu encerro esta história e me preparo para outra. Espero ter a companhia de vocês na próxima! Bjs, Rebecca

sábado, abril 25, 2009

O jogo [24]

Com o tempo, e com o pouco espaço para assunto que ela dava a ele, eles foram se distanciando e seguindo cada um o seu caminho.

Às vezes, nas poucas aulas que faziam juntos, ela se pegava olhando para ele e pensando no que teria acontecido à sua vida junto a Rosana. Nunca perguntou sobre o bebê que estava a caminho, nem se a família estava bem, muito menos como estava o casamento com a Rosana. Simplesmente não queria saber.

Ele parecia ter pressa em terminar o Mestrado. Começou a fazer mais disciplinas que todos os outros e, de repente, já estava trabalhando no projeto de pesquisa. Tanto fez, que acabou em um ano e meio, coisa rara. Ela sentia pena de não estar junto dele, mas sabia que a vida devia continuar. "The show must go on", cantava seu cantor favorito. Ela queria ser racional e estava sendo racional, pela primeira vez na vida.

Em pouco tempo, soube que ele havia começado o Doutorado, enquanto ela ainda penava com o seu orientador para definir o tema de sua dissertação. Logo estavam completamente ausentes um do outro, sem nenhuma notícia que os amparasse. Para ela, parecia que era o fim.

Encontrou com ele uma ou duas vezes no Departamento, mas não soube a data de sua defesa de tese, nem onde ele estava trabalhando, nem com quem. Não quis saber, não se interessou. Perdeu o contato.

(...)

Anos depois, já empregada em uma multinacional, foi encontrá-lo novamente em um seminário, no qual ela era palestrante. Estava representando sua empresa e falando de planejamento estratégico e jogos de negócio, assunto sobre o qual era especialista. Quando subiu ao palco e o viu na platéia, sentiu um leve desconforto e não conseguiu parar de olhar para ele.

Já havia vivido muitas histórias, tido outros amores, casado até, mas vê-lo na primeira fila, envelhecido, de cavanhaque grisalho, e olhando para ela, trouxe todo o passado de volta. Alguns sentimentos que ela julgava enterrados vieram à tona e ela engasgou umas duas vezes. Ele, como sempre, olhou para ela dando força e sorriu.

Depois da palestra, ele a procurou e, de novo, ela sentiu aquele desconforto. Como quando a gente encontra alguém na rua com quem a gente não quer falar e esta pessoa vem conversar como se nada houvesse acontecido, afetuoso, querendo retomar antigas relações... Eles conversaram sobre a vida...

- "Oi, que surpresa boa te ver aqui...", ele diz.

- "Oi, bom ver você também (mentira, era a última pessoa que eu queria ver...!)", ela responde com seu jeito sem graça de sempre.

- "O que você anda fazendo? Que legal que você está nesta empresa! A quanto tempo?", ele pergunta.

- "Há alguns anos. Logo depois que eu saí do Doutorado, meu orientador me apresentou a um alto executivo da empresa e eu fiz uma entrevista. Saber inglês contou muito, lembra como eu estudava...?", ela diz.

- "Lembro, lembro. Eu..."

- "Você está fazendo o quê?", ela o interrompe e pergunta.

- "Ah, toma aqui o meu cartão. Eu sou professor universitário. Estou dando aula em algumas universidades particulares, mas não é fácil conseguir trabalho. Eu estou sempre tentando cavar novos contatos..."

- "Ah... é difícil mesmo essa vida de professor, né? E, mudando de assunto, como estão suas crianças? São três, né?", ela pergunta, fingindo interesse...

- "São quatro. Eu casei de novo depois da Rosana. Ela ficou pouco tempo lá em casa. Estou com a minha quarta mulher. Acho que agora encontrei a pessoa certa, ela me compreende. Entende esta minha história cheia de filhos. Tenho duas meninas e dois meninos. E a Cecília, como vai?"

- "Vai bem. Tornou-se especialista em Biologia Marinha e conseguiu uma vaga no Projeto Tamar. Hoje, mora em Salvador, está casadíssima e feliz. Às vezes, nas minhas folgas, vou lá ficar com eles. Sou madrinha de um dos meninos... Bom, foi legal te reencontrar. A gente se fala... fica com o meu cartão também".

- "Eu te ligo, qualquer dia desses. Tchau".

Quando chegou ao escritório, fez questão de abrir sua bolsa, pegar o cartão dele lá dentro e cortá-lo em mil pedacinhos, para não correr nenhum, mas absolutamente nenhum, tipo de risco. Era muito tarde para qualquer recomeço, mesmo que este recomeço um dia fosse possível.

sexta-feira, abril 24, 2009

Sex and the city (SATC) - saudades!!!

Que vestido lindo o dela, não? Que foto!


Eu também ficava assim embevecida lendo pra ele...

Hoje, vendo estas fotos, fiquei com saudades de sonhar com o Mr. Big...

O Chris Noth, ator que interpreta o Mr. Big, nem é lá uma Brastemp, mas, sei lá o que me faz gostar do personagem/ator(?). Talvez a história, talvez a esperança do final feliz, talvez o jeito canastra, talvez o ar paternal... eu amo o Mr. Big e, confesso, já vi outros filmes com ele só porque ele estava atuando.

É assim também com a Julia Roberts, que eu adoro de paixão, a Meg Ryan, mesmo com aquela boca torta cheia de botox, e o Judie Law, com aquela cara de maior abandonado.

Ai, por que meu coração bate tão enviesado?

Mais algumas coisas que aprendemos com estranhos

Há algumas semanas, meu marido recebeu no Rio de Janeiro, alguns parceiros de trabalho (de uma pesquisa cooperativa) de um grupo que ele está coordenando.

Tratava-se de uma senhora e de dois colegas alemães, que estiveram aqui a trabalho e aproveitaram para conhecer a cidade.

Meu marido e seu colega da universidade foram os cicerones dos três a aproveitaram o pouco tempo de que dispunham para dar uma "canseira" nos três.

Os levaram para conhecer o Cristo Redentor, que eles amaram. Ver a cidade lá de cima é realmente impressionante. Eles adoraram o Cristo e se impressionaram com a quantidade de favelas. Não dá para ignorar que o Rio de Janeiro é uma cidade de favelas. E que o termo "favela" já está mais do que internacionalmente conhecido.

De lá, eles foram ao Porcão Rio's. Dá para imaginar o que eles sentiram, né? Amaram! Nunca viram tanta oferta de comida, de carne - principalmente - e de saladas. "Que buffet!", eles disseram. A conversa rolava em alemão, inglês e espanhol. Dá para imaginar tudo isso numa só mesa? Pois uma coisa que se aprende nestas horas é que quando o cérebro quer se comunicark, ele se vira. Você começa a misturar os idiomas, mas a conversa sai, pode ter certeza. Amaram também os sucos, e só queriam tomar sucos das nossas frutas nativas, e amaram também as sobremesas (mousse de maracujá, creme de papaia com licor de cassis etc).

Outra coisa que repararam é que, por aqui, pessoas mais velhas - como eu - estão usando aparelhos nos dentes! Muito incomum para eles, mas muito natural para nós. Repararam na quantidade de gente de aparelho. É mesmo, né? Está todo mundo colocando. O importante é ter os dentes bonitos (o meu é igual a esse aí do lado!).

Por fim, quando fomos levar um deles no aeroporto, descobrimos que, por ser casado com uma espanhola, o alemão fala a maior parte do tempo com ela em espanhol. Eu perguntei porque e ele me respondeu: "Conversas emocionais só podem ser feitas em espanhol, nunca em alemão"... É engraçado constatar que eles mesmo se acham um povo frio. Ele fêz questão de nos agradecer muito a hospitalidade e gentileza... e olha que a gente não fez nada...


O que me leva a constatar que:
BRASILEIRO É UM POVO MASSA MESMO!

O jogo [23]

FADING. Provação dolorosa segundo a qual o ser amado parece afastar-se de todo contato, sem nem mesmo que essa indiferença enigmática seja dirigida contra o sujeito amoroso ou pronunciada em benefício de qualquer outro, mundo ou rival.
BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso.


Nas semanas que se seguiram àquele episódio, ela se manteve quieta, concentrada nas aulas, de poucas palavras e os amigos mais próximos perceberam a mudança. Não foi sutil, foi para quem quisesse ver. Ela estava sempre com um texto na mão, esforçando-se para evitar falar de assuntos pessoais, e só lhe interessavam as discussões sobre os trabalhos de cada disciplina.

Ele percebeu a mudança também. Parecia que ela havia perdido o brilho, que a sua luz interior estava apagada. Ela nunca esteve tão na dela, quase deprimida, e ele sabia que o motivo era o telefonema e a conversa com Rosana. Ele queria se explicar, mas não encontrava um caminho. Por mais que ele soubesse da sua decisão, gostava dela, ela havia trazido graça para a sua vida, e ele lhe sentia grato pela ajuda em um momento tão difícil. Nem ela sabia o quanto havia ajudado...

