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sexta-feira, dezembro 09, 2011

O "eu" no centro do Universo


Eu posso, eu quero, eu faço, eu mando, eu sei, eu entendo... veja o que eu vejo... o "Eu" no centro do Universo.

Estou - definitivamente - muito cansada disso tudo. "Quem é o responsável? Quem é o culpado?" Na hora de colher os louros, só existe um responsável, o coordenador, o dono do projeto... se o caso é de culpa, dane-se!, a equipe que não trabalhou direito.

De novo, o mote gira em torno do egoísmo, do egocentrismo, porque se não formos egoístas e virmos nosso lado primeiro, antes dos lados de todos os outros 'eus', não conseguimos evoluir na carreira... quem disse isso? Quem se outorgou o direito de sair por aí apregoando isso?

Vem cá, quantos vão ser presidentes da empresa mesmo? Quantos chegarão a ocupar um cargo de Diretor? E de gerente, vai lá, quem se arrisca a dizer que chegará lá? Vamos combinar que não tem espaço pra todo mundo... a estrutura é piramidal mesmo, as posições diminuem a medida que a gente sobe nos níveis hierárquicos e não adianta tentar usar os outros de escada, assim nós certamente não chegaremos muito longe.

Sempre achei que o grande trunfo das organizações era conseguir colocar seus empregados / colaboradores para trabalhar em dupla, em equipe. Não dá para registrar todo o conhecimento destas pessoas? Que seja, que pelo menos esse conhecimento seja coletivo, que mais de um saiba do que se trata aquele projeto estratégico e que, por isso, o outro possa desligar seu celular de vez em quando. Que se possa tirar férias. Que se possa viajar sem ser incomodado o tempo todo. Que se possa namorar, sem se preocupar se vão ou não achar aquele arquivo importante para a reunião...

Mas, não, estamos sempre brigando pelo que é "nosso", pelo que nos garante status e poder. Dar crédito ao trabalho dos outros nos torna inferiores. Temos que por os outros em desvantagem, temos que expor nossos oponentes perante o chefe em qualquer oportunidade. Porque só quem sabe sou eu, só quem entende sou eu, e a minha palavra tem que ser a última. Isso tudo cansa.

Isso gera energia negativa. Corrói a confiança entre as pessoas e destrói as equipes. Vamos aonde se continuarmos acreditando nisso? A lugar algum. Eu ando muito cansada de não poder dizer que não concordo com quem pensa assim, com quem acha que é o dono-da-verdade. Eu não quero isso pra mim. Não aguento quem comete suicídios profissionais todos os dias, e sempre acha que vai sair impune porque é maior do que tudo, porque se garante... Afinal, quem garante quem nesse mundo? Quem é que vai botar a mão no fogo por alguém na hora em que tiver que salvar a própria pele?

Quero Respeito, quero Autonomia, quero Consideração. Mas, sei que não preciso destruir o entorno para conseguir sucesso. Sucesso se conquista com Reconhecimento, que abre portas que estão fechadas e mantém abertas aquelas que poderiam se fechar atrás de nós.

Ainda bem que eu tenho os meus valores e princípios. Disso eu não abro mão.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Virar a página

Como o jornalista que de uma hora pra outra decide investir numa floricultura. Ou o engenheiro que resolve cuidar de cachorros. Ou a psicóloga que compra um restaurante. A gente é livre pra mudar. Todo dia, toda hora. A vida é um caderno onde só se escreve a caneta. Não dá para apagar, sem deixar a marca do liquid-paper, nem rasurar o texto, sem lembrar que há um erro, uma escolha, um outro caminho ali embaixo.

Eu quero rasgar a página. Arrancar tudo o que vivi nestes últimos dois meses de dentro do meu coração. Eu não mereço isso, não quero ouvir ecoando e se repetindo aqui dentro tudo o que ouvi. Mas, o fato é que eu não paro de ouvir as insanidades que ouvi vezes e mais vezes. Como vaca que rumina o pasto, como os mineiros chilenos que ficaram presos 69 dias sem saber se o terreno não ia ruir sobre suas cabeças, antes que fossem salvos.

Não estou sendo dramática, só sei que tudo é muito perdoável quando não é com a gente! Quando é na pele do outro que arde, você até pode se indignar, mas não o suficiente para conclamar os demais a fazer alguma coisa. E quem bate, esquece rapidamente. Quem leva, não esquece nunca.

Sei que só fazem conosco o que permitimos que façam. Sei que pra tudo há um limite. E eu sou teimosa. Não, meu caro, isso não é um defeito. É uma qualidade. Nunca vão tirar de mim o meu orgulho, isso não. Eu sou mulher-valente-sem-medo-do-perigo. Há um preço a pagar? Eu sei. Tô pagaaaaando... Minha liberdade de escolha não tem preço. É priceless.

