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domingo, setembro 09, 2012

De algum lugar no passado

Ela abriu um livro e lá estava ela. Uma dedicatória rabiscada. Como letra de médico. Escrita há tanto tempo, parecia ser uma dedicatória de outra vida. Quando olhava para trás, não se reconhecia na moça para quem haviam sido endereçadas aquelas palavras.

Querida,
Não tenho pressa, mais cedo ou mais tarde sempre encontraremos nossos caminhos. Espero que os nossos sempre se cruzem.
do seu amigo,
José
jan/96

O livro? Demian, de Hermann Hesse. De birra, picuinha, ela nunca leu o dito. Deixou esquecido na estante. Não sabia porque ele havia escolhido este autor, nem este título. Aliás, mal se lembrava de onde havia surgido aquela paixão avassaladora.

O fato é que em janeiro de 1996, ela já havia virado a página, já estava em outra. Havia cansado de esperar por alguém que tinha grandes dificuldades em tomar decisões. O tempo passou, e seu cérebro tratou de apagar os traços de seu rosto, o tom da sua voz, seu número de telefone e endereço, que ela sabia de cór... enfim, foi apagando o amor assim como ele fez com ela.

Agora, lá estava ela, que por uma coincidência, havia encontrado uma foto dele numa busca no Google, e ele estava vivo. Depois de tanto tempo desaparecido, descobriu, com as poucas informações de que dispunha, que ele estava ao alcance de um telefonema. Ou um e-mail.

Talvez, sempre estivera ali, ao alcance da mão, ela é que não quis remexer naquele lodo por todo esse tempo. Foram 16 anos sem vê-lo. Agora, uma foto, um clique, e pronto. Ele era professor e talvez tenha até mantido seu lado empresarial.

Talvez tenha sido esse o jeito que ele encontrou para sobreviver àquilo tudo, indo embora, recomeçando do zero, saindo de cena.

Não, talvez não tenha sido coincidência. Talvez, do mesmo modo que ela o encontrou ali, ele a tenha chamado telepaticamente, por tê-la visto em fotos recentemente, por ter feito ele uma busca ao seu nome, talvez...

Como algo que nunca foi encerrado, e que não merece ser remexido, esse contato talvez deva mesmo ficar pra uma próxima... vida.



Música do dia: "Impossível acreditar que perdi você" - versão do Toni Platão

quarta-feira, julho 25, 2012

Memórias vãs...

Existem programas na tv - à cabo, infelizmente - que são realmente instigantes. Um dos que eu realmente amo é o "Saia Justa", principalmente agora, com a participação dos maravilhosos Xico Sá, Dan Stuback, Dú Moscovis e Léo Jaime. Eles são realmente demais.


No programa de hoje, discutiram um tema sobre a infância, se a criança que fomos um dia se reconheceria no adulto que somos hoje. Eu fiquei pensando a meu respeito, se eu era essa criança responsável que se tornou essa mulher batalhadora... acho que era...

E isso me lembrou de tempos idos, de coisas que eu fazia na infância, do que eu gostava e do que eu não gostava,..., ai, acho que abriu uma porteira enorme de recordações....

Estes dias mesmo estava conversando com o meu marido a respeito dos Trapalhões, personagens também mencionados pelo Dú Moscovis no programa de hoje. O fato é que o meu marido O-D-E-I-A os Trapalhões (pelo menos, o Didi, disso eu tenho certeza)... ele sempre reclama aos domingos, quando eu esqueço a tv ligada e ele me pega na cozinha 'vendo' os Trapalhões.