Um dia, depois da aula, lá estava ela na sala de estudos, dividindo o espaço com os dois estrangeiros barulhentos, fingindo não se importar com o barulho que eles faziam, com a cara enterrada num livro e a mão segurando a cabeça. Ele se aproxima dela e puxa conversa:

- “Oi, está tudo bem com você?”, ele pergunta.

- “Tudo bem”, ela responde bem seca, sem olhar para ele.

- “A gente pode conversar um pouquinho?”, ele diz.

- “Pode falar, este espaço é público mesmo...”, ela comenta.

- “Vamos lá fora um pouquinho... eu não queria falar aqui”.

- “Está bem, mas não se demore, porque eu tenho uma reunião agendada com o meu orientador para daqui a pouco...”, ela diz.

(no jardim)

- “Soube que você ligou lá para casa quando eu estive na Bienal, né?”, ele pergunta sem graça. Ela não responde, fica olhando para ele com cara de ‘paisagem’. “Pois é, a Rosana me deu seu recado”.

- “Que bom que a Rosana é uma mulher que dá recados!”, ela diz ironicamente.

- “A Rosana voltou lá para casa... sabe como é, né? Ela está grávida...”, ele diz e tenta segurar sua mão, sendo imediatamente rechaçado por ela.

- “João, isso tudo é culpa? Por que você não me disse que era uma pessoa dada a este tipo de sentimentos, eu teria evitado você...”

- “Mas, ela está grávida de um filho meu! Como é que eu posso deixa-la desamparada?”, ele pergunta nervoso.

- “Não, não pode. Nem deve. Mas, precisava levá-la de volta para casa? Eu só posso concluir com isso que você ainda a ama. Você ainda a ama, João?”, ela pergunta.

- “Acho que sim, não sei, ..., estou confuso...”

- “É, estou vendo que você está confuso...bom, está na hora da minha reunião...me deixa ir...”

- “A gente não vai mais se ver?”, ele pergunta.

- “Vamos, vamos nos ver. Aqui na aula. Quanto a mim, parece que não é importante, mas ... não se preocupe, vai passar... tchau”

E volta para o prédio, caminhando em direção ao gabinete do seu orientador. Ela ainda sente uma lágrima acidental escorrer pelo canto do olho em direção a sua boca... e pensa que nunca mais vai chorar por ele.

quinta-feira, abril 23, 2009

O menor conto de fadas do mundo

Recebi do meu pai (????????????)...

......................

O MENOR CONTO DE FADAS DO MUNDO

Era uma vez uma bela moça que pediu um garoto em casamento:- Você quer se casar comigo?

Ele respondeu:- NÃO!

E a moça viveu feliz para sempre, não teve filhos, viajou, conheceu muitas outros garotos, fez plásticas, não lavou louça nem fez jantar, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de ótimo humor, nunca lhe faltava pretendentes, ia e voltava à hora que queria, saia pra jantar com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.

O garoto? ficou velho, careca, barrigudo, engordou, broxou, se fu*** e ficou sozinho....

FIM

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Juro que eu não entendi!

O jogo [22]

Quando as aulas recomeçam, eles estão tão entretidos com o prazer que sentem quando estão juntos que se esquecem de combinar como vão agir. Pensam, ambos, que está subentendido que ninguém precisa saber de nada.

Chegam à faculdade e se cumprimentam apenas como amigos, para que os demais não desconfiem das maravilhosas férias que tiveram. São cúmplices neste segredo, mas os olhares que trocam são um pouco reveladores para quem presta atenção. Nem juntos sentam, para não "dar bandeira". Não sabem como seus orientadores reagiriam a isso, e não querem pagar para ver.

Ela não se sente segura com este jogo de "faz-de-conta" e começa a perceber, com o passar dos dias, que ele está um pouco distante. Durante as aulas, se dirige a ela muito pouco e começa a procurar outras pessoas para formar grupos de estudos, com a desculpa de que os interesses dos dois não são convergentes. Ela então nota que tem algo acontecendo, mas fica esperando a melhor oportunidade para perguntar.

Um belo dia, ela resolve pedir-lhe uma carona para casa. Ele, constrangido, diz que a leva em casa, apesar da volta que terá que dar para chegar em Jacarepaguá. Entende que ela quer conversar, mas não sabe muito bem o que dizer. Ela nota seu 'sorriso-amarelo', mas finge que não está percebendo e vai com ele.

Ao longo do trajeto até o Jardim Botânico, ela faz uma ou duas perguntas sobre a vida dele, das quais ele trata de esquivar-se. Ele deixa escapar apenas que conseguiu um "trampo" num stand na Bienal do Livro, no Riocentro e que vai ter que faltar uma semana de aulas. Com seu carisma de sempre, pergunta se ela pode mantê-lo informado sobre os trabalhos, tarefa que ela prontamente consente em fazer.

Durante aquela semana, nem um telefonema sequer dele, o que ela entende como uma impossibilidade, já que ele deve estar muito atarefado com os afazeres no stand. Ela então decide ligar para a sua casa, para deixar um recado amoroso na secretária eletrônica. Coloca no rosto o seu melhor sorriso e liga...

- "Alô!", atende uma mulher.

Ela fica muda de espanto. Depois de alguns instantes, ela diz: - "Alô! Quem fala?"

No que a mulher responde: - "É Rosana! Com quem gostaria de falar?"

"Rosana?", ela pensa, "mas Rosana é o nome da ex-mulher do João".

(silêncio constrangedor)

- "Oi, Rosana, tudo bom? Quem está falando aqui é Tamara, colega do João do mestrado", ela diz. (pensa rápido, mulher, pensa rápido!)

- "Oi, Tamara, o João não está. Ele está na Bienal", retruca Rosana, impaciente.

- "Ah, por favor, eu posso deixar um recado para ele com você? Diz a ele que nós já formamos o grupo do trabalho final, já decidimos o tema e separamos a parte dele... Se ele quiser saber o que ele tem que fazer, por favor, peça a ele que me ligue, ou para um dos meninos do nosso grupo, que eles explicam tudo pro João, ok? Muito obrigada. Um abraço, heim..."

- "Pode deixar. Abraço", e tratou de desligar o telefone.

Não havia trabalho nenhum. Nem grupo nenhum. Ela havia acabado de inventar tudo isso. Só queria que João soubesse que tinha ligado e que tinha falado com Rosana. Será que ela estava lá apenas pegando as suas coisas? Ou será que tinha voltado para casa? Será que era por isso que João estava estranho?

Ela não conseguiu estudar naquele dia, nem se concentrar na tv. Não conversou com Cecília, nem pôs o pé fora de casa. Estava desolada, estava triste, estava só. Chorou muito, com a cara enfiada no travesseiro, e se sentiu uma verdadeira tola, uma tonta. Daquelas que a gente enrola fácil e que sonha com príncipe encantado que não existe mais... Como pôde ser tão boba?

Salve, Jorge!

Hoje é o dia dele. Salve, Jorge! Me dê um pouco de coragem! Para que eu dome o dragão do medo que me assusta agora... Sou como tantos devotos seus, Fernandinha Abreu, Jorge Benjor, Zeca Pagodinho e tantos outros...

Sigo dizendo em voz alta a sua oração...

Oração de São Jorge


"Eu andarei vestido
e armado com as armas de São Jorge,
para que meus inimigos tendo pés,
não me alcancem,
tendo mãos, não me peguem,
tendo olhos, não me enxerguem,
e nem em pensamento eles possam
me fazer o mal.
Armas de fogo o meu corpo
não alcançarão, facas e lanças quebrarão
sem meu corpo chegar,
cordas e correntes se arrebentarão
sem o meu corpo amarrar."

Em homenagem ao dia de hoje, feriado aqui e na Inglaterra, que curioso!, posto também um lindo ponto de Ogum...

"Ele venceu a guerra
Ele tocou Clarim
Ele venceu a guerra
Ele tocou Clarim
O exército todo
Na madrugada
Salve Ogum Rompe-mato
Salve Ogum Matinata!"

Salve, Jorge! Salve, Jorge!


Medo

Ontem, mais uma vez senti medo. Ao sair do trabalho, lá estavam eles, em bando, prontos para o "arrastão". Falo dos meninos que habitam os Arcos da Lapa e que descobriram um novo point de assaltos na porta da minha empresa: lá é fácil, fácil, galera. Ninguém faz nada!

Eu já tinha contado do assalto que sofri no post "Primeiro da Abril". Segui a orientação do meu chefe e fiz um relato por e-mail para a segurança da empresa, que estranhamente, só foi encaminhado esta semana. Sabe o que mais? Perdeu o efeito.