A minha boiada já está na briga faz tempo. O boi que eu quis dar pra não entrar na briga, virou churrasco!

domingo, setembro 19, 2010

Esquizofrênicos

O grupo vem caminhando animado na volta do restaurante, em direção ao prédio da empresa. Quando param, outras pessoas se aproximam, até que uma outra pessoa chega, empolgadíssima. Cumprimenta dois deles, seus clientes internos anteriormente, e os que foram seus antigos colegas de Departamento, ah, esses, ela os ignora solenemente.

Todos se entreolham esperando ao menos um "Boa tarde", como diz a boa educação. Mas, ela somente se preocupa em ficar bem na "fita" com os "clientes". Até que seus colegas pedem licença e entram, deixando-a em liberdade para continuar o papo.

No dia seguinte, um deles está na Copa para um café quando a mulher chega. E pede desculpas por não tê-lo cumprimentado no dia anterior. Ele a olha com cara de espanto, "é isso mesmo?" Pra quê tanta hipocrisia, ele se pergunta?

E voltam os dois para os seus lugares, com uma sensação que ali dentro só há esquizofrênicos...

quarta-feira, junho 23, 2010

Por onde andei [2]

Nunca um nome de um post me foi tão apropriado quanto este. Como eu tenho andado, nossa! Aqui, a gente se dá conta de que está muito sedentário no Brasil e que anda muito pouco. Muito pouco mesmo. Tudo é feito à pé. Táxi é impraticável.

Estamos a uns cinco minutos a pé da Universidade, num bom ritmo pelo caminho mais curto, e a 20 minutos pelo mais longo. No caminho mais curto, as ruas são residenciais e cheias de verde (para chegar a Universidade, passamos por um parque muito bonito, cheio de árvores floridas, jasmim em sua maioria).

Entre os prédios de apartamentos, há um ou outro comércio, mas nada que chame muito a atenção, além de uma loja de bebidas (com uma variedade impressionante para um bairro pequeno) e um prédio residencial transformado em cinema de bairro, com uma arquitetura bastante interessante.

Tenho que escolher bem o sapato quando saímos pela manhã. Tenho evitado ir à Universidade de tênis, porque nunca sei a quem serei apresentada como a esposa do professor brasileiro. Mas, confesso que os saltos andam me matando esses dias, e que os tênis combinariam bem melhor com a mochila que trouxe para cá e que tem sido minha fiel escudeira. "Santa Uncle K, Batman": a mochila é levinha, levinha. Bolsa arrumadinha, só para algum evento social.

Hoje, descobri que nosso amigo de Frankfurt, Achim, aluga a cobertura aqui no prédio onde estamos. E que o studio dele é uma graça, como somente poderia ser, vindo de uma pessoa tão especial. Ele teve o cuidado de deixar algumas coisas para comermos aqui no nosso apartamento, pois chegamos no domingo e não havia nada aberto...

Fomos caminhar pela vizinhança e aproveitamos para gastar nosso pouco inglês (o meu e o dele, mas a gente se entende). Ele me mostrou algumas lojas que ele gosta, alguns restaurantes charmosinhos e conversamos sobre o assunto do dia: "o jogo tudo-ou-nada da Alemanha contra Gana". Estava todo mundo empolgado por aqui.

Contei a Achim que na minha empresa - esquizofrênica, há que se lembrar -, pedimos para ficar e assistir aos jogos do Brasil. Tínhamos combinado de almoçarmos juntos, e depois, voltaríamos a trabalhar. Uma ordem superior, no entanto, foi dada e a comunicação que recebemos é que a empresa fecharia, e que todos teríamos que compensar estas horas posteriormente (graças à Deus, estou de férias agora!).

Achim, como bom empresário que é, fez o seguinte comentário: "Vocês querendo melhorar a ambiência e eles trabalhando para destruí-la". E emendou com um "certamente, depois, eles irão contratar um consultor externo que os levará a um workshop de clima ou comportamental, onde vocês ficarão sem trabalhar, e que será muito mais custoso para a empresa do que permitir que assistam aos jogos juntos, nas suas dependências".

Falou tudo, o danado! Depois disso, dizer mais o quê?

Quanto ao resultado do jogo Alemanha x Gana, eu conto depois... o que aconteceu por aqui também... é muito assunto para um post só!
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Mudei o nome da série de posts porque a música do Nando Reis não me sai da cabeça esses dias: "Por onde andei, enquanto você me procurava, e o que eu te dei, foi muito pouco ou quase nada..."

quarta-feira, junho 16, 2010

Perdeu, playboy!

