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sábado, janeiro 28, 2012

Elegância

Elegância. Isto é uma questão de berço. Ainda esta semana, estava conversando com o pessoal lá do trabalho sobre algo que trago muito comigo. O ensinamento de meus pais que não devemos fazer com os outros o que não gostaríamos que fizessem conosco.

Mas, tem gente que não aprende. Hoje, estive num batizado, que se prolongou num almoço. Estávamos chegando ao restaurante quando fomos informados que havia ocorrido um probleminha com a feijoada contratada, que ia atrasar. Todo mundo estava na maior boa vontade de tentar contornar o problema pois o que queríamos mesmo era passar algumas horas juntos em família. As mães, com sempre, foram logo providenciando soluções para aplacar a fome da moçada, e de repente surgiram pastinhas e torradinhas por todos os lados.

No entanto, presenciei uma cena um pouco bizarra, com uma das avós de uma das crianças batizadas e sua irmã. Ainda assim, apesar da estupidez e da grosseria que eu tive que "engolir" antes do almoço, eu pensei que era coisa entre irmãs, e que isso pode acontecer a qualquer tempo e hora (pensando bem, não pode não, não em público).

Quando finalmente a feijoada saiu, fomos convidados pelo dono do restaurante a nos dirigir para o segundo andar. A senhora empurrava o carrinho do neto, quando se viu tendo que subir uma escada com o carrinho e o neto. Ordenou ao garçom que carregasse o neto e o carrinho escadas a cima, o que já foi estranho. Pronto, o sujeito se achou no direito de dar uma sugestão à senhora: Por que a senhora não leva o bebê e eu levo o carrinho?

A mulher começou a gritar, a dizer que o homem estava maluco de falar com ela daquele jeito, a chamá-lo de retardado, e outras coisas piores. Eu fiquei estarrecida. Não conhecia aquela pessoa, e rogo em dizer que ela não é da minha família, mas a minha impressão foi péssima. Fomos todos solidários ao garçom, pois presenciamos a cena. Comentamos a da falta que um bom "tarja-preta" faz, mas de fato, isso é falta de educação, não de remédio... falta muita elegância para essa senhora, que se acha no direito de tratar a qualquer um, seja um desconhecido ou sua própria irmã, com uma rudeza, uma aspereza, uma grosseria atroz. Eu confesso que perdi a fome e quase não comi mais.

Essa cena me lembrou a Sandra Annerberg, que ficou falada em 2011 nas redes sociais por criar um bordão e usá-lo a toda hora: "Sejamos mais elegantes!". Ela chegou a desejar, no final do ano, que fôssemos mais elegantes em 2012. Isso começou por causa de um incidente com a repórter Monalisa Perrone, que estava fazendo uma reportagem em SP e foi agredida. E ela, já naquela época, pediu elegância!

Olha só a cena...




Ninguém merece, não é mesmo?

O interessante foi o comentário do garçom: "ela faz isso comigo porque está aqui dentro, e eu sou profissional. Mas, ela não pode me tratar que nem cachorro. Queria ver se fosse lá fora..."

Não pode mesmo.

A gente vê isso também no ambiente de trabalho a toda hora. Quando é que vamos atender ao pedido da Sandra?

E você, tem se lembrado de ser elegante e educado com os seus?

domingo, novembro 14, 2010

Por que nunca se deve assustar uma mulher na TPM

Acordei cedo, tomei meu café, um banho rápido e tratei de colocar o vestido que havia deixado esticadinho, passadinho, no dia anterior. Estava me sentindo ótima naquela roupa nova, comprada para uma ocasião especial. Neste caso, iríamos receber uma consultora internacional, então eu achei que eu merecia estar bem, visto que tinha grandes chances de acabar ciceroneando o evento.

Escolhi um casaquinho que combinasse e saí, de vestido preto, sapato-boneca e bolsa verdes e tudo em cima, com maquiagem caprichada. Só que eu me dei conta de que estava irritada, por causa da TPM. Respirei fundo e fui pro trabalho.

O transito estava ótimo, cheguei em quinze minutos no trabalho, bem a tempo de receber a consultora, que chegou com um colega.