Eu não fui na delegacia fazer o boletim de ocorrência (ou registro, sei lá como chamam isso agora!) e os meninos continuam lá nos intimidando.

Eu estou ficando covarde. Ontem, tive um pico de pressão, acho. A cena e o medo me deram logo dor de cabeça. Há alguns anos, eu sairia de peito aberto, pronta para a briga. Hoje, eu me encolho e tenho vontade de sair correndo. Ontem, pedi ajuda ao prancheteiro do ponto de táxi enquanto esperava meu marido chegar. Era quase "pânico", e essa minha reação me deu muito medo. Medo de mim mesma.

A gente vê na tv todos os dias eles falando da "Cracolândia", da prostituição dos menores, da vida que eles levam, do abandono das autoridades. Eu não tenho mais pena deles. Não daqueles que levam da gente coisa que batalhamos para conquistar. Meu professor de espanhol foi roubado semana passada no mesmo lugar que eu, na Avenida Chile. Ficou sem seus pertences e seu dinheiro, que só eu sei o quanto ele batalha para conseguir. Tem uma filha pequena e eu sei que esse dinheiro deve estar fazendo falta. Rodrigo, meu amigo, seu dinheiro virou pó, ou crack. Está sendo consumido nos cachimbos dos meninos embaixo dos Arcos da Lapa.

Até quando vamos ter que viver assim? Até quando vamos viver nesta apatia, covardes que somos?

quarta-feira, abril 22, 2009

O jogo [21]

Ela acorda toda desgrenhada, com os cachos ruivos em seus olhos e começa a pentear o cabelo com os dedos. É muito bom para ser verdade estar ali, com ele. Vê o movimento dele da cozinha para a sala, da sala para a cozinha, preparando um café e arrumando a mesa. Está com um rosto feliz, está radiante, e ela não quer perder este momento. Nem se mexe. Fica ali quietinha, apreciando tudo, para guardar na memória.

Começa a achar que ficarem juntos é algo possível. São as melhores férias da sua vida. Tanto para estudar e tudo acumulado ao lado da sua cabeceira. Ela só quer saber de viver este amor.

De repente, ele vai até o quarto e volta com um livro nas mãos. Olha para ela e pergunta:
- "Você não quer tomar um café comigo?"

- "Quero, claro! Que é que você tem aí? Que livro é esse?", ela está curiosa.

- "Ah, esta é uma de minhas poetizas favoritas. Seu nome é Ana Cristina César, conhece?"

Ela faz que não com a cabeça e pergunta a ele se ele não quer ler um trecho. Ele diz que sim e começa a leitura, olhando firme pros olhos dela.

2.10.71
Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.

Ana Cristina César


Conta para ela quem foi Ana C. Ela sabe que estar com ele é ter sempre alguma coisa para aprender. Mas desconhece completamente esse seu lado sensível, afetuoso, romântico até.

As férias acabam e os dois estão se vendo, se curtindo intensamente, e ela também se esforça para ter algo a dizer a ele, para mostrar para ele quem ela é (ah, é uma tola completa!).

Entre um encontro e outro, eles pouco se falam. Ele não conta o que acontece na sua vida quando não está com ela e ela também não pergunta. Mas, o pior é que ele não pergunta a ela o que acontece em sua vida quando não está com ele. E isso dói.

No entanto, ela está feliz. Feliz como nunca. Mas guarda para ela o desejo de dizer que o ama.

O jogo [20]

- "Nossa, como você está bonita!!!", ele observa, fazendo-a corar. "E vermelha! Que graça!"

- "Seu chato! Você adora isso, né?", ela pergunta amoada.

- "Adoro! Você fica uma gracinha assim, vermelhinha! Vamos?", ele diz.

- "Vamos! Jacarepaguá, aqui vou eu!", ela diz, esforçando-se para parecer animada.

Ao chegar no apartamento, a surpresa. Um piano. Ele havia arrumado uma mesa, com flores, um clima de romantismo no ar, velas em pontos estratégicos que ele tratou de acender, e estava com algumas partituras separadas sobre o piano.

- "Hoje, eu vou tocar pra você", ele diz.

Ela se acomoda na berger no canto da sala, e fica esperando a música que ele vai escolher. Começa a pensar nele de outro jeito, já que é a primeira vez que ele mostra seus dotes musicais e a pensar no seu nome: João. Um nome bonito, forte, que combina com o dela.

Ele então levanta a tampa que cobre o teclado e começa a tocar Caetano Veloso, "Você é linda". Ela trava. Tem uma incrível sensação de déjà vu, e imediatamente lembra do seu primeiro grande amor, e de como ele gostava de tocar essa música pra ela no violão. Ela se levanta de supetão e começa a mexer nas outras partituras...

- "Deixa eu ver o que mais que você tem aqui!", ela diz, meio nervosa.

Ele pára e fica olhando para ela. "Como é difícil entender essa mulher", ele pensa consigo mesmo.

- "Ah, Djavan. Toca essa aqui, vai, eu adoro!", ela diz.

Ele então recomeça com o Djavan, emenda com o Chico, toca uma da Bethânia... e a noite vai passando. Ela abre a garrafa de vinho tinto e serve os dois. Ele havia separado uns quatro tipos de queijo e eles ficam ali, sentados, conversando, namorando, ouvindo música até bem tarde.

Então ela começa a cantar com ele, bem baixinho, sentada ao seu lado no banco do piano, e ele começa a beijar seu pescoço. Entre um beijo e outro, ele ainda consegue terminar a música que está tocando e é ali, no sofá da sala, que ela relaxa, lembra das palavras da Cecília ("aproveita o seu gostoso") e curte mais uma noite ao lado dele.

É assustadora a sensação de estar viva. Ela o ama. Mas, não sabe como dizer isso a ele. Nem se é a hora. Mas, ela sabe que o ama.

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ESCONDER. Figura deliberativa: o sujeito amoroso se pergunta, não se deve declarar ao seu amado que o ama (não é uma figura de confissão), mas em que medida deve esconder-lhe as "perturbações" (as turbulências) de sua paixão: seus desejos, suas misérias, em suma, seus excessos (em linguagem raciniana: seu furor).

Barthes, Roland. "Fragmentos de um discurso amoroso".

terça-feira, abril 21, 2009

Adoro cuidar das minhas plantas

E com este tempo assim, elas ficam verdes, verdes, ... e principalmente, felizes! Eu sigo o lema da moça da foto, que também adora cuidar das plantas de seu pequeno ap. em Londres.

http://www.someoneondetoldme.com

"O ciclo da auto-sabotagem"

Normalmente, quando vejo o "Saia Justa", fico muito interessada nos livros que elas indicam e comentam. Só que esse me pareceu especialmente interessante.

Eu tinha passado por uma situação difícil no trabalho e algumas pessoas mais próximas vieram me dizer que eu era muito boa profissional, mas estava sempre me auto-sabotando. Daí, eu fiquei 'encucada' e quando vi as "Saias" falando do livro - principalmente a Mônica, que eu respeito muito - resolvi comprá-lo.

Já estou pensando em encomendar alguns outros para dar de presente, porque o livro fala de muitos tipos de sabotagens: no trabalho, na vida familiar, no amor, com os amigos... enfim, fala de tudo aquilo que nos leva a ficar tristes e deprimidos.

E nos faz chegar a uma conclusão incrível: às vezes, e na maioria delas, o problema não está nos outros, está em você! (Como se a gente não soubesse, bem lá no fundo, disso! Não precisa nem fazer análise para saber!).

Eu estou adorando a leitura. Estou fazendo "leitura-ativa" pela primeira vez: ou seja, o meu exemplar vai ficar todo rabiscado! Foi meu professor do curso de "Consultores e Líderes" que me disse que a leitura-ativa nos ajuda a internalizar mais o que estamos lendo. Ele me disse também que eu preciso aprender a receber um elogio. Cá estou eu me auto-sabotando de novo!

Segue a ficha do livro:

TÍTULO: O CICLO DA AUTO-SABOTAGEM
TÍTULO ORIGINAL: THE SELF-SABOTAGE: WHY WE REPEAT BEHAVIOURS
ISBN: 9788576842361
IDIOMA: Português.
ENCADERNAÇÃO: Brochura Formato: 15,5 x 23 206 págs. A
NO DA OBRA/COPYRIGHT: 2006
ANO EDIÇÃO: 2009
AUTOR: Stanley Rosner Patricia Hermes


RESENHA
Em O ciclo da auto-sabotagem, Stanley Rosner, Ph.D., aliase à escritora Patricia Hermes para analisar a compulsão por repetição – a tendência de o ser humano reproduzir atitudes que o fazem sofrer. Por meio de histórias reais, o autor mostra como episódios traumáticos – como a separação dos pais na infância ou o término conturbado de um relacionamento – podem criar dilemas inconscientes que acabam nos fazendo agir contra nós mesmos. O resultado é um ciclo de auto-destruição que afeta as relações pessoais e profissionais. Os autores também explicam como reconhecer esses comportamentos e superá-los, em busca de novos caminhos.