Eu perdi, sim. Perdi a inocência, o jeitinho de Poliana que eu tinha quando defendi a minha tese de mestrado há uns bons anos atrás e ouvi isso dos membros da banca ao falarem do meu texto otimista. Perdi a fé de que as pessoas são boas e que querem fazer o bem sempre, acima de tudo. Quando eu acreditava nisso, volta e meia me surpreendia com algumas atitudes e ficava me perguntando: por que? por que? por que? Agora, vejo que todo mundo encara a máxima "o fim justifica os meios" como lema, como valor, e vai levando a vida como se usar os outros como escada fosse algo sempre factível e até perdoável.

Perdi também o medo de ser incompreendida ou aceita, porque nem sempre a gente vai conseguir oferecer ao outro a nossa frase mais bem colocada, os nossos melhores olhares, os nossos mais corretos gestos, mesmo que a nossa intenção seja boa.Ninguém dá mesmo o que não tem, como dizia Kardec.

Entendi a muito custo que as pessoas podem não querer a nossa ajuda, e nos olhando nos olhos dizer que "de boas intenções o inferno está mesmo cheio". Eu também já penso isso hoje. Já penso que "muito ajuda quem não atrapalha", como dizia a minha mãe. Tem horas que eu não quero ajuda, eu quero fazer valer a minha liberdade e a minha autonomia.

Só não consigo deixar de sofrer. Que pena! Mesmo que eu esteja até me sentindo relaxada, que eu já tenha entendido que preciso de serenidade para entender e aceitar as coisas que eu não posso mudar, o corpo tem padecido com as minhas ansiedades e angústias (é contraditório isso, mas é verdade. A mulher é uma eterna contradição). Eu tenho estado "fora da ordem", amando muito, e amando errado, querendo muito, mas querendo errado, tentando muito, mas insistindo no murro na ponta de faca, e a mão, dilacerada, não tem mais forças para buscar por outras mãos e sair do buraco. As pessoas me perguntam do porquê do resfriado, da voz afônica, da tosse de cachorro. Sempre fico assim quando quero falar algo e não consigo. O peito transborda e queima, e eu não consigo dormir. Somatização? Sim, e quem não somatiza, de uma forma ou de outra?

O mundo hoje é muito estressante, as pessas vivem tensas. É uma dorzinha ali, outra aqui. Você escuta um "Perdeu, playboy" do pivete no meio da rua, ou de alguém mal humorado no trabalho e, como tem que engolir o sapo, fica ruminando a resposta não dita e depois, o resultado disso é a garganta em frangalhos, detonada, e o estômago sofrendo com a azia das pastilhas e anti-inflamatórios... Ou uma dorzinha nas costas, ou um pulso latejando, ou uma enxaqueca persistente.

Se é que pra isso tem jeito, desconfio que estou prestes a descobrir a fórmula... só tenho medo de ficar muito má...

segunda-feira, junho 14, 2010

Em tempos esquizofrênicos...

Uma boa música pode traduzir o que vai aqui dentro...

Canção da Despedida
Geraldo Azevedo

Já vou embora
Mas sei que vou voltar
Amor não chora, se eu volto é pra ficar
Amor não chora
Que a hora é de deixar
O amor de agora pra sempre ele ficar
Eu quis ficar aqui mas não podia
O meu caminho a ti não conduzia
Um rei mal coroado não queria
O amor em seu reinado
Pois sabia não ia ser amado
Amor não chora, eu volto um dia
O rei velho e cansado já morria
Perdido em seu reinado sem Maria
Quando eu me despedia
No meu canto lhe dizia
Já vou embora
Mas sei que vou voltar
Amor não chora, se eu volto é pra ficar
Amor não chora
Que a hora é de deixar
O amor de agora pra sempre ele ficar




Eu acho que eu não preciso dizer mais nada...

terça-feira, junho 08, 2010

O par perfeito

Todo Shrek tem a sua Fiona. Mas, como é que eu não tinha me dado conta disso? Eles são perfeitos. Na verdade, nasceram um para o outro, foram feitos sob encomenda. Se um nasceu chato, o outro também será. Se um é arrogante, o outro é igualmente assim. São almas gêmeas.

O mundo corporativo também tem seus casais de Ogros. A gente não se dá conta, e quando vê, lá está ela.

Eu achava que era bom demais ter que suportar apenas um Ogro. Mas, agora, sei que a Fiona co-habita o nosso espaço.