A reunião foi ótima, melhor que a encomenda, gastei meu inglês direitinho, as pessoas gostaram, tiraram proveito da mesma, a consultora realmente sabe do que está falando, durou o tempo que deveria durar e, para celebrar, resolvemos convidá-la para um almoço no Da Silva, restaurante português que fica na Av. Graça Aranha.

Na volta, caminhávamos muito tranquilos pela rua (éramos em sete), eu conversava com uma amiga de outra área, quando um camelô nos abordou aos berros:

- Vai um catchup aí, dona?

Se a intenção dele era nos assustar, conseguiu, pois o pânico de ficar com a roupa suja foi maior do que qualquer bom senso que uma mulher na TPM podia ter.

Eu enfiei a mão no camelô...

A única coisa que eu me lembro de ter dito foi:

- Ai, moço, não me assusta! e dei-lhe um tapão no braço, daqueles que deixam a nossa mão doendo...

E ele ficou lá, gritando:

- Calma, dona, calma, dona, pelo amor de Deus, é só brincadeira...

Ô brincadeira sem graça! Por isso que não se deve assustar mulher na TPM, corre-se risco de vida! E a minha amiga ficou tirando uma com a minha cara, cantando:

- Ai, ai, elas estão descontroladas...

segunda-feira, novembro 08, 2010

Encosto: meu dia de Saraiva (ah, se eu tivesse uma arma!)

Sábado passado foi o dia do encosto. A galera resolveu se encostar em mim. Sabe como é? Ficar na aba do teu chapéu? Pois é...

Começou por volta da hora do almoço. Tolinha que sou, pensei que fosse apenas um instante passageiro. Mal sabia que duraria o dia inteiro.

Cheguei em casa do curso de inglês, e fui correndo na "5àsec" antes que fechasse, para deixar duas camisas. Não estou mais à fim de gastar minhas unhas e meu tempo no tanque e no ferro de passar. Cansei! A lojinha da lavanderia aqui perto de casa é minúscula. Não, deixa eu corrigir, o espaço para os clientes é minúsculo, quando entra um, o outro tem que esperar do lado de fora. Lá estávamos portanto, eu e meu marido (que foi junto pois dali íamos almoçar) esperando do lado de fora, como se fôssemos um par de "dois de paus", enquanto uma senhora retirava de uma sacola de pano enoooooorrrrrme do Carrefour da França um monte de roupas e ainda, umas cortinas de linho, daquelas que encolhem mesmo. O atendimento à senhora não terminava e nós dois engrenamos num papo animado, sem deixar de notar, é claro, o que ela estava deixando para lavar (é que eu fiquei chocada quando, dias antes, a moça da lavanderia me contou que a galera deixava calçinhas e soutiens para lavar também)...

De repente, uma moça com o cabelo muito vermelho (natural, diga-se de passagem), chegou e entrou, sem pedir licença nenhuma aos dois patetas que aguardavam do lado de fora. E ficou esperando - do lado de dentro - para ser atendida, espremendo a outra senhora, que quase não conseguia se movimentar. Eu disse pro meu marido:
"Deixa, então, eu entrar porque senão outra vai chegar e passar a minha frente!"

Quanto a senhora saiu, a atendente virou-se pra mim e perguntou: "Pois não?"

A outra reclamou. Ela então disse que eu já estava esperando há mais de dez minutos. A vermelhuda então disse que não me viu. E eu descobri que sou invisível. Perguntei a ela se por acaso ela achava que eu estava ali, do lado de fora, olhando pra porta, como se fosse um cachorro hipnotizado em frente a uma padaria, esperando o frango assado ficar pronto!?

A mulher não respondeu. Tá certo, eu fui grossa à beça, mas dizer que não me viu foi o Ó!

Resolvida a questão lavanderia, fomos ao restaurante. Meu marido adora comer um galetinho no sábado. Isso começou tem pouco tempo e eu não sei até quando vai durar. Só sei que eu odeio comer em restaurante em beira de calçada. Mas, como ele anda bonzinho, não quero desagradá-lo. Estávamos bem no final do galetinho, uma delícia, vale registrar, no restaurante da esquina da Rua Campos Sales com Doutor Satamini -que eu não sei o nome -, quando chegaram duas senhoras.