A propósito, depois que as "Saias" falaram do livro, a Saraiva vendeu 30 exemplares em um dia. Então, comprá-lo só por encomenda. A mulherada está lendo este livro loucamente! Valeu, "Saias"!

O jogo [19]

- "É isso, Cissa. Depois de ficarmos juntos, ele me contou toda esta história e agora eu não sei o que fazer", ela diz a Cecília, enquanto tomam café juntas na cafeteria da esquina.

- "Que barra, heim, amiga. Eu não imaginava que seu príncipe encantado vinha com tantos defeitos. Você não podia ter escolhido um menos complicadinho, não, 'dedo-podre'?", pergunta Cecília.

- "O pior é que eu já estava começando a gostar dele, Cissa. Quê que eu faço agora?"

- "Nada, amiga, não faz nada. Espera os acontecimentos. A vida vai te mostrar o caminho, não seja ansiosa, nem trate o cara mal. Ele já está bem ferrado, não precisa de mais cobranças".

De repente, toca o telefone celular dela, e antes que ela atenda, Cecília sentencia: "É ele!"

- "Oi, tudo bem com você? Dormiu bem?", ele pergunta.

- "Dormi. A gente nem abriu a garrafa de vinho que eu comprei, né? Foi mal", ela diz.

- "Que nada, tudo bem. Não tem problema. Podemos abrí-la hoje, que tal?", ele sugere.

- "Pode ser. Estamos mesmo precisando relaxar, não é mesmo? O que você quer fazer?"

- "Quero te trazer na minha casa. Vou te fazer uma surpresa. Mas, antes que você queira estar no comando, como sempre, vou logo te avisando que estou passando na sua casa às nove horas, ok? Me espera pronta..."

- "Nossa, 'tá bom, 'tá bom. Te espero pronta. Levo o vinho e mais alguma coisa?"

- "Não, só você e seu adorável bom humor! Sem ficar pensando no que vai ser no futuro, 'tá?"

- "Tudo bem... então até mais tarde. Beijo".

- "Beijo. Até mais".

(...) silêncio, dois goles de café.

- "E aí? O que ele disse?", pergunta Cecília.

- "Disse que vai passar lá em casa mais tarde, e pediu pra eu tentar não ficar no comando desta vez... ah, e pra eu não pensar no futuro...", ela diz.

- "Santa maturidade, Batman! Quem sabe assim você aproveita o seu gostoso, heim? Vambora? Garçom, a conta por favor!?"

O Jogo - capítulos finais


Eu já estou pensando nos últimos capítulos. Tenho uma nova história na cabeça, preciso que esta acabe. Termino de contá-la para vocês em abril. Aliás, ela já acabou há muito tempo, uns 15 anos.

Não sei muito bem o que eu faço, se deixo a "mocinha", como diz meu amigo LP, com o rapaz, para ser a quarta esposa e ter um ou mais filhos, ou se dou a ela um final melancólico, mas menos conturbado. É, pessoal, porque não pensem que ficar com ele será fácil. O João é muito louco, não se iludam!

Então, me ajudem neste final, dêem palpites. Eu vou gostar.

Grande beijo a todos.

segunda-feira, abril 20, 2009

Para todos aqueles(as) que não têm tido um bom dia há tempos...

Esta é uma boa dica de estampa para todos os que não sabem o que é ter um bom dia há tempos...

Gostou da minha sugestão? Pode comprar sua camiseta através do site Deez Teez ! Divirta-se!

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P.S.: Hoje eu apertei o aparelho dos dentes... usaria esta camiseta mole, mole!

Disney se autocopiando

Eu vi isso no blog "Pastelzinho" e achei incrível! Queria que vocês vissem também!


http://www.collegehumor.com/video:1906578


Apreciem!

O jogo [18]

Ela acordou cedo e ouviu no "Bom Dia, Rio" que o mar enfrentava uma terrível ressaca. Foi até a praia do Arpoador e preparou-se para entrar no mar. Nem os surfistas se arriscavam, mas ela foi.

Vencendo a barreira da arrebentação, que começava a por fim na faixa de areia que constituía a praia, ela entrou no mar e logo percebeu a correnteza fortíssima. Certamente, se saísse viva dali, não sairia no Arpoador, mas onde aquele mar revolto quisesse.

Ela enfrentou a primeira onda e, já neste momento, sentiu o tamanho da camada de água sobre a sua cabeça. Quando conseguiu por a cabeça acima do nível da água para ganhar ar, viu a próxima onda se aproximando. Ela sentiu que aquela onda quebraria sobre a sua cabeça e rapidamente tratou de afundar, o mais fundo que conseguia.

Foi o suficiente para que a corrente marinha a puxasse pelos pés e fizesse seu corpo dar cambalhotas embaixo d'água. Foi difícil manter a orientação e o equilíbrio, mas ela sabia que teria que ganhar mais ar para encarar a onda seguinte. Sabia que a onda seguinte já se aproximava.

Quando levantou a cabeça, viu a maior onda que jamais havia visto. Esta, ela pensou, eu vou conseguir furar e vou nadar além. Porém, ela sentiu que tinha pouco ar em seus pulmões e viu que apenas com os braços, não ia conseguir chegar a onda antes que ela quebrasse. Acelerou as pernadas, sempre o seu ponto fraco, e chegou lá, mas foi arrastada para o alto, e quebrou junto com a onda no fundo do mar.

Sentiu sua coluna partir em duas, e foi a dor mais intensa que sentiu em sua vida. De repente, viu uma luz muito intensa em seu rosto, e uma mão estendida na sua direção. Ela começou a ouvir uma música clássica, como uma trilha sonora para um momento solene. Era uma música suave, que ela não reconhecia, mas que ela sabia gostar muito. Ela fechou os olhos e deixou a luz a conduzir...

"Acorda, menina, está na hora. Vai ficar o dia inteiro aí enfurnada neste quarto? Vamos, levanta, vamos dar uma volta", chamou Cecília.

E ela acordou assustada daquele sonho de morte. E passou o dia inteiro pensando no que o seu inconsciente estava tentando lhe dizer.

domingo, abril 19, 2009

Ainda sobre macacos, isso é que é ter coragem...

Macaco sem amor à vida.

Vizinhos, o Disque-Denúncia e a minha covardia

Ontem, mais uma vez, teve um arranca-rabo entre os meus vizinhos. Não os que moram no meu prédio, mas os que habitam uma casa na vila atrás do meu prédio. Eram 1:38 da manhã quando eu olhei no relógio da última vez e a briga corria solta.

Eu fiquei na varanda, de luz apagada, e isso foi me dando uma angústia sem tamanho. Alguém estava apanhando muito, e pela voz infantil e os gritos de "Pára, pai", era uma criança.

Eu tive muita raiva de mim mesma. Raiva por eu ser como todos aqueles que não fazem nada, e pensam que em briga de famílila "não se mete a colher". Raiva por já ter ouvido estas brigas inúmeras vezes e até hoje não ter ido na vila para ver o número daquela casa. Raiva por não pegar no telefone e ligar pro Disque-Denúncia e contar o que está acontecendo.

É que eu não me sinto uma "dedo-duro", mas eu também não suporto saber que tem uma criança apanhando, que hoje deve estar toda cheia de hematomas, provocados por um pai covarde, que devia estar alcolizado, e uma mãe idem e que eu não fiz nada.

O que é essa tal civilidade? É impedir que estas coisas aconteçam? É denunciar mesmo? Ou é fingir que não se ouviu ou viu nada? Quem peca por omissão não é igualmente responsável?

O jogo [17]

Quando chegam à calçada, ele segura a sua mão e diz:
- "Hei, vem cá me dar um beijo decente..." e enlaça sua cintura, dando-lhe um beijo 'de verdade', para matar as saudades de uma semana sem vê-la.

Ela bem que tenta não corresponder, mas ele tem uma força interior que a torna completamente indefesa diante das suas investidas.

- "O que houve esta semana? Você não deu notícias...", ela diz, mesmo querendo evitar as eternas cobranças femininas.

- "É que eu andei correndo atrás de trabalho. As coisas estão muito difíceis para mim. É ainda mais difícil quando se tem três ex-mulheres e dois filhos... e mais um a caminho..."

- "O quê? Nossa... você não tinha me contado isso. A sua última ex-mulher está grávida?"

- "Está. Eu fiquei sabendo anteontem. Nós nos encontramos para falar da nossa separação e ela me contou esta novidade. Está de quatro meses. Eu não sei o que fazer..."

- "Mas, onde ela está morando?" - "Com o pai, que é viúvo. Está cuidando dele. Eu não podia imaginar mais um filho agora, já está tão difícil cuidar dos outros".

- "É,... cada vez que a gente se encontra, eu tenho mais certeza de que essa nossa história é realmente impossível..."