Ela faz coisas do tipo:

  • manda recados para as pessoas, através de piadinhas sem-graça;

  • marca uma reunião de 2 horas com todo mundo e ainda demora meia hora para conseguir ligar o notebook (porque não tem a capacidade de verificar tudo antes da reunião começar);

  • fica lendo a apresentação em power point, sem explicar uma linha do texto confuso que está ali, e responde irritada a quem pergunta, como se o pobre coitado estivesse fazendo apenas perguntas idiotas;

  • força todo mundo a participar de uma festinha de aniversariantes do mês, colaborando inclusive com grana (cada mês um pouquinho mais), para o bem da ambiência (quando o que todo mundo gostaria de fazer era sumir, desaparecer);

  • reclama com o chefe das conversas entre as pessoas ao longo do expediente, o que leva a todo mundo a optar pelo instant messenger, para não dar margem a comentários;

  • e no dia dos aniversários das pessoas, quando se tenta sair um pouco do trilho definido pela criatura e trazer um bolinho simples para comemorar, ela faz questão de cantar "Parabéns pra você" aos berros e encerrar com um tenebroso "Aha, uhu, Fulano, vou comer seu bolo..."

Eu não sabia que a Fiona podia ser tão indesejável. Ela tem que dar o braço ao Ogro que cito nos outros posts. Foram feitos um para o outro. Aliás, eles dois até que se entendem muito bem. Fazer o que, né? Cada um se entende com a criatura que merece, não é mesmo?

A Fiona gosta de humilhar seus subalternos e até mesmo aqueles que não o são. Não pede "por favor", nem diz "muito obrigada" nunca. Ao menos, estar ao lado de uma Fiona tem suas vantagens, ela provoca mudanças. Quem pode, sai correndo dali, muda de baia, de endereço, se departamento. Quem não pode, faz outro concurso... "pede pra sair, 02".

Se eu fosse fazer um livro sobre as aventuras e desventuras do mundo corporativo, esses dois seriam os meus "vilões" prediletos!

segunda-feira, junho 07, 2010

Cara de pudim de limão

"Cara de quem comeu pudim de limão", "de quem cheirou pum", "de quem bebeu leite azedo", "de quem comeu e não gostou", "de quem prendeu o dedo na porta"...

Na loucura corporativa, tem sempre alguém que está permanentemente amoado. Há que se ter paciência.

Eu estou feliz. Agora, Santa Clara clareou. Estou até pondo umas florzinhas na minha mesa, porque tenho certeza que elas não vão morrer de "olho-gordo", nem serão pára-raio de nenhum baixo astral (nem o meu, nem o de ninguém).

É tão bom (bom-bom-bom...)!

O retorno do Ogro

[cena no escritório]

Dois colegas conversando no corredor, perto da máquina de café. Um deles, gerente. O outro, alvo do Ogro, que se aproxima sorrateiramente armando o bote.

De repente, a criatura mira o ombro do colega e dá um encontrão sinistro, só de "brincadeira". O outro percebe o ataque e firma o ombro, esperando a porrada. Dói no Ogro, que perde a reta e acaba rodopiando pelo corredor, para surpresa dos dois que estavam simplesmente conversando enquanto tomavam um café.

"Qualé, cara? Tá maluco?", pergunta o abalroado.

"É brincadeira, cara, só brincadeira...", responde o Ogro, sem graça.

"E tu já me viu brincando contigo dessa maneira?", insiste o pobre na berlinda.

"Ah, cara, é só brincadeira"... fica ali repetindo o Ogro, sem graça, e sai de fininho, sem resposta para uma pergunta tão simples.

[pano rápido]

E a gente ainda é obrigado a conviver com esse tipo de gente pelo bem da ambiência organizacional. Se eu pudesse, afogava o Ogro no tanque de casa e teria bons motivos para ser absorvida. Não pegava nem prisão temporária, tenho certeza.

Sempre acho que ações terroristas como essa querem dizer alguma coisa. Acho que esse meu colega devia ficar esperto. O veneno do Ogro pode ser poderoso, se não se tiver soro antiofídico por perto.

quarta-feira, junho 02, 2010

Por um pouco mais de coerência no trabalho

Eu juro que não queria roubar a idéia da minha amiga Flor de Lótus e escrever um blog sobre a esquizofrenia que assola o mundo corporativo. Mas, o quê que eu posso fazer se, duma hora pra outra, todos os assuntos que me aparecem dizem respeito a isso? Ela mesmo me dizia que tinha assunto à beça quando estava lá comigo, na mesma neurose. Agora, já em outra empresa, custa a postar ("é tudo tão normal").

Pois bem, a neura agora diz respeito a um contrato com terceiros. Os gestores tentam provar, por A+B, que têm razão em relação ao tal contrato. E no tal contrato, existe uma cláusula que diz que os terceirizados têm que trabalhar 220 horas por mês, ou seja, 8 horas e 48 minutos por dia. Tem gente que simplesmente não consegue. A gente vê as pessoas se esforçando, mas elas não conseguem. Quando começaram, só precisavam trabalhar oito horas por dia. Isso tinha sido acordado com elas. As horas extras eram esporádicas, e todo mundo organizou a sua vida neste sentido. Agora mudou a regra do jogo. Tenho visto as meninas cortarem um dobrado para conseguir deixar filho na escola, organizar a casa, pegar filho na escola, e fazer todo o resto (aulas de idiomas, ginástica etc) com esse "novo" horário. Quem não conseguir se adequar, que procure outra coisa pra fazer, outro lugar pra trabalhar. É como diz a minha mãe, nessas horas paga o justo pelo não-justo.