Eu então me lembrei dos domingos na casa do meu tio-avô, Seu Mário, no Humaitá. Ele morava numa casa grande, de três andares, mas que não tinha muito espaço para brincar. Tinha um terraço, mas nós não podíamos ficar sozinhos por lá porque os adultos não deixavam. Lembro da programação de domingo: subir a ladeira de carro no maior esforço, porque a ladeira era íngreme e o carro não tinha lá tanto motor assim, manobrar bem lá em cima (onde o povo gostava de fumar uma erva), estacionar o carro (acho que ainda era um fusca o que o meu pai tinha), entrar na casa pela porta da garagem. Aí começava o meu sofrimento, porque a casa cheirava a cachorro, eles ficavam na sala de estar na maior parte do tempo, deitados sobre os sofás. Minha tia tinha um dinamarquês enorme, branco malhado de preto, que se chamava King, e um cocker spainiel preto chamado Xereta. Eles tinham pulga. E cheiravam a cachorro mal lavado que secou à sombra. King morreu atropelado por um ônibus, num dia de descuido e porta da garagem aberta. Xereta morreu de velho. Eram ícones daquela casa.

Eu não sentava naquele sofá nunca. Nós constumávamos chegar na casa deles à tarde, lá pelas cinco horas. Antes do Fantástico, passava uma sessão de uma hora de "Os Trapalhões", naquele que se podia considerar os áureos tempos, com a turma completa: Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Lembro de ouvir meus primos dando risada sobre as besteiras que eles faziam, mas eu confesso que achava o programa um festival de piadas sem graça. Confesso que durante muito tempo tive medo de ir ao teatro para assistir a uma comédia ou a um stand-up por medo de não rir. Será que o meu problema é que eu não entendia as piadas? Eu ainda gostava um pouquinho do Mussum, e seu jeito de falar errado, mas o Didi era sempre tão cruel com todo mundo, que eu não curtia... aliás, como ele é até hoje...


Depois dos "Trapalhões", começava o Fantástico, e a gente sempre via ainda por lá o placar da rodada com o Léo Batista dando o resultado da loteria acompanhado da Zebrinha, que volta-e-meia dizia "Coluna do Meio", para alegria de todo mundo lá de casa (que ria da piadinha idiota a que a expressão "coluna do meio" fazia referência). Então, o sofrimento estava completo. Titia trazia a canja de galinha, numa louça brança com desenhos azuis que ela tinha - e adorava - e nós éramos obrigados a comer aquilo antes de qualquer sanduíche ou cachorro quente. Com bastante hortelã. Eu acabei me tornando uma pessoinha que odeia canja de galinha por causa disso, talvez pelo mesmo motivo que eu odeie beterraba e miolo de boi, ou seja, o fato de ter sido obrigada, em um dado momento da minha vida, a comer essas coisas, seja lá de que jeito...

O que salvava era o bolo de chocolate, que levava coca-cola na receita e ficava beeeeeemmmmm molhadinho... era sempre a sobremesa final, com um sorvete de flocos, e eu amava. Muito frustrante foi, tempos depois, descobrir que a velhice havia feito a titia a esquecer do bolo e de sua receita... Ela sequer se lembrava que fazia esse bolo pra gente...

Ah, não posso esquecer. A sensação da casa da minha tia eram duas, na verdade. Uma delas era vê-la preparando o macarrão na máquina artesanal, naquela cozinha espremida. Eu sempre me oferecia para ajudar, pela curtição de ver uma massa disforme virar macarrão fresco. A outra era um melro-preto, um pássaro para quem ela assoviava e que lhe oferecia em troca a cabeça para coçar... todo mundo queria coçar a cabeça daquele melro...

Foi na casa da minha tia que eu descobri a minha intolerância ao álcool e aos pobres bêbados... mas isso já é outra história...

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Se eu pudesse esquecer...


Tem dias que a gente simplesmente não quer lembrar, não quer se deparar com nada que lembre, não quer uma centelha de pensamento voltada para o passado, quer rasgar a página do caderno da vida, quer tirar da memória toda e qualquer lembrança de algo que doeu, que feriu, que nos mudou de direção.

A gente vê o carro do mesmo modelo, vê uma foto nas redes sociais, sente um perfume, ouve uma voz parecida, vê alguém que anda igual, vê um recado no qual reconhece um traço da ternura que um dia pareceu tão verdadeira, e aí aquilo tudo vem à garganta, como vaca que rumina o pasto e regurgita a comida que já está no estômago.