- "Mas, por que você diz isso? O que estamos sentindo um pelo outro não conta?"

- "Sei lá... você realmente acha que o fato de você ter tanta história não tem importância?"

- "Não sei. Só sei que estou realmente gostando de você. Vem cá, me dá um abraço, estou precisando..."

Eles se abraçam no meio da rua, e ela fica se perguntando no que aquilo vai dar, no quanto ela vai sofrer. Ela já viveu uma história parecida. Não precisa de outra. Está ali, de novo, repetindo um padrão que havia se prometido não repetir novamente.

sábado, abril 18, 2009

O jogo [16]

CIÚME. "Sentimento que nasce no amor e que é produzido pelo temor de que a pessoa amada prefira um outro".
(Littré. In: Barthes, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso)


Sem saber o que fazer com o que pensa estar sentindo, ela saiu cedo, depois de uma noite insone e foi caminhar no Jardim Botânico, para gastar suas energias e se preparar para a visita da tarde.

Lá pela hora do almoço, parou no Belmonte para tomar um chopp e encontrou uns amigos, com quem trocou umas idéias e depois continuou a pé até em casa, pensando no que ia falar para ele quando chegasse.

Passou no supermercado para comprar legumes e um pé de alface para preparar uma boa salada e ainda se lembrou que faltava café. A independência conquistada quando ela saiu da casa de seus pais, em Ribeirão Preto, requer que ela se preocupe com estas coisas. Cecília não é o tipo de pessoa que providencia comida, apesar do seu instinto maternal e de seus quilinhos a mais. Se depender dela, bastam os ímãs de geladeira com os telefones de todos os restaurantes do bairro, para encomendar junk food, com certeza.

Tomou um bom banho e fechou a porta do quarto, para tentar relaxar um pouco, uns quinze minutos talvez. Ainda ouviu Cecília chegar da rua, antes de pegar no sono. Dormiu por uma hora e quando já eram quase três horas, levantou-se para preparar a salada e uma carne grelhada. Havia aprendido a cuidar de si mesma e tentava retribuir os cuidados de Cecília, cuidando dela.

Depois do almoço, resolveu que faltava um bom vinho para servir para ele e resolveu comprar um. Avisou a Cecília que ele estava para chegar e disse que daria um pulo rápido na pequena enoteca da quadra em que morava para comprar algo para aquela ocasião e tentar desfazer o mal entendido. Cecília grunhiu alguma coisa e ela saiu.

Na volta, notou seu carro estacionado na porta do prédio e subiu correndo as escadas. Quando entrou em casa, ele estava sentado num banquinho junto à mesa da cozinha, enquanto Cecília passava um café e falava sem parar. Ele fumava um cigarro e parecia apreciar a conversa. Ela teve medo dele já estar ali há muito tempo.

- "Oi, você já chegou?", ela disse sem graça.

- "Oi", ele se levantou e andou em sua direção. Quando ia lhe dar um beijo na boca, ela ofereceu a face, meio desconcertada com a presença de Cecília. Ele estranhou, mas optou pelos dois beijos tradicionais. Falaria sobre isso com ela mais tarde, quando estivessem a sós.

- "Eu fui buscar algo para nós dois, mas vamos ao café primeiro", ela emendou, motrando a garrafa de vinho e pensando que tudo que ela queria era que Cecília desse um jeito de desaparecer. Mas, ela sabia que a amiga não faria isso.

- "Mas, então, como eu ia te dizendo, desde que viemos de Ribeirão Preto para fazer o Mestrado estamos morando juntas. Eu estou me especializando em Biologia Marinha e já estou quase acabando os créditos. Nunca pensei que fazer Mestrado fosse tão cansativo e... blá blá blá...", contou Cecília, toda empolgada... "E você, além do Mestrado, o que você faz?", perguntou a ele, esperando uma resposta firme.

- "Por enquanto, leciono. Estou querendo ficar na área acadêmica. É o que eu curto fazer, apesar de saber que só dá retorno se você trabalhar muito. Eu estou com alguns contatos para dar aula em São Gonçalo e em Niterói, mas ainda estou avaliando... não sei se você sabe, mas eu moro em Jacarepaguá", ele respondeu.

(Ela assistia aquela cena da porta da cozinha, como se fosse mera expectadora... olhou para Cecília com um olhar condenador e, ao mesmo tempo, suplicante, daqueles que pendem "Desaparece, por favor!")

Cecília então deu um jeito de dizer que tinha muita coisa para estudar e, finalmente, resolveu deixar os dois sozinhos.

-"E aí, está bom o café?", ela perguntou.

- "Vamos conversar agora?", ele disse.

- "Vamos, que tal a gente dar uma volta? Quando a gente voltar, eu prometo que abro o vinho que eu comprei".

- " 'Tá bom, vamos. Eu estou de carro".
- "Não, vamos caminhar. Andar faz bem".

sexta-feira, abril 17, 2009

O jogo [15]

Uma semana após aquele sorvete no Mil Frutas, ela fazia profundos esforços para não pegar no telefone e ligar pra ele e tentava estudar alguma coisa sem sucesso.

Cissa passava por ela e sempre dizia algo parecido como "eu não te disse?", o que a vinha irritando profundamente ao longo da semana. Ela não entendia porque ele não dava notícias e começou a acreditar que aquilo que viveram ia ficar só numa transa de final de noitada.

Sentia-se péssima pela falta de coragem de ligar, mas Cissa lhe dizia que ela estava correta em se preservar. Só que, no fundo, no fundo, ela não queria se preservar. O que ela queria era saber onde ele estava, o que ele estava fazendo e com quem ele estava, principalmente.

Sabia que, por estarem de férias, ela não tinha motivos para ligar para ele, se o fizesse seria apenas para saber como ele estava. Mas, havia se sentido tão infantil com aquela sua última reação, que preferiu esconder-se atrás da sua vergonha e não ligar... era melhor aguardar que ele desse notícias.

De repente, enquanto ela procurava algo descente na televisão em plena noite de sexta-feira, quando a única coisa que podia acontecer era o improvável, toca o telefone e ela reconhece a voz dele.

"Oi, tudo bem com você? Você pode conversar comigo um pouquinho?"

"Tudo bom, como você está? Como estão as suas crianças?", ela pergunta.

"Tudo bem. Eu queria te ver hoje, posso passar aí na sua casa?", ele sugere.

"Acho melhor não. A Cecília não gostou de te ver aqui da outra vez. Acho melhor eu não procurar sarna pra me coçar... porque afinal é com ela que eu moro, né?"

"Mas, eu preciso te ver. A gente mal conversou depois que eu te deixei na sua casa, você não me ligou mais - e olha que eu fiquei esperando - e acho que você quer saber mais coisas a meu respeito, né?"

"É, pode ser", ela diz, sem graça.

"E também tem um monte de coisas que eu quero saber a seu respeito e que eu ainda não sei. Vamos nos ver?", ele pede.

"Hoje não. Vamos nos ver amanhã de tarde. Passa aqui em casa, vou ficar te esperando às quatro".

"Bom... tá... eu queria te ver hoje. Mas, tudo bem, eu passo aí amanhã. Tchau. Beijo".

"Beijo, te espero".

quinta-feira, abril 16, 2009

O jogo [14]

Ela abriu a porta do quarto no domingo de manhã para tomar algum café, toda desgrenhada*, e deu de cara com a Cecília, sentada em silêncio na poltrona da sala, ao lado da janela.

"Que lindo! Você ainda mora nesta casa!", brada Cecília ironicamente. "Precisava ficar tanto tempo trancada neste quarto sem dar uma palavra?"

Ela então responde: "Cissa, me deixa em paz, cara! Estou precisando de tempo para colocar os meus pensamentos em ordem?"

"Por que? Não estava tudo lindo e maravilhoso ontem de tarde?", pergunta Cecília.

"Estava, estava. Mas é que eu fui entrar na sua onda e acabei tomando conhecimento de fatos que eu não sei bem se estava preparada... ah, deixa pra lá. Quer saber? Eu não vou te contar, Cissa. Me deixa", ela responde.

"Ah, não, agora me conta. O que foi que aquele cara te contou? A propósito, o que você viu nele, heim? Ele é um corôa", retruca Cecília.

"Um corôa gostoso, né, Cissa? Cara, me deixa tomar meu café em paz!? Pode ser? Uma hora eu te conto. Eu, heim, parece a minha irmã, querendo saber tudo".

Ela então acaba o café e volta para o quarto. Tenta ler algum dos textos que ela havia copiado, tenta estudar inglês, espanhol, francês, qualquer coisa, tenta ler uma revista de decoração, mas nada faz a sua cabeça. Ela fica ali remoendo as palavras dele, como se elas representassem o final dos tempos... ou pelo menos daquele romance.

