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terça-feira, setembro 17, 2013

Piruá

Tenho pra mim que a Martha Medeiros é uma sábia mulher, assim como a Lya Luft. Elas conseguem filosofar sobre coisas simples e cotidianas. Esses dias, li um trecho de um livro dela (tenho vários) que dizia...


"Pesquisando sobre o tema, descobri que o milho que não estoura se chama piruá. Sabe aquele milho que sobra na panela e se recusa a virar um floquinho branco, macio e alegre? Piruá. E aí tenho que concordar com o escritor Rubem Alves, que já escreveu sobre o assunto: tem muita gente piruá neste planeta. Gente que não reage ao calor, que não desabrocha. Fica ali, duro, triste e inútil pro resto da vida. Não cumpre sua sina de revelar-se, de transformar-se em algo melhor. Não vira pipoca, mantém-se piruá. E um piruá emburrado, que reclama que nada lhe acontece de bom. Pois é. Perdeu a chance de entregar-se ao fogo, tentou se preservar, danou-se."


Pois é, depois de velha, esse se tornou meu maior medo. Não estourar, virar piruá. Quero muito do mundo, da vida, quero realizações, como se eu tivesse que realizar algo todos os dias para ser feliz! Por isso, anoto tudo que eu faço, como num diário. E como se eu pudesse quantificar e qualificar minhas realizações, vou levando a vida. Certa ou errada, esse é meu jeitim de viver...



Só sei que essa gana de viver e de realizar me impulsiona a viver e a caminhar, mesmo naqueles dias piores, onde a gente não tem força nem para levantar da cama. E assim a gente vai vivendo, fazendo bonito...

A única coisa que falta é o RISCO. Tenho que me conscientizar que viver é correr riscos, e botar mais adrenalina na história... mas, isso é assunto pra outro post.

quinta-feira, setembro 08, 2011

29/45

Hoje é meu 29o. dia de prisão domiciliar. Esta semana foi mais folgada. "Obtive" do maridão alguns alvarás de soltura e fui à rua sozinha. Confesso que ainda tenho um pouco de medo de sair sozinha, de cair de joelhos, como vinha acontecendo antes. Então, dei uma de Angélica e fui de táxi.

Consegui retomar minhas seções de acupuntura, voltei à terapia, fui fazer os exames de sangue sozinha. Ontem, fui ao shopping. Queria dar um presente pro maridão, já que a loja que ele gosta estava com uma super promoção de 70%. Confesso que, combinando feriado e shopping cheio, eu fiquei muito, mas muito cansada. Olha que não andei quase nada, estava com ele, que me deu o braço e tomou conta de mim o tempo inteiro... mas, o fato é que ainda não estou pronta para essas estripulias. Tenho mesmo é que ficar em casa. Full time. O resultado é que peguei um resfriado, não sei como, mas também não preciso saber... agora não estou podendo pegar nada...

O sono agora anda bastante irregular, uma hora durmo muito, na outra tenho insônia. Vida boba essa minha...

Tenho descoberto muita coisa na Internet. Agora que voltei a ler (pois antes não estava conseguindo), retomei alguns dos livros que estavam na cabeceira... e até voltar a trabalhar, espero ter conseguido acabar a leitura.

Estou apaixonada por um site de fotos que está aí, na barra lateral direita (We heart it!)... tem cada imagem linda...

É isso, um tempo de esperar, esperar, esperar... espero pelas ligações dos amigos, pelos e-mails deles, pelos alôs, pelas visitas em casa... espero por qualquer sopro de contato com a realidade, com o mundo lá fora, que continua girando, girando, girando...

Esse tempo reclusa tem me feito pensar nos idosos. Eles ficam tão alheios ao que acontece na vida das pessoas, os mais novos os deixam tão abandonados (e eu me incluo neste grupo), que viver é quase como estar semi-morto. Ver a vida pela janela, pela Internet, ou pela tv, é algo desesperador. Tenho cada vez mais certeza de que, para envelhecer bem, você deve se cercar de atividades e de amigos, evitando a reclusão. O joelho está doendo? Esquece, vai pra rua... Você acordou fraca hoje, busque energia na hidroginástica... Não esmoreça, faça alguma coisa...

Se eu tenho mais uma coisa para aprender desse tempo, é que o corpo só está bem, se a cabeça está bem também!

Música do dia:


PS.: Deixa eu explicar o título do post. Serão 45 dias em casa. Eu já cumpri 29. Sabe o encarcerado que marca na parede cada dia com um tracinho, até formar 5 (4 com um na diagonal), e vai somando de 5 em 5? Estou quase assim... Ninguém merece!

quarta-feira, agosto 05, 2009

Eternamente 'de bode'

Meu eterno chefe 'ASOS' enviou esta foto hoje.
Esta é para quem está eternamente 'de bode'...
De fato, o 'cabra' está com o 'bode' nas costas...
Saca só como o bode está agarradinho!
Parece até que está gostando da carona?!

terça-feira, julho 14, 2009

Esconde-esconde?