Tudo o que se quer é apagar o slot lotado de memórias sem sentido, de algo que te fizeram e você nem sabe bem porquê. Não, é fato, a vida dos outros, ainda que parentes e amigos, não gira ao redor de nós. Mas, no fundo, no fundo, a gente espera que aqueles que nos amam saibam conciliar o que é inconciliável, saibam dar "nó em pingo d'água", façam de tudo para nos ter por perto. E, principalmente, para não nos magoar deliberadamente.

De repente, tudo que se percebe é que não é bem assim. Então, só nos resta olhar pra frente. Antolhos às vezes são muito úteis quando se quer ter foco...

Impressionamente o que somos capazes de fazer quando acreditamos em nós mesmos. Quando nós miramos numa meta pré-estabelecida e vamos em frente... "para frente e avante", como diziam antigamente os escoteiros e as bandeirantes.

São esses valores que nos são incutidos na infância que vão moldando o que somos quando adultos. E se refletem nos nossos atos. Naquilo de que não abrimos mão, ou o que simplesmente não aceitamos, por não compactuar com certas atitudes dos outros.

Vale à pena continuar? Sempre. Mas, é preciso ter muita coragem, porque essa vida, ah, ela não é bolinho, não!

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Saquarema

Saquarema é de novo lembrada. Está na novela. As imagens de Saquarema que me entram pela casa através da novela, são o maior barato, me remetem à bagunça da infância. Eu passei as férias em Saquarema. A última vez foi com 23 anos, e já faz algum tempo. Que saudades de Saquarema...

Quando íamos pra lá, o grande barato era ir à praia, não saíamos da praia. Chagávamos bem cedo e quando dava fome, comprávamos risole de camarão ou cochinha de galinha, uma delícia! Mamãe, tia Lola ou quem estivesse conosco, tinha que ter um troco para comprar o salgado, mas se não tivesse, comprava fiado, porque o seu Astrogildo sabia onde ficava a nossa casa e passava à tarde para apanhar o dinheiro. Aliás, casa de praia em cidade pequena é bom porque à tarde, sempre vem alguém vendendo alguma coisa de bicicleta, um sorvete, um doce... Tudo que ofereciam a gente queria e, nas férias, mamãe deixava a gente se fartar de gulodice. Sempre íamos todos juntos comprar bala 7Belo, ou Samba, no bar do seu Manoelzinho. Eu tomava conta dos pequenos, que fingiam que me obedeciam para fazer sempre o que queriam com as moedas que os pais davam. Eu e essa mania de ser controladora desde criança...

Mas, até hoje quando quero me sentir em Saquarema, passo na banca de jornal em frente ao meu trabalho e compro um punhado de 7Belo e bala Juquinha, sem esquecer de distribuir para as “crianças” que trabalham comigo...

Saquarema era sinônimo de banho de mar e de banho de mangueira... A gente não tinha piscina na casa, nem de plástico... então, pra tirar o sal do corpo sem ter que trocar o biquini ou a sunga, a gente tomava banho de mangueira, pra curtir a praia depois, quando o sol já estivesse mais baixo. E o sol demorava a abaixar... enquanto isso, era aquela correria de criança descalça pela casa, os pais tentando tirar uma soneca na rede na varanda igualmente quente por estar inundada com os raios do "sol da tarde", e o jardim pequeno pra tanta bagunça...


Quando penso em Saquarema, tenho a certeza de que a felicidade está nas coisas simples...

domingo, janeiro 02, 2011

Album de família...

De tempos em tempos, eu sento à mesa com um saquinho de um quilo de feijão e cato montinho por montinho. Não tenho quem faça pra mim, e mesmo que tivesse, não terceirizaria. Essa é uma atividade que me faz muito bem, e eu faço devagarzinho, calmamente. Lembro-me de minha bisavó, sentada à mesa da cozinha na Rua das Palmeiras, catando feijão, com uma perna cruzada em baixo do corpo para que ficasse um pouco mais alta, a pequenina. Ela fazia aquilo como que se para estender o tempo, já que àquela altura da vida, com pouco mais de 90 anos, tinha o tempo que quisesse ter. Catar feijão hoje é como estar conversando com a vó Santinha, que faleceu quando eu ainda era garota, mas que me deu muito do seu tempo livre em papos e estórias da sua infância, tão diferente da minha.