Ela resolve então esperar por um movimento dele. E como leão que fica rondando sua presa, fica o dia inteiro olhando para o telefone. E nada...

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* "desgrenhada"= criatura que não gosta de pentear o cabelo, e o deixa parecendo com uma juba de leão embarassada.

quarta-feira, abril 15, 2009

Meninas, eu li!

Casal pede socorro para se livrar de posição do Kama Sutra
Fonte: Jornal O Globo Online, 12/04/2009.

A aventura erótica de um casal em Kalhuga (Rússia) acabou no hospital. Ivan Sokolov, de 56 anos, e a esposa, Valentina, de 51, resolveram inovar e fazer uma posição descrita no famoso livro "Kama Sutra". Durante a posição "espreguiçadeira" (indrani, no idioma original), Valentina teve um espasmo muscular e acabou prendendo o pênis do marido.

Depois de tentar por uma hora sair da - então incômoda - posição, os dois apelaram aos paramédicos. Como não foi possível fazer nada na residência do casal, Ivan e Valentina foram levados para um hospital. Enfim, a agonia acabou.

A posição, de acordo com o célebre guia indiano do amor, é considerada de "dificuldade moderada". Nela, a mulher, sentada em um ângulo de 45 graus, precisa dobrar os joelhos de modo que seus pés se encaixem abaixo das axilas do parceiro. "Você tem que ter um alto nível de preparo físico para fazer algumas das posições. Para um casal da idade deles seria mesmo um grande desafio", disse ao "Sun" um especialista em "Kama Sutra".
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Duas coisas tenho a dizer a respeito desta notícia...
A primeira é a seguinte: como diria o José Simão, da Band News, isto é piada pronta, francamente!
A segunda me remete a um amigo. Numa viagem que fazíamos juntos, da França pra Inglaterra, tinha um indiano cabeludo que fedia muito (acho que ele não lavava aquele cabelo há meses). Tentando me consolar, já que meu assento era do lado do indiano, meu amigo me disse que foi por isso - e só por isso - que eles, os indianos, inventaram o Kama Sutra... Pois é, né?
Lady Shady, o que você acha disso? Bjs

O imponderável

<< Existem três coisas na vida que nunca voltam atrás:


a flecha lançada


a palavra dita


a oportunidade perdida >>

O jogo [13]

Ela estica um pouco as roupas dele com o ferro para que pareçam menos detonadas e esolhe uma calça jeans bacana para combinar com aquela moto. O tempo ainda continua chuvoso, ela então decide mudar radicalmente a produção para urbano total.

Ela a leva para tomar sorvete no Mil Frutas, da JJ Seabra, e escolhe para ela sabores exóticos, que ela aceita meio a contra-gosto (adora sorvete de chocolate!).

Quando consegue uma brecha, ela começa a investigação... "Você não gosta muito de falar sobre a sua vida, não é mesmo?"

"Não", ele responde, "não é isso. É que, às vezes, faltam oportunidades. O que você quer saber?"

"Um pouco de você. O que você gostaria de me contar?", ela diz.

"Ah, sei lá. Eu sou do signo de Áries. Você, eu sei, é de Leão. Combinamos, viu?", ele dispara.

"Você é de que dia?", ela pergunta.

"Vinte de abril. O último dia de Áries. Sou quase Touro. Além disso, moro sozinho, apesar de ter dois filhos. O mais velho é uma menina, Beatriz, do meu primeiro casamento. O segundo, Fernando, tem cinco anos, precisa mais de mim, da minha atenção. Mas, eu também já não estou com a mãe ele. Eu estou separado, mas já da minha terceira esposa", ele completa.

Ela fica muda. É tanta surpresa com aquilo tudo, que ela não sabe o que dizer. Esperava que ele fosse separado, mas não esperava tanta bagagem. Enfia a cara no sorverte de cupuaçú com graviola e não diz nada.

"Você não vai perguntar nada?", ele diz. "Quer saber mais alguma coisa? Ah, eu vejo os meus filhos todos os finais-de-semana, porque nem sempre os dias em que vejo Beatriz e Fernando coincidem. Amanhã, tenho que pegar o Fernandinho na casa da mãe dele. Por isso, os meus domingos são meio corridos".

Ela, que ainda está processando aquilo tudo, tenta fazer uma cara de normalidade. Sorri pra ele, meio sem jeito. Ele balança a cabeça, como que negando aquele sorriso. "Eu sabia que você ia ficar assim. É muita informação pra você, né? Eu sei, eu sei, daqui a pouco passa o susto..." e passa a mão sobre os cabelos cacheados e ruivos dela.

Ela então termina o sorvete e pede a ele que a deixe em casa. Ele obedece, preocupado. Estava começando a gostar daquela moça.

Ao chegar em casa, ela se tranca no quarto, de onde só sai no dia seguinte.

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terça-feira, abril 14, 2009

O jogo [12]

Ele aparece com uma bandeja, com algumas comidinhas que ele pescou na geladeira, torradas, queijo branco, leite, suco de frutas, geléia, enfim, tudo o que comporia um delicioso café da manhã... às cinco da tarde de sábado.

Ela se surpreende, mas fica feliz com aquele mimo todo. Vê que ele está com a calça de linho branco que estava ontem, mas que a mesma está hiper-amarrotada, por conta do estrago da chuva. Ele senta na cama com aquela bandeja, e começa a passar geléia na torrada.

De repente... toc, toc, toc... alguém bate na porta. É Cecília. Ela se levanta correndo e coloca o roupão de banho, primeira peça à mão. "Fica aqui", ela diz pra ele.

"Oi, Cissa, você está aí?", ela pergunta sem jeito. "Claro que estou", reponde Cecília, "quem é que está aí com você? São dele aquelas roupas que estão no tanque?" "São dele sim", ela responde.

"Nós não tínhamos combinado que não colocaríamos homem dentro de casa?", Cecília argumenta.

"Sim, tínhamos, mas foi uma situação excepcional. Estava chovendo muito ontem quando saímos do show. Ele não poderia ir de moto até Jacarepaguá. Era perigoso", ela insiste.

Cecília então diz, enfática e chateada: "Fosse com ele para um motel! Você conhece bem esse cara? O que você sabe dele? É solteiro? É separado? Qual o sobrenome dele?"

Ela então completa: "Oliveira. O sobrenome dele é Oliveira. Acho que ele é separado, mas não sei se teve uma, duas, mil mulheres. Não me interessa. Interessa que ele está comigo agora, na minha cama, comendo o café da manhã que ele preparou e está me esperando. Dá para deixar essa conversa para outra hora?"

"Dá, né? Tudo tem que ser do seu jeito. Só espero que você não se arrependa depois. É muito cedo para ir para a cama com o cara, vocês só saíram uma vez. Sabe-se lá se ele não é um tarado?", Cecília recomeça a ladainha.

"Tá, Cissa, já entendi, me deixa voltar pro quarto. Vê se não corta a minha onda, pode ser?"

Ela retorna ao quarto e tranca a porta novamente. Ele percebe que ela ficou amoada com a conversa e pergunta: "Está tudo bem"? Ela faz que sim com a cabeça, mas fica com a questão levantada por Cecília lhe incomodando ("O que você sabe dele?").

Ele então puxa ela em sua direção e lhe dá um beijo longo... ela fica toda derretida. Ele então diz a ela para darem uma volta, porque ele logo, logo vai precisar devolver a moto ao seu irmão. Ela diz prontamente: "Me arrumo rapidinho". Ele finge que acredita e sorri.

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segunda-feira, abril 13, 2009

O jogo [11]

"Ufa! Quem bom que a gente conseguiu chegar, né? Pode deixar que a moto do seu irmão vai ficar bem protegida aqui na garagem. O Seu Osvaldo é legal, ele foi maneiro em nos deixar parar a moto aqui dentro, mesmo com o carro da Cecília na garagem.", ela sussurra pra ele.

"Ainda tem gente que pensa por aí. O que custava a ele deixar eu parar a moto aqui dentro?", ele responde.

"O emprego dele, ué! Está na convenção do condomínio que não existem vagas para visitantes. Ele só deixou porque me conhece. Amanhã, vou falar com o síndico e explicar que foi a chuva...", ela continua sussurrando.

"Ah, tá bom! Pára de falar um pouco e me beija...", ele pede. Ela corresponde, com as chaves de casa na mão. Ele está encharcado, ela também, com a roupa grudada no corpo. Vão caminhando em direção a cozinha, falando baixinho para não acordar a Cecília, que está no quarto, de porta fechada, dormindo o sono dos justos.

Ele então começa a tirar a camisa, que pinga no assoalho de cerâmica da cozinha. Ela observa seu peito, com pelos grisalhos e pensa em como ele é bonito. Ela vai ao banheiro buscar uma toalha e pede que ele espere ali. Ele continua se despindo, tira os sapatos e as meias, e fica só de calça, a espera dela e de sua toalha. Acha um pouco cedo tirar a calça, mas não vê a hora de se livrar daquela roupa molhada.

