domingo, abril 25, 2010

Filosofia Page

Não dá para não publicar aqui alguns trechos do livro do Martin Page que mencionei no outro post. Através de Virgile, ele escreveu coisas incríveis... aqui vão elas:

"Há um paralelo perturbador entre o crescimento do turismo e a multiplicação dos casos sentimentais. Amamos da mesma forma como viajamos, por períodos curtos e seguindo roteiros predeterminados. Apaixonamo-nos para ter lembranças, cartas, um conjunto de sensações, novas cores em nossas íris; para ter o que contar no escritório, aos amigos, ao nosso psicanalista. Não existe diferença entre o amor e as viagens, pois sempre voltamos a eles". (pg. 101)

Eu sempre achei que o importante é ter história, que a gente deve se dar ao direito de se apaixonar, sofrer, e até buscar a cura depois, pois se a gente nào se permite a isso, como vamos conseguir acertar um dia? Contudo, Page coloca essa frase na fala de Virgile com uma visão extremamente pessimista da coisa, como se as pessoas desistissem muito facilmente das outras, se dar chance de o amor surgir depois da paixão...

"Só existe uma forma de não nos arriscarmos a perder aquele que poderíamos amar. É não permitindo que eles entre em nossa vida". (pg. 155)

Então, pra isso, a gente precisa estar incrivelmente distraído pra deixar que esses estranhos nos arrebatem e se instalem nos nossos corações sem pedir licença, já que, pra quem pede, normalmente, a gente raramente dá, não é mesmo? Tudo que é mais difícil é bem mais gostoso.

"(...), mas o fato é que não há nada por comemorar quando nossos amigos dão certo na vida e se apaixonam, pois isso os afasta de nós. Os grupos mais sólidos de amigos se apoiam em fracassos profissionais e sentimentais". (pg. 94)

Taí uma outra verdade. Se você está mal e seus amigos começam a se acertar, a sua tendência é buscar por outros amigos... é o famoso "ficar segurando vela", sentir-se sobrando. É péssimo. Tanto um lado quanto o outro começa a se ver como ameaça... até hoje não sei porque.

"Virgile imaginava as mulheres que amava. Provavelmente, aliás, amava-as justamente por imaginá-las. Ao encontrá-las, cobri-as com traços que não lhes pertenciam. (...) Espontaneamente, quando imaginamos o nosso parceiro ideal, desenhamos a nós mesmos, sem as lacunas ou as fragilidades e com o sexo que mais nos convenha". (pg. 85)

E esse talvez seja o nosso maior problema, a gente imagina demais os outros. O amar APESAR-DE advém justamente de imaginarmos coisas, intenções, falta delas, motivos, razões, e de perdoarmos qualquer ato negativo por julgarmos o ser-amado por nós, ou seja, pela forma com que agiríamos com ele.

"Não podemos ser felizes sem renunciar a sê-lo". (pg. 81)

Termino esse post com essa frase fantástica. É pra pensar. Estou selecionando outros trechos para publicar aqui para vocês.

Um comentário:

Tertúlias... disse...

Bonito... bonito... Nao podemos ser felizes sem renunciar a se-lo...