O telefone toca. Ela atende. Mas, não é apropriado atender.

Quem está com ela, sabe quem é do outro lado da linha. Lê seus pensamentos.

Não queria ser assim, tão transparente. Faz cara de indiferente, apesar de estar feliz.

Mais uma vez. A quarta hoje. O outro desliga.

Ele pergunta quem é e confirma suas suspeitas. Ela não esconde mais nada.

Não quer mais nada nessa vida. Chutou o balde. Está mesmo feliz.

terça-feira, junho 30, 2009

O final de um ciclo

Há mais ou menos um ano, eu me inscrevi num curso que eu tinha ouvido falar lá na empresa e que me atraiu por ter uma proposta diferente, por ser num local isolado e por me permitir ficar uma semana, de dois em dois meses, afastada de tudo, tranquila, sem telefone, tv e jornal.

Fui a três módulos neste sítio distante até que, no final do ano passado, optei por vir fazer o curso em Itaipava, no Rio de Janeiro. O local distante tinha ficado distante demais: de dois em dois meses, era uma luta ir à São Paulo e encarar uma corrida de 1 hora e meia até o sítio. A volta então, era dolorosa.

Mas, o curso em si, foi transformador. Do primeiro módulo até esse que estou fazendo agora, muita coisa aconteceu. Sofri, aprendi a dar e receber feedback, aprendi a conduzir uma reunião para tomada de decisão com efetividade, aprendi que a vida da gente é dividida em setênios e que cada um é marcado por uma série de características que a gente só vai entender no setênio seguinte. Descobri que eu sou uma pessoa muito colérica, que fica braba quando é contrariada e que, para não magoar os outros, tem que sair de perto - é uma estratégia - porque, caso contrário, fala besteira e depois se arrepende. Aliás, todo colérico tem um coração do tamanho do mundo.

No primeiro módulo, fomos convidados a escrever uma carta, na qual contaríamos para a pessoa que somos hoje, quase um ano depois de iniciado o processo, como estamos, o que aprendemos, como vivemos esse ciclo, de que modo evoluímos e como queremos dar continuidade ao que fizemos. Nesta carta, que reli hoje, me surpreendi com um parágrafo em especial, que transcrevo aqui:


"R., com o tempo você foi aprendendo a pensar mais antes de agir, a perdoar-se pelos seus erros e a entender que a sua dúvida, ou o seu medo, também pode ser o medo do outro. Você viu que não precisa estar armada o tempo todo, andar desconfiada de tudo e de todos, com uma armadura que a torna invencível mas que também te presenteia com dor e solidão".

Na aula de hoje, vimos que estas armaduras são típicas da fase racional, em que o homem se veste de cavaleiro, monta em seu cavalo e acha que pode tudo. Ela se configura entre os 28 e 35 anos, uma fase em que a gente está com foco nos resultados, e acha que se mudar a vida toda, tudo vai acabar bem. E eu, que já estou no setênio seguinte, estou acabando por entender, como diz um grande amigo, que eu sou o que sou. E o que sou já é algo tão grande, que eu não preciso me esforçar em parecer mais nada. Nossa, como eu aprendi. E como doeu...

Eu não sei o que vem neste último módulo, que estou fazendo esta semana. Trataremos da nossa biografia. Não sei quando foi a hora da minha virada. Só o que sei que ela já está se refletindo externamente, no meu astral e no meu corpo, num encontro com aquela que eu era e de quem eu já gostei tanto um dia.

O único problema que teremos que enfrentar, além dos nossos fantasmas particulares, é o frio, que insiste em nos castigar. Mas, nada que a gente não consiga vencer, com calma e tranquilidade...

Em tempo, o curso que estou fazendo é a Formação de Consultores e Líderes, da ADIGO.

terça-feira, agosto 26, 2008

Duas ou três coisas que aprendemos com estranhos

Esta semana, recebemos dois consultores internacionais na nossa empresa. Um deles é inglês e a outra, portuguesa, mas vive em Londres há muito tempo. Ambos são muito simpáticos.

Vieram ao Brasil pela primeira vez para participar de um evento como palestrantes e visitar nossa empresa. Mas, não tiveram a oportunidade de visitar nossas instalações.

Adoraram o que viram por aqui. Nós os hospedamos num hotel de frente para a praia de Copacabana (ponto para nós) e pusemos um carro à disposição deles - o que eu acho que foi mais um ponto para nós. É, acho que nós acertamos!

Os ingleses não conseguem entender muito bem essa nossa falta de pontualidade. Eles são realmente pontuais. Até se surpreendem com o quão amáveis nós somos, mas acho que preferiam que fôssemos menos expansivos e mais responsáveis com o horário.