Mas, o que me incomoda é o seguinte: a mesma empresa que oferece prestadores de serviço nas áreas de manutenção do prédio e faxina, é a fornecedora dos trabalhadores do conhecimento que nos assessoram nos nossos projetos. Por isso, as tais 220 horas, porque os trabalhadores "braçais" trabalham aos sábados pela manhã. Já os que estão diretamente conosco nos projetos, fazem o mesmo horário que fazemos, isto é, o horário do escritório. E nem precisava mais, pois somos trabalhadores do conhecimento. Creio que somos auto-gerenciáveis na maior parte do tempo. Quando temos que trabalhar mais, trabalhamos; quando temos que fazer hora-extra, fazemos, e ninguém precisa pedir.

Ou seja, se estivéssemos adotando as práticas das empresas de ponta, estaríamos preocupados com a produção das pessoas, e não com o tempo que elas passam no escritório. Eu vejo que o meu chefe até fica incomodado com esta situação, mas volta-e-meia ele diz que são ordens superiores, que o recomendado é que quem não se adequar seja dispensado, e ele acha melhor esperar a poeira baixar.

Só que, em tempos de teletrabalho, uma época em que as pessoas podem fazer o seu horário, e trabalhar no período em que se sentem mais produtivas, fica quase inviável prender as pobres criaturas sem alma no pé da mesa, trancar a baia e só permitir a saída depois que as 8 horas e os 48 minutos diários sejam cumpridos.

Estive recentemente numa conferência nos EUA e conheci o gerente de logística da Boeing, um cara muito bacana. Ele disse que tinha resolvido reformar a casa dele, apliando jardins, construindo um novo andar, mudando o encanamento, enfim, fazendo uma obra grande. E que, para isso, tinha feito umas contas e percebido que estava gastando muito dinheiro tendo que ir ao escritório todos os dias. Então, chegou a um acordo com a direção da Boeing que o levou a trabalhae em casa três dias por semana, usando todos os recursos disponíveis atualmente no mercado.

As reuniões, ele fazia através de Skype ou qualquer outra tecnologia de comunicação e informação. E-mail e blackberry (bb) eram usados o tempo todo. Ele até me apresentou a um termo que eu desconhecia: crackberry, que é o viciado no bb (coitado, ele já estava virando um!).

E é por isso que essa coisa toda me deixa tão desconfortável. Se as pessoas estão estudando novas tendências, elaborando relatórios, lendo e corrigindo documentos, redigindo textos e procedimentos, por que elas não podem fazer isso de qualquer lugar? Por que não endereçar a questão para o ponto correto? Se não existe encomenda bem feita, aí você tem que se preocupar com o horário e não com a produção.
Já que a participação das pessoas em reuniões é pontual, a agenda pode ser previamente elaborada e as pessoas podem se organizar para estar no escritório naqueles momentos... Isso não vale só para os terceirizados, não. Vale para os empregados da empresa também. Se eu sou mais produtiva num canto silencioso como a biblioteca, por que eu tenho que estar na minha mesa atendendo a telefone, quando eu preciso estar concentrada e produzindo? Se eu preciso de espaço para espalhar os meus livros, buscar referências, consultar diversos autores, por que que esse locus criativo não pode ser a mesa da minha casa e o meu notebook conectado a empresa? Será que não existe uma outra maneira de aferir produtividade e desempenho?

Às vezes, sinto que o meu dia se esvai respondendo a e-mails com solicitações que chegam de todos os lados... e me sentir produtiva que é bom, neca! Eu sei que isso é tudo muito muderno para uma empresa com práticas tão conservadoras, mas será que já não era hora de começar a se reinventar?

domingo, maio 30, 2010

O "bom" e velho mundo corporativo

A gente trabalha muito em equipe lá na minha empresa. Todo mundo do meu departamento costuma fazer muitas reuniões, porque, na maior parte das vezes, nosso trabalho envolve outras áreas, que chamamos de "cliente internos" (não sei se correta ou incorretamente).

Às vezes, falta sala de reunião. A gente, então, apela para umas mesas que conseguimos por nas baias e que nos ajudam a fazer pequenas reuniões. Mesmo que a gente se controle o tempo todo, tem horas que falamos alto e acabamos atrapalhando as outras pessoas, então, reunião nessas mesinhas só em último caso.