E assim venho fazendo ao longo da vida, repetindo gestos de meus queridos só para estar um pouco mais perto deles. Quando dou uma gargalhada, lembro da minha avó Maria, que gostava de rir de tudo, era uma pessoa simples, e como eu, mostrava logo na sua expressão quando não estava gostando de alguma coisa. Ah, como a gente gostava de jogar buraco. Eu ficava horas olhando o jogo, e eu para pegar a de fora, porque as avós Maria, Irma, Yolanda, Eudete e Lourdes não paravam o carteado para me dar uma deixa. Eram as noites em Saquarema. Ainda hoje, ao jogar buraco, é impossível não lembrar de todas elas.

E também faço barquinhos de pão francês e molho no café com leite, como fazia meu avô Alcir, e me lembro dele todas as vezes. E quando faço o meu arroz soltinho, lembro da primeira vez já casada em que quis fazer um arroz, e liguei pra minha avó Irma pra pedir a receita... e ela me perguntou: mas você não sabe fazer um arroz??? Eu quase desesperada porque não sabia fazer nada, e ela ralhando comigo... Eu consegui, custou um pouco, mas hoje meu arroz é uma delícia...

Eu lembro deles em cada gesto, em cada ato, e me confortam essas memórias. Eu gosto de tê-las... ah, como gosto! Sem nostalgia...

sábado, fevereiro 27, 2010

Memórias perdidas, memórias de outrem

Hoje, eu andei fuçando a minha caixa de fotografias para recuperar uma foto em especial, na qual estou na casa de um grande e antigo amigo em Muriqui.

Não achei a tal foto, deve estar na casa da minha mãe. Mas, revi outras fotos, várias, nas quais apareciam pessoas das quais não me lembro os nomes. Aliás, da maioria apaguei seus nomes. O que, sinceramente, me causou uma tremenda angústia. Por que fiz isso? Não eram elas importantes o suficiente para que eu guardasse seus nomes? Seria a idade chegando e com ela a perda de memória?

Me deu uma vontade danada de pegar foto por foto e ficar fazendo anotações atrás, para resgatar, um por um o nome daquelas pessoas. Algumas, inclusive, estiveram na minha casa, em festas de aniversário. Como eu pude me esquecer delas?

Uma coisa eu pude constatar: na maioria das fotos, eu me sentia gordinha, e tentava me esconder de alguma forma. Mesmo naquelas em que eu não estava nem um milímetro gordinha... O que me leva a crer que a ditadura da magreza é mesmo uma ditadura. Uma tremenda burrice, que aceitamos sem questionar. Estas memórias são minhas, mas parecem de outrem.

A tal foto que eu procuro é uma meta. Uma meta que eu considero difícil, mas inspiradora. Vou focar nela. Rejuvenescer, impossível. Mas, deixar dez quilos pelo caminho, quem sabe?

Só sei que hoje sou muito melhor do que era há dez anos, quinze. Quanto mais eu me conheço, mais sei dos meus limites, e mais sei o que posso fazer para melhorar. Dá trabalho, mas se não desse, não seria gratificante.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Natal 2009

Tem gente que apronta no Natal. Bebe muito, come muito, sai da dieta. Eu também aprontei esse ano. No dia 24, enquanto dava os últimos retoques nos presentes, tomei um tombo. Um verdadeiro estabaco. Estava com inveja de Caetano, caí da cadeira, enquanto tentava pegar umas caixas que estão numa prateleira que quase ninguém alcança. Por que será que a gente faz isso, né?