Uma delas caminhava com dificuldade entre as mesas, toda tremula, segurando a bengala. A outra seguia analisando as mesas e vendo quem já estava acabando. Quando chegou ao nosso lado, parou e ficou atrás de mim (encostada, que fique bem claro!), esperando que acabássemos. Foi o meio copo de coca zero mais demorado que eu tomei na vida! Até que elas desistiram e foram em busca de outra mesa, por que tinha, lá isso tinha.

Pois é, segundo encosto.

Eu fiz questão de dizer ao meu marido que se eu ficar pentelha assim quando ficar velha, que ele me interne, pois eu não gosto de "secar" o almoço de ninguém em restaurante, prefiro procurar por outro. Mas, do jeito que eu estava "tolerância zero", fiquei foi com medo dele querer me internar agora, isso sim...

Mas, a saga continua.

À noite, fomos ao MOMIX. Maravilhoso espetáculo. Lindo demais. Merece um post a parte. O Municipal está que é uma beleza, mas a frequência da galera, não se pode dizer o mesmo.

Chegamos cedo, passeamos pelo teatro, sentamos na ponta, como meu marido gosta, e eu percebi que éramos responsáveis pela separação de uma família. Três estavam do nosso lado (o marido, o filho - de cinco anos! - e a esposa) e um outro casal, na fila de baixo. Eu até olhei para ver se a localização deles era tão boa quanto à nossa, mas temia que não fosse, então não sugeri ao marido que trocássemos de lugar. Só que, como sábado era dia do encosto, é lógico que os três do meu lado acharam que aquilo ali era um estádio de futebol. O menino falou o balé inteiro... as duas horas de espetáculo! O pai comentou cada cena, além de enchê-lo de beijos, o que era muito bonitinho no começo, mas fazia com que ele não parasse quieto um minuto sequer, e o tempo todo me enfiasse o pé na calça de seda.

Por fim, o garoto disse que estava com sono, e para ninar o pequeno, colocou-o no colo, sem esquecer de posicionar os pés do garoto em cima da minha calça. Vem cá, eu sou da família? Tenho alguma coisa a ver com isso? Dá pra mudar de lugar que o senhor está me incomodando? E ele foi pro lugar do garoto, dizendo que eu era uma intolerante. Agora, alguém garante que aquele garoto veio de casa até o teatro no colo e que aqueles tênis estavam limpos? Onde foi parar a educação das pessoas? Eu preciso pedir este tipo de consideração ou isso não deveria ser default? Tem que levar uma criança de cinco anos para um espetáculo de balé às nove da noite, sabendo que vai durar duas horas e meia? Deixa a p... do garoto dormir um pouco, cara!

A minha vontade era quebrar meu guarda-chuva na cabeça daquele pai, mas eu respirei fundo... (estava chovendo à beça lá fora...)

Na hora dos aplausos, a velha (outra!) que estava atrás de mim, me deu um cutucão porque eu resolvi aplaudir de pé. Eu queria mandar aquela velha tomar no olho retrovisor, que é cego, mas aguentei firme, e sentei, pra pobre poder ver alguma coisa. Afinal, todos estavam em pé e eu não preciso ver os bailarinos mesmo, não é? Isso é um detalhe que não faz a menor diferença...

Agora, pensa que acabou?

Pra coroar a noite, pegamos o metrô de volta pra casa. Quando eu achava que nada mais ia me acontecer, a moça do banco de trás se "aninhou" nas minhas costas pra tirar uma sonequinha! Comigo não, violão! Te avia! Levantei imediatamente e só ouvi o som oco da cabeça da folgada batendo na parede do metrô... Eu lá tenho cara de almofada?

Ou está todo mundo muito folgado e mal educado, ou o mundo está se acabando! É por isso que eu não posso andar armada...seria um perigo!

quinta-feira, novembro 05, 2009

O mal que uma vendedora de roupas pode te fazer

Ontem eu resolvi tentar comprar uma blusinha fresca, de algodão. Tentar, porque nem sempre isso é uma tarefa fácil. Como estava de bobeira na hora do almoço, fui ao shopping e entrei numa loja que eu gosto muito, para dar uma olhada. Gostei de duas, não de três. Mas, me assustei um pouco com o preço estratosférico. Eram só umas blusinhas de algodão, não tinham nada, mas absolutamente nada, que justificassem uma faixa de preço em torno dos R$ 200,00. Pensei cá com os meus botões: tudo bem, eu experimento, depois peço pra minha tia fazer pra mim.