Mas, no nosso departamento mora um Ogro. Um não, vários, mas esse é especial, porque não é nada "fofo". Outro dia, estávamos fazendo uma mini-reunião para fechar uma apresentação pro chefe. Não achávamos o tom: poucos slides, linguagem de negócios, e a gente tendo que vender um projeto pra lá de difícil.

O Ogro então passou e deu um encontrão na cadeira de uma amiga que participava da reunião. Acho que era para mostrar que ele não estava gostando da gente ali, que estávamos atrapalhando o "trabalho incrível" que ele estava fazendo (detalhe: sempre que eu olho na direção dele, ele nunca está fazendo algo relevante!). O encontrão foi tão grande que ela quase caiu da cadeira.

O surreal foi o fato dele não ter pedido desculpas. Então ela pediu. Foi quase um "me desculpa por existir"!

Depois, o Ogro fica sem saber por que ninguém quer a sua companhia para almoçar. Aliás, sempre que ele vai, por insistência do chefe, que pensa que existe um jeito daquela criatura se enturmar com alguém, eu acho um s...!

terça-feira, abril 06, 2010

Como sobreviver ao mundo corporativo

Eu queria saber. Qual é a fórmula? Será que alguém sabe?

Há algum tempo atrás, recebi o seguinte feedback: "Seu colega está reclamando que você intimida ele. Quando você coloca as suas opiniões, não dá espaço para ele se expressar."

O tal colega tinha acabado de chegar na minha gerência, era um cara completamente arrogante, que se sentia o maioral, tinha anos de empresa e estava acostumado a tratar todo mundo feito lixo. Eu simplesmente não aceito isso. Olhava pra ele e pensava: "como é possível esse cara estar aqui, nesta função, sem ter o menor jeito pra coisa?"

Mas, no fundo, eu sabia de que se tratava do tal corporativismo: aquela velha história da proteção que existe entre o povo com mais tempo de casa. Coitadinho, na outra gerência em que ele estava, se sentia perseguido, tinha perdido o cargo de confiança e seu salário, reduzido a quase a metade. Seria a tal da meritocracia? Imagina!

Esses dias, ele reclamou com um outro colega que não sabia porque tudo na nossa gerência tinha que passar pela minha mão. Seria porque eu sempre faço tudo com muito zelo e cuidado? Seria porque o chefe confia no resultado do meu trabalho? Não sei, tenho medo de ficar muito metida, mas tenho que reconhecer que sou boa mesmo. Aquela resposta "me desculpa por ser brilhante" também vale para essa criatura.

O fato é que esses dias, eu e o tal colega com o qual o injustiçado reclamou a meu respeito, fizemos um trabalho complicado. Um trabalho duro, para o qual ele foi solicitado a atuar como "supervisor"(como eu já contei anteriormente em outro post desta semana). Quando o meu colega enviou o trabalho por e-mail ao chefe e a essa criatura "do mal", ele fez questão de mencionar o meu esforço para que conseguíssemos cumprir o prazo. Não que ele não tenha feito a parte dele, ao contrário. Mas, é que quando a coisa aperta, o meu lado "trator" aparece e eu só largo o osso quando o trabalho está pronto.

Enfim, trabalho entregue, menos uma pendência. Não é que a criatura se deu ao trabalho de mandar um e-mail de volta ao cara com a seguinte frase:

"Parabéns, Fulano, seu trabalho ficou muito bom!"

E com cópia para o chefe e para mim. Ou seja, fez questão de não reconhecer nenhuma contribuição minha, para não dar o braço a torcer. E ainda tentou me humilhar, coitado!

Eu sou mesmo uma tonta. Meu chefe vive pedindo para que eu dê uma chance a ele, que ele é boa gente, que eu tenho muito mais condições de dar uma oportunidade para ele do que ele para mim (!!!!). As pessoas têm problemas de relacionamento interpessoal, aquela megadificuldade de lidar com os outros, uma mistura de timidez com grosseria, tudo aquilo que afasta os outros delas e, no final, a gente é co-responsável por não conseguir um "bom dia" descente, um "boa tarde", um "olá" condescendente. Eu estou cansada de me sentir culpada em relação a estas criaturas, estou a fim de usar o "del" com todas elas...