Saldo do dia 24: me ralei toda! Fiquei com dor nos braços, na perna e principalmente na banda-da-direita-da-minha-bunda, que ficou toda arranhada. Mas, como eu estava com um vestido novo, e não queria descer do salto, aguentei firme.

No dia 25, estava encarregada de fazer o arroz de passas, que minha mãe pediu. Fui pra cozinha e fiquei logo pensando em que pirex eu colocaria o bendito arroz, já que, como somos só eu e meu marido, não temos recipientes muito grandes. Antes de ligar pra minha mãe, pedindo "arrego", eu havia até escolhido um pirex para esta finalidade, mas depois que ela me disse que eu levasse o arroz na panela porque ela tinha um maior, resolvi guardá-lo de volta no armário. E foi aí que eu vi que sou cabeça dura.

A cena foi daquelas em que você sabe o que vai acontecer. Tudo começa a cair na sua cabeça. E você só pensa que seria bom que você tivesse oito braços e oito mãos para segurar todos os itens que insistem em cair. Pois é, hoje, a minha garrafa de suco caiu e se quebrou no meu côco. Nunca vi coisa pra doer tanto. Se fosse só isso, estávamos no lucro. Mas, como gatilho que é gatilho nunca vem sozinho, junto com ela, caíram mais um monte de coisas, o que transformou o chão da minha cozinha em um monte de cacos de vidro.

Saldo do dia 25: um galo na cabeça e a certeza de que eu preciso de mais armários na cozinha, para evitar esse tipo de coisa.

Conversando com a minha prima, ela me disse pra eu acender um defumador, que é bom. Deve ter algum moleque matreiro querendo me pregar uma peça. Ou sou eu mesma querendo voltar a ser criança.

Esta história toda me fez lembrar da vez que eu abri a cabeça, li-te-ral-men-te! Estava estudando na sala de jantar, ainda pequena, na casa dos meus pais, quando a borracha caiu próximo à arca onde minha mãe guardava a louça da casa. Cada porta possuía uma chave. Eu simplesmente não quis me levantar para pegar a borracha e fiz balanço com a cadeira para conseguir alcançá-la. Resumo da história: dei com o côco na chave e ela fez um "pequeno" rombinho.

O mais interessante foi quando chegamos no ambulatório da clínica que mamãe levava a gente, perto de casa. O médico disse que ia ter que costurar. Não ia doer nada, ia ser uma raspadinha em volta, para tirar o cabelo e "pá-pum". Só que na cabeça não se dá anestesia, ainda mais no alto do côco. Então, enrolamos uma toalha para eu morder e foi no susto mesmo.

Até hoje me lembro daquele dia... hoje em especial, porque o côco está doendo até agora.

Memórias... a vida é muito curta para que se tenha medo dela!

quarta-feira, outubro 14, 2009

Um travesseiro e o peso de uma mala

(Esse título dá direito ao leitor a compreendê-lo com seu duplo sentido)

Eu carrego o meu travesseiro pra todo canto. Ele é velho, achatado, duro, com um buraco no meio, e eu só consigo dormir com ele. Se pego um daqueles altos pela frente, sofro, tenho insônia. Tem que ser o meu velhinho, da época que eu era criança. Casei, e o meu marido começou a brigar comigo por causa do travesseiro. Ele também gosta do meu, o que torna isso uma tragédia grega.

Hoje, enquanto fazia a minha mala, lembrava da história da chupeta. Como falei aqui em outro post, estou usando aparelho. É transparente, tudo bem, quase imperceptível, mas é um aparelho nos dentes e é fixo. E, principalmente, dói. Tenho certeza que boa parte da causa que me fêz colocar esse aparelho foi o fato de ter chupado chupeta até tão tarde. Acho que larguei a chupeta aos sete anos, já com um defeito nos dentes que só foi piorando ao longo do tempo.

A mamãe foi a grande responsável por pôr um fim àquela angústia da chupeta. Ficávamos sempre discutindo quando eu largaria a chupeta, até que um dia ela inventou uma história e eu caí direitinho e nunca mais pedi chupeta para dormir.