Ela vem com uma toalha felpuda e passa pelas costas dele, abraçando-o com a mesma. Ele então começa a despi-la, tirando primeiro a blusa e depois a saia, deixando-a apenas com suas roupas íntimas. Ele também nota que ela tem um corpo muito bonito, apesar de bem magro. Eles então começam a disputar a toalha, um secando o outro, quando ela pergunta: "Por que a gente não toma um banho logo de uma vez? Assim a gente se aquece e pode trocar de vez estas roupas..." Ele sorri, e diz que sim, pensando que não pretende colocar roupas tão cedo. Então ela diz: "Mas, sem muito barulho para..." e ele emenda: "não acordar a Cecília! Já sei, já sei". Eles caminham para o banheiro do quarto dela, mas não sem antes deixar as roupas molhadas apoiadas no tanque, na área de serviço.

Ao fechar a porta de seu quarto, ela passa a chave e lá eles ficam até o final da tarde. Nenhum dos dois sequer lembra da existência de Cecília. O dia permanece chuvoso, ideal para todo aquele romance. Ela finalmente se sente viva. "Esse dia poderia não acabar nunca mais", ela deseja.

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domingo, abril 12, 2009

O jogo [10]

Quatro horas da manhã, ela começa a dar sinais de cansaço. Ele, não. Mas, ele insiste que fiquem dançando porque no jornal dizia que ao final do show haveria uma surpresa. "Tomara que esta surpresa chegue logo", ela pensa.

Quando o show está quase acabando, o vocalista da banda anuncia que vai chamar ao palco seus padrinhos musicais, a quem eles são muito agradecidos. Qual não é a surpresa de todos quando vêem que os ditos padrinhos são nada mais, nada menos, que Alcione e Gilberto Gil. O show, que está acabando, recomeça com força total, com cada um deles tocando cinco músicas cada. Ela se sente revigorada, e embalada pelos braços dele, continua dançando até o amanhecer.

De repente, cai uma chuva inesperada. Uma chuva forte de outono. "Bem que me disseram que uma frente fria estava se aproximando", ele diz. Ela completa: "Vamos esperar a chuva passar para irmos embora, ok?". Ele consente, mas fica preocupado com a moto do irmão, completamente molhada a esta altura.

A chuva continua forte por uns minutos. Ela olha pro relógio, quase seis da manhã. O dia já deveria estar clareando, mas a chuva impede que isso aconteça. Mais meia hora de chuva intensa e ela se preocupa. Estão todos já cansados e pensando a mesma coisa. Quem poderia imaginar que o show acabaria deste jeito? Mais meia hora, e ela sugere: "Que tal tentarmos ir até o meu apartamento? Lá ficaremos mais abrigados do que aqui". "É, eu não teria mesmo como chegar a Jacarepaguá com esse tempo, e te confesso que agora bateu cansaço", ele diz. "Então vamos, a Cecília deve estar lá, mas ainda deve estar dormindo".

Eles então resolvem arriscar e partem com a moto, por meio das ruas alagadas. Da Lapa até o Jardim Botânico, com um pouquinho de cautela e naquele horário, imaginam chegar em 30 minutos. E lá se vão eles.

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sábado, abril 11, 2009

Páscoa

Estava ontem assistindo ao noticiário local e a repórter começou a enumerar as encenações de Páscoa que aconteceriam pela cidade: Igreja São João Bastista da Lagoa, em Botafogo, palco na Praia de Ipanema, Rocinha, Arcos da Lapa, favela da Maré...

Eram muitos eventos para uma cidade só e pra todos os gostos. Quando o Jornal Nacional começou, a lista só fêz aumentar. Falaram de Aparecida, do sertão de Pernambuco (acho que é isso...)... enfim, as pessoas parecem estar carentes de Deus.

Elas estão precisando de fé, de religião, de alento, de alguma proteção, já que quem deveria proteger, só faz cobrar a população de suas obrigações. E nada mais.

Por acaso, hoje ouvi umas três vezes a maravilhosa música do U2 chamada "One", que eu considero uma belíssima música gospel, apesar de uma leitura equivocada nos remeter a um casal. Em poucos segundos, eu já estava meditando, me aproveitando do clima da música.

Segue a letra, lindíssima...

One
Bono Vox

Is it getting better?
Or do you feel the same?
Will it make it easier on you now?
You got someone to blame

You say one love, one life
It's one need in the night
One love, we get to share it
Leaves you baby,
if you don't care for it.

Did I disappoint you?
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without

Well, it's too late, tonight,
To drag the past out into the light
We're one, but we're not the same
We get to carry each other, carry each other
One

Have you come here for forgiveness?
Have you come to raise the dead?
Have you come here to play Jesus?
To the lepers in your head?
Did I ask too much, more than a lot?
You gave me nothing, now it's all I got
We're one, but we're not the same.
Well, we hurt each other, then we do it again.

You say:
Love is a temple, love a higher law
Love is a temple, love the higher law
You ask me to enter, but then you make me crawl
And I can't be holding on to what you got
When all you got is hurt.

One love, one blood
One life you got to do what you should.
One life with each other: sisters, brothers.
One life, but we're not the same.
We get to carry each other, carry each other.
One love! One!

Infelizmente, eu não posso mostrar aqui pra vocês as versões que eu gosto, pois as inclusões estão desabilitadas. Mas, deixo o link para as versões original e com a participação da Mary J. Blige.

versão original;

com a Mary J. Blige.

Boa reflexão e feliz Páscoa a todos!

O jogo [9]

Quando chegam na Fundição Progresso, ela vê que o show que vão assistir é um show de baião. "Eu nunca dancei baião", ela diz pra ele. Ele então responde: "Você confia em mim?" Ela faz que sim com a cabeça. Ele completa: "Então basta soltar o seu corpo e me deixar te conduzir. Você vai gostar".

Eles entram e, assim que a música começa, ele começa a rodopiá-la pelo salão. O show é realmente muito bom e ela não sente a hora passar. Está calor lá dentro e logo ela começa a perceber que está pingando de suor. O corpo, as costas, o rosto. Os dois estão ali, colados, suando juntos. Ele não faz menção em parar. Com a mão esquerda nas costas dela, percebe que ela está suando e a aperta ainda mais contra seu corpo. Com o rosto colado no dela, faz com que ela sinta sua respiração em seu rosto e em sua orelha. Ela está muito excitada com aquilo tudo. Sente que ele tem "pegada".

Ele diz a ela que ela dança bem. "Obrigada, você é muito gentil", ela responde, ainda sem muita certeza se ele falou isso para agradá-la ou se está sendo verdadeiro. Mulheres sempre têm estas dúvidas, não tem jeito.

De repente, lá pela décima música, ela pede: "Podemos beber alguma coisa?" No que ele concorda, já caminhando com ela em direção ao bar, mas sem soltar a sua mão. Ela pede uma água sem gás, mas ele contesta: "Você não vai beber isso aqui, né? Não é seguro". Ele pede uma cerveja para os dois, para não esquentar, e bebe no gargalo da longneck. Ela bebe também. Ele diz: "Assim, você fica sabendo os meus segredos, e eu os seus".

Puxa ela pela cintura e beija sua orelha esquerda. Ela procura sua boca. Eles se beijam, apertados que estão um contra o outro, esquecendo-se da cerveja. Ela se sente hipnotizada por ele.

De repente, ela sussurra para ele..."vamos continuar a dançar?" E eles vão. A noite toda.

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Eu também seria mal-humorada...

Neguinho fuma um baseado e o coitado do Charlie, o unicórnio desse filminho, é que é tachado de mal-humorado! Cá pra nós, heim? Esse povo anda louco!




O jogo [8]

De frente para o espelho, ela penteia o cabelo com os dedos e fica admirando seu rosto e sua maquiagem. Pensa, por alguns minutos, na profunda transformação que sofreu nos últimos dois anos. Deixou de ser a menina esquisita, dominada por um namorado nada bacana, cuja maior diversão era fazer dela "gato e sapato" e botá-la para baixo, para ser uma mulher segura, consciente de si mesma, de suas possibilidades e de suas deficiências. Passou muito tempo sozinha para deixar de ser lagarta e virar borboleta. Uma borboleta que tinha se enfeitado toda para sair com um cara gostoso.

Estava lá, de saia rodada florida e blusa decotada, acompanhada de um lindo par de saltos altos e uma mini-bolsa, onde só cabia o celular, a identidade, o batom e algum dinheiro.

De repente, toca o interfone. "Já estou descendo", ela diz. Está ansiosa para saber qual será o show que verão na Fundição, e está imaginando em como será dançar com ele, ficar com ele, e, principalmente, beijá-lo.