Um dia essa roda vira, ah, vira... e como diz o ditado, "ri melhor quem ri por último". Aguardo ansiosa por minha última gargalhada!

sexta-feira, abril 02, 2010

Conselhos que eu daria ao meu chefe, se ele me ouvisse

Eu gosto muito do meu chefe, que fique muito claro. Mas, ainda sobre a demanda que motivou o post anterior, eu andei pensando numas coisas que eu gostaria de dizer a ele, se ele pudesse me escutar só um pouquinho:

1) Se a demanda que ele nos entrega é pra amanhã, por favor, diga exatamente o que quer que a gente faça. Meu chefe tem a mania de deixar a gente ter idéias e, depois do trabalho pronto, começa a querer mudar tudo, pra coisa ficar do jeito dele. Tem horas que tudo o que a gente quer é que alguém diga exatamente o que tem que ser feito, para nos poupar tempo e esforço;

2) Se pediu para que alguém supervisione o trabalho, não passe a supervisão para outra pessoa no meio do caminho, sem comunicar à primeira. Assim não dá, assim não pode. É tirar o trabalho da sua mão, sem te dar a oportunidade de terminar o que você começou;

3) Se no meio do caminho decidir envolver outra pessoa, explique direitinho pra essa pessoa o que os outros, que já haviam sido envolvidos anteriormente, estão fazendo. Caso contrário, a pessoa não saberá porquê está sendo envolvida e não vai engolir as resistências dos demais às suas críticas tardias;

4) Se tem um prazo a ser seguido, não fique mudando o deadline a todo tempo. Caso contrário, a gente se sente "enrolado no xale da doida"(*) por muito tempo, e fica querendo se livrar do trabalho a qualquer custo e isso, infelizmente, prejudica a qualidade da entrega.

Eu diria isso pra ele, mas ele não interioriza essas coisas, não. Fazer o quê, né? Ele acha que faz uma gestão-natural, que as pessoas são auto-gerenciáveis, e que tudo dá certo no final. Até dá. Mas, que sobrecarrega uns poucos, ah, sobrecarrega!

_____________________
(*) Expressão cunhada por uma amiga baiana do escritório, que quer dizer mais ou menos "enlouquecido, doido com um monte de tarefas, ficando tererê!!"

segunda-feira, março 29, 2010

Esquizofrênicos corporativos

Eu tenho uma grande amiga que deu esse nome ao seu blog, e a quem eu já me referi algumas vezes aqui... Ela me disse que o lugar onde trabalho, e onde ela também já trabalhou, é um terreno fértil para a Esquizofrenia. Pois bem. Não é que ela tem razão?

Mesmo recebendo uma avaliação complicada, que não correspondeu às nossas expectativas, hoje estávamos lá, às 18:30 discutindo uma tarefa com o chefe que é para amanhã. E a demanda só chegou às 17:00.

Estou começando a achar que a resposta "Me desculpa por ser brilhante" (*) é a única que vale naquela empresa louca, em qualquer situação.

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(*) Essa foi a resposta que uma outra amiga deu ao seu chefe na sua avaliação (que também foi fraca). O argumento dele foi surreal, a resposta dela foi perfeita.

terça-feira, novembro 24, 2009

Os cinco estágios da carreira, por Max Gehringer

Existem cinco estágios em uma carreira:

1. O primeiro estágio é aquele em que o funcionário precisa usar crachá,
porque quase ninguém na empresa sabe o nome dele.

2. No segundo estágio, o funcionário começa a ficar conhecido dentro da
empresa e seu sobrenome passa a ser o nome do departamento em que trabalha.
Por exemplo, o Heitor da Contabilidade .

3. No terceiro estágio, o funcionário passa a ser conhecido fora da empresa
e o nome da empresa se transforma em sobrenome. Heitor do banco tal.

4. No quarto estágio, é acrescentado um título hierárquico ao nome dele:
Heitor, diretor financeiro do banco tal.

5. Finalmente, no quinto estágio, vem a distinção definitiva. Pessoas que
mal conhecem o Heitor passam a se referir a ele como "o meu amigo Heitor,
diretor do banco tal". Esse é o momento em que uma pessoa se torna, mesmo
contra sua vontade, um amigo profissional" .

Existem algumas diferenças entre um amigo que é amigo, e um amigo dito
profissional. Amigos que são amigos trocam sentimentos. Amigos
profissionais trocam cartões de visita.

Uma amizade dura para sempre. Uma amizade profissional é uma relação de
curto prazo e dura apenas enquanto um estiver sendo útil ao outro.

Amigos de verdade perguntam se podem ajudar. Amigos profissionais solicitam
favores. Amigos de verdade estão no coração. Amigos profissionais estão em
uma planilha.

É bom ter uma penca de amigos profissionais. É isso que, hoje em dia,
chamamos networking, um círculo de relacionamentos puramente profissional.
Mas é bom não confundir uma coisa com a outra.

Amigos profissionais são necessários. Amigos de verdade, indispensáveis.

Algum dia, e esse dia chega rápido, os únicos amigos com quem poderemos
contar serão aqueles poucos que fizemos quando amizade era coisa de
amadores.