E lembrando da história da chupeta, me peguei pensando no travesseiro, que pesa na mala, ocupa um espaço danado (que eu poderia ocupar com mais bobagens - que eu não páro de comprar) e que acaba sendo como a chupeta, que eu não largo.

Mas, afinal, por que eu tenho que ser tão apegada às coisas e principalmente às pessoas?

Enfim, no aeroporto de Dallas, enquanto fazia conexão para Washington, DC, vi uma garotinha linda, loirinha, de chupeta na boca, e carregando um paninho que arrastava pelo chão. De tempos em tempos, ela enrolava a pontinha do paninho e a enfiava no nariz. Eu era igualzinha quando criança, como eu me lembrei de mim, meu Deus.

Tenho que me livrar destas manias. Tenho certeza que serei uma pessoa muito melhor. Ah, serei.

domingo, setembro 06, 2009

A saga da casa invadida ou o drama do CD esquecido

Ontem, conversando com minha amiga Clarice, nos lembramos de um evento muito peculiar da nossa juventude. Quando éramos jovens (há um tempo considerável atrás), descobrimos a maravilha do CD, que veio para substituir os LPs (e suas capas maravilhosas) e que passamos a comprar com frequência, numa febre danada. Naquela época, ter um CD player, que era separado dos aparelhos de som convencionais, era para poucos.

Mas, o tempo foi passando, a mídia barateando e a gente ia comprando. Até que eu descobri algumas divas americanas (ai, o meu passado me condena) e, depois de ver o filme "The Bodyguard", de 1992, com a Whitney Houston e o Kevin Costner, comprei o tal CD e ouvi até enlouquecer os meus vizinhos (minha amiga Clarice, inclusive).

Quando eu começava a ouví-lo, me lembro dela gritando da janela: "Abaixa essa droga! Isso é horrível!" Eu lembro que dava risada com a loucura dela, e aumentava o volume (que criatura cruel! Clarice, me perdoe!).

A coisa só foi piorando quando a gente começou a se divertir imitando as caras e bocas da Whitney Houston, cantando em falsete aquelas músicas (e olha que ninguém cantava direito naquela época - que sofrimento!).

Pois uma dia, chegando da faculdade, percebi que o nosso apartamento havia sido arrombado. A fechadura da porta estava frouxa e eu não conseguia abrí-la. Fui até o apartamento de Clarice e pedi uma vassoura (a minha arma, imagina como eu era valente!), pois eu ia entrar pela cozinha.

Ela desceu para entrarmos juntas, numa adrenalina danada, pois imagina se o ladrão ainda estivesse dentro do ap.? Pois bem, quando entramos, a cena era desoladora. Tudo revirado, armários, cozinha, sala, o ladrão precisava de miudezas, era alguém que conhecia a gente pois foi direto no que interessava. Meu armário, inexplicavelmente, estava intocado, mas muita coisa havia sido roubada e a sensação era péssima.

E aí, nos demos conta do roubo do CD player e dos CDs? Mas, não é que o ladrão deixou o CD do filme "The bodyguard"?! Nunca mais esqueci da cara da Clarice, dando risada, e dizendo:

"Eu não disse que esse CD era uma bosta? Não tem nem valor de mercado! Nem o ladrão quis!"

Cara, eu fiquei com uma raiva danada daquele CD ter sobrado.

Não sei se a ficha caiu ou peguei implicância, o fato é que nunca mais o havia escutado. Hoje, ouvindo a Paradiso FM, tocou uma das músicas daquele CD e eu me dei conta de que ainda sabia a letra... incrível, lá se vão mais de quinze anos, e eu ainda sabia ela inteirinha, de cór.

Loucura!

Agora, de verdade, eu torço para que a Whitney, que esteve abduzida pelas drogas (principalmente a Cocaína) se reestabeleça e volte a cantar. Ela merece outra chance.