Realmente, os ingleses são bem formais, é um tanto difícil "quebrar o gelo". Se eles são tímidos, então, é quase impossível abordá-los. E na hora de cumprimentá-los com beijos? Chega a ser curioso notar o susto que eles levam quando as pessoas começam a se beijar e a beijá-los (ao se conhecer ou se despedir). Ainda mais, quando rola um beijo em cada bochecha. (Mas um aperto de mão já não estava bom?)

Dentro deste contexto de formalidade dos ingleses, eles adoram seguir uma agenda e uma pauta. Se alguma coisa dá errado ao longo da reunião, parece que não há jogo de cintura - como temos - suficiente para mudar o plano. Mas, há que se reconhecer, a competência deles é impressionante.

Ah, e como eles são ansiosos! Acho que se eles tivessem que viver imersos no nosso "regime burocrático" (no sentido mais pejorativo da palavra), sofreriam um enfarto por semana. Imagina receber a autorização para uma viagem internacional na véspera de viajar, se as diárias na mão, nem o bilhete emitido! Um atraso na emissão das passagens gerou uma troca de mais de 30 e-mails em menos de dez dias! Acho que a gente só tem paciência com eles porque eles são estrangeiros e, com certeza, eles não nos entenderiam...

Mas, eles são como nós, curiosos! Afinal, somo todos seres humanos, não é mesmo? Se bem que há quem eu ache que ainda não evoluiu e continua irracional! Ao chegar no Brasil, quiseram conhecer o que era típico do nosso país: frutas, sucos, comidas, pessoas, lugares! Adoraram ir a uma churrascaria, que, muito bem escolhida, fica de frente para o maior cartão postal do Rio de Janeiro: praia do Flamengo, Baía de Guanabara, Pão de Açúcar, Ponte Rio-Niterói, Aeroporto Santos Dumont. Para qualquer lado que se olha, há história para contar. Além do rodízio de carnes - que hoje eu já acho uma coisa assustadora! - a paisagem os impressionou bastante. Ficaram fascinados! Pena que a foto que tiramos não tenha capturado tudo o que vimos, muito menos a emoção que aquela paisagem nos causou a todos!

O inglês voltou do banheiro, ou restroom, como ele mesmo frisou, encantado (ou seria melhor dizer, perturbado?) com um desinfetante que encontrou nos mictórios, na forma de cubos de gelo. Nunca vira coisa igual! Para ele, era como se houvesse descoberto a pólvora. Disse que em nenhum outro lugar do mundo, viu uma inovação dessas. Foi quando um dos convivas brasileiros acrescentou que também serve para evitar a molhadinha, o respingo... (e eu que nem sabia que ela rolava!)...

Ainda sobre banheiro, eles se assustaram quando conheceram nosso protetor de assento - muito comum em banheiros femininos. Não é que, lá pela tantas, fez-se questão de ressaltar que o buraco do tal protetor é em forma de coração (mas, será que isto é uma questão de design, ou o que se quer é passar uma mensagem calorosa com o produto?)...

A portuguesa se encantou com o mostruário de sobremesas. Ficou tão doida por uma mousse de maracujá, que queria comer aquela ali mesmo. Quando botou a mão, aproveitamos para lhes contar: é falsa! Veja que interessante nossas "false desserts"! O inglês rolava de rir, a portuguesa sentiu um misto de vergonha, por não ter percebido antes, e surpresa, pela peculiaridade (Brasileiro é tudo doido mesmo!).

Como curiosos e observadores que são, repararam que a tábua de queijos oferecida pelo hotel cinco estrelas em que fizemos nossa reunião não trazia um só queijo nosso - típico, popular, como o de Minas. Hotel chique só serve queijo italiano ou francês: provolone, cottage, gouda, gruyére... Que bobagem! Quando é que vamos entender que chique é valorizar o que é nosso? Os gringos já entenderam!

Provaram o guaraná Antárctica e se surpreenderam ao descobrir que se tratava de uma "gasosa de fruta brasileira" - uma bebida sem álcool, ao contrário do que pensavam.

Foram nas Sendas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, e acharam o supermercado horroroso. Mas, ficaram surpresos em ver o sabão em pó OMO firme e forte na prateleira, a mesma marca, as mesmas cores. Segundo eles, esse sabão deixou de ser vendido na Inglaterra há trinta anos.

É difícil conversar com pessoas estranhas quando não se domina a sua língua, mas com um pouco de esforço, rolam umas "small talks", como eles dizem. Mas, para que esse relacionamento se desenvolva, não se pode ser apenas superficial. O caminho é árduo, mas possível.

Respeito, cordialidade, atenção e gentileza são palavras que, enfim, resumem o que aprendemos com eles. Daqui a pouco, vou aprender mais um pouquinho. Vou para a terra deles.