Pedi as que eu gostei pra vendedora, e lhe informei o tamanho. Ela me tirou com os olhos, dando uma scanneada nada sutil, e me disse, com um ar muito sério: não, querida, seu tamanho não é esse.

Conduziu-me ao provador e em menos de cinco minutos, apareceu com 20 blusas dois pontos menores. Eu, que tinha dito pra ela que não tinha muito tempo, olhei pra aquilo tudo e pensei: como é que eu vou explicar pra essa criatura (nome que eu carinhosamente uso para designar pessoas limitadas) que eu não vou nem começar a experimentar estas coisas se não vou ficar deprimida e com menos tempo ainda?

Ela largou aquilo tudo no provador e eu comecei a pensar num filme do Jason, ou do pequeno Chuck, ou no que eu faria se tivesse um punhal ali comigo.

Em pouco tempo, ela retornou e perguntou: gostou do quê?

Como assim, eu quase não experimentei nada! Nesta hora eu já estava me preparando para sair, quando ela insistiu em me trazer mais roupas. Calças, inclusive. Mas, eu só queria blusas! Qual a parte do "estou sem tempo" ela não entendeu?

Então, eu ainda me dignei a experimentar duas peças, com aquela moça me olhando de cortina aberta, o que eu o-d-e-i-o. Dei um jeito de fugir, desaparecer, antes que meu lado monstro aparecesse e eu começasse a proferir blasfêmias contra ela.

Por fim, passei o resto do dia com um gosto amargo na boca, de quem comeu e não gostou, uma sensação de tempo perdido, de maus tratos, de ter sido feita de besta, que otária!

E cheguei a conclusão de que vendedora boa tem mesmo é que ser valorizada, aquela que te trata bem, conhece seus gostos, não tenta te empurrar peças estranhas só pra vender, te atende com atenção... vender é uma arte, e é para poucos!

segunda-feira, setembro 28, 2009

A volta pro Rio

Tudo marcado para às 9:30. O vôo, pela Gol, sairia do Aeroporto Internacional, e nós tínhamos que sair do hotel às 7:45 hs.

8:00 e nada do motorista de taxi que contratamos aparecer. Ligamos pra ele. Ele estava dormindo. Pode? Disse que não ia não, pediu umas desculpas esfarrapadas e voltou a dormir.

Conseguimos outro taxi. R$ 20,00 mais caro, mas eficiente. No meio do trajeto, o cara atende ao celular e diz pra quem está do outro lado da linha que estava virado, ou seja, não tinha dormido aquela noite. Gelei, mas fomos em frente.

Ao chegarmos no aeroporto, ele me deu o seu cartão e me disse que ficaria feliz em ser minha segunda opção. Tudo bem, com ressalvas.

No check-in, descobrimos que o vôo estava atrasado. 1 hora e meia. Pensamos que íamos mofar ali. O aeroporto nem tem muita coisa pra fazer.

Olhamos vitrine, tomamos café, conversamos, rimos, mas nada da hora passar.

Quando finalmente resolvemos entrar na sala de embarque, vimos que o vôo atrasaria mais ainda. Só sairia às 12 horas, ai meu Deus.

Para piorar, na hora do embarque, liberaram os assentos para livre escolha. Ou seja, foi um Deus-nos-acuda, um estouro-da-boiada. Eu não queria saber, ia sentar na 22 C, custasse o que custasse. Afinal, queria ir no fundo e no corredor. Acabou dando tudo certo.

Não é que os comissários da Gol ainda se sentiram ofendidos porque o povo estava reclamando? Não é que ainda foram grosseiros com as pessoas? É o fim do mundo, não?

Pois, no final, gostei do que ouvi de um senhor:

"O problema é que a Varig virou Gol e não o contrário!"

Quanta diferença! Onde está a inteligência destas linhas aéreas?