[Max Gehringer
]

PS.: Este texto devia estar no Esquizofrenia Corporativa, mas achei oportuno que,
desta vez, estivesse aqui.

sábado, novembro 21, 2009

Sobre aquilo em que não acreditamos

Antes de começar, eu preciso dizer que acredito em muitas coisas. Uma das coisas em que acredito é que não existem coincidências. As pessoas entram e ficam na sua vida não por acaso. Há sempre algo a aprender.

Eu estava em casa ontem quando recebi uma ligação no celular do número 00000000. Achei que era essa gente que não tem mais o que fazer e que liga no feriado para tentar vender alguma coisa. Ainda mais na hora do almoço: bem típico. Eles não almoçam, não namoram, não vão a praia. Ficam o tempo todo lá do outro lado do telefone dizendo: vou estar transferindo, vou estar atendendo, vou estar oferecendo etc. Enfim, silenciei o celular e deixei ele tocar. Daí, recebi uma mensagem da operadora dizendo que havia uma mensagem pra mim daquele número. Como assim? Ligam pra nossa casa e ainda têm a coragem de deixar uma mensagem?

Como mulher é um bicho curioso por natureza, resolvi ligar pra caixa postal para saber o motivo da mensagem. Era o meu chefe. Esqueci completamente que quando ele está fora do país, o número que aparece no visor não é o dele. E que onde ele está, não é feriado, então nada mais natural que ele ligar pra mim.

Tentei falar com ele e ele disse: Espera aí que eu ligo pra você! É que ele estava na rua, estava frio, pois era de manhãzinha, e ele precisava entrar no carro e ligar o aquecimento, caso contrário, ia congelar. Então, quando ele ligou, me explicou que sonhou comigo, e fêz questão de observar que quase não sonha, e quando sonha não lembra dos sonhos. E no sonho, que na verdade, era um pesadelo, eu abria a porta do elevador, e sem me dar conta que não havia elevador, caía no poço. Ele só me ouvia gritando por socorro e não podia fazer nada. E daí ele acordou no meio da noite e não dormiu mais.

E disse: Não é nada, não se preocupe. Mas tome cuidado ao entrar em elevadores, ok?

Eu dei risada, que coisa mais estapafúrdia! Eu e os elevadores, sempre eles. Lá no trabalho, alguém tinha comentado que nossos elevadores são bons, são amplos, ventilados, até até pra ficar preso neles sem problema. Eu, como já fiquei, não achei nenhuma graça do comentário. Mas, vamos ao sonho do meu chefe.

Ele esteve fora esta semana, e ficou me mandando notícias pelo Blackberry. Todo mundo ainda perguntou: por que ele só manda notícias para você????? Acho que é porque o meu e-mail é mais fácil de memorizar! Contou do evento, dos jantares, dos contatos, dos livros, perguntou se alguém queria algo relacionado ao "Crepúsculo" e a "Lua Nova", que lá estava cheio de stuff sobre isso, como ele mesmo escreveu.

Mas no meio das mensagens, ele escreveu algo tocante, em função dos acontecimentos da semana: "Take it easy! Keep cool!"

Ele sabia que o bicho estava pegando. Sabia que, sem a presença dele aqui, tinha gente que tinha resolvido botar as manguinhas de fora, e sabia o quanto eu ficava braba com isso. Acho que o meu chefe tem medo das minhas explosões, porque quando elas acontecem, os resultados são incontroláveis. Antes mesmo dele pedir, eu já havia me conscientizado que tinha que dar uma volta, respirar fundo, e, ao responder qualquer mensagem, precisava ficar calma, tranquila. Como diz uma amiga: respirar paz.

Mas, o ambiente corporativo é uma derrota, uma droga, todo mundo quer comer o fígado do outro. Quando você chega num estágio em que não precisa provar mais nada pra ninguém, aí é que os pobres coitados resolvem que tem que mostrar que são melhores do que você, pra mostrar que têm alguma competência. Precisa disso, não! É só se concentrar em fazer bem o seu trabalho e evitar problemas de comunicação, ruídos, e que tais.

Ao invés de trabalharmos juntos para melhorarmos nosso desempenho, estamos sempre atrás de sermos os melhores, e a tal competição nunca tem fim.


Anteontem, eu desabei. Foi uma semana muito complicada para mim. Quanto mais sapo eu engulo, pior eu fico. Quanto mais eu tenho que lidar com estas pessoas, mais eu sofro. Fico me perguntando às vezes se não teria sido melhor continuar na Universidade, estudando, publicando os meus artigos, dando as minhas aulas.

E o meu chefe, que não acredita em nada, acabou me dizendo, nas entrelinhas, que se preocupa, que sabe que não foi fácil, mas que é só tomar cuidado, que essas coisas são todas contornáveis! Valeu, chefe!