Olha a música aí...

sexta-feira, junho 26, 2009

O fim

O fim da gente é a morte. Se existe ou não outra encarnação, e se a gente passa um tempo vagando por aqui antes de partir de vez, estas respostas só temos quando partimos. O que deixamos é a nossa história, o que fomos e o que fizemos por aqueles que amamos.

A morte tinha chegado de repente com a queda do avião da Air France, no qual perdi uma aluna querida. Ontem, veio através do jornal, com as notícias das mortes do Michael e da Farrah. Ela estava lutando muito pela vida, fêz o que pôde. Ele, parecia que havia se entregado, que tinha deixado o fim chegar, que estava dando seus últimos suspiros.

Sempre achei a Farrah linda, e quando criança, só não dizia que queria ser a Pantera loura - porque bricávamos de Panteras na escola - por causa dos meus cabelos castanhos. Mas, eu a admirava tanto, com aquele jeito firme, e aqueles lindos cabelos em camadas. Uma barbie, magrinha, bem feitinha. Ela envelheceu como deu, com integridade.

O Michael se perdeu, se esbranquiçou, enlouqueceu, deu pena. Trocou as músicas dançantes pelas baladas tristes. Teve uma "Neverland" e se afundou em dívidas. Pra ele, não daria mesmo pra envelhecer.

O que me surpreendeu com estas duas mortes recentes foi que uma quase passou desapercebida, ofuscada pela segunda. E essa última virou festa, as pessoas cantando nas ruas as músicas do álbum de maior sucesso, Thriller, que eu ouvi-até-furar e que embalou a minha adolescência, sem medo, sem terror, apenas como se eu fosse um daqueles zumbis, que se divertia a valer com aquela dança.

As pessoas estavam lá, comemorando o Michael, que minha queria Clarisse disse ser 'o cara', enquanto ele deve estar por aí, vendo o quanto suas inseguranças eram infundadas, pois as pessoas gostavam mesmo de você, Michael, e isso era de verdade, senão não tinha tanta gente na rua querendo te homenagear.

E Farrah, querida, pra você eu deixo o meu descanse-em-paz, você que foi uma guerreira e que lutou contra a pior doença deste mundo.

Pra vocês, deixo a música que me é mais querida, do Michael, a eterna abertura do Video Show...



Aproveitem e dancem com ele!

sexta-feira, maio 01, 2009

Airton Senna

Pela manhã eu acordei ouvindo a Ana Maria Braga dizendo que hoje faz 15 anos que nós (o Brasil e o mundo) perdemos o Airton. Em seu programa estava a Viviane Senna, irmã do Airton, que chorava copiosamente ao ver as cenas que a equipe do programa havia preparado. Eu chorei junto.

A Viviane fez um comentário engraçado. Ela disse que em todo lugar que ela vá, qualquer pessoa que ela encontra, o papo é sempre o mesmo. As pessoas sempre querem contar para ela onde estavam e o que estavam fazendo, quando o Airton morreu. Em qualquer lugar do mundo, as pessoas se lembram o que estavam fazendo. Eu também. Lembro que estava vendo a corrida com o meu pai e quando o Airton sofreu o acidente, lembro do papai dizendo: "Não é possível. Não é possível". Lembro do pesar na voz do papai. E lembro que sofremos a morte do Airton como se estivéssemos perdendo alguém da família, um cara que admirávamos muito.

Nesse vídeo do Youtube, as imagens e a mensagem são muito bonitas. Refletem o que nós, os brasileiros, sentimos.


Eu fiquei um bom tempo sem conseguir ver a F-1, meu programa favorito de domingo. Ainda hoje não é a mesma coisa, ainda acho que o tema da vitória não deveria ser usado por mais ninguém. Como disse o Barrichello hoje, esse era o tema do "chefe".

Cara, onde quer que você esteja, que você saiba que ainda hoje, sentimos muito a sua falta!


PS.: Uma curiosidade, alguém se lembra que o Airton teve uma paralisia facial em 1984, que foi confundida com um AVC? É que ele era alérgico ao ar-condicionado, mas com massagens e um remédio a base de cortisona, ele ficou logo bom!