Quando chega na portaria, leva um susto. Ele está de moto. Uma Harley. Ela imediatamente pensa na saia rodada. Ele sorri ao vê-la e quando eles se cumprimentam, ele ri. "Você está de saia... como é que eu não pensei nisso? É que eu achei que você ia gostar de andar de moto e pedi a do meu irmão emprestada". Ela responde: "Tudo bem, eu seguro. Deixa eu prender o cabelo um pouquinho para colocar o capacete."

Ela não ia deixar passar a oportunidade de abraçá-lo naquela moto por nada deste mundo. Nem por uma moto. "Ainda bem que estou com uma saia comprida", pensou. "Vai dar pra segurá-la".

Ele gostou de ver que ela não era fresca e não reclamou da moto. "Ela não pergunta muito, gostei". Ele se vira pra ela e pergunta: "Podemos ir?"

"Vamos, vamos logo!" Aconchega-se naquele banco e naquele corpo e pensa que a noite é sua, finalmente.

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quinta-feira, abril 09, 2009

O jogo [7]

"Você vai ficar pro almoço do pessoal ou vai logo pra casa?", ele pergunta a ela, assim sem mais nem menos. "Vamos comemorar todos os conceitos A que tiramos e o começo das férias, heim?"

Ela se vira pra ele no meio dos colegas e faz que sim com a cabeça. "Te encontro lá, tenho que passar na copiadora antes!". Está separando uma série de artigos pra ler nas férias. Afinal, mestrado não é como graduação e qualquer tempo livre (ainda mais um mês inteirinho) é momento para por a leitura em dia.

Ao chegar no restaurante, a turma já está reunida. Ele, sentado de um lado da mesa comprida, conversando alegremente com os demais. O lugar vazio, do lado oposto, na diagonal. Ela nem tem como não sentar lá longe, distante dele, e tem que mostrar sincero interesse pelo papo dos colegas para não parecer antipática, ou no mínimo alheia ao assunto. Os olhares dos dois se cruzam o tempo todo.

No final do almoço, depois de brindes com refrigerantes e sucos naturais e muita gargalhada, a turma já se despedindo, ele chega bem pertinho dela e diz... "Vamos dançar hoje? Tem um show bacana na Fundição."

Ela sorri e responde: "Que horas você me pega lá em casa?"


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quarta-feira, abril 08, 2009

Ficção: O Jogo

Criar personagens é algo delicioso. Ainda mais uma história com pinceladas da sua vida pessoal, da vida dos amigos, dos conhecidos e de alguns desconhecidos, que cruzaram eventualmente o meu caminho.

Às vezes, querendo misturar muitas ideias para não tornar os personagens muito próximos da realidade, a história acaba ficando muito complexa, ou mesmo inverossímil. Já não foi uma ou duas vezes que eu editei as postagens para acertar um ou outro detalhe. Por isso, queria pedir aos amigos leitores do blog que dessem dicas em seus comentários... como continuar? que rumo seguir? o que cada um faria?

Acrescentem seu olhar (feminino ou masculino) a nossa história: a autora agradece. Assim, a história acaba sendo interativa. Já pedi ajuda pessoalmente à amiga Flor de Lótus, mas quero o pitaco de quem quiser se meter!

Obrigada a todos!

O jogo [6]

Durante o trimestre, eles se tornam cada vez mais amigos, parceiros de todos os trabalhos. Ela chega mais cedo à escola para se encontrar com ele. Ele, por sua vez, se sente feliz em ajudá-la com os textos que ela não compreende.

Nunca mais falam em sairem juntos de novo. Ela, como tonta, espera o convite, temendo que o fato de terem se tornado amigos tenha atrapalhado alguma coisa. E se pergunta todos os dias se não deveria tomar a iniciativa. Ele, por outro lado, fica esperando que ela dê abertura novamente. Nunca mais aceitou uma só carona, nem fez nenhum movimento mais claro em sua direção.

Estão como oponentes, se estudando, pensando em quem deverá dar o primeiro passo, mover a primeira peça, desbancar a rainha. Ninguém cede. Um pensa no outro e os demais colegas desaparecem, deixam de existir, de ter importância. Chegam a esquecer que estão sendo sistematicamente notados pelos demais.

O estrangeiro ainda vira personagem coadjuvante da história, fazendo propostas sempre sem nenhum sentido. Na última, ele pergunta se ela tem um cheque. Ela responde que sim, que tem talão de cheques. Ele então pede que ela lhe empreste um cheque no valor de R$ 800,00. "Mas é o valor da minha bolsa de estudos!", ela responde. No que ele diz que precisa pagar el alquiler (o aluguel), o senhorio está cobrando e ele não tem um tostão. E ela lhe pergunta se ele não quer plantar batatas.

Diante da briga dela com o estrangeiro, ele, que os observa, ri das suas reações de menina. E fica cada vez mais fascinado por ela.

O jogo [5]

Estacionou na porta da casa dela e tentou puxar assunto. Ela, ainda ruborizada com a pergunta, sentiu-se como uma moça da década de 50. Não sabe o que responder, nem como agir. Pensa em se despedir o mais rapidamente possível e sair dali.

Quando vai dizer "tchau, até amanhã", ele segura a sua mão e diz: "A gente podia sair qualquer dia desses... você gosta de dançar?". Ela faz que sim com a cabeça e diz que poderiam marcar sim, para qualquer dia.

Inclina sua cabeça para beijá-lo na face e agradecer a carona. Ele é mais rápido, e beija-lhe o rosto, no canto de seu lábio. Depois de sentir seu hálito, ela se afasta e sente o calor invadir seu corpo e rosto. Ele ri. "Você está vermelha...", ele observa.

Envergonhada de ser tão transparente, ela sai e bate levemente a porta do carro. "Te vejo na aula amanhã, ok? Beijo."

Ele parte. Ela sonha.

terça-feira, abril 07, 2009

O jogo [4]

Eles se dirigem ao estacionamento conversando sobre a aula meio desanimados. Ele até demonstra algum interesse pelo assunto, mas percebe que ela não está ouvindo o que ele diz. Ela está ali, mas não o escuta. Pensa apenas naquele homem ali do lado dela, 15 anos mais velho, todo animado, querendo dar a ela uma carona... "o que ele quer?", ela precisa entender...

Chegando no carro, uma surpresa. Seu carro é lindo, moderno, esportivo, e está cheio de caixas de caqui, daquelas que você compra em entrepostos. Ela faz uma pergunta idiota: "por que tantos caquis? Vai vender na feira?" Ele ri e responde, rindo dela: "Vou! Mentira, eu amo caqui!" Ela fica sem saber o que é e o que não é verdade.

Eles entram no carro e ele continua falando, enquanto ela observa. De repente, enquanto dirige, já chegando no túnel, ele pergunta: "você é uma pessoa que gosta de sexo?"

Ela, que estava meio alheia ao papo, se assusta com a pergunta e não responde. "Que cara doido!", pensa.

O jogo [3]

Finalmente, o professor encerrou a aula, uma verdadeira tortura. Ela não consegue entender como alguns conseguem gostar daquela aula, gostar de ficar ali, olhando aquele cara divagando, bradando suas alucinações... desconfia que alguns o aturam apenas para serem convidados para suas fantásticas festas juninas no sítio... dizem que são imperdíveis.

Depois que o professor saiu da sala, o grupo ficou discutindo o trabalho. Uns, muito animados, dizem como pretendem fazê-lo. Outros estão se perguntando ainda "Será que eu entendi bem?", "Será que eu sei o que é pra fazer?", "Não é melhor nós falarmos com ele pra ver se compreendemos o que ele quer?", "É só pra fazer um relatório da visita, ou ele quer alguma coisa a mais?"...

Ela está cansada da aula e resolve dar um pulo na sala de apoio para ver se um dos dois computadores está vazio. Quer olhar seus e-mails pra ver se há alguma novidade. Anda fascinada com essa tal de internet, que aproxima as pessoas de uma maneira incrível. Mas, não, os computadores não estão vazios. Os dois estrangeiros estão lá, como de costume, aboletados sobre os computadores. Um deles ainda olha pra ela e pergunta se há espaço em seu armário, porque ele precisa guardar umas coisas. Ela até responde algo como "mas você não tem um armário só pra você?". E ele diz que o dele já está muito cheio e que precisa compartilhar o armário de alguém... Ela simplesmente se vira e vai embora, assustada com tanta cara-de-pau...

Ao sair do departamento, ouve a porta de ferro bater ameaçadoramente atrás dela e pensa: "puxa, esqueci desta porta de novo!"

Quando está quase chegando à entrada do bloco onde estuda, sente que alguém se aproxima por trás dela e pára. Ele vem de mansinho e sussurrando em seu ouvido diz: "Quer carona? Hoje eu queria te levar em casa..."

Mesmo sabendo que ele nunca está de brincadeira, ela aceita. "É mais um lance do jogo", ela pensa. "Vamos lá, vamos